Marx e Berardo – a mesma luta!

Viram o grande revolucionário Joe Berardo ser abraçado pelos trabalhadores da PT, antes de entrar para a Assembleia que vetou a OPA do Belmiro?

Os trabalhadores arranjaram ali um grande aliado, um verdadeiro defensor dos direitos dos operários e camponeses, soldados e marinheiros!

Qual Louçã, qual Jerónimo! O genuíno garante dos direitos dos trabalhadores foi Berardo, esse marxista coleccionador de arte moderna, esse revolucionário accionista anti-Sonae, esse progressista criador de riqueza para os pobres e os desvalidos!

Marx, Engels, Estaline, Lenine, Mao, Guevara, Berardo ““ a mesma luta!

Trancas no Portas

Mas, afinal, quem é este tipo, que, num dia, comenta a entrega dos í“scares, no outro, entra em directo do CCB, em todos os telejornais e, no dia seguinte, é entrevistado no canal público de televisão?

Quem é este homenzinho, que já foi ministro da Defesa e que, há escassos 2 anos, como líder do CDS, foi derrotado em toda a linha, tendo menos votos que o PCP?

Que percentagem de portugueses representa este senhor, para merecer a atenção dos telejornais?

Que pretende fazer ele que já não tenha feito, enquanto esteve no governo?

Que ideias novas tem, que coisas fantásticas aprendeu nestes dois anitos, de tal modo importantes, que valha a pena tornar a investir nele?

Quer ser o chefe da Oposição? Quer ser chefe do governo?

Não quererá, também, o rabinho lavado com água de rosas?

O fulano já lá esteve e os eleitores mostraram, claramente, que não o queriam.

Depois de casa roubada – trancas no Portas!

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“Volver”, de Pedro Almodí´var

volver.jpgAlmodí´var gosta de filmar mulheres. “Volver” é uma história sem homens: apenas Paco, companheiro de Raimunda (Penélope Cruz), faz uma curta aparição, bebendo cerveja, enquanto assiste, na televisão, a um jogo de futebol, ao mesmo tempo que olha, lubricamente, para as pernas da filha adoptiva. No dia seguinte, estava morto.

A crendice popular, de que os mortos podem regressar í  Terra, se tiverem deixado alguma promessa por cumprir, faz com que algumas das personagens de “Volver” não se apercebam que a mãe de Raimunda (Carmen Saura), afinal, não regressou dos mortos. Afinal, ela nunca chegou a morrer. O corpo carbonizado da mulher, na cama, ao lado do corpo do pai de Raimunda, era da amante, a mãe de Agustina, a “hippie” da aldeia.

O argumento é de telenovela e, talvez por isso mesmo, a irmã de Agustina é produtora de um “reality show” televisivo, dedicado a encontrar pessoas desaparecidas.

Mas, entre o “kitch” e a pieguice, o humor de Almodí´var parece levar a melhor e o filme é recomendável.

No entanto, Penélope Cruz parece um pouco deslocada naquele ambiente, demasiado sofisticada para uma empregada de limpeza que vive num subúrbio de Madrid e está casada com um morecão. Em resumo: os seus decotes são pouco realistas…

ER – 7ª série

er_7.jpgA série de 2000/2001 de “Emergency Room” continua a ser de alta qualidade, com alguns daqueles episódios que nos deixam sem fí´lego, tal a quantidade de coisas que acontecem naquelas urgências.

As personagens mais antigas enfrentam novos dilemas: o Dr. Greene descobre que tem um tumor na cabeça, mesmo na altura em que decide casar-se com a Dra. Corday que, entretanto, está grávida. No decorrer desta série, casam-se, ela dá í  luz uma menina, Greene é operado por um neurocirurgião novaiorquino, submete-se a radioterapia e vai trabalhar logo no dia a seguir…

Quanto a Carter, depois do internamento, consegue livrar-se da adição aos analgésicos e tenta arrastar a asa í  enfermeira Abby que, no entanto, continua a entender-se com o Dr. Kovac, ao mesmo tempo que atura uma mãe bipolar (uma oportunidade para vermos Sally Field fazer um dos seus papéis excessivos).

Benton continua com Chloe que, no último episódio, talvez tenha sido contaminada por um doente seropositivo, enquanto a Dra. Weaver descobre que, afinal, é lésbica, conseguindo sair do armário, já no final da série.

ER é uma daquelas séries que pode continuar indefinidamente, uma vez que o principal personagem da série é o próprio serviço de urgências e os casos clínicos que lá vão parar, mas penso que, em comparação com as primeiras séries, esta 7ª se rende mais í s audiências, mostrando alguns casos muito rebuscados, que dificilmente encontram paralelo no dia-a-dia de uma urgência, mesmo que seja em Chicago.

 

Morte por sistema de travagem

A D. Virgínia morreu de repente. Era obesa, diabética, hipertensa e tinha dislipidemia mista. Um típico síndroma plurimetabólico, como agora lhe chamam. O risco de morte súbita era elevado.

A D. Virgínia confirmou as estatísticas.

O marido veio í  consulta dois meses depois.

Motorista reformado, o Dr. Rudolfo é homem e poucas falas.

«Não sofreu muito, a sua senhora… foi de repente» – disse eu, depois de lhe apresentar os meus sentimentos.

«Pois foi» – confirmou o Sr. Rudolfo – «Deu-lhe um ABS…»

Eu já nem me espanto, mas tento corrigir:

«Pois… teve uma trombose…»

«Não, não!» – interpõe o Sr. Rudolfo – « Foi mesmo um ABS!»

Para o Sr. Rudolfo, motorista reformado, ABS e AVC não passam de sistemas de travagem rápida – do carro, ou da vida…

Jardim já não é o que era

O incrível Alberto João Jardim disse, aos jornalistas, que não havia ninguém em Portugal que “tenha testículos” para aceitar que o referendo sobre o aborto não foi vinculativo.

Desta vez, AJJ foi comedido. Não disse, por exemplo, que “Sócrates não tem tomates”, ou mesmo que “o governo não tem colhões”.

Ficou-se pelos testículos.

Está mais moderado, o líder madeirense.

Sinal dos tempos?

Sinceramente, fiquei desiludido com AJJ.

Ele, que costuma ser um homem com tomates para dizer o que lhe vai na alma, não teve tomates para dizer tomates.

Ou colhões.

Só testículos.

Está a amolecer.

Não tarda nada, está a elogiar Sócrates.

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Saudades de Santana

Carmona Rodrigues e a sua equipa estão a conseguir algo de impensável: os lisboetas começam a ter saudades de Santana Lopes.

Com a confusão que existe na Câmara de Lisboa, já há por aí muito boa gente a perguntar o que é feito do Sr. Lopes. Ele, ao menos, não fingia o que não era. Todos sabíamos com o que podíamos contar. Ninguém se espantava com as suas broncas.

Agora, o Sr. Carmona, não: tem aquele ar de gajo porreiro, de pessoa honesta e compenetrada do seu trabalho. Depois, vai-se a ver e é buraco atrás de buraco.

Volta Santana, estás perdoado!

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Um exemplo a não seguir

Ainda há um pouco a mania, entre nós, de copiar as coisas que se fazem lá fora.

Mas nem tudo o que se faz lá fora é bom.

Um exemplo: Hugo Chavez (aquele democrata, que é Presidente da Venezuela e que agora governa por decreto), tinha um programa semanal de rádio e televisão, chamado “Alí´ Presidente”. Era transmitido aos domingos e durava quatro horas. Coisa leve. Durante essas quatro horas, Chavez arengava aos venezuelanos, fazendo propaganda da sua política, atacando os seus adversários e, quem sabe (eu nunca vi o programa), dando dicas sobre culinária, ponto de cruz e arranjos florais.

Pois agora, Chavez decidiu que o programa passaria a ser diário, de segunda a sexta, embora só com hora e meia de duração.

Imaginem, só por um momento, um programa semelhante, com o Presidente Cavaco Silva.

…Socorro!…