Nomes artísticos, precisam-se

Allen Stewart Konigsberg pensou que o seu nome era uma lástima e, para vingar no mundo do show-bizz, decidiu chamar-se a si próprio, Woody Allen.

O mesmo pensou Issour Daniilovitch Demski. E passou a chamar-se Kirk Douglas.

Quanto a Reginald Kenneth Dwight, todos o conhecem como Elton John.

Até Robert Zimmerman decidiu que seria melhor chamar-se Bob Dylan.

Há nomes que não pegam. Na música, no cinema – até na política.

Por isso, aconselho vivamente os seguintes políticos a adoptarem um pseudónimo rapidamente:

Abel Chivukuvuku, político angolano e Gurbanguli Berdimukhamedov, candidato í  presidência do Turquemenistão.

Mais: ao Sr. Berdimukhamedov aconselho que, depois de eleito, mude também o nome do seu país!

“Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos” – Banda do Casaco

bandadocasaco.jpgFinalmente, um cd da Banda do Casaco! Pelos vistos, os registos originais foram apagados e o cd foi feito a partir do vinil. Será possível que isso tenha acontecido?

Segundo Nuno Rodrigues: “aos desconhecidos e desatentos proprietários desta «Coisa da Cultura» – «Hoje Há Conquilhas, Amanhã Não Sabemos» – editada em 1977 por uma daquelas empresas, e destruída ou mantida em parte incerta durante décadas, informamos que a obra está aqui e agora, recuperada do vinil para cd, com «royalties» reservados e re-edição de Nuno Rodrigues para a CNM – Companhia Nacional de Música”

A Banda do Casaco surgiu na senda da Filarmónica Fraude e muito antes, por exemplo, do Trovante. Constituiu um fenómeno curioso na música de expressão portuguesa, vestindo temas tradicionais com uma roupagem pop-rock; as letras das canções, por seu lado, misturavam um arremedo de mensagem política com alguma iconoclastia (“Beatriz, é por triz que não se diz que és meretriz e merecias, Beatriz” – é um verso que ainda recordo, de uma canção da Banda do Casaco, de outro disco).

O projecto era liderado por Nuno Rodrigues e António Avelar Pinho. Neste disco, a principal voz feminina é de Gabriela Schaff, mas a Banda chegou a utilizar Cândida Branca Flor como vocalista.

Espero que o cd seja um êxito de vendas e que Nuno Rodrigues se disponha a editar os restantes discos da Banda e, já agora, da Filarmónica.

“Love” – Beatles

love.jpgGrande prenda de Natal: um novíssimo disco dos Beatles!

O trabalho de George Martin e do seu filho Giles é espectacular. Pegaram nas centenas de músicas dos Beatles e fizeram uma remistura verdadeiramente extraordinária. A encomenda foi do Cirque du Soleil, para um espectáculo no Mirage, em Las Vegas, que estreou em Junho passado (estive lá em Maio, caraças!). O projecto, claro que era mais antigo e George Harrison ainda o pí´de acompanhar, antes de morrer. Os restantes Beatles vivos, McCartney e Ringo, deram o consentimento e aconselhamento, bem como Yoko Ono.

Salvaguardados os sacrossantos direitos de autor, os Martin, pai e filho, pegaram nas gravações da Apple e construíram um disco dos Beatles completamente novo que, escutado em 5.1, revela coisas que nunca tínhamos ouvido. Há faixas em que escutamos sons que foram gravados para cinco ou seis canções diferentes, tudo muito bem acondicionado, mantendo o estilo dos Beatles. Não existe um único som que não tenha sido produzido pelos quatro de Liverpool.

Por exemplo (e é só um exemplo): depois de “Here comes the sun”, entram sons de “The inner light” e arranca “Come together”, com um som que parece que foi gravado a semana passada. A canção vai-se desenrolando normalmente, até que começa a ficar contaminada por sons de “Dear Prudence”, com um toque de “Cry Baby cry”, criando o ambiente para “Revolution”. E assim sucessivamente: são 26 temas non-stop, com contaminações de muitas outras canções.

Obrigado, George Martin!

Bom Natal!

O que eu gosto mesmo no Natal é das prendas. Das listas de prendas, das compras, dos embrulhos e da Grande Troca de Prendas.

Nos idos anos 70, do século passado, o dia em que se realizava a Grande Troca de Prendas, era sorteado e nunca calhou no dia 24 de Dezembro.

Mas depois – why bother? – por que não fazer coincidir a Grande Troca de Prendas com o dia de Natal?

Claro que coincide com o dia em que se festeja o nascimento de Jesus – mas, em que dia é que nasceu Jesus?

Convenções, portanto.

Portanto, convencionou-se que, nesse dia, a família se reunia, comia í  fartazana, contava umas piadas, dava grandes abraços e beijos, sentia-se feliz por estarmos todos vivos e, durante toda a tarde, trocava presentes entre si.

Este ano, seremos 15.

Espero que, para o ano, sejamos, pelo menos, 16!

Bom Natal para todos!

CSI – 4ª série

csi4.jpgA série de 2003/2004 de CSI mantém a mesma qualidade das anteriores. Novidades, não há nenhumas, nem é preciso, por enquanto. No entanto, penso que os responsáveis pela série terão que arranjar algo de novo, para que a série não caia na rotina.

Penso que o facto de pouco se saber das vidas dos heróis, fora do trabalho, é deliberado, mas, mais tarde ou mais cedo, teremos que saber mais coisas sobre Grissom e companheiros, caso contrário, a série morrerá de morte natural.

Quanto aos extras, atrevi-me a ver alguns e arrependi-me. Não gosto de ver os extras dos filmes e séries. De algum modo, desvendam mistérios que não quero conhecer.

Ficar a saber, por exemplo, que cada episódio tem mais de mil cortes, tira aquela magia de ver as coisas acontecerem, sem interrupções. Não digo que não seja interessante confirmar que, para se fazer uma série como o CSI, é preciso uma máquina complexa, muito bem montada e oleada. Todos sabemos que, em Hollywood, tudo isto é uma indústria, com décadas de experiência. Mas ver o “making of” desfaz o mito. Afinal, fazer série destas é apenas mais um trabalho, na enorme linha de montagem da indústria californiana.

Títulos de jornais

No início da década de 70 do século passado, o diário A Capital, tornou-se conhecido pelos seus títulos de primeira página. Em letras garrafais, a ocuparem quase toda a página, era frequente A Capital titular, por exemplo: “RíPIDO MATA SETE”. Descodificando, o que o jornal queria dizer era que o comboio chamado rápido (que era aquele que só parava em algumas estações), teria sofrido um acidente, do qual resultara a morte de sete pessoas.

A tradição de títulos explosivos manteve-se, embora, mais tarde, A Capital tenha desistido de os usar. Mas teve seguidores, como o Correio da Manhã, o Tal e Qual, o 24 Horas. É o estilo dos tablóides.

Mas esse estilo acabou por passar para alguns jornais de referência, embora suavizado.

Vejamos este título do Público de quinta-feira passada: «Menino Jesus “raptado” pela segunda vez em Faro». Reparem que o jornalista colocou as aspas em “raptado”, e não em “Menino Jesus”. Com isto, quis ele dizer que a entidade “Menino Jesus”, que é algo que não há a certeza de que alguma vez tenha existido, não foi raptado, de facto. Ninguém pode raptar o Menino Jesus, na medida em que ele está no Céu, sentado í  direita de Deus Pai – e já não é menino nenhum: tem, no mínimo, 33 anos.

Afinal, o que aconteceu? Claro que foi a figura do menino Jesus, de um presépio, que foi fanada por alguém, em Faro, pela segunda vez. O título da notícia poderia ser, então: “Roubada figura de um presépio em Faro” – mas o jornalista não resistiu a fazer uma piadinha com o título. Provavelmente, o que poderia ter feito era nem sequer escrever a notícia…

Outro exemplo: «Deco tem simulador de tarifas eléctricas». E o leitor pergunta-se: para que raio é que o jogador do Barcelona quererá um simulador de tarifas eléctricas? Todos os títulos relacionados com a DECO provocam este tipo de confusões. Se o jornalista colocasse DECO em letras capitais, a confusão já não existiria.

Mais um exemplo: «Protesto de sem-abrigo parou Ponte 25 de Abril». O protesto terá parado a ponte ou o trânsito na ponte? Talvez seja só um pormenor, mas…

E já que estava a embirrar com títulos, aqui vão mais uns quantos, todos do mesmo jornal:

«Bush admitiu pela primeira vez que não está a ganhar a guerra» – mas vale tarde do que nunca.

«Governo fecha mais 900 escolas em 2007» – mas afinal, quantos milhares de escolas é que há neste país de analfabetos?

«Estrangeiros obesos deixam de poder adoptar crianças na China» – e se forem obesos homossexuais?

«22 mil funcionários públicos passaram í  reforma até final de Novembro» – onde é que eles estavam a trabalhar, que ninguém ainda deu pela sua falta?

«José Veiga vai processar o Estado português» – isto resolve-se com um almoço com Madaíl?

«Esperança média de vida ultrapassou os 80 anos no Canadá» – atenção: se tens 79 anos, emigra para o Canadá já!

«Operação “Natal em segurança” com menos mortos que em 2005» – os portugueses resolverão este deficit nas próximas horas.