Debatem leve, levemente…

Como quem chama por mim
Será Costa, será Passos?
Catarina não é certamente e Jerónimo não debate assim…

Têm sido assim os debates eleitorais… leves.

Leves e chatos!

A fórmula está esgotada. Temos que alterar o figurino dos debates entre candidatos.

Proponho que os debates ocorram em locais improváveis e que os candidatos se vistam a rigor.

Exemplos: António Costa, vestido de faquir e Passos Coelho de gato-pingado na arena do Circo Chen;

Marinho & Pinto de Comanche e Garcia Pereira de escafandro na piscina municipal de Odivelas;

Paulo Portas de Joana D’Arc e Joana Amaral Dias vestida, na praia da Cruz Quebrada;

Catarina Martins de Rainha Santa e Jerónimo Sousa de Super-Homem, a bordo de um Cacilheiro.

Seria, pelo menos, mais engraçado.

Teste socrático

Ora vamos lá a saber como vão os vosso conhecimentos sobre José Sócrates, baseados na leitura do Correio da Manha e outros.

Para isso, nada melhor que um teste de resposta múltipla, em que apenas uma das respostas está correcta.

1. Qual terá sido o grupo corruptor do ex-primeiro-ministro?

A – Grupo Lena
B – Grupo Xana
C – Grupo Tininha
D – O Sócrates não vai em grupos

2. Em que rua está situada a prisão domiciliária de Sócrates?

A – Rua Abafa a Maria
B – Rua Abade Faria
C – Rua O Frade Varia
D – Rua Coisa da Tia

3. Como se chama o juiz que interroga o Sócrates?

A – Alexandre Dumas
B – Alexandre Herculano
C – Carlos Alexandre
D – Alexandre o Grande

4. Qual é o apelido da ex-mulher do Sócrates?

A – Ervilha
B – Feijão
C – Fava
D – Grão de Bico

5. Quantos metros quadrados tem a casa-prisão do Sócrates?

A – 200
B – 325
C- Muitos
D – Todas as anteriores

6. Como é que o Sócrates vai votar?

A – A pé, escoltado por para-quedistas
B – De cadeira de rodas
C – Disfarçado de António Costa
D – De maca

7. Que tipo de luvas recebeu Sócrates pelo empreendimento Vale do Lobo?

A – De pelica
B – De boxe
C – De cirurgião
D – De lãzinha com um gatinho bordado nos punhos

Aos melhores classificados no teste será oferecido um fim de semana na casa-prisão de Sócrates, com direito a sandes de courato e mergulho na piscina aquecida.

A campanha a nu

disturbing-pregnancy-photos-8Joana Amaral Dias deu o mote para campanha eleitoral ao posar nua, com um gajo a agarrá-la por trás.

Fartos de comícios, arruadas, debates, cartazes e outras tretas, os portugueses aplaudiram.

Logo os restantes líderes políticos decidiram seguir o exemplo da Joana.

E assim, a Catarina Martins vai-se deixar fotografar nua, com a Mariana Mortágua a agarrá-la por trás.

Jerónimo Sousa deixar-se-á fotografar, todo nu, com a classe operária por trás.

António Costa já se está a despir para ser fotografado com o António José Seguro atrás dele.

E, finalmente, como seria de esperar, Passos Coelho, nu, será fotografado com Paulo Portas a agarrá-lo por trás.

Não matem o gajo da Telepizza!

Sócrates foi libertado ontem í  noite e fica em prisão domiciliária, sem pulseira electrónica, na casa da ex-mulher.

Os jornalistas, profissão nobre e invejada, vão passar os dias e as noites naquela rua, í  porta daquele nº33, para ver se alguém entra ou sai.

Hoje, nos telejornais, fiquei a saber coisas importantes para o processo do ex-primeiro-ministro de Portugal, pessoa que nos governou durante 6 anos.

Não, não foram revelações sobre o processo, provas de que o homem meteu ao bolso milhões, fazendo-se valer do cargo que ocupava – fiquei a saber que a ex-mulher vive num duplex, no nº 33 da Rua Abade Faria, no Bairro dos Actores, ao Areeiro, que a casa foi toda renovada por uma empresa do amigo do Sócrates, que também é arguido no processo, que a rua está em obras, que já deviam estar concluídas e que alguém do prédio pediu uma pizza.

telepizzaO filho da puta do Sócrates, cuja última refeição na prisão foi feijoada í  transmontana, manda vir uma pizza na sua primeira noite em liberdade!

Falta de solidariedade nacional! Em vez de escolher um prato tipicamente português, o malandro pediu uma pizza! Vê-se mesmo que é culpado!

E depois, o tipo da Telepizza que ia entregar a pizza, nem sequer levava identificação. Está-se mesmo a ver que a pizza levava, como recheio, alguns milhões de euros – mais uma maneira subreptícia do amigo Santos Silva passar dinheiro para o Sócrates.

Se o Carlos Alexandre investigar como deve ser, descobrirá que a Telepizza é detida por uma empresa que está ligada ao Grupo Lena!

Agora, por favor, deixem o gajo da Telepizza em paz!

Quantos aos jornalistas, podem disparar í  vontade!…

Palhaços ricos, palhaços pobres

Não há eleições sem palhaços.

Sem palhaços, não há circo.

Sem circo, as eleições não têm graça.

A campanha das legislativas ainda não começou e, por enquanto, só temos tido umas bocas do Portas, outras do Costa, outras do Passos.

Tudo dentro dos conformes.

Mas os verdadeiros palhaços ainda não tinham entrado em cena.

Até ontem.

Ontem, o Paulo Rangel meteu a cabeça de fora e abriu as hostilidades.

Disse que, se o PS estivesse no governo, o Sócrates e o Ricardo Salgado não estariam em investigação.

O que quer dizer, por outras palavras, que um dos Poderes, o judicial, está sob o comando do poder político.

Portanto, o facto do Sócrates estar em prisão preventiva e do Salgado estar confinado ao domicílio, é tudo obra e graça do governo do PSD, e não porque eles sejam culpados seja do que for.

É de supor que, por esta ordem de ideias, o Oliveira e Costa está detido porque o governo era do PS e, se o governo fosse do PCP, estariam todos presos, incluindo o palhaço do Paulo Rangel.

E, claro, se o governo fosse do Partido Nacional Renovador, o Jerónimo seria o primeiro a ir dentro, mas os do PSD também não se safariam… e daí?…

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Vão ser umas eleições tristes!

Estava ligeiramente excitado com as próximas legislativas e com as presidenciais.

Mas hoje, levei com dois baldes de água fria: Carmelinda Pereira confirmou que não concorre í s legislativas e Santana Lopes anunciou que não concorre í s presidenciais.

O que vai ser da campanha eleitoral sem a participação dessa formidável porta-voz da classe operária?

O que seria da democracia portuguesa sem o Partido Operário de Unidade Socialista (POUS)?

Carmelinda Pereira e Aires Rodrigues, respectivamente, a secretária-geral e o militante do POUS, vão fazer muita falta na campanha.

E que dizer da desistência do Sr. Lopes?

Já imaginaram a campanha para as presidenciais sem o Santana Lopes?

Uma seca!

É por isso que eu acho que devíamos organizar uma petição a exigir as candidaturas de Carmelinda e Lopes.

Faz uma coisa linda – apoia Carmelinda!

Toda a Presidência abana com a candidatura do Santana!

Sexy Coelho

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Com que Então temos um dos primeiro-ministros mais sexy do planeta?

Quem diria que Passos Coelho, com aquele ar de enjoadinho, conseguia ficar em 7º lugar numa competição de sexys!

Segundo o Jornal de Notícias um inquérito norte-americano, on line, pretendia saber quais eram os dirigentes políticos mais sexy, a partir de uma lista de 200 nomes.

wangchuckO rei do Butão Wangchuck, ficou em primeiro lugar, talvez devido í  popa, ou por causa das suas vestes coloridas, ou apenas porque é rei de um país com um nome engraçado…

Seguiu-se o presidente do México, Nieto e o rei Filipe, de Espanha ficou em terceiro.

E o nosso Pedrocas ficou num honroso sétimo lugar, í  frente de Tsipras, Obama e Putin, entre outros políticos giraços!

O PSD deve estar orgulhoso, com a coligação Portugal í  Frente e o sexy Passos Coelho atrás (ou será que Portugal fica atrás e Passos Coelho é sexy í  frente?).

No entanto, há algo neste inquérito que o descredibiliza.

É que Cavaco Silva também fazia parte dessa lista de 200 nomes e, espantosamente, ficou em 72º lugar, í  frente de 128 outros dirigentes.

Sempre gocavaco bocejastava de saber que fotografia de Cavaco constava do inquérito.

Seria esta?

 

(PS – Esta notícia faz-me lembrar aquela canção dos Beatles, Sexy Sadie, que começa assim: “Sexy Pedro, what have you done/You made a fool of anyone”)

“Número Zero” de Umberto Eco (2015)

Quem diria que Umberto Eco, agora com 83 anos, tinha um sentido de humor tão apurado e era capaz de escrever uma sátira tão bem esgalhada.

É que depois de títulos, digamos, tão sisudos como O Nome da Rosa, O Pêndulo de Foucault ou O Cemitério de Praga, eu não estaria í  espera de um Número Zero tão bem disposto e que se lê de uma penada (também são só 160 páginas e eu, ultimamente, só tenho lido tijolos de 600 páginas, no mínimo!)

numero zeroO Número Zero é sobre um jornal, chamado Amanhã, financiado por um Comendador, que pretende editar apenas números zero, com notícias e artigos que possam ameaçar certas pessoas importantes, a quem o Comendador queira influenciar.

Nas primeiras páginas do livro, Eco denuncia os truques que a comunicação social utiliza para nos implantar determinadas opiniões. Claro que o jornalista não pode e não deve emitir uma opinião, mas pode sempre entrevistar um popular que emite essa opinião por ele.

Os diálogos entre os vários jornalistas da redacção são bem divertidos, como este, por exemplo:

«No seu artigo sobre as prostitutas usa expressões como fazer um cagaçal, encanzinamento, conversa de merda e põe em cena uma putéfia que diz vai levar no cu»

«Mas é assim», protestou Constanza. Agora todos usam palavrões, mesmo na televisão, e dizem caralho, inclusive as senhoras.»

«O que faz a alta sociedade não nos interessa. Nós devemos pensar nos leitores que têm ainda medo dos palavrões.»

Um dos jornalistas, entretanto, está a investigar a possibilidade de Mussolini não ter sido assassinado e estar ainda vivo, quem sabe, na Argentina e tudo isso envolveria uma teoria da conspiração gigantesca. O desenvolvimento desta história acabará por levar ao fim do jornal e, sinceramente, cheira-me que Eco queria mesmo contar esta história mas, como não dava para fazer uma romance, envolveu-a na história do jornal.

Número Zero é uma pequena novela que se lê rapidamente e com prazer.

Uma pequena nota para um erro frequente em português, mas que não se devia ver num livro.

Está na página 52 e seguintes:

«Porque crescem as bananas nas árvores», em vez de “por que crescem as bananas nas árvores”. Esta confusão entre “porque” e “por que” repete-se mais de vinte vezes! É obra!

“Um Homem Apaixonado”, de Karl Ove Knausgard (2009)

E já está despachado o segundo tijolo dos seis que constituem este momumental projecto que é “A Minha Luta”, da autoria do norueguês Knausgard.

homem apaixonadoDepois de A Morte do Pai, este Um Homem Apaixonado tem, como pano de fundo, o segundo casamento do autor, com Linda, e o nascimento dos três filhos, Vanja, Heidi e Jon, em apenas 4 anos.

O título é um pouco enganador porque, apesar de apaixonado, Karl Ove passa o tempo a discutir com Linda que, ainda por cima, é bipolar.

O autor debate-se entre a vidinha de todos os dias, fazer, comer limpar a casa, mudar as fraldas aos miúdos, levá-los ao infantário, aturá-los, fazer o jantar, levar o lixo para os contentores e arranjar tempo para escrever.

Tal como no primeiro volume, ora levamos com a descrição pormenorizada de como Karl Ove limpa o chão da cozinha, incluindo que tipo de detergente usa, ora apanhamos com uma exposição demorada sobre Dostoievsky ou qualquer outro clássico.

E podemos dizer que, ao fim e ao cabo, não se passa nada. Karl Ove discute com Linda ou com a vizinha de baixo, que é russa e faz barulho fora de horas, mudam-se de Estocolmo para Malmo, de vez em quando vai fazer leituras a Universidades, compra livros e discos, tem jantares com amigos, fala sobre tudo e nada com o seu amigo Geir e, quase no final do livro, vai jogar í  bola com um grupo de conhecidos, cai e fractura uma clavícula, o que deixa Linda muito chateada porque, nos dois meses seguintes, terá que ser ela a tomar conta dos três miúdos sozinha.

Delicioso!

No entanto, notei uma incongruência no autor. Na página 457, numa conversa com Geir, Karl Ove diz:

«Lembro-me de a Tonje estar sempre a falar de uma coisa terrível que lhe tinha acontecido, muitos anos antes. (…) Ao fim de dois anos, acabou por me contar tudo. Eu não tinha bebido. E ouvi-a com toda a atenção, sem pensar em mais nada. Ouvi atentamente cada palavra que ela dizia e, depois, falámos muitas vezes sobre o assunto. Mas acabei por esquecer tudo. Passados poucos meses, já não lembrava fosse do que fosse. Nada.»

E o autor continua neste tom, lamentando-se por ter, na altura, apenas 35 anos e ter já a memória tão queimada… e no entanto, ao longo destes dois livros relata episódios do passado, até da sua adolescência, com grande profusão de pormenores, incluindo longos diálogos.

Estamos, portanto, perante uma autobiografia ficcionada, e não há mal nenhum nisso.

Só um pequeno pormenor, quanto í  edição, da responsabilidade da Relógio d´Agua (tradução do inglês de Miguel Serras Pereira): talvez com a pressa de lançar o livro no mercado, existem vários erros, digamos, tipográficos, que uma revisão aturada teria evitado.

Por exemplo: “O tema da discussão eram agora” (página 38); “chávenas de café e piores numa bandeja” (em vez de pires, página 297), “Linda pusera em cima da mesa pratos da cozinha que trouxera da cozinha” (página 386). E há mais.

Fico í  espera do 3º volume.