Este povo merece…

A sondagem que o DN publica hoje diz tudo sobre o eleitorado português.

Graças a essa sondagem, ficamos a saber que:

1. 62% dos inquiridos acha que o desempenho do governo Passos-Portas é mau ou muito mau;

2. Considerando os líderes dos partidos com representação parlamentar, são os líderes do PSD e do CDs que têm piores notas, numa escala de zero a vinte: Passos fica-se por 7,5 e Portas não vai além de 6,3;

3. Quando se pede aos inquiridos que definam Passos Coelho numa única palavra, a mais votada é “mentiroso”

Por tudo isto não é de espantar que, segundo a mesma sondagem, caso as eleições se realizassem hoje, Passos e Portas voltavam a ganhar.

O que a malta quer é mentirosos, medíocres e maus e muito maus governantes í  frente dos destinos de Portugal!

“A Vida Privada de Maxwell Sim”, de Jonathan Coe (2010)

Comprei este romance de Jonathan Coe (Bronsgrove, GB, 1961), graças í  crítica que li no Público, intitulada “O homem que se apaixonou pela voz do GPS“.

E, afinal, nem este título é completamente fiel, nem o conteúdo entusiástico da crítica corresponde í  realidade.

vida privadaA Vida Privada de Maxwell Sim é uma manta de retalhos, como se o autor tivesse meia-dúzia de histórias para contar e decidisse inventar uma personagem, Max Sim, para servir de fio condutor.

O tom da narrativa é muito coloquial, fazendo-me lembrar os livros de Nic Hornby, os quais prefiro, sem dúvida.

Em resumo, muito resumido, Maxwell Sim é um quarentão divorciado, trabalhador de um aramazém, deprimido, de baixa médica, órfão de mãe e com um pai distante. Um amigo propõe-lhe um novo emprego: ir até í  Escócia vender uma nova marca de escovas de dentes. “Uma história hilariante”, diz o crítico do Público.

Hardly…

E depois de muitas voltas mais ou menos inverosímeis, o final pretende ser surpreendente, mas é pífio.

Não aconselho.

Nota: a tradução de Elsa T. S. Vieira pode estar óptima, mas alguém tem que ensinar-lhe, a ela ou ao revisor, a diferença entre “porque” e “por que”.

Página 156: «Porque pareciam estar todos com tanta pressa? Que diferença fazia chegar ao destino meia-hora mais tarde?» – claro que “porque” devia ser “por que” (qual a razão).

Página 276: «Por que raio te dei ouvidos? Porque te deixei tratar-me dessa maneira…» – afinal, até parece que sabem usar o “por que” como deve ser… na primeira frase porque, na segunda, repete-se o erro da página 156.

Um presidente aliviado

Fiquei satisfeito quando li nos jornais que Cavaco estava mais aliviado.

Foi no avião da TAP que o levou para a Bulgária que Cavaco confidenciou aos jornalistas que estava “mais aliviado”, depois da privatização da companhia aérea.

Coitado do presidente!

Pelos vistos, há semanas que estava entupido e foi preciso o norte-americano Neeleman e o português Barraqueiro comprarem a TAP para que o nosso presidente se aliviasse.

Questionado pelos jornalistas se não achava pouco o encaixe financeiro do negócio, já que a venda da TAP rende menos do que a contratação de Jorge Jesus pelo Sporting, Cavaco respondeu com uma pergunta: “compraria uma companhia com uma dívida de mil e sessenta milhões de euros?”

Eu não, certamente… mas também não contrataria Jorge Jesus para porra nenhuma!

cavaco avião (2)

Um Jesus verde

A transferência de Jorge Jesus para o Sporting, merece-me as seguintes reflexões:

1. As claques do Benfica vão adoptar um novo cântico: “Jorge Jesus, vai pró Carvalho!” (e foi mesmo!)

2. O Sporting Clube de Portugal passará a chamar-se Sporting Clube da Guiné Equatorial

3. Os lesados do BES vão passar a manifestar-se í  porta do estádio de Alvalade

4. Jesus vai mandar fechar a Academia de Alcochete; não suporta ter no plantel jogadores que falem melhor português que ele

5. Jesus já avisou que não quer o presidente no banco – prefere dinheiro no Banco

6. Convenhamos que o penteado de Jesus, com madeixas, vai melhor com uma camisola í s riscas

7. Finalmente expulsaram Jesus do inferno da Luz!

E parece que o Benfica vai contratar um treinador que ainda é parente da águia!

De pequenino…

cargaTudo muito indignado porque a PSP de Portalegre, ontem, nas comemorações do Dia Mundial da Criança, organizou um simulacro de uma carga policial.

De um lado, as crianças-manifestantes, atirando bolas de papel, do outro, as crianças-polícias de choque.

Aposto que os putos se divertiramÂ í  brava.

Porque é de pequenino que se torce o pepino e já que obrigamos miúdos de 8 anos a fazer ditados sobre a princesa Esbrenhaxa, por que não colocá-lo perante situações da vida real?

Uma carga policial foi só o começo.

Incentivo as autarquias, como apoio da PSP, a iniciarem outros projectos semelhantes: cenas de violência doméstica, assaltos a residências, fugas a impostos e orgias sexuais.

Os putos vão adorar!

“A Balada de Adam Henry”, de Ian McEwan (2014)

Começo pelo título em português: claro que não é fácil traduzir o título original (The Children Act), mas talvez com um pouco de esforço se tivesse encontrado uma solução mais elegante do que A Balada de Adam Henry.

Faz-me lembrar a velha tradução da série televisiva Hill Street Blues por A Balada de Hill Street.

The Children Act tem, em inglês, o duplo sentido de poder significar um acto de uma criança e a lei que protege os direitos das crianças.

Balada é que não!

A única coisa mais parecida com balada será o poema que Adam Henry envia para a juíza e o facto de a juíza tocar piano…

ian mcewanIan McEwan (nascido em 1948) é um dos escritores da actualidade que mais aprecio.

Devido í s suas primeiras obras, ficou conhecido como Ian Macabro e é certo que todos os seus livros têm um lado negro bem vincado.

Neste The Children Act é-nos contada a história de Fiona Maye, uma juíza de 60 anos, do Supremo Tribunal, que julga casos de família e menores.

baladaO casamento de Fiona está num impasse. Demasiado absorvida pela sua profissão, a juíza começa a perder o marido, que se apaixona por uma jovem.

História habitual.

É com este pano de fundo que é chamada a julgar o caso de um jovem de 17 anos, testemunha de Jeová, a morrer de leucemia e que recusa uma transfusão de sangue que o pode salvar.

Fiona decide visitar o jovem, o tal Adam Henry, internado no hospital e entre eles nasce uma empatia que terá desenvolvimentos inesperados.

Para enriquecer a história, conhecemos alguns casos que Fiona tem que julgar. Um deles fez-me lembrar a minha realidade como Médico de Família, a trabalhar numa região de bairros sociais:

«Quatro anos antes, com dezoito anos, depois de uma rapariga o acusar por má-fé de violação, passou algumas semanas detido numa prisão para jovens infractores e puseram-no com pulseira electrónica e termo de identidade e residência durante seis meses. Havia bons indícios de mensagens por telemóvel a apontar para o facto de o sexo ter sido consensual, mas a polícia recusou investigar, pois tinham objectivos a atingir em casos de violação. Gallagher era precisamente o tipo de homem de que precisavam. No primeiro dia do julgamento, provas comprometedoras apresentadas pela melhor amiga da acusadora demoliram a acusação. A suposta vítima tinha esperança de receber dinheiro da Autoridade de Protecção por Danos de Origem Criminosa para comprar uma nova Xbox.»

Mais um bom romance de McEwan.

Outras obras deste autor: Mel, Na Praia de Chesil, Cães Pretos, Entre Lençóis, Jardim de Cimento, Solar.

Não atires o gato da varanda, Diogo!

Indignação geral!

Um livro de Físico-Química propõe aos alunos do secundário, o seguinte problema:

«O Diogo largou um gato da varanda do seu quarto a 5 m do solo. Sabendo que o gato tem de massa 4 kg indica qual a intensidade da força aplicada ao gato durante a queda.»

Ficaram todos muito preocupados com o gato, coitadinho!

Parece que os “setí´res” estão a incitar os putos a atirarem com os gatos da varanda abaixo.

Opção errada, sem dúvida!

Proponho duas subtis mudanças no enunciado do problema.

Substituam 4 kg por 80 kg e troquem gato por Passos Coelho e tudo fará sentido…

E, já agora, como diz o Pedro Couto e Santos: não acham 5 metros pouco, para um Passos Coelho?

O Nobel para Rita, já

Rita Redshoes é uma menina que canta e até já editou alguns discos de música pop, cantada em inglês (daí o apelido, que Sapatos Vermelhos soaria foleiro…)

Não satisfeita com a música, decidiu, também, escrever um livro.

Pior: decidiu publicar um livro!

rita redshoesChama-se “Sonhos de uma Rapariga Quase Normal” (edição Guerra & Paz) e o Diário de Notícias dedica-lhe, hoje, uma página inteira, com chamada de primeira página.

E essa chamada diz: «Passos Coelho pediu a Rita em casamento. E ela disse que sim».

A acompanhar esta frase bombástica, uma foto da menina, ocupando um quarto da primeira página do jornal.

Que se passa, afinal?

Afinal, foi simplesmente um sonho da Ritinha.

Pois a Ritinha lembrou-se de tomar nota dos seus sonhos e, não satisfeita com isso, vertê-los para livro e publicá-los!

Que ideia genial!

Vale a pena transcrever a prosa transcendente do livro da Rita.

«Boa tarde. Peço desculpa por incomodar, mas há coisas na vida inexplicáveis, encontros, certezas… e uma dessas coisas aconteceu-me agora mesmo quando a vi entrar. Rita, aceitas ser minha noiva?, pergunta-lhe o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho. “Sim”, responde-lhe Rita Redshoes. “Eu respondi sim! Sim… e até mesmo no próprio sonho me lembro de ter pensado que estava completamente louca”, escreve a artista, contando o que se passou na noite de 15 para 16 de fevereiro de 2014».

Felizmente, a Rita conta no livro que também sonhou com António Costa, e assim a Oposição não fica zangada…

O artigo não especifica se Rita é suficientemente democrática para ter sonhado, também, com Paulo Portas, Catarina Martins, Jerónimo de Sousa e Garcia Pereira, mas ficamos a saber que sonhou com Pinto da Costa, Obama, Maria Callas e José Rodrigues dos Santos.

Confesso que fiquei com curiosidade, não para saber o conteúdo desses sonhos, para para saber o que levou o Diário de Notícias a publicar isto, ainda por cima, no suplemento Mais Artes.

Depois da biografia em que revela que Portas se demitiu por sms, só faltava a Passos Coelho um livro de uma jovem cantora que confessa que, pelo menos simbolicamente, desejava casar com ele.

Claro que o Freud poderia explicar isto, se valesse a pena.

Não vale.

Novo accordo ortográphyco

Entrou ontem em vigor o Novo Acordo Ortográfico e apeteceu-me ser ordinário e pedir aos autores que o metessem no cu.

Mas depois, fiquei com dúvidas: com o novo acordo, cu leva acento?

Eu sei que “heroico”, por exemplo, perdeu o acento mas, sendo cu, em si mesmo, um assento, não precisará de um?

O acento circunflexo mantém-se em “pí´de”, para distinguir de “pode” e em “pí´r”, para distinguir de “por”.

Então porque desaparece o acento em “pára”, para distinguir de “para”?

O Benfica vai ter que mandar fazer novas t-shirts, corrigindo a frase “Ninguém pára o Benfica”.

Mas “ninguém para o Benfica” quer dizer outra coisa completamente diferente!

E tenho mais dúvidas.

Dizem-me que as consoantes mudas desaparecem.

Não será discriminação?

O mudo é alguém que tem uma deficiência – não devia ser apoiado?

Por exemplo: actor passa a ator.

Aceita-se.

Agora, não me parece bem que espectadores passe a espetadores.

Quer dizer: deixa de ser um conjunto de pessoas que assistem a algum espectáculo e passam a ser um grupo de tipos que espetam.

Aliás, o próprio espectáculo passa a espetáculo, uma espécie de evento onde se espeta algo.

E a recepção, que perde o pê e fica receção; não se confundirá com recessão?

Passaremos a ver, nos serviços públicos, cartazes dizendo “Dirija-se í  recessão e tire uma senha”?

E as incongruências?

Egipto, o país, passa a chamar-se Egito, mas os seus habitantes continuam egípcios.

Ora se o pê cai no país, devia também cair nos habitantes, que passariam a ser os egícios.

Além disso, se as consoantes mudas caem, não deveríamos passar a escrever “omem”, “umano”, “ipismo” e “ipnótico”, por exemplo?

Outra coisa que cai são os hífens, o que nos vai obrigar a gastar muitos ésses: em minissaia, lombossagrada, anglossaxónica…

Os defensores desta Coisa, dão sempre como exemplo a palavra “pharmácia”, que assim se escrevia antes do acordo de 1942. E dizem, aos que atacam o novo acordo que, caso queiram, podem continuar a escrever farmácia com “ph”.

Eu não quero continua a escrever “pharmácia”, mas também não quero escrever “ótimo” nem “batismo”.

E, por favor, não me ponham a escrever pênis!

Pénis nunca há de ser circunflexo!

Culinária regimental

Notícia do DN:

«Francisco Banha, o antigo responsável pelas finanças da Tecnoforma – a empresa que, em tempos, foi  gerida por Passos Coelho,foi agora contratado por Francisco Nogueira Leite, presidente da Parvalorem, a empresa sob a alçada do Estado que gere as dívidas do BPN que não transitaram para o Banco BIC.”

Coelho, Leite e Banha…

Cozinhado perfeito!