“Os Engenheiros dos Caos”, de Giuliano Da Empoli 2019)

Empoli foi conselheiro de Matteo Renzi e conhece, por dentro, a política italiana. A partir do fenómeno do Movimento 5 Estrelas, Empoli analisa os movimentos populistas que levaram ao poder personagens como Trump, Bolsonaro, í“rban e outros.

Podemos extrapolar para o Ventrusca, sem muito esforço.

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“…Os defeitos dos líderes populistas transformam-se, aos olhos dos seus eleitores, em qualidades. A inexperiência deles é a prova de que não pertencem ao círculo corrupto das elites e a incompetência deles é a garantia da sua autenticidade.” –  escreve Empoli, na página 17.

O capítulo dedicado í  ascensão de Trump e í  influência de Steve Bannon, é simplesmente assustador. O modo como o tipo do cabelo amarelo diz uma coisa e, no dia seguinte, o seu contrário ““ e, sobretudo, como ele consegue que isso o favoreça, deixa-nos de queixo caído.

Por vezes, ficamos um pouco espantados quando percebemos que países do Leste, tantos anos, sob domínio comunista, viram agora í  Direita.

Diz Empoli:

“…Aos olhos dos conservadores húngaros, checos e polacos, a Europa Ocidental representava um ideal porque, contrariamente ao comunismo, garantia o respeito pelas tradições e pela religião. Não é de espantar, portanto, que eles se tenham sentido enganados quando compreenderam que a norma, no Ocidente, era o multiculturalismo e os casamentos homessexuais”.

Um livro que devia ser leitura obrigatória em algumas bancadas da Assembleia da República.

Caramba João Galamba!

A conferência de imprensa do ministro Galamba permitiu conhecer algumas novidades sobre os ministérios.

A mais importante diz respeito ao tamanho das casas de banho. Ficámos a saber que cerca de cinco pessoas se refugiaram na casa de banho do ministério das Infraestruturas, fugindo ao furibundo assessor. São, portanto, casas de banho de tamanho considerável, a menos que alguns dos refugiados se tenha escondido na banheira. Imagino dois na banheira, um sentado na sanita e mais dois junto ao lavatório; mesmo assim, é uma casa de banho jeitosa.

Ficámos também a saber que o assessor Pinheiro agrediu as senhoras do gabinete, usando a mochila como arma de arremesso. É um sinal dos tempos. Antigamente, só os hippies andavam de mochila, enquanto os assessores, se os havia, usavam aquelas malas í  James Bond. Sempre pensei que uma mochila não seria tão agressiva como uma mala de agente secreto ““ só que a mochila do Pinheiro tinha um computador lá dentro.

Por que razão o assessor queria tanto aquele computador?

Será que, no disco rígido, tinha vídeos porno protagonizados por figuras públicas em actividades lúbricas com a bicicleta do assessor? De salientar que era uma bicicleta eléctrica. Nunca se sabe…

Os jornalistas correram í  Ovibeja, para saber o que o presidente pensava disto, mas Marcelo estava entretido a comer presunto e a beber vinho alentejano por copinhos pequeninos. É perigosíssimo. Já experimentei. A gente vai bebendo copinhos, uns atrás dos outros e, as tantas, já não sabemos se estamos em Beja ou em Mértola! No fim da visita, também Marcelo já arrastava a voz e dizia que, em primeiro lugar, vai falar com o António Costa.

Entretanto, a economia está na maior, mas ninguém liga essas merdas…

Em que ficamos, sr. Vieira Pereira?

O editorial do Expresso de hoje deixou-me um pouco perplexo.

O director, Pereira de seu apelido, parece que ficou zangado com o facto de o Governo ir aumentar os reformados. Ou então, não percebi bem o que ele escreve.

Pensava que o sr. Pereira achava que o António Costa tinha utilizado um truque para enganar os reformados, quando lhes deu meia pensão em outubro do ano passado e a outra metade em janeiro deste ano.

Diz o sr. Pereira:

«Em setembro do ano passado, António Costa foi acusado de usar um simples truque para proceder a um corte no crescimento esperado das pensões. Anunciou a atribuição de um suplemento extraordinário de meia pensão, ao qual se juntaria um aumento em janeiro de 4,43%.»

Mas agora, que Costa resolve aumentar os pensionistas segundo a fórmula de cálculo institucionalizada, o sr. Pereira diz:

«Foi divertido ver António Costa, Fernando Medina e Ana Mendes Godinho a abrirem o aparente saco sem fundo do erário público e começarem a distribuir dinheiro ou a prometerem distribuí-lo nos próximos anos».

Portanto, em setembro do ano passado era um truque, agora é divertido. No ano passado, o Governo estava a tirar poder de compra aos pensionistas, agora está a enriquecê-los!

Mais í  frente, o sr. Pereira faz a defesa de Mário Centeno.

Sim, leram bem: Centeno, que foi acusado de, com as cativações, aldrabar as contas públicas, agora é louvado.

Diz o sr. Pereira:

«Durante anos, pela mão e ofício de Mário Centeno, o Partido Socialista ganhou o estatuto de partido das contas certas, da redução do défice e da dívida pública. (…) Num ápice tudo mudou.»

Portanto, afinal, no tempo de Centeno é que era bom. No tempo de Medina, tudo é mau. Afinal, quando o sr. Pereira atacava o então ministro das Finanças por abusar das cativações, estava a fingir. No fundo, ele adorava a política de Centeno. Estava era a fingir…

Em resumo, o que o sr. Pereira queria era um de duas coisas:

– se os aumentos dos pensionistas ficassem como estavam, zurzir no governo porque diminuía o poder de compra dos velhotes

– se o governo aumentasse, como aumentou, os pensionistas, zurzir no governo porque está a adoptar medidas eleitoralistas

É por estas e por outras que o Expresso vai perdendo credibilidade.

O sr. Pereira vai ficar na história como um dos jornalistas que está a afundar o Expresso.

Reis de Boliqueime, Condes da Gasolineira, Marqueses da Azia Gástrica e da Obstipação Crónica

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De vez em quando, alguém dá um pontapé num pedregulho e saem lá de baixo.

Se o rancor engordasse, estariam obesos ““ mas não. Mantêm-se estreitos como um eucalipto e secam tudo em redor.

Julgam ter um lugar na História de Portugal ““ e terão certamente, no capítulo dos Grandes Mistérios.

Como foi possível ele ter governado 20 anos?!

Trocou pescas e agricultura por autoestradas, mas surge sempre a cagar sentenças. Agora, de repente, é perito em habitação.

Ele usa camisas com o número cima. Ficou-lhe atravessado o facto de ter dado posse a um governo marxista.

Ela exibe o broche e o botox.

Aos 83 anos ainda não arranjaram um passatempo próprio da idade: regar as flores, fazer sudokus, juntar-se a um grupo excursionista, ir a pé a Fátima.

Recomendo Maalox, 2 a 3 vezes por dia e Agiolax, 1 colher de granulado ao deitar.

Volta Passos Coelho, estás perdoado!

Tantas saudades!

Saudades de quando os professores davam aulas todos os dias e aceitavam prescindir de 10% dos salários, do subsídio de natal e do subsídio de férias, tudo para agradar í  troika, como tu pediste!

Saudades dos comboios sempre a rolar, com os maquinistas felizes por estarem a ajudar o país a sair da bancarrota!

Saudades das urgências hospitalares quase vazias e dos médicos do privado a regressarem ao SNS, trazendo consigo os enfermeiros!

Saudades das casas para alugar a preços acessíveis, sobretudo aquelas casas para jovens, praticamente de graça!

Saudades dos impostos cada vez mais baixos, que nos deixavam margem para gastarmos dinheiro em marisco e outras loucuras!

E saudades do irrevogável Paulo Portas!

Diz-me que voltas, Passos, mas traz o Portas contigo! Mas avisa antes para ter tempo para fazer as malas e raspar-me daqui para fora!

Coisas da democracia

Três notícias na edição de hoje de o Público, fazem-nos pensar um pouco sobre o valor das democracias.

Em Portugal, a nova secretária de estado do Tesouro foi demitida depois de ter recebido meio milhão de euros de indemnização por ter sido despedida da TAP.

Faltavam-lhe dois anos de contrato, tal como a Fernando Santos, o selecionador nacional de futebol que, no entanto, recebeu 3,5 milhões de indemnização.

Percebe-se a diferença: Santos ganhou um campeonato da Europa, enquanto Alexandra Reis, a secretária de Estado, não ganhou coisa nenhuma ““ a não ser a tal indemnização.

Nos Estados Unidos, o congressista republicano George Santos admitiu que mentiu sobre a sua formação académica e o seu histórico profissional durante a campanha para as eleições intercalares de novembro.

Santos é adepto de Trump e afirmou que não é criminoso; acrescentou: “…o meu pecado foi ter enfeitado o meu currículo. Peço desculpa. Fazemos coisas estúpidas na vida”. Mesmo assim, pretende tomar posse como congressista.

Em Israel, o Parlamento aprovou duas leis que poderão permitir que os políticos passem a ter um poder quase absoluto e em que as mulheres, homossexuais, estrangeiros, ou até judeus não ortodoxos, possam perder direitos.

Um dessas alterações torna possível que políticos condenados por crimes graves como corrupção, possam ser ministros.

São coisas da democracia ““ o pior regime político, mas o único que é aceitável…

Estou a ficar farto do Montenegro e do Toy

Continuo a ter este nefasto hábito de ler jornais e ver telejornais.

É um vício, eu sei.

Está pior desde que deixei de fumar, já lá vão 15 anos!

Agora, aposentado, leio os jornais de fio a pavio (quase leio a necrologia) e vejo os telejornais das 7, das 13 e das 20 horas.

Não tenho desculpa!

Começo, no entanto, a ficar enjoado. Sobretudo dos telejornais.

Sobretudo por causa de duas criaturas que aparecem todos os dias em todos os telejornais.

Falo do novo líder do PSD, Luís Montenegro, e do cantor Toy.

O cantor Toy, responsável por versos tão lindos como “…põe a cerveja no congelador e vamos fazer amor”, aparece antes de todos os telejornais, num spot publicitário do Intermaché. Ele canta, toca guitarra, atira-se para uma piscina e diz, sem se rir, “…não há nada melhor do que um Intermarché para frequentar”.

Antes do telejornal das 7 da manhã, mal o oiço porque ainda estou a acordar; antes do telejornal das 13, deixa-me mal-disposto; antes do telejornal das 20, já estou disposto a atirar com o chinelo ao écran.

Quanto a Luís Montenegro, a coisa ainda é pior.

As cantigas do Toy, por muito irritantes que sejam, entram por um ouvido e saem por outro ““ agora, a cantiga do Montecoiso é bem outra.

Todos os dias surge no écran a dizer qualquer coisa, sempre com aquele sorriso safardana. Quem o pode levar a sério?

Por exemplo, em relação aos problemas do SNS, diz Montecoiso que ele só melhorará quando o PS reconhecer desinvestimento histórico. Ora, sabendo que até 2015, com Passos Coelho como 1º ministro, Paulo Macedo como ministro da Saúde e Montecoiso como líder da bancada do PSD, o SNS sofreu um desinvestimento de 825 milhões de euros e que, desde que o Costa é primeiro ministro, e a Marta Temido, ministra da Saúde, o SNS já recebeu mais 3 mil milhões de investimento, só podemos concluir que o homem anda a gozar connosco.

Claro que o SNS está a atravessar um momento difícil, mas ainda se há de fazer a história desta súbita falta de médicos nas urgências. Lembram-se quando as pessoas foram para as janelas aplaudir os profissionais de saúde, felicitando-os pelo modo como estavam a enfrentar a pandemia? Não foi assim há muito tempo. Onde estão agora esses médicos e esses enfermeiros?

Em resumo, com o Toy a abrir os telejornais, com aquela barriguinha a balançar, e o Montenegro a botar faladura, com aquele sorriso sacana, estou a ficar cada vez mais bizarro.

Qualquer dia, qualquer dia…

Parece que,a final, o PS perdeu

Curioso como a generalidade dos comentadores consegue fazer crer que, afinal, o PS não ganhou as eleições ou, no caso de ter ganho, foi por mera sorte.

De todos esses comentadores, destaco um, chamado João Miguel Tavares, mas poderia referir muitos outros que, dias antes das eleições, garantiram que António Costa estava derrotado, cansado, desgastado, perdido.

Depois, o PS conseguiu a maioria absoluta e esses mesmos comentadores, das duas, uma: ou fizeram de conta que nada tinha acontecido, ou desataram a inventar histórias para depreciar essa vitória.

Clara Ferreira Alves foi uma das que, nas vésperas das eleições garantiu que Costa estava nas lonas. Hoje, na primeira edição do Expresso após as eleições, CFA chamou í  sua crónica semanal “…Um Portugal Triste” ““ mas não fala nas eleições; ignora-as, falando no envelhecimento do país e na baixa natalidade. Pois…

Quanto a JMT, escreveu esta semana duas crónicas inacreditáveis.

Na primeira, JMT explica que “…a forma como esta maioria absoluta foi atingida é mais milagrosa do que a chegada de Costa ao governo em 2015, após perder as eleições”. E acrescenta que esta maioria absoluta “…exigiu uma conjugação de factores só ao alcance dos raros políticos que nasceram de rabo virado para a lua”.

Portanto, o PS obteve a maioria absoluta por sorte e por milagre.

Na segunda crónica, JMT diz-nos que estamos enganados se pensamos que Costa “…ganhou em toda a linha. Não ganhou. O PS perdeu muitos votos í  direita, nomeadamente para Rui Rio.”

E JMT faz umas contas mirabolantes para tentar demonstrar que, afinal, apesar de ter ganho com maioria absoluta, o que é certo é que o PS perdeu muitos votos e que, portanto, é muito capaz de ter perdido as eleições.

JMT tenta torturar os números para que eles confirmem as suas ideias. Pior que isso só o comentário da vice-presidente do PSD, Isabel Meirelles que, quando lhe perguntaram o que falhou na estratégia eleitoral do seu partido, respondeu com esta frase lapidar: “…o que falhou foi o povo português”.