Do grilo da Alzira í  chupadela da Teresa

Miguel Costa, cantor popular, foi processado por uma vizinha.

Razão: Miguel compí´s uma cantiga intitulada “O grilo da Zirinha” e a vizinha chama-se Alzira, sendo conhecida, em Padim da Graça, Braga, exactamente como Zirinha.

Logo, a Alzira, casada e mãe de três filhos, achou que Miguel Costa se referia a si, quando cantava «cacei o grilo na toquinha, cacei o grilo í  Zirinha».

Por isso, acusou-o de difamação e injúrias, pedindo 6 mil euros de indemnização.

O Tribunal de Braga, no entanto, ilibou o cantor.

O juiz explicou que a chamada “música pimba” «encerra a possibilidade de as suas letras serem interpretadas de formas diferentes por quem as ouve, pelo que só assim alguém pode considerar que “caçar” é sinónimo de “copular” e “grilinho” de “vagina”».

Peço desculpa ao douto juiz, mas penso que, com o termo “grilinho”, o cantor se referia ao grelinho, e não í  vagina.

Mas isso é um pormenor anatómico.

Demonstrando grandes conhecimentos no mundo da música pimba, o juiz deu, como exemplo, esse grande êxito do enorme Quim Barreiros, “Chupa Teresa”, dizendo que, «obviamente, o cantor não se referia a um qualquer gelado, mas ressalvando que a destinatária (da chupadela, supõe-se…) não seria uma mulher em concreto, com aquele nome».

Em resumo: é tudo uma parábola – nem a Teresa chupa, nem ninguém come o grilo í  Alzira.

Estamos todos muito mais descansados!

Nota: as frases entre parêntesis são retiradas de uma notícia de hoje do DN.

 

Notícias do meu país

Parece que os ministros não se entendem quanto aos cortes.

O Gaspar quer cortar nos salários e nas reformas, o Portas está contra.

Nunca pensei dizer isto: o Portas faz oposição de esquerda ao governo!

E provoca-o!

O Expresso diz hoje que Portas não faltou í  tomada de posse dos novos secretários de Estado por estar fora do país, ou por estar doente, ou por estar indisposto: í  hora em que os secretários de Estado tomavam posse, Portas estava na pedicura!

Deu com os pés no Governo…

Entretanto, ficámos a saber que há por aí mais buracos de vários mil milhões, por causa de mais uma coisa com nome estrangeiro: os swaps.

Sempre é mais fino dizer swap do que desfalque.

O que vai acontecer aos responsáveis dos swaps?

Será que vão fazer companhia ao Isaltino?

Tal como ele faz com a Câmara de Oeiras, poderão continuar a gerir empresas, a partir da cadeia.

Tal como ele, estão inocentes, claro…

Tudo normal.

Ficámos também a saber que, nas próximas autárquicas, teremos excelentes presidentes de Juntas para as bandas do Porto.

O PSD escolheu para candidatos o ex-futebolista João Pinto, o ex-médico do FCP Domingos Gomes, o apresentador televisivo Jorge Gabriel e o médico das dietas Fernando Póvoas.

Com tais presidentes de Junta, até eu era capaz de me mudar para o Porto!

Estamos tramados!

Exaltar o Isaltino

O Isaltino está preso.

Quer dizer: o Isaltino estava preso quando comecei a escrever este texto.

Agora, neste momento, não sei se ainda está preso.

Mas quero dizer que acho mal.

O Isaltino enriqueceu a língua portuguesa. Inventou um novo verbo: isaltinar e dois novos substantivos, pelo menos: isaltinice e isaltinanço.

Isaltinar quer dizer interpor recursos para lá de tudo o que é razoável.

Foste apanhado com a boca na botija e vais de cana?

– Isaltina!

Está-se mesmo a ver que foste tu que desviaste essa massa toda e foste apanhado?

– Isaltina!

Há sempre a possibilidade de um isaltinanço.

Só não isaltina quem não tem tomates!

A Justiça portuguesa está sempre a postos para uma isaltinice – o que é preciso é lata!

E é por isso que devemos exaltar o Isaltino – e exaltar no sentido de aplaudir, e não no sentido de irritar.

Até porque um Isaltino irritado pode explodir e sujar-nos a todos…

25 de Abril sempre!

* «Esse homem extraordinário que é o Presidente Marcello Caetano, sempre presente no coração e na alma de todos os portugueses que compreendem o esforço gigantesco desenvolvido pelo Chefe do Governo a favor da elevação social do povo português e do engrandecimento de Portugal»

– Afonso Marchueta, governador civil de Lisboa, 27 agosto 1973

* «No campo social também há a reacção, como no campo fisiológico; se é justo reagir contra e febre e a doença, porque não reagiremos contra a revolução e todas as moléstias do corpo social? Com justiça, pois, nós somos, nossos princípios são, reaccionários»

– José Pequito Rebelo, jornal “O Debate”, janeiro 1972

* «Na hora presente em que Goa criada por Albuquerque vive num cativeiro, sob o peso da abominável tirania indiana, exclamemos com aquele veterano de longas barbas, coberto de cicatrizes, batendo no túmulo com o seu bordão: “Levanta-te, capitão, que se perde o que ganhaste!”»

– Editorial do jornal “Heraldo”, janeiro 1972

* «Esta triste realidade significa que o ofício de governar se está a tornar cada vez mais difícil e árduo, exigindo, além de inteligência, de tacto, de sabedoria e de persistência, sobretudo de muita e inflexível firmeza contra a degradação, a indisciplina, os desmandos e os acto de puro banditismo. (…) Trabalhar no sentido de pí´r termo ao retrocesso moral, veneno subtil que está provocando a poluição das almas, para mim a mais grave e perigosa poluição dos tempos actuais».

– Amério Thomaz, presidente da República, janeiro 1973

A carta í  troika

” Cara troika:

Espero que esta a vá encontrar bem de saúde, que eu bem felizmente, com a ajuda de Deus e de Miguel Relvas (pena que ele se tenha ido embora, mas a vida é assim, injusta…)

Venho por este meio informar que, apesar do chumbo da cáfila de juízes do Tribunal Conschional, eu e o Vítor estamos determinados a cumprir o que prometemos.

Assim, para compensar os milhões que o Tribunal Conschional nos roubou, vamos começar por cortar os subsídios de desemprego e de doença.

De facto, se um tipo está desempregado, não precisa de tanto dinheiro, já que não gasta nada em passagens para ir e vir para o trabalho. Do mesmo modo, se um fulano está doente, deve estar em casa, quem sabe acamado, e também não precisa de dinheiro para se deslocar, muito menos para gastar em bicas e outras coisas que ainda vão piorar a doença.

Decidimos, também, igualar os salários da função pública aos privados: polícias, militares e juízes, por exemplo, vão passar a ganhar porra nenhuma. Se os privados se aguentam sem polícias, militares e juízes, o Estado também se há-de safar sem eles!

Mais uns mesitos desta nossa política e Portugal estará onde deve estar: ao nível do tempo em que Lord Byron por cá passou,  por volta de 1800 e picos.

Foi ele que disse: “Quem entrar nesta cidade (Lisboa) que, resplandecendo ao longe, parece celestial, vagueia pelas ruas decepcionado com tantas coisas desagradáveis aos olhos do forasteiro”

Finalmente, os turistas do Norte da Europa virão visitar-nos em massa, para ver como a Europa era antigamente.

Espero que estas medidas sejam do vosso agrado e, caso tenham outras ideias mais radicais, é só dizer – eu e o Vítor estamos ao vosso dispor.

O vosso servidor,

Pedro Passos Coelho”

– Nota: esta carta é forjada; Pedro Passos Coelho nunca citaria Lord Byron…

É um pássaro? É um avião? Não – é o bispo de Bragança!

Se fosse um anjo, poderia voar.

bispo_carroMas D. José Cordeiro, bispo de Bragança,  não é um anjo – é um anjinho.

Depois de engatar a marcha atrás, para tirar o carro da garagem do episcopado, não mais parou: galgou o gradeamento e estatelou-se em cima do Renault Clio do pobre do empregado da gasolineira em frente!

Não deixa de ser uma parábola: o Volkswagen Passat de 30 mil euros do bispo, esmaga o Renault Clio de 900 euros do paroquiano…

D. José Cordeiro é o mais jovem bispo português, com 45 anos e o Passat também deve ser o carro mais novo da Igreja portuguesa, pois foi comprado na passada 6ª feira.

Foi uma estreia de arromba!

O padre Fernando Calado, do Gabinete da Diocese de Bragança, confirmou que o bispo tem carta de condução e que o acidente deve ter sido provocado por algum problema mecânico, pois «falharam os travões e o senhor bispo não conseguiu parar o automóvel».

Mas o Diário de Notícias, sempre em cima do acontecimento, «contactou um mecânico conceituado na cidade de Bragança», que disse: «o acidente dificilmente se ficará a dever a falha mecânico (…). Inclino-me mais para azelhice.»

bispoOra aí está: o bispo de Bragança é um azelha!

A menos que…

Recordo que este foi o bispo que denunciou o roubo de hóstias consagradas, que, segundo ele, seriam depois usadas em bruxarias (vide “Eles andem aí!…” – https://coiso.net/?p=5270).

E não será isto obra de alguma bruxaria, feita com uma hóstia roubada?

Resta dizer que o sr. bispo não sofreu sofrimentos de maior – só na alma.

Quem estava inconsolável era o gasolineiro, que disse: «quando ouvi o estrondo do carro do senhor bispo, nem queria acreditar».

Mas tens que acreditar, meu filho!

É nisso que se baseia qualquer religião…

Até os larápios estão em crise

Uma pequena notícia do DN comprova que a crise atingiu todos os sectores da sociedade, incluindo os larápios.

Na tranquila cidade de Bragança, uma mulher foi detida por ter roubado um polvo congelado, num hipermercado.

A mulher devolveu o polvo mas o juiz não perdoou e, seguindo a máxima, segundo a qual, “o polvo congelado jamais será roubado”, determinou que ela ficasse com termo de identidade e residência, até ser presente a tribunal.

Na mesma cidade, três outros larápios roubaram, de um expositor, sete relógios, no valor total de 240 euros.

Vejam bem: um polvo congelado e sete reles relógios, que nem 35 euros cada um valiam!

A crise toca a todos!

De ou da?

Há por aí uma grande discussão quanto í  diferença entre a proposição “de” e “da”, a contracção entre a mesma proposição e o artigo definido “a”.

Isto porque um decreto-lei sobre a limitação de mandatos dos presidentes das câmara e das juntas, devia dizer “presidente da câmara” e diz “presidente de câmara”.

Os tipos que defendem que os presidentes se possam manter indefinidamente, ganhando teias de aranha nos cargos, dizem que a lei, ao grafar “presidente de câmara” se refere ao presidente de uma determinada câmara e, portanto, um tipo que tenha sido presidente de Sintra ao longo de três mandatos, pode candidatar-se a Lisboa.

Acrescentam que, se a lei tivesse grafado “presidente da câmara”, então sim, o dinossauro já não poderia candidatar-se novamente.

É óbvio que é exactamente ao contrário.

“Presidente de câmara” é um função em absoluto, “presidente da câmara” refere-se a uma câmara específica.

Mas, enfim, qual é a diferença entre um palerma de merda e um palerma da merda?