“A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao”, de Junot Diaz (2007)

Junot Diaz é um jovem escritor, natural da República Dominicana (nasceu em 1968) e este romance é o seu primeiro trabalho de fí´lego, e logo ganhou o Prémio Pulitzer de 2008.

—O romance conta a história da vida, breve, de Oscar, um dominicano obeso e virgem, que não consegue cumprir a tradição machista dos nascidos em Santo Domingo. Tímido e envergonhado pela sua obesidade, Oscar mantém-se afastado das raparigas e embrenhado nos heróis da ficção científica e da banda desenhada.

Paralelamente, Diaz aproveita para nos transmitir o medo, a repressão, o arbítrio da ditadura de Trujillo, El Jefe, que dominou a República Dominicana entre 1930 e 1961. Trujillo era assim uma espécie de Salazar das Caraíbas e a sua ditadura fez com que muitos dominicanos emigrassem para os Estados Unidos.

A propósito de Trujillo, diz o autor:

«Perguntem a qualquer um dos vosso familiares mais velhos e eles dir-vos-ão: o Trujillo pode ter sido um Ditador, mas era um Ditador dominicano, o que é um outro modo de dizer que era o Principal Bellaco do País. Acreditava que, na República Dominicana, todas as ratas eram, literalmente, suas. É um facto bem documentado que, na República Dominicana do Trujillo, se uma pessoa pertencesse a uma dada classe e deixasse uma filha jeitosa perto do El Jefe, numa semana já ela estava a mamar o coiso dele como uma qualquer profissional e não haveria nada que se pudesse fazer acerca disso!»

Esta era a grande diferença entre Trujillo e Salazar, já que o nosso ditador foi muito mais discreto com as mulheres, e se alguma lhe mamou o coiso, é coisa que desconhecemos…

Livro interessante, mas não muito…

“Némesis”, de Philip Roth (2010)

Roth anda obcecado com o acaso, com as circunstâncias da vida que podem mudar todo um plano laboriosamente construído, com a impotência dos seres perante a força dos acontecimentos inesperados e imprevisíveis.

Acaba por ser esse o tema dos seus últimos livros, Todo-o-mundo (2006), Indignação (2008) e A Humilhação (2009).

—Em Némesis, a força das circunstâncias é representada pela poliomielite. A acção decorre em Newark, nos anos 40. Um jovem judeu, Bucky Cantor, fica livre da tropa e, portanto de participar na 2ª Grande Guerra, devido a sofrer de alta miopia. Frustrado por não poder combater ao lado dos seus amigos, dedica-se ao desporto e dá aulas a miúdos do bairro judeu. Cantor é um modelo de jovem, amado por novos e velhos. Tem uma jovem namorada e pensa em casar e constituir uma família. Mas, com o Verão, vem uma nova epidemia de poliomielite que, naqueles tempos pré-vacina, é devastadora.

E contra essa força do acaso, não é possível lutar. Podes ser muito bem comportado, educado, grande atleta, cuidadoso – podes ser tudo o que há de bom, que nada disso te vai salvar da morte ou de uma paralisia deformante e incapacitante.

Tal como nos outro livros, Deus está ausente, ou melhor, está presente mas nada faz. A propósito do velório de um jovem de 12 anos, morto pela polio, Roth escreve:

«O Sr. Cantor teria achado uma afronta muito menor se as pessoas ali reunidas pelo luto se declarassem oficiantes da majestade solar, filhas de uma divindade solar justa, e, í  maneira fervorosa das antigas civilizações pagãs do nosso hemisfério, se entregassem a uma dança ritual do sol í  volta da campa do rapaz morto (…) – muito melhor honrar com as nossas orações o encontro diário e tangível com esse ubíquo olho de ouro isolado no corpo azul do céu e o seu poder imanente de incinerar a terra – do que engolir a mentira oficial segundo a qual Deus é bom e dobrar a cerviz perante um assassino de crianças a sangue frio.»

Afinal, aquilo a que chamamos Deus talvez não passe do Acaso, e pode, ou não, ser bom. Como refere Roth: «Umas vezes temos sorte, outras não. Toda a biografia é acaso e, a começar pela concepção, o acaso – a tirania da contingência – é tudo.»

Apenas uma curiosidade: no fim do livro, um dos jovens reinado por Bucky Cantor, reencontra o seu antigo treinado, muitos anos depois e pergunta-lhe como é a sua vida agora. Cantor responde: «Eu não sou pessoa de grandes convivências, Arnie. Vou ao cinema. Aos domingos desço até ao Ironbound e como um bom jantar português. Gosto de me sentar no parque quando o tempo está bom. Vejo TV. Vejo os noticiários.» (sublinhado meu)

Bucky Cantor, judeu de Newark, gosta de comer um bom jantar português.

Tem bom gosto.

Roth também.

 

 

“O Evangelho de Fogo” (2008), de Michel Faber

—Michel Faber é um escritor nascido na Holanda, criado na Austrália e residente na Escócia.

Autor de sete romances, dele, só tinha lido “Debaixo da Pele” (2000), e achei-o surpreendente, uma história original e inquietante.

Mas este “O Evangelho de Fogo” é uma desilusão.

Conta a história de Theo Griepenkerl, um modesto académico que, por mero acaso, descobre, numa museu iraquiano, uns manuscritos que são, afinal, o quinto evangelho – ainda por cima, escrito por uma testemunha ocular, alguém que, de facto, conviveu com Cristo.

Trata-se de uma excelente ideia mas, na minha opinião, Faber não conseguiu (ou não quis) desenvolvê-la completamente.

“A Sombra do que Fomos”, de Luis Sepúlveda (2009)

—A contra-capa deste pequeno livro diz tudo:

«Num velho armazém de um bairro popular de Santiago do Chile, três sexagenários esperam impacientes pela chegada de um quarto homem. Cacho Salinas, Lolo Garmendia e Lucho Arencibia, antigos militantes de esquerda derrotados pelo golpe de estado de Pinochet e condenados ao exílio, voltam a reunir-se trinta e cinco anos depois, convocados por Pedro Nolasco, um antigo camarada sob cujas ordens vão executar uma arrojada acção revolucionária. Mas quando Nolasco se dirige para o local do encontro é vítima de um golpe cego do destino e morre atingido por um gira-discos que insolitamente é lançado por uma janela, na sequência de uma desavença conjugal.»

É isto. “A Sombra do que fomos” é uma historieta. Tem graça, está bem escrita, mas sabe a pouco.

Algumas passagens fizeram-me recuar aos tempos do PREC. Exemplo:

«Na assembleia, Coco Aravena sentia-se eufórico porque a comissão de agitação e propaganda do Partido Comunista Revolucionário Marxista-Leninista, pensamento Mao-Tsé Tung, tendência Enver Hodxa, bastante diferente da camarilha liquidacionista que se fazia chamar Partido Comunista Revolucionário Marxista-Leninista, pensamento Mao-Tsé Tung, tendência bandeira vermelha, o tinha escolhido para a leitura de uma resolução do Comité Central destinada a mudar a história.»

É o segundo livro de Sepulveda que leio e não me entusiasma.

“Pornopopeia” (2008), de Reinaldo Moraes

Li algures que este livro do escritor brasileiro Reinaldo Moraes, fazia lembrar os lendários Sexus, Plexus, Nexus, Trópico de Cancer e Trópico de Capricórnio, de Henry Miller.

Ora, eu li esses cinco livros do Miller, de enfiada, em 1980, quando tinha 27 aninhos. Marcaram-me de tal modo que não hesitei em ler este Pornopopeia. No fundo, estava com esperança de reviver os meus verdes anos.

—Não posso dizer que tenha sido tempo perdido (e foi muito, que o calhamaço tem quase 600 páginas!), mas o livro tem pouco a ver com aqueles outros do Miller. Talvez se aproxime de outra obra, menor, muito menor, do escritor norte-americano, chamada Opus Pistorum – livro que Miller terá escrito apenas para ganhar dinheiro, a xis dólares por página, e tendo por obrigação descrever o maior número de fodas possível.

Pornopopeia está escrito em brasileiro, por vezes tão cerrado que quase precisaria de tradução. Exemplo:

“Cê acredita que ela me deu bom-dia coçando a bunda por dentro da calcinha? Bitchí´?! Quê que é aquilo?! Ela tá pensando o quê, essa menina? Que eu sou eunuco? Eu sí´ minêro, sí´! Minêro não moderniza nessas coisa. Muié é muié, vaca é vaca. E as duas a gente toca ca vara. Essa menina tá facilitando comigo. Que nem outro dia que eu entrei no quarto da Estelinha pra falar num sei que e tava lá a Sossí´ de costas pra porta, sem camiseta nem sutiã, cum puta dragão tatuado na lomba, coisa mai doida, sí´. Ni qui ela notou minha presença, virou de perfil pra mim. E eu vi, rapá, eu vi: um peitinho da Sossí´! Um só, branquim de leite.”

O livro conta-nos as andanças de um falhado realizador de cinema que, ao fim e ao cabo, o que quer é snifar coca e comer gajas. Ao contrário dos tais livros do Miller, não há cá filosofias de vida nem porra nenhuma (o Miller andava por Paris, em busca da liberdade e da cultura…). O herói deste livro, prosaicamente chamado Zé Carlos, o que quer é bundas e bucetas e boquetes e punhetas com lulas e o cacete! Exemplo:

“No que ela entrou no carro já lhe passei o cinquentinha do michê, que ela enfiou rápido no decote. Sempre faço isso, de pagar a puta antes. Cria um clima de confiança, esquenta a relação, melhora a qualidade da foda.”

A páginas tantas, o livro fez-me lembrar alguns filmes pornográficos: temos uma descrição detalhada e prolongada de uma orgia numa espécie de igreja oriental, outra orgia num bar de alterne, várias quecas com uma sexagenária e uma tarde de sexo atlético com uma jovem “caiçara”. No meio destas cenas, que envolvem tudo o que se possa imaginar, no que respeita ao desporto sexual, há um fio de história, muito fraquinho, que envolve um dealer de cocaína, que é morto, acidentalmente, pela polícia, que culpa o fodilhão do Zé Carlos.

Em resumo: a coisa é divertida, mas é uma obra menor, acho eu.

“A Viúva Grávida”, de Martin Amis

—Ora aqui está outro escritor contemporâneo muito badalado e com o qual não consigo encontrar afinidades.

Dele, ainda só tinha lido “O Cão Amarelo” (2004), que já não me tinha entusiasmado.

Este último livro de Martin Amis, editado no ano passado, diz que é “uma comédia de costumes, um pesadelo. Um livro brilhante, assombroso e gloriosamente arriscado”.

Os adjectivos são próprios de quem quer valorizar o produto que está a vender.

Li “A Viúva Grávida” com alguma dificuldade.

Trata-se de uma história certamente dedicada a outras inteligências – inteligências que percebam e aceitam frases como esta, na página 239: «continuava a coçar o pequeno inchaço avermelhado no lado mais pálido do antebraço, onde, na noite anterior, um mosquito lhe havia inserido a sua seringa. Keith estava no seu estado habitual, que era este. A cada dois minutos, ele conseguia ouvir os céus a relincharem perante a indulgência dele; e nos minutos entre esses, corava alvos suores ao pensar na sulfurosa fossa de alcatrão da sua alma.»

Ufa!

Ainda segundo a contracapa, a acção do romance decorre na década de 1970, num castelo, em Itália. Aí, meia dúzia de jovens interpretam a revolução sexual.

Talvez… mas confesso que quase não dei por nada.

A culpa deve ser minha…

“Cão em Fuga”, de Don DeLillo (1978)

—Ainda não foi desta que consegui penetrar no “universo singular” deste autor norte-americano, como lhe chama a nota da contra-capa desta edição da Relógio de ígua.

Já aqui há uns anos tinha lido um livro de DeLillo, chamado “Mao II”, editado em 1991 e, também então, não consegui entrar bem no texto.

Neste “Cão em Fuga”, a história decorre í  volta da possibilidade de existir um filme com proezas sexuais passadas no bunker de Hitler. Atrás deste filme, surgem um coleccionador de artigos eróticos, uma jornalista que já foi radical e que escreve numa revista que tem o mesmo nome que o romance (Running Dog) e Glen Selvy, “um homem treinado para a luta e suficientemente leal para enfrentar os inimigos com as armas que eles próprios escolhem” (nota da contra-capa)

Não é um policial, não é um livro de espionagem, não é um livro de guerra – é o tal “universo singular”, no qual não consegui penetrar, talvez por falta de empenho da minha parte.

Mas ainda não desisti.

“O Céu É Dos Violentos”, de Flannery O’Connor (1960)

Flannery O’Connor morreu em 1964, aos 39 anos, vítima de lupus. Tinha apenas publicado dois romances e uma série de contos e ganho diversos prémios. O National Book Award foi-lhe concedido a título póstumo, em 1972, pela colectânea dos seus contos.

“The Violent Bear It Away” é o seu segundo romance e é uma história estranha, negra, fechada sobre si própria.

Ao ler o romance, não pude deixar de pensar na luta entre os criacionistas e os evolucionistas, que tantos ódios desencadeia nos EUA.

—O romance narra a história de Tarwater, um jovem de 14 anos. O seu tio-aví´, um lunático que se julga um profeta enviado por Deus, raptou-o, ainda bebé, e cuidou dele, ensinado-o a tornar-se, também, um profeta.

Vivem os dois isolados numa casa, no campo. Certo dia, o velho morre subitamente e o rapaz, incapaz de abrir uma cova suficientemente funda para enterrar o aví´, deita fogo í  casa com o aví´ lá dentro. Depois, foge para a cidade, em busca do seu tio, irmão da sua mãe. Este é um professor que renegou a religião, só aceitando a ciência. Vive só, depois de a mulher o ter deixado, a ele e a um filho, que é atrasado mental.

O professor recebe Tarwater de braços abertos. Quer tirar-lhe da cabeça todas as ideias místicas que o velho lá implantou e mostrar-lhe que a ciência tudo explica. No entanto, o rapaz é intratável, não aceitando sequer vestir roupas novas.

A linguagem da escritora é, ao mesmo tempo, lírica e rebuscada: “o rastilho podia ser um pau ou uma pedra, o desenho de uma sombra, o andar absurdo e geriátrico de um estorninho a atravessar o passeio”.

O retrato destas personagens obcecadas pela religião e pela culpa, dá uma ideia de uma certa América que, de certo modo, ainda se mantém nos dias de hoje.

O livro foi publicado em 1960 e está datado. Hoje em dia, um miúdo de 14 anos não passa de um fedelho. Tarwater, pelo contrário, é já um homem, fuma os seus cigarros e bebe o seu whisky.

O modo como a escritora falar dos personagens de raça negra, perdão, dos afro-americanos, também não seria bem aceite, hoje em dia: “Estava prestes a sentar-se quando, mais adiante, num espaço varrido pelo vento í  beira da estrada, viu uma cabana de pretos. (…) Os pretinhos ficaram a observá-lo até ter saído daquele lugar e ter desaparecido pela estrada abaixo”.

No final do livro, Tarwater afoga o primo imbecil, depois de o baptizar e, mais tarde, parece que é violado por um homem que lhe dá boleia, mas a escritora apenas o sugere.

A culpa, sempre a culpa. E a respectiva expiação…

“O Homem Lento”, de J. M. Coetzee (2005)

Coetzee é garantia de boa leitura, como já tinha comprovado com “A Vida e o Tempo de Michael K” (1983), “Desgraça” (1999) e “Diário de Um Ano Mau” (2007).

—Neste romance, Paul Rayment é um fotógrafo sessentão, í  moda antiga, avesso aos avanços da tecnologia que, certo dia, ao passear de bicicleta, é abalroado por um carro.

Na sequência dos ferimentos sofridos, amputam-lhe uma perna. Paul recusa a prótese e volta para casa ainda mais deprimido do que já estava antes. É um homem amargo, misógino, divorciado, que nunca teve filhos.

De acordo com a assistência social, uma enfermeira é destacada para dar apoio a Paul, dar-lhe banho, limpar-lhe a casa, alimentá-lo (a acção decorre na Austrália). Mas o feitio de Paul é muito difícil e as enfermeiras vão-se sucedendo. Nenhuma aguenta muito tempo as idiossincrasias do fotógrafo.

Surge então uma enfermeira de origem croata, Marijana, que consegue dar a volta a Paul, com a sua simplicidade de mãe de família, habituada a ultrapassar muitas dificuldades. A pouco e pouco, o fotógrafo percebe que se está a apaixonar pela enfermeira.

Nessa altura, entra em cena a escritora profissional Elizabeth Costello, uma septuagenária que está í  procura de material para o seu futuro romance. Paul e a sua perna amputada, Marijana, o seu maridos e os três filhos, são excelentes personagens.

Em resumo, este é o riquíssimo material que Coetzee juntou para escrever este livro.

Acrscente-se as recordações de infância de Paul, de origem francesa, com um padrasto holandês, a sua paixão platónica por Marijana, que o leva a querer proteger e ajudar os seus filhos, a paixão, também ela platónica, de Elizabeth por Paul, os problemas dos dois filhos mais velhos da enfermeira, e temos um livro cheio de questões éticas de difícil resposta.

Mas também não é de respostas que Coetzee está í  procura. A missão do escritor é, exactamente, a de levantar as questões. Compete-nos meditar sobre elas.

Boa companhia de viagem, mais este romance de J.M. Coetzee, escritor nascido na ífrica do Sul, em 1940, e que recebeu o Nobel em 2003.

“A Humilhação”, de Philip Roth

—Este foi meu 12º romance de Philip Roth e continuo a dizer que ele é, neste momento, o meu escritor vivo favorito.

“A Humilhação” quase que podia ser um conto. Embora tenha a estrutura de um romance, tem apenas 127 páginas e centra-se praticamente num único personagem e na sua história, não tendo narrativas paralelas ou adjacentes.

É uma pequena novela que se inscreve na série que Roth vem escrevendo sobre a velhice, a decadência do corpo e a morte, na sequência de “O Fantasma Sai de Cena“, “Todo-o-Mundo“, “O Animal Moribundo” e “Indignação“.

Em “A Humilhação”, Roth conta a história do actor de teatro Simon Axler que, com 66 anos, perdeu a capacidade de representar. No palco, já não é capaz de se transformar nas personagens das peças de teatro. Deprime-se e pensa no suicídio. Procura ajuda psiquiátrica. Conhece uma lésbica, filha de um colega actor, 25 anos mais nova que ele e consegue levá-la para a cama. Incapaz de representar no palco, vai durante algum tempo representar o papel de um amante jovem e fogoso, pronto a experimentar todos os jogos sexuais. Ao mesmo tempo, a sua companheira, até então lésbica, está, no fundo, a representar o papel de heterossexual. A coisa acaba mal, como seria de esperar.

Roth ganhou o Man Booker Internacional deste ano, pelo conjunto da sua obra, apesar de uma das juradas, Carmen Calill, ter votado contra, porque acha que ele está sempre a escrever sobre os mesmos temas e é, até, um pouco machista.

Penso que Carmen Calill não terá gostado de passagens de “A Humilhação”, como esta:

“No fim costumava pegar-lhe na piça e ficar a vê-la perder a erecção. «Que estás tu a mirar?», perguntou ele. «Isto enche-nos», disse ela, «de uma maneira que os vibradores e os dedos não conseguem. Tem vida. É uma coisa viva».

Cá fico í  espera do próximo livro de Roth que, segundo creio, sai ainda este ano.