Porcos irlandeses

Os portugueses já consumiram cerca de 600 quilos de carne de porco irlandesa, contaminada com dioxinas.

A referida carne estava dissimulada em chouriços e salsichas, de modo que era difícil de detectar. Um tipo olhava para um chouriço e não percebia que, lá dentro, estava carne de porco irlandesa.

Já não há nada a fazer, a não ser aguardar.

Os primeiros sintomas de contaminação costumam ser a emissão de grunhidos em irlandês, seguindo-se uma tendência para caminhar em quatro patas.

Quando começar a resfolegar e a adorar esparramar-se na lama, dirija-se ao veterinário mais próximo.

A auto-avaliação

Juro que quando escrevi o post em que propunha que os professores fizessem auto-avaliação, estava a brincar. Talvez a piada não fosse muito boa, mas juro que era a gozar.

Pois não é que os sindicatos propuseram exactamente isso í  ministra, que cada professor elaborasse um relatório de auto-avaliação, que seria depois apreciado pelo Conselho Pedagógico?

Custa a acreditar que seja esta a alternativa que os professores têm para contrapor ao modelo da ministra que, com tantas simplificações, já pouco deve a ter com o modelo inicial.

E pronto – continua o desacordo e vamos continuar a assistir ao espectáculo dos professores, na rua e nas escolas, contrariando uma decisão de um governo aprovado pela maioria absoluta dos eleitores.

Se fosse aos professores, esperava calmamente pela eleições (são já para o ano) e votava em todos os partidos menos no PS e convencia os familiares, amigos e pais dos alunos a fazerem o mesmo.

Entretanto, segundo o Público, vem aí mais uma guerra, desta vez com os médicos. Parece que o governo quer aumentar o horário de trabalho dos médicos de 35 para 40 horas semanais, sem contrapartidas.

Fica já dito que, por mim, podem estar í  vontade: é rara a semana que não trabalho entre 45 e 50 horas.

Mas acho que os sindicatos dos médicos devem exigir apenas uma coisa: que o horário dos médicos passe a ser igual ao dos professores.

Recessão – primeiros sinais

Quando acordei, esta manhã, o país já estava em recessão.

Dei por isso porque acordei mal disposto, o café tinha pouco açúcar e a torrada queimou-se.

Na rua, só me cruzei com transeuntes mal encarados e os automobilistas iam todos de trombas e devagarinho, para poupar combustível.

Numa esquina, parece que vi a economia a encolher-se, mas podia ser uma cadela a fugir. Só a vi de relance.

No trabalho, toda a gente me respondeu mal e eu respondi mal a toda a gente e só não andei í  pancada porque me faltou a energia alternativa.

Quando cheguei a casa, calcei só um chinelo, para poupar e sentei-me a ler o jornal.

Logo na primeira página: “Portugal está disposto a acolher presos da base de Guantánamo”.

Bonito gesto.

Mas será que os presos estarão na disposição de vir viver para um país em recessão? Não preferirão as economias florescentes do Iémen, do Afeganistão ou do Mali?

Logo ao lado, outra notícia da recessão: “Falências sobem 50% no distrito de Braga: este ano, até ao final do mês de Setembro, faliram 440 empresas do distrito de Braga”.

Onde é que Braga tinha tantas empresas? Passei por lá em Outubro e juro que não me apercebi disso.

Mais acima, uma notícia alegre: Manuel de Oliveira completa 100 anos.

Confesso que nunca vi nenhum filme do Manuel de Oliveira, mas há que elogiar o homem. Com 100 anos e ainda teima em trabalhar. É por causa de homens como ele que a idade da reforma cada vez é mais tardia…

Mais um pensamento triste…

Lá mais para o fim do jornal, uma notícia engraçada: o PSD considera que Sócrates “vai ficar na História como o primeiro-ministro do governo que levou o país í  recessão”.

Afinal não foi o sub-prime, nem o crédito imobiliários dos yankees, nem os bancos mal comportados. Foi o Sócrates. Embora malhar no homem!

í€s vezes era o que apetecia: uma boa sova, uma tareia, uma trepa, assim como está a acontecer agora em Atenas. Qual manifestações ordeiras avenida abaixo: porrada e mau viver, cocktails molotov, gás pimenta, gás mostarda, gás ketchup, tudo ao molho!

Olha, um bom exemplo é o do Vitor Constâncio, que já disse que não se importava que lhe baixassem o salário.

Sonso!

Eu não me importava era que me aumentassem o salário. Se todos ganhássemos mais, acabava-se a recessão.

Por isso é que o meu herói se chama Mugabe, o gajo que lançou, agora, uma nota que vale 200 milhões de dólares zimbabweanos.

Digam lá se não gostavam de ser pagos com notas de 200 milhões…

Eu tive um sonho

Eu tive um sonho: o Benfica ia í  Madeira e ganhava 6-0 ao Marítimo.

A última vez que eu vi o Benfica dar uma cabazada foi há 3 anos, quando ganhou, na Luz, 7-0 ao Paços de Ferreira.

Goleadas fora, só no século passado. Foram 7-1 ao Olhanense, no ano em que nasceu o meu filho, há 35 anos e 9-0 ao Beira-Mar, em 1966.

Por isso, goleadas, hoje em dia, só em sonhos.

Então, o sonho era assim:

O primeiro golo era do Reyes, de penalti. Depois, na sequência de um canto, Katsouranis desviava ao primeiro poste e Suazo marcava, ao segundo. Também na sequência de um canto, Luisão encostava o pé na bola e fazia o terceiro. Mais tarde, de fora da área, Suazo rematava í  Eusébio e marcava o quarto. Para acabar, Nuno Gomes marcava dois: o quinto, a passe de Balboa e o sexto, a passe de David Luiz.

Foi um sonho tão agradável que decidi não acordar, por enquanto…

A Uefa está no papo!

O Benfica prepara-se para dar o salto para a fase seguinte da Taça Uefa.

Para isso, bastam duas coisas:

Primeira: o Olympiakos empatar, em casa, com o Hertha.

Fácil.

Pede-se ao Fernando Santos, esse grande benfiquista, que mova as suas influências na Grécia, que são muitas. Bastará falar com os gregos certos. Pede-se também ao Fernando Meira, esse outro grande benfiquista, e que jogou muitos anos na Alemanha, que fale com os seus amigos no Hertha. Sempre que os gregos marcarem um golo, os amigos alemães do Meira dão uma fífia e fazem auto-golo.

Segunda: vencer o Metalist por 8 golos de diferença.

Canja!

O Suazo mete dois, o Cardozo, outros dois, o Nuno Gomes faz três golitos, o Reyes marca mais dois e o Aimar mete um golo.

Eu sei que dá um total de 10 golos, mas temos que contar com os dois frangos que o Quim vai encaixar.

Fica, portanto, Benfica-10, Metalist-2. Oito golos de diferença.

Uefa – fase de grupos – aí vamos nós!

A Liga Intercalar

Ontem recebi um SMS muito estranho do Pedro.

Dizia, mais ou menos, o seguinte: “Benfa e Sporten na RTP-N, na Liga Intercalar. Que mais vão eles inventar?”

Fui ver.

A RTP-N transmitia, directamente do Centro de Estágio do Seixal, um Benfica-Sporting, a contar para a Liga Intercalar.

Nos idos de 60, quando eu ia í  bola com o meu pai (literalmente e em sentido figurado), havia um Campeonato de Reservas. As reservas eram formadas pelos putos que aspiravam a, um dia, jogar na equipa principal ou, ainda, os jogadores de topo que se portavam mal ou que estavam em processo de recuperação de uma lesão.

Nos tempos em que o meu pai andava mais louco por bola, chegávamos a ir ver jogar os juniores, ao sábado de manhã, as reservas, ao sábado í  tarde e, ao domingo, os gloriosos de primeiro plano, com o Eusébio a comandar.

Agora, chamam a esse campeonato de reservas, a Liga Intercalar.

Que interesse terão os jogos desta Liga para serem transmitidos por um canal de notícias, ainda por cima, í  hora de jantar?

E por que se chamará Liga Intercalar?

Intercalar ou para calar o Inter?

De qualquer modo, como dizia o Pedro, “mais um campeonato para o SLB perder”…

Humor bancário

“O Banco Privado Português não recebeu nenhuma herança mas mesmo assim é um dos Bancos mais capitalizados do mundo no seu segmento, com capitais próprios de cerca de 200 milhões de euros”.

Este naco de prosa faz parte do anúncio de duas páginas que, todas as semanas, abre a revista íšnica, do Expresso. Tenho akguma curiosidade em saber se, no próximo sábado, o anúncio ainda se vai publicar.

Trata-se, claro, do mais fino humor bancário.

Se o BPP tem capitais próprios de 200 milhões de euros, para que raio quer ele uma parte dos meus impostos?

O Fórum Almada agradece í  Fenprof

Esta semana de férias, aproveito-a para comprar as prendas de Natal.

Duas sortidas ao Fórum de Almada e fica quase tudo comprado. Para evitar aglomerações, um tipo chega í s 10 da manhã e í  hora do almoço, está despachado.

Ontem, o Centro Comercial estava í s moscas. Nas lojas, os balconistas olhavam para o ar, limpavam as unhas e bocejavam assiduamente.

Hoje, pelo contrário, o Fórum estava a abarrotar, cortesia da Fenprop e da greve dos professores.

Professores e alunos decidiram protestar contra a política do Ministério da Educação, indo passear para o Fórum de Almada.

Nos corredores, bandos de miúdos e miúdas, alguns aparentando não ter mais que 7 ou 8 anos, vagueavam sem destino certo, mirando as montras ou mirando-se uns aos outros.

Os professores (reconheci vários, aqui da zona), aproveitaram para fazer compras de Natal.

í€ hora do almoço, o McDonalds estava í  cunha. Aliás, praticamente todos os postos de restauração estavam com filas de canalhada, gastando a semanada em comida com gordura a mais.

A gerência do Fórum deve estar agradecida í  Fenprop, por este dia de inesperado bom negócio.

Pedido aos “media”

Caros profissionais da comunicação social:

Venho, por este meio, solicitar que, das duas, uma:

– ou deixam de chamar ex-presidente do Benfica, a Vale e Azevedo

– ou passam a chamar ex-presidente do Sporting a Santana Lopes.

Já não há pachorra para ouvir e ler que Vale e Azevedo é ex-presidente do Benfica, como se isso fosse uma característica específica, como ser alto ou gordo ou aldrabão ou salafrário.

Obrigado.

O PCP e o Índice de Desenvolvimento Humano

Nota prévia: Índice de Desenvolvimento Humano é, segundo a definição da Wikipédia, “uma medida comparativa que engloba três dimensões: riqueza, educação e esperança média de vida. É uma maneira padronizada de avaliação e medida do bem-estar de uma população. O índice foi desenvolvido em 1990 pelo economista paquistanês Mahbub ul Haq, e vem sendo usado desde 1993 pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no seu relatório anual”.

O PCP está a realizar o seu 18º Congresso, o primeiro desde a morte do Pai Cunhal.

Esta imagem do Congresso é esmagadora.

—

Ai, desculpem!… enganei-me… esta é uma imagem de um Congresso do PC Chinês… Agora é que é:

—

Esta é que é uma foto do Congresso do PCP, no Campo Pequeno, mas também podia ser de qualquer outro Congresso de qualquer outro PC de qualquer outro país, delirantemente a caminho do socialismo.

Segundo as teses do 18º Congresso do PCP, importantes, “nomeadamente pelo seu papel de resistência í  Â«nova ordem» imperialista, são os países que definem como orientação e objectivo a construção de um sociedade socialista – Cuba, China, Vietname, Laos e RDP da Coreia”

Cuba – 51º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (Portugal está no 29º lugar);

China – 81º lugar (num total de 177 países);

Vietname – 105º lugar no ranking;

Laos – 130º lugar;

Coreia do Norte – dados indisponíveis desde 1995; nesse ano, tinha um Índice de Desenvolvimento Humano semelhante ao do Laos.

Ainda segundo as teses do Congresso, o eixo do capitalismo internacional é formado pela União Europeia, os Estados Unidos e o Japão.

Os EUA estão no 11º lugar do IDH; o Japão, no 8º lugar e, na União Europeia, a classificação vai desde o 5º lugar da Irlanda ao 32º da República Checa.

Mas todos nós sabemos como é difícil a caminhada em direcção ao socialismo.

Cuba ainda só desde 1959 é que vai em direcção ao socialismo.

A China é um pouco mais antiga nessa caminhada: começou-a em 1949.

Vietname e Laos são novatos nestas coisas do socialismo e só começaram a caminhar nesse sentido depois da retirada dos americanos, em 1976.

Quanto í  Coreia do Norte, nem para isso há dados disponíveis. Aliás, a sua própria existência real é posta em dúvida por muitos observadores internacionais.

Lemos as teses deste 18º Congresso do PCP e fazemos uma viagem no tempo. Recuamos, pelo menos, 30 anos.

Por exemplo:

“Apesar dos reveses sofridos, a violenta ofensica do imperialismo não dá sinais de recuo, antes se acentuam os seus traços fundamentais – exploração, opressão, agressão, militarismo e guerra. No caldo de cultura da crise e da pretensão do imperialismo de impor ao mundo a sua hegemonia, cresce o perigo de aventuras militares de dramáticas consequências”.

Por exemplo:

“Intensifica-se a exploração dos trabalhadores com a extensão do uso da força de
trabalho e a redução, por todos os meios possíveis, da sua remuneração, visando arrecadar a maior fatia possível de mais-valias, tirando partido do enfraquecimento temporário do movimento comunista e operário.”

Por exemplo:

“O socialismo, objectivo programático do PCP, tendo no horizonte o comunismo, não só traduz a superioridade dos valores de liberdade e justiça social que animam os comunistas de todo o mundo na sua luta contra o capital, como constitui, na actualidade, uma possibilidade cada vez mais necessária e urgente.”

O problema é que os autores das teses deste Congresso acreditam piamente no que escrevem, como quem acredita, sem vacilar, nas sagradas escrituras.

Ver Jerónimo de Sousa a discursar, tendo, como fundo, uma bancada vermelha e com a saliva seca acumulada nas comissuras labiais, ver centenas de militantes, de punho erguido, masturbando a atmosfera e gritando, cadenciadamente. “Assim se vê, a força do Pêc튔, um tipo sente-se transportado para o passado e pergunta-se como é possível que este tipo de partido ainda tenha tanta força e influência, no panorama nacional.

E ali, na primeira fila, Carvalho da Silva, da CGTP e Mário Nogueira, da Fenprof, a mostrarem que, apesar de tudo e de todos, são eles que continuam a marcar a agenda sindical em Portugal, na Função Pública, nas fábricas, nas escolas.

Mas, enfim, como dizia o José Mário Branco, nos idos de 1982, na cantiga-poema “FMI”: “votas í  esquerda moderada nas sindicais, votas no centro moderado nas deputais e votas na direita moderada nas presidenciais”.

Não é filho?

Assim se explica que tenhamos o Cavaco como presidente da República, o Sócrates como primeiro-ministro e o Carvalho da Silva e o Mário Nogueira a mandar nas ruas.

Assim se vê… a força do Pê Cê…