25 de Abril sempre!

Quanto mais não fosse, só para nos vermos livres da retórica de luminárias como o ex-presidente Américo Tomaz ou o então governador de Moçambique, Pimentel dos Santos, valeu a pena o 25 de Abril.

Deliciem-se com estes dois nacos, datados de Julho de 1973…

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Desmanches

Está deprimido, costuma desmaiar, tem insónia, sente nervosismo ou medo, tem dores de cabeça constantes, sofre de maldição hereditária, tem vícios, vive na miséria, está atolado de dívidas, foi í  falência, é vítima de inveja e/ou de bruxaria, costuma ouvir vozes espirituais, vê vultos, é infeliz no amor, pensa em matar-se ou tem problemas familiares?

Esta igreja resolve todos estes problemas – mas só í s sextas-feiras, que nos outros dias da semana tem mais que fazer…

Em compensação, nesse dia, há quatro turnos para desmanchar todo o mal: í s 8, í s 10, í s 15 e í s 20 horas.

Pressupõe-se que, se o mal for muito complicado, não deve escolher a sessão das 8 da manhã porque só terá duas horas para resolver o problema – já que há outra sessão logo í s 10 horas. Talvez seja recomendável a sessão das 15.

Deve ser o caso, por exemplo, da maldição hereditária, sobretudo quando ela já vem do tempo dos bisavós.

Também deve ser complicado se a pessoa sofrer de mais males simultaneamente.

Convenhamos que estar deprimido, ter um vício, ser vítima de bruxaria, ouvir vozes, ver vultos e ser infeliz no amor, tudo ao mesmo tempo, para além de ser uma grande maçada, deve ser muito difícil de desmanchar.

No entanto, há uma coisa que não compreendo: esta lista foi feita aleatoriamente ou por ordem de frequência? Quer dizer, sem dúvida que a depressão, os desmaios, o nervosismo, a insónia e o medo devem ser dos males mais frequentes, por isso ocupam os dois primeiros lugares, mas colocar os problemas familiares em 12º lugar, parece-me errado.

De qualquer modo, ficam a saber: a IURD desmancha tudo isto e aqui bem perto, na Cova da Piedade.

Bem haja!

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65 anos

Ouve lá, meu sacana, é mesmo verdade que fazes hoje 65 anos?!

Não estava nada í  espera disto, pá!

É verdade que o teu filho Pedro vai fazer 45 anos e a tua filha Marta, 42, mas, mesmo assim, custa-me a acreditar que já tenhas idade para tirares bilhete de sénior nos museus!

65 anos, pá!

Ainda há pouco tempo te vi a correr no paredão da Costa, armado em Carlos Lopes, embora com menos barriga, e também sei que pedalas 20 quilómetros de bicicleta sem qualquer esforço, não te oiço queixar de nada de especial, a não ser umas dorzitas nas costas, de vez em quando.

É certo que tomas comprimidos para a tensão, mas isso já desde os 30 e poucos. Herança do teu pai.

Lembras-te dos teus pais?

Claro que te lembras, apesar de já estares mais anos sem pais do que os anos que estiveste com eles. Foram-se embora muito novos…

Mas vês, até a tua memória está boa! Lembras-te de coisas da tua infância, mas também te lembras do que fizeste ontem.

Lembras-te quando fazias comboios com cadeiras, no corredor da tua casa, para brincares aos maquinistas com o Vitinho e o Vargas?

Tinhas para aí, quê… oito anos?

E lembras-te do nascimento do teu irmão Paulo e da tua irmã Anabela?

Partos em casa, como o teu.

Os teus pais eram muito caseiros…

Tu e o teu pai iam dar uma volta enquanto a parteira fazia o seu trabalho… e passavam pela sede do Benfica, onde aprendeste a patinar e a dar cambalhotas (da ginástica, claro, que das outras, só muito mais tarde…).

E o Benfica ficou para sempre, claro!

E lembras-te daquele gira-discos cinzento e portátil que o teu tio Xico trouxe de Inglaterra, onde tinha ido, como jornalista, acompanhar o Benfica para o Mundo Desportivo? O gira-discos vinha acompanhado de um EP dos Beatles. Terias, no máximo, 12 anos e ficaste fã: Beatles, Stones, Moody Blues, Procol Harum, Turtles, Led Zeppelin, Pink Floyd, Queen, Doors, Hollies, Janis Joplin, Bowie, mas também Beethoven, Mozart, Bach, Shostakovitch, Bruckner, Stravinsky…

E lembras-te do Panças Kid, o teu professor de Físico-Química, que gaguejava e que, quando te chamava ao quadro, dizia Senhor C-c-c-outo e Santos venha ao q-q-quadro. Borravas-te todo! Nunca gostaste de Físico-Química, ainda menos de Matemática e, no entanto, foste para Ciências e tiraste Medicina.

Foi graças í  Medicina que conheceste a Mila, embora não na Faculdade. Foi na Colmeia, lembras-te, aquela pastelaria dos croissants com creme?

Nessa altura, davas explicações a um miúdo chamado Olegário e foi a mãe dele que te ofereceu o primeiro livro “…a sério”, “…Casa de Correcção”, do Urbano Tavares Rodrigues. Com a tua mania das listagens, deste-lhe o número um e começaste a numerar e catalogar todos os teus livros e já ultrapassaste os dois milhares.

Depois, já se sabe, tu e a Mila começaram a estudar Anatomia comparada pelo método de Braille e, pouco depois, nasceu o Pedro!

Lembras-te do almoço do vosso casamento no Restaurante Polícia, todos com cara de caso, menos vocês, que estavam felicíssimos, e os miúdos, o Paulo, a Bela e a Luísa, que acharam aquilo tudo muito divertido!?

E foi sempre a andar, a partir daí.

O curso foi-se fazendo, nasceu o Pedro, começaste a escrever para o República, conheceste o ílvaro Guerra e o Mário-Henrique Leiria, aconteceu o 25 de Abril, foste para a RTP como jornalista, nasceu a Marta, acabaram o curso, tu e a Mila, e começaram o internato nos Hospitais Civis em 1978.

E que bom e difícil, e bom outra vez, foi ter filhos, vê-los crescer, vê-los ser!

O resto foi história, mas foi sempre história movimentada.

Da primeira casa, que cabia quase toda na sala da tua casa actual e tinha um tanque na varanda, onde a Mila lavava as fraldas de pano, passaste para uma vivenda, alugada a meias, com um grande quintal, onde plantaste batatas e feijão verde.

Lembras-te dos meses em Moimenta da Beira, a fazer Saúde Pública, em casa dos teus tios, lembras-te do ano em Mourão, a fazer o Serviço Médico í  Periferia, lembras-te do ano e meio a cumprir a merda do serviço militar obrigatório ““ é claro que te safaste da guerra, mas por que raio havias de interromper a tua vida para consultar as esposas dos senhores oficiais, em Évora?

Mas sobreviveste!

Depois veio a Pediatria para a Mila e a Psiquiatria para ti, após meses de estudo e de um exame que correu melhor do que estavas í  espera.

E veio Almada, tua terra adoptiva ““ e a mudança para a Medicina Geral e Familiar, no Monte de Caparica, ao mesmo tempo que jorravas textos para a rádio, para a televisão, para semanários e revistas. O Pão com Manteiga foi um marco!

Os teus filhos foram crescendo e, em 1994, lá conseguiste ir até Nova Iorque com a Mila. Começaram as viagens anuais.

Lembras-te do teu deslumbramento perante os skyscrapers de Manhattan?

E o voo de helicóptero sobre o Grand Canyon?

E Machu Pichu, a Amazónia, o Titicaca, o Perito Moreno, Iguaçu, o Monument Valley, o Taj Mahal, a baía de Sydney, os masai, a muralha da China, as praias da Polinésia…

Em resumo, gostas mesmo de viajar ““ e ouvi dizer que, assim que te reformares, queres fazer uma outra grande viagem.

Reformar?

Mas já meteste os papéis?!… Claro que já meteste os papéis!

Aliás, desde que és aví´ que não pensas noutra coisa, não é?

Há anos que estás sozinho com a tua namorada de sempre.

O Pedro e a Marta seguiram as suas vidas e construíram famílias sólidas, que te deixam orgulhoso e feliz.

O Tiago fez 11 anos na semana passada e foi graças a ele que tu e a Mila deixaram de fumar. Foram 39 anos a chupar aqueles ridículos cilindros com tabaco lá dentro. Sempre que pensas nisso ficas perplexo como aguentaste tantos anos a fazer aquela figura.

Quando o Tiago nasceu, prometeram deixar de fumar para que a casa não cheirasse a tabaco, quando o neto vos fosse visitar.

Ser aví´ passou a ser algo de muito importante para ambos.

Veio a Joana, depois a Ema, depois a Clara e há quatro meses, a Mia.

Tens cinco netos, pá! Que alegria do caraças!

E 65 anos, caramba!

E saudades?… Tens saudades?…

Só saudades do que ainda não fizeste!

Então, reforma-te carago!

E parabéns porra!

Amanhã, começas o resto da tua vida!

í€s armas, professores!

Donald Trump, na sua imensa sabedoria, descobriu a solução para os tiroteios nas escolas norte-americanas: armar os professores.

Segundo a trumplógica, se um professor daquela escola da Florida tivesse uma concealed weapon, assim que o rapaz entrasse na escola e começasse a disparar, o sí´tor sacava da arma e dava-lhe um tiro. Em vez de morrerem 17 miúdos, teriam morrido, digamos, cinco ou seis.

A menos que o sí´tor falhasse e o atirador matasse também o professor.

Mas Trump também tem solução para isso: os sí´tores, para usarem armas escondidas, terão, primeiro, que frequentar uma espécie de curso de atiradores.

Imaginem o sí´tor de Matemática a enunciar o teorema de Pitágoras:

“O quadrado da hipotenusa é igual í  soma… Desculpem, queridos alunos, já continuo a lição, mas agora tenho que matar um sacana de um ex-colega vosso que acaba de entrar na sala com uma AK-47!”

E o sí´tor saca da sua concealed weapon, dispara e acerta bem na testa do atirador.

E continua, tranquilo:

“…é igual í  soma dos catéteres…” (*)

No chão, o atirador contorce-se, ainda com sinais de vida.

Entra, então, o auxiliar de acção educativa que lhe dá o tiro de misericórdia, limpando depois o sangue com uma esfregona.

Deste modo, toda a gente beneficiaria: menos mortos nas escolas e mais armas vendidas.

A National Rifle Association agradece!

(*) Um pouco nervoso, o sí´tor disse “catéteres” em vez de “catetos”…

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Rio seco

A pescada, antes de o ser já o era.

Rui Rio é como a pescada.

Tantos anos a ser o prometido líder do PSD e, no momento em que se torna, finalmente, chefe daquele saco de gatos, ficamos com a impressão de que está de saída.

O Montenegro, o Abreu Amorim e outros, na sombra, vão-lhe fazendo a cama.

Já colocaram o colchão e os lençóis… Só falta a colcha, que deve estar para breve.

A seca também não ajuda e este Rio nunca vai chegar ao mar…

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Curiosidades linguísticas: o verbo foder

O facto do cardeal de Lisboa ter aconselhado continência aos recém-casados despertou-me a curiosidade no que respeita ao significado dessa palavra.

Continência significa, então, privação (voluntária ou forçada) dos prazeres sexuais, mas também, cortesia militar.

Não deixa de ser curioso que a mesma palavra possa ter este duplo sentido: por um lado, privares-te de um prazer sexual e, por outro, ser cortês militarmente falando…

O que nos leva ao verbo foder.

A palavra foder é considerada uma obscenidade, mas não temos alternativa.

Se, em vez do verbo cagar (outra obscenidade), podemos dizer evacuar e se, em vez de mijar, podemos dizer urinar, em vez de foder, dizemos ter relações, o que é pouco adequado.

E é sempre no plural, não sei se já repararam.

Posso dizer, por exemplo, “tenho uma relação com o meu cão”, mas nunca “tenho relações com o meu cão”.

Isso seria zoofilia.

Portanto, ninguém diz “ontem tive uma relação com a minha mulher”, mas sim “ontem tive relações com a minha mulher”.

Mesmo que só tenha sido uma vez.

Claro que se disser “fodi a minha mulher” ou “comi a minha mulher”, é uma ordinarice.

Em suma, foder não tem termo alternativo – e comer, embora se conjugue da mesma maneira, também não se deve usar neste contexto.

No entanto, há tempos verbais que dão mais categoria ao verbo foder.

Se usarmos, por exemplo, o futuro simples, na segunda pessoa do plural, e dissermos: “se vós foderdes”, até parece uma coisa monárquica.

Voltando ao cardeal patriarca.

D. Manuel Clemente, no fundo, disse aos recasados: “ide e guardai continência”.

Ora aí está outro verbo curioso: o verbo ir que, de certo modo, está relacionado com o verbo foder, já que o objectivo final de foder é vir-se, que é a forma reflexa do verbo ir.

Em conclusão, e ao contrário da opinião do cardeal, dir-vos-ei, casados, solteiros e recasados, ide e fodei em paz.

E que o Senhor vos acompanhe, se for caso disso…

Portugal dos Pequenitos # 2

O capítulo desta noite começa num gabinete do Ministério Público, onde um funcionário está a arquivar o inquérito contra o ministro Centeno.

Outro funcionário entra na sala e tenta impedir o colega.

“Não arquives isso já… espera pelo fim da Operação Lex… Se o Vieira for condenado, pode ser que a gente ainda aproveite isso…”

A cena passa para outra sala do Ministério Público, onde um juiz está í s voltas com os documentos da Operação Atlântico. í€ porta, assoma uma colega carregada de dossiers.

“Onde vais com esse peso? Olha a tua coluna, rapariga!” – diz o juiz.

“É parte da Operação Fizz” – responde a juíza, e continua o seu caminho.

Na cena seguinte vemos Rangel a aparar a barba e a falar sozinho, enquanto se olha ao espelho.

Por trás, surge a ainda-mas-quase-ex-mulher, Fátima, que o manda calar:

“Olha que isso que estás a dizer aparece amanhã no Correio da Manhã!” – exclama ela.

Rangel olha em volta, como se estivesse í  procura de microfones. Depois, encolhe os ombros e diz: “deixa estar, eles prendem o Sócrates e deixam de nos chatear…”

A cena final do capítulo de hoje é no Palácio de Belém.

Marcelo está triste e murmura:

“Não sei a quem hei de dar beijinhos este fim de semana!”.

  • Não perca os próximo capítulos…

Em defesa de Trump

Está tudo muito indignado porque Trump terá mandado pagar 130 mil dólares í  actriz porno, Stormy Daniels para ela ficar caladinha e não revelar que andou enrolada com o presidente norte-americano, já depois de ele estar casado com a Melania.

Cambada de invejosos!

Que queriam eles? Que a Sra. Dona Stormy pusesse a boca no trombone e começasse a publicitar as habilidades sexuais que praticou com o Sr. Trump?

Será que algum dos que criticam o presidente vem para a rua falar sobre as suas tristes vidas sexuais?

—Basta olhar para a fotografia da Sra. Dona Stormy para perceber que ela é uma pessoa honesta, capaz de ter amado verdadeiramente o Donald e só aceitou os 130 mil dólares porque compreende que, sendo ele o actual presidente do país mais poderoso do mundo, tendo í  mão um botão nuclear maior e mais potente que o do tipo da Coreia do Norte, o facto de continuar a ir para a cama com ela não seria bom para a paz no Mundo.

Se consultarmos a wikipedia, vemos que Stormy Daniels ganhou diversos prémios pelo seu desempenho nos muitos filmes em que já participou. Ganhou por três vezes o Prémio Favourite Breasts, o que não é para qualquer uma, com ou sem implantes – portanto, não precisaria dos 130 mil dólares para nada!

Além disso, a acreditar nas bocas que Donald gosta de mandar í s mulheres, provavelmente, o alegado envolvimento dele com a Stormy não passou de uns apalpões.

Deixem mas é o Donald trabalhar, que ele há de acabar por se enterrar sozinho.

Portugal dos Pequenitos #1

Resumo do episódio desta semana:

Rui Rio anda í  procura de casa em Lisboa, desde que foi eleito líder do PSD; enquanto não encontra, está hospedado numa hotel de 3 estrelas.

Hugo Soares, líder do grupo parlamentar do PSD, decide ir ter com Rio e coloca o seu lugar í  disposição.

Rio declina e diz que quer continuar a dormir no hotel.

Entretanto, Pinto da Costa exige ir ver os estragos na casa de banho do Estádio do Estoril.

Olhando para a racha na parede, exclama: “Já vi rachas maiores!”

Todos se riem.

A cena muda para um jovem universitário que diz que respondeu a um inquérito sobre a Sida.

Faz parte dos 27% que responderam que achavam que a Sida pode ser transmitida por um talher.

Jura que nunca mais enfia a colher na vagina das namoradas.

Logo a seguir, vemos José Sócrates combatendo os vírus informáticos que atacaram as gravações das escutas telefónicas da Operação Marquês.

Alguém fala ao telefone com alguém mas só se percebe parte do que é dito: “Está… pois…. dinheiro… emprestas… aldrabão…. foge… inconstitucional… porra!”

Sócrates sorri. O seu rosto diz tudo: águas de bacalhau.

A última cena passa-se numa igreja de Nelas, onde um padre ucraniano, casado e com filhos, diz missa.

Será que sobrevive?

Esperemos pelas cenas dos próximos capítulos.