Alucinações verdadeiras e falsas

A religião católica deu mais um passo no estudo das alucinações, estabelecendo um conjunto de regras que permite distinguir as verdadeiras das falsas.

Suponhamos, por exemplo, que eu tenho um surto místico e começo a ter visões.

Pode muito bem acontecer.

Como saberei eu se essas visões são verdadeiras ou falsas?

Simples – consulto o guia criado durante o papado de Paulo VI e agora, finalmente, tornado público por Ratzinger.

E esse guia diz, claramente, que, no caso de um de nós começar a ver a Virgem Maria ou outra qualquer divindade do universo católico (se virmos Maomé, não vale), devemos “manter o silêncio e não chamar a atenção de jornalistas ou outros fiéis”. Seremos, depois, submetidos a consultas de psiquiatria e psicologia, mas terão que ser escolhidos uns especialistas católicos e outros ateus, para haver isenção de opiniões.

Esses especialistas têm que confirmar que não sofremos de nenhuma patologia histérica (como, por exemplo, discutirmos o serviço público da RTP – certificar palavras de Passos Coelho, que disse que “não razão para histeria”, na discussão da eventual privatização da televisão pública).

Será avaliado o nosso nível de instrução e teremos que entregar a uma comissão diocesana os nossos computadores, para se verificar que não fizemos buscas sobre outras aparições, que queiramos copiar. Finalmente, será averiguado se não ganharemos alguma coisa, sob o ponto de vista económico, com o início de peregrinações ao local onde eventualmente tivemos as visões.

Se passarmos neste exigente teste, seremos ainda interrogados por exorcistas e especialistas em demónios (que profissão do caraças!).

Só depois, o bispo diocesano poderá tomar uma decisão, com a ajuda do Vaticano.

Garanto-vos: se algum dia vir a Nossa Senhora, não me vou meter num sarilho destes. Mando-a dar uma volta ao bilhar grande e sigo em frente, sem dizer nada a ninguém!

Safa!

Passos Coelho e Sá Pinto – a mesma luta!

Vai ser impossível chegar ao déficit de 4,5% este ano.

A despesa pode ter diminuído, mas a receita também e a recessão fez baixar os impostos cobrados.

A equipa ministerial é jovem, o primeiro-ministro tem um curriculo diminuto, mas todos são muito bem intencionados.

Apesar das dificuldades e da evidência do descalabro, Passos Coelho diz que, em 2013, já não vai haver recessão. Em 2014 seremos felizes.

Faz-me lembrar o Sporting.

Claro que teve azar, ao enfrentar, logo no início do campeonato, colossos do futebol nacional, como o Guimarães e o Rio Ave (este, ainda por cima, em Alvalade!), para além daquele desgastante jogo contra esse outro grande, o coiso, aquele que ficou em 4º no campeonato da Dinamarca (campeonato assustador!)

Mas também, perante as adversidades, Sá Pinto, o grande timoneiro, diz:  “Não estamos fortes. estamos muito fortes!”

Desculpem… vou só ali rir-me um bocadinho e já volto…

Coelhices

Que se nomeie para a administração conjunta da Carris e do Metro de Lisboa, um senhor (Silva Rodrigues) que, há cerca de um ano, numa entrevista, dizia que a fusão entre essas duas empresas era uma “ideia sinistra”, ainda vá…

Que se encarregue um senhor (António Borges), que não faz parte do Governo, de vir anunciar que o mesmo Governo vai fechar a RTP2 e dar a RTP1 a um concessionário privado, que será subsidiado com as taxas que nós pagamos na factura da EDP, sabendo nós que era o Miguel Ervas que estava encarregado de tratar deste assunto, ainda se tolera…

Que se nomeie para presidente do Instituto de Seguros de Portugal, um senhor (José Almaça), que há uns tempos se demitiu da Universidade Autónoma, depois de ter sido acusado de ter beneficiado o seu filho, que era simultaneamente seu aluno, facilitando-lhe os exames, já começa a cheirar mal….

Mas nomear, para o quadro de funcionários da Presidência do Conselho de Ministros, o ex-espião João Luis, o tal que, em maio, foi acusado pelo Ministério Público, dos crimes de acesso indevido a dados pessoais, acesso ilegítimo agravado e abuso de poder, concedendo-lhe o mesmo ordenado que ganhava no Serviço de Informações, já é demais.

O Coelho está de férias?

Xiça! o que faria se estivesse ao serviço!

PS – Parabéns ao gangue de oito elementos de etnia cigana, que faziam assaltos violentos e recebiam o rendimento de inserção social. No fundo, estavam a por em prática a nova determinação do Governo, que obriga os beneficiários daquele rendimento, a trabalharem, pelo menos, 15 horas por semana…

O exemplo das Pussy Riot

As três miúdas russas da banda punk Pussy Riot, foram condenadas a 2 anos de prisão, por terem cantado uma canção anti-Putin numa igreja ortodoxa.

Logicamente, Tony Carreira devia ser condenado a prisão perpétua por cantar em comícios que levam domésticas para maus caminhos.

O efeito gambá

O gambá é um marsupial omnívoro, que vive no continente americano, sobretudo na Amazónia.

Tem como característica muito curiosa, o facto de se fingir de morto quando pressente perigo.

Este idiossincrasia, foi utilizada no filme de animação da DreamWorks, Over the Edge (Pular a Cerca).

No entanto, não são só os gambás que adoptam este truque para se furtarem aos predadores.

Alguns árbitros de futebol fazem o mesmo.

Ontem, num jogo particular entre o Benfica e o Fortuna de Dusseldorf, o árbitro preparava-se para mostrar o segundo cartão amarelo ao Javi Garcia, quando o Luisão avançou para o juiz da partida. Aproximou-se dele, deu-lhe um ligeiro encontrão com o peito e o árbitro caiu no relvado, todo junto, fazendo-se de morto.

http://www.youtube.com/watch?v=S02IxFRIezs

As imagens não enganam ninguém: ao enfrentar o calmeirão do Luisão, Christian Fisher armou-se em gambá e atirou-se para o chão, fingindo que estava morto.

Darwin explicou tudo isto.

Engraçadinhos

Nunca achei graça aos engraçadinhos.

Nunca achei grande piada a anedotas.

E, no entanto, os engraçadinhos e as anedotas estão na mó de cima.

Agora, neste patético mês de Agosto, até o Expresso se rendeu aos engraçadinhos.

Na semana passada, a revista do Expresso estava pintalgada com frases da autoria desse engraçadinho pindérico, chamado Nuno Markl. Não sou capaz de citar nenhuma e já deitei a revista fora.

A desta semana, tem piadinhas de um tipo chamado João Quadros que, por qualquer razão esotérica, deve estar na moda. Na primeira página da revista do Expresso, vêem-se um saco com dinheiro, uma lambreta e a fotografia do referido “humorista”. E ele comenta: «esta capa é o sonho de muitas mulheres: uma vespa, um saco de dinheiro e um indivíduo louro extremamente bem-parecido».

Trata-se da mais pura e idiota auto-ironia, já que o indivíduo louro é o referido engraçadinho.

Confesso que tive que colocar um penso para não mijar as calças de tanto rir!…

Só perco tempo com este assunto porque é quase impossível ignorar estas criaturas. Eles estão por todo o lado, desde a rádio aos jornais desportivos. E irritam-me. As suas graçolas são infantis, fazem-me lembrar as piadinhas dos jornais de liceu, são vulgares, imediatistas e sem classe.

Mas pior que esta trupe de engraçadinhos, que incluem outros nomes, que agora não me ocorrem, é a dos que se armam em engraçadinhos.

É o caso de um tal Henrique Raposo, que saltou de um blog para uma coluna no Expresso e que faz gáudio em ser de direita.

Não consigo compreender como é que um semanário como Expresso, com a sua longa tradição de colunistas ilustres, que incluiu nomes como Miller Guerra, José Rabaça, Marcelo Rebelo de Sousa, etc, etc – aceita publicar, semanalmente, uma coluna de vulgaridades, assinada por este tal Raposo.

Hoje, por exemplo, o homem escreve um pequeno texto a elogiar Passos Coelho, que começa assim: «Meu caro Passos Coelho, continuo a ter consideração por V. Exa. Aceitar governar Portugal no pós-Sócrates foi mais ou menos como aceitar treinar o Benfica no pós-Artur Jorge».

Estão a ver?… Armado em engraçadinho…

E mais í  frente, acrescenta: «o que é espantoso é que V. Exa. não consegue colocar este e outros sucessos na agenda. Eu sei que há uma má vontade epidérmica dos jornalistas ante um governo direitolas, mas isso não explica tudo».

Um governo direitolas?

Lamentável…

Se eu mandasse!…

O Tribunal de Contas – esse grande desmancha-prazeres – detectou dupla facturação na manutenção dos helicópteros EH 101, que vieram substituir os Puma.

Foram 10 helicópteros que nos podiam ter custado 244 milhões de euros, mas acabaram por ficar por 364 milhões, devido a uma engenharia financeira complexa, que cheira mesmo a marosca.

O Ministério da Defesa decidiu criar uma empresa chamada Defloc, cujo único objectivo foi a compra dos helicópteros – passando esta empresa a fazer parte da Empordef, que é a empresa de defesa de Portugal, tudo isto gerido pela SGMDN (secretaria-geral do ministério da defesa nacional).

Confuso?

Claro – quanto mais confuso, melhor.

O Tribunal de Contas detectou facturação duplicada, na ordem do milhão e 100 mil euros, e omitida, na ordem dos 800 mil euros.

Para onde foi a massa?

Não se sabe, mas já há um inquérito…

A sorte desta malta é que Portugal não é governado pelo Sr. Garcia.

O Sr. Garcia é meu doente e mal sabe escrever o nome.

Infelizmente, o Sr. Garcia, que trabalhava na limpeza de um mercado, levou uma tareia há meia dúzia de anos, e desde então, tornou-se num revoltado.

Ontem disse-me: “se fosse eu a mandar, era tudo para os pobres! Pegava nos políticos, encostava-os todos í  parede e ta-ta-ta, limpava-lhes o sebo a todos! Se eu fosse eu a mandar, isto estava muito melhor! E olhe que eu sou alfabético!”

Pois é, Garcia! Faria se tivesses a 4ª classe, pá!

Em vez de 10 helicópteros, teríamos comprado – sei lá! – tractores com asas!

A GNR é teimosa como o raio!

O Diário de Notícias é perito em título deste género:

«GNR detém todos os dias um produtor de ‘cannabis’»

Irra, que a GNR é teimosa, carago!

Coitado do produtor de cannabis! Deve ser chato ser detido todos os dias!

E também não se apercebe a atitude da GNR; se o detém todos os dias, tem que o libertar também todos os dias. Quer dizer, deve ser mais ou menos assim: vão a casa do produtor de cannabis e detém-no; depois, ao fim do dia, libertam-no. No dia seguinte, tornam a fazer tudo outra vez!

Mas o título tem um subtítulo igualmente estranho:

«Em 2011, foram apreendidos 3916 pés e 89 pessoas foram detidas. Este ano, o número de cultivadores apanhados já vai em 45. Desde há um mês que a GNR desfaz todos os dias uma plantação»

Ora vamos por partes:

1. Foram apreendidos 3916 pés. Não admira, só um pé se deixa apanhar…

2. Este ano já foram detidos 45 cultivadores. Como estamos em Agosto, já passaram mais de 210 dias neste ano. Como é que é possível dizer-se que a GNR prende um todos os dias?

3. Desde há um mês que a GNR desfaz todos os dias uma plantação. A teimosia novamente. Qual é o gozo de desfazer a plantação todos os dias, caramba?

Enfim, fica assim explicado por que razão nunca temos um agente de autoridade quando precisamos dele – estão entretidos a desfazerem uma plantação de cannabis e a deterem o respectivo cultivador.

O que fazes assim que acordas?

O relatório da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários revelou que há gestores que têm lugar nos conselhos de administração de mais de 30 empresas.

Revelou, também, que até existe um gestor que administra 73 empresas!

Chama-se Miguel Pais do Amaral e achou piada a esta revelação. Confessou que não sabia que era o gestor português com assento em mais conselhos de administração. E comentou: «contar o número de conselhos de administração a que pertenço não é a primeira coisa que faço no dia».

Pergunta: será a segunda coisa?

Eu, a primeira coisa que faço no dia é desligar o despertador.

A segunda coisa que faço no dia é colocar os óculos.

A terceira coisa é abrir o estore do quarto.

A quarta coisa é fazer chi-chi.

Pensando bem, nunca conto o número de conselhos de administração, ao longo de todo o dia.

Mas Miguel Pais do Amaral deve fazê-lo. Só que não é a primeira coisas que ele faz no dia.

Ser administrador de 73 empresas é tão excessivo que fica para lá da compreensão. Pais do Amaral é assim uma espécie de Michael Phelps da gestão.

E as coisas extraordinárias são isso mesmo – extraordinárias.

Mas que dizer dos 17 gestores que administram 30 empresas cada um?

E que dizer do facto de 21 administradores terem recebido, em 2010, mais de um milhão de euros cada um?

Ora! – dirão todos e cada um dos referidos administradores – contar os euros que ganho nas empresas que administro não é a primeira coisa que faço no dia!

 

A McDonald’s faliu!

É verdade, a McDonalds faliu… na Bolívia!

A empresa norte-americana de fast food, que tem oito míseros restaurantes na Bolívia, já anunciou que se vai retirar daquele país porque os bolivianos preferem bifes de lama.

E como a carne de lama deve ser intragável, os bolivianos mastigam umas folhas de coca para disfarçar…

Agora, pensem bem: quem tem í  mão folhas de coca, para que raio quer Coca Cola?

Por isso mesmo, Evo Morales, o presidente boliviano, já avisou que, até 21 de Dezembro, tanto a McDonald’s como a Coca Cola terão que abandonar o país. A data escolhida está relacionada com o calendário maia a os festejos contra o capitalismo.

Lê-se e não se acredita.

Se eu fosse aos yankees, deixava de snifar coca boliviana!