Os sapatos mais castanhos do Sr. Lopes

Lembram-se de Santana Lopes?

Foi primeiro-ministro durante alguns meses – quem diria?

Agora, está na Santa Casa da Misericórdia, o que está mais de acordo com a sua religiosidade.

E escreve uma crónica semanal no Sol.

Nunca leio.

Mas hoje, o título da crónica chamou-me a atenção.

O título é: “No Porto, as pessoas vestem-se melhor”.

Fui ler.

E li, entre outras coisas, esta pérola: «E qual será a razão de ser desta diferença? A maior proximidade do Norte da Europa? A influência inglesa? Não creio. Mas nota-se até na maneira de vestir de alguns com mais recursos e mais preocupados com as respectivas imagens. Quem não reparou já nos sapatos mais castanhos, nas camisas mais í s riscas largas azuis e brancas, de boas marcas? Entra-se em casas particulares, em escritórios, e sente-se que estão mais í  frente.»

Um tipo lê e não acredita!

As pessoas do Porto (as que têm mais recursos…) estão mais í  frente porque usam sapatos mais castanhos e camisas mais í s riscas largas azuis e brancas, de boas marcas?!

í“ Lopes – e já foste tu primeiro-ministro deste pindérico país!

Emigra, pá!

De vez!

E o que é que eu tenho a ver com isso?

O Diário de Notícias começou hoje a publicar uma série de artigos sobre o grande abcesso nacional que é o BPN.

Na edição de hoje, são 18 páginas onde se concentram muitas coisas que nós já sabíamos mas, assim, colocadas ao pé umas das outras, tornam a coisa ainda mais incompreensível.

Como foi possível isto atingir esta dimensão?

Sob o título “Um banco que dava milhões a quem pedia”, o DN lista uma série de indivíduos e empresas a quem o BPN emprestou dinheiro, sem pedir quase nada em troca.

Por exemplo: Dias Loureiro (10 a 30 milhões), Duarte Lima (6 milhões), Pousa Flores, empresa de Arlindo Carvalho (75 milhões), Arlindo Carvalho (4,8 milhões), José Neto, sócio de Arlindo Carvalho (4,8 milhões), Emídio Catum e Fernando Fantasia, este vendeu o terreno onde Cavaco tem a sua casa de verão (53 milhões).

Mais í  frente, sob o título “Caras do BPN deram 130 mil euros para campanha do Presidente”, o DN faz uma infografia em que relaciona personagens que doaram dinheiro para a campanha de Cavaco, em 2006, com o próprio Cavaco e com o PSD: José Oliveira de Costa, presidente do BPN (15 mil euros), Alberto de Figueiredo, accionista do BPN (20 mil), Joaquim Coimbra, accionista do BPN (22 mil euros), Emídio Catum, sócio da SLN (22 mil), Abdool Vakil, presidente do Banco Efisa, do grupo BPN (5 mil), Fernando Fantasia (6 mil). E ainda: Jorge Neto, secretário de Estado de Santana Lopes, Rui Machete, vice-primeiro ministro de um governo PSD, Amilcar Theias, ministro do Ambiente de Durão Barroso, Daniel Sanches, ministro da Administração Interna de Santa Lopes, Miguel Cadilhe, ministro das Finanças de Cavaco, Arlindo de Carvalho, ministro da Saúde de Cavaco e, claro, Dias Loureiro e Duarte Lima.

O DN recorda, também , o negócio legal, que Cavaco e a filha Patrícia fizeram com o banco que nos está a lixar os subsídios de férias e natal (segundo o jornal, a fraude do BPN daria para pagar três anos de subsídios aos funcionários do Estado!).

Aníbal e Patrícia compraram, em 2001, acções do BPN, ao preço de um euro cada uma. Esse preço era especial. Segundo a Assembleia Geral da SLN, só o presidente, Oliveira e Costa, poderia comprar acções a esse preço.

Aníbal, na altura um simples e proletário professor universitário, cuja reforma, segundo diz o próprio, mal chega para as despesas, comprou 105 378 acções, enquanto a filha, que deve ter uma profissão mais lucrativa, comprou 149 640.

Dois anos depois, quer o Aníbal, quer a filha, decidiram vender essas mesmas acções e Oliveira e Costa, que devia nadar em dinheiro, aceitou comprá-las a 2,40 euros cada uma! Quer dizer que, em dois anitos, sem mexerem uma palha, pai e filha ganharam 147,5 mil e 209,4 mil euros, respectivamente.

O jornal fala com economistas que criticam o facto de Teixeira dos Santos e Sócrates terem decidido nacionalizar o banco. O efeito sistémico que eles temiam, provavelmente, não teria acontecido se, pura e simplesmente, tivessem deixado cair o banco.

É curioso como, a propósito do BPN, ouvimos críticas ferozes a Teixeira dos Santos, Sócrates e Vitor Constância, enquanto que quase se esquecem os nomes dos prevaricadores.

A Senhora Dona Filomena Mónica, que está na moda, diz numa entrevista ao I, que Sócrates é um delinquente político e que está, agora, descansadinho, em Paris, a viver í  grande e í  francesa. Senti alguma inveja nestas declarações da companheira do íntónio Barreto, o qual arranjou um grande tacho, í  conta da Fundação do dono Pingo Doce que, ironicamente, também é um dos donos do BIC, que acabou de comprar o BPN em saldo.

Pronto: o Sócrates foi delinquente porque nacionalizou o BPN. Mas perdeu as eleições e emigrou para França, enquanto Cavaco Silva foi reeleito presidente e continua em Belém.

Mas, como diria o nosso Presidente: ainda há-de nascer alguém mais honesto do que eu!

E, quanto ao BPN, o que é que eu tenho a ver com isso?

O PEC,o DEO e a PORRA

Foi por causa de um PEC, o Quarto, que Sócrates foi í  vida.

Toda a Oposição, da esquerda í  direita, achou que bastava de Peques e que era preferível levar com a troika.

Imagino que alguns já devem estar arrependidos…

Mas, enfim… os mercados é quem mais ordena e os liberais do PSD ganharam as eleições.

Foi o que se tem visto.

E agora, afinal, parece que o governo do Passos vai levar um novo PEC a Bruxelas, já na próxima segunda-feira.

O cinzentão do Seguro indignou-se, embora morigeradamente e, no debate quinzenal do Parlamento, disse «O senhor escolheu o caminho, desejo-lhe boa viagem, mas vai sozinho, porque o PS não assina de cruz nenhum documento para ser entregue em Bruxelas sem ser discutido com o PS».

Seguro até parecia um líder da Oposição a sério!…

Mas Passos trocou as voltas a Seguro e argumentou: «o governo, estando o país sob assistência financeira, está dispensado de apresentar o Programa de Estabilidade e Crescimento».

O que o governo vai apresentar a Bruxelas é o Documento de Estratégia Orçamental (DEO), com o cenário macroeconómico e o programa plurianual das despesas do Estado até 2016.

Esclarecidos?

Talvez.

Mas então, por que raio o Vitor Gaspar disse, na véspera, que o PEC e o DEO iriam ser enviados ao Parlamento, para actualização, acrescentando que «os documentos serão submetidos í  Assembleia da República na próxima segunda-feira, e esses documentos serão enviados imediatamente a seguir, como documentos de trabalho, para a Comissão Europeia e restantes instituições integrantes da troika”.

Afinal, em que ficamos?

Há ou não há PEC – ou estaremos perante mais um lapso do Gaspar, como aquele em que disse que não haveria subsídios de natal e de férias durante dois anos quando, afinal, é para sempre?

Perante isto, o que apetece?

O barrigudo do Proença da UGT diz hoje, no Expresso, que, afinal, nós, portugueses, não somos assim tão mansos – até já matámos um rei!

Não sei do que estamos í  espera, porra!

25 de Abril sempre!

* 25/111973 – «Poderá ser recusada a matrícula ou inscrição aos alunos dos estabelecimentos de ensino dependentes do Ministério da Educação Nacional que, pelo procedimento anterior, sejam justificadamente considerados como prejudiciais í  disciplina dos estabelecimentos – estabelece um decreto-lei publicado hoje do Diário do Governo»

* 4/12/1973 – «Como havíamos noticiado, o Instituto Superior Técnico reabriu ontem as suas portas após ter sido encerrado pelo seu director, prof. Sales Luís, por um período de duas semanas. (…) Ainda, e na prossecução do processo em causa, cerca de mais de cem alunos receberão “um primeiro aviso” a fim de “reconsiderarem e passarem a participar na vida do Instituto como reais alunos, num clima de confiança e de respeito mútuo”, como consta ainda da mesma circular».

* 5/12/1973 – «Cerca de trinta alunos do sexto ano da Faculdade de Medicina de Lisboa, aos quais falta apenas uma cadeira para terminarem o curso, foram impossibilitados de frequentar o estágio, por decisão do Conselho Escolar da referida Faculdade».

* 12/12/1973 – «A direcção da Faculdade de Letras de Lisboa suspendeu dez alunos das secções de Filologia Germânica, Filosofia e História. (…) Foram presos dois estudantes do Instituto Superior Técnico que participavam numa reunião geral de alunos a decorrer nas instalações daquele estabelecimento de ensino superior.»

* 8/2/1974 – «Na sequência dos acontecimentos que ali (no ISPA) se têm verificado ultimamente, a direcção daquele estabelecimento de ensino fez sair um comunicado (…). Ontem, os estudantes que ali compareceram (no ISPA) encontraram as portas encerradas e um comunicado no qual se anunciava o encerramento temporário daquele estabelecimento de ensino.

– Recortes do jornal República

O que mudou com o 25 de Abril?

Tudo!

Otelo e as suas duas mulheres

No próximo dia 25 de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho vai lançar uma biografia.

De acordo com a Visão, nessa biografia, Otelo confessa viver com duas mulheres. E elas sabem.

De sexta-feira a domingo, o estratega do 25 de Abril vive com Dina, com quem se casou em 1960.

De segunda a quinta-feira, Otelo vive com Filomena, que conheceu em 1984.

Só assim se percebe por que razão Otelo não tem tempo para fazer outro 25 de Abril.

Vontade não lhe falta…

Notícia com gps

O impagável Diário de Notícias não quer que nos falte nada e informa-nos de tudo.

Desta vez, a notícia vem de Guimarães, e reza assim:

“Um quiosque localizado em Guimarães, na rua do Santuário da Penha, freguesia da Costa, foi assaltado por um grupo de indivíduos que levaram dez caixas de gelados, no valor de 450 euros. Furtaram ainda quatro outras caixas com chicletes.”

Como se sabe, Guimarães é, este ano, capital europeia da cultura e isso nota-se, também, nos seus larápios, que se refinam, no que respeita aos produtos roubados. Em vez de roubarem produtos de primeira necessidade, armam-se em sofisticados e fanam produtos supérfluos.

Mas o que mais gosto na notícia é, como sempre, a pormenorização.

Atente-se na frase «um quiosque localizado em Guimarães, na rua do Santuário da Penha, freguesia da Costa»!

Não há engano possível, caramba!

Sabendo que Guimarães deve ter milhares de quiosques, o jornalista fez questão em localizar o quiosque assaltado com toda a precisão, para evitar confusões!

Bem haja!

It’s good to be the king!

Depois de ter afirmado que os espanhóis devem enfrentar a crise com «rigor e seriedade» e de ter dito que ele próprio tinha «o dever de observar um comportamento exemplar», o rei Juan Carlos pirou-se para o Botswana para caçar elefantes.

Ora, sabendo-se que a licença para caçar elefantes custa cerca de 30 mil euros, temos que concordar que o comportamento do rei não foi dos mais exemplares.

—No site da empresa que organiza a caçada, lá estava uma foto do rei, de espingarda na mão, junto ao corpo de um imponente elefante macho, supostamente caçado por sua alteza.

A foto foi, entretanto, retirada do site, mas, hoje em dia, não se pode fazer como no tempo do Lenine, em que o Trotsky era apagado das fotos – e a foto aí está, para a posteridade.

E até parece que deus-todo-poderoso estava atento e pimba – fez com que o rei desse um valente trambolhão e fracturasse a coxofemural, como castigo!

Repatriado para Espanha, foi-lhe colocada uma prótese na anca, para que nunca mais se esqueça daquele elefante.

Claro que isto só podia acontecer em Espanha, em que o rei nunca se reforma e recebe o ordenado por inteiro até morrer.

O nosso Cavaco Silva nunca poderia ir caçar elefantes, já que a sua magra reforma nem chega para os medicamentos para o Alzheimer… quanto mais para caçar elefantes! Se ainda fossem gambozinos!

E por falar em excessos dos líderes: o presidente da ífrica do Sul, Jacob Zuma, de 70 anos, vai-se casar pela sexta vez.

Sabendo que uma das esposas se suicidou e que outra se divorciou, isto quer dizer que o presidente passará a ter quatro esposas. Acrescente-se que a poligamia é legal na ífrica do Sul.

Grande Zuma! A crise não te atinge, pá!

Champanhe para os sem-abrigo

Primeiro, vamos situar a coisa:

O Gil Vicente é um clube de futebol da cidade de Barcelos.

O seu presidente chama-se António Fiúsa.

O Gil Vicente vai hoje jogar a sua primeira final de uma grande competição – a Taça da Liga.

O jogo é contra o Benfica.

Situada a coisa, vamos agora ouvir as palavras sábias de Fiúsa:

«Pertenço a um associação e se trouxermos a taça para Barcelos, prometo, durante oito dias, oferecer champanhe aos sem-abrigo que vão almoçar a essa associação, í  volta de 40 pessoas carenciadas».

Fiúsa é sempre a abrir!

Quais dar um par de sapatos novos, um cobertor ou uma samarra a cada sem-abrigo!

É champanhe e do melhor, que Fiúsa logo acrescentou que tinha que ser do melhor, um “moet chandonzinho”, como ele sublinhou!

E acrescentou:

«Se ganharmos vamos almoçar um leitão e beber um Moet & Chandon, dos melhores champanhes que há!»

É este o conceito de felicidade do presidente do Gil Vicente: leitão e champanhe!

Mas estas afirmações do Fiúsa colocam muita pressão sobre o Benfica.

É que se o Benfica, desgraçadamente, ganha a taça, os sem-abrigo não terão o privilégio de saborear o Moet & Chandon e vão continuar a ter que emborcar a zurrapa de um espumante qualquer!

 

O nosso não é um Jesus a sério!

O nosso Jesus não sabe expulsar os fariseus.

Quando tem que os enfrentar, retrai-se, encolhe-se e leva na cabeça.

Em três anos de Jesus, nunca enfrentámos os nossos demónios como deve ser; foi sempre a medo. E mesmo quando ganhámos, foi í  rasca, a coçar para dentro.

O nosso Jesus tem medo de morrer e não ressuscitar ao terceiro dia. Não confia no pai. Nunca se deixa cair em tentação.

É um Jesus fraco.

E í s vezes, inventa, mesmo quando já tudo está inventado.

É certo que nos proporcionou alguns momentos de alegria mas está na altura de ir treinar para o Dubai ou para a Arábia Saudita, onde o seu penteado será muito apreciado.

Quanto a nós, agradecíamos alguns reforços a sério.

E um novo Profeta.