Queres subsídios? Toma!

Ficou tudo muito indignado com a revelação do Steps Rabbit, de que os subsídios de natal e de férias só voltarão em 2015, e aos bochechos.

Não percebo tanta gritaria.

Está na cara que a política deste governo é mesmo esta: acabar com tudo que cheire a subsídios: de natal, de férias, de desemprego, de natalidade, de morte, de invalidez, de acidente de trabalho, de doença, you name it.

Coelho, Portas, Gaspar e Companhia querem acabar com o Estado Social e substituí-lo pela Caridadezinha.

Vamos voltar aos tempos em que cada família, da pequena burguesia para cima, tinha, pelo menos, um pobre de estimação.

Dava-se esmola í quele pobre e ficávamos com o problema da solidariedade social resolvida.

Quanto aos subsídios, ou í  falta deles, claro que a culpa é dos sindicatos.

Quando discutiram os sucessivos acordos colectivos, os sindicatos deviam ter lutado pela extinção dos subsídios e pela sua incorporação nos ordenados mensais.

Acabavam-se com as tretas dos subsídios, cuja designação cheira logo a favorzinho que nos fazem.

Subsídio é uma ajuda, um auxílio, um contributo. Se nos dão esse subsídio, também o podem tirar…

Foi o que aconteceu agora.

E depois, em 2015 (segundo a última versão do Coelho), vão ser bonzinhos e voltam a conceder-nos o privilégio de recebermos os subsídios, mas í s pinguinhas.

Resta saber o valor dessas pinguinhas…

Acabaremos por voltar a receber os subsídios por inteiro lá para 2025, se não houver outra crise e levarmos com outra troica em cima…

 

Grandes verdades das reportagens de rua

Após visionar centenas de reportagens de rua, transmitidas pelos jornais televisivos, cheguei í s seguintes conclusões:

– Os entrevistados apresentados como testemunhas, regra geral, não testemunharam nada. Geralmente, ouviram o estrondo e, quando chegaram í  janela, já não viram nada

– Três em cada quatro entrevistados usam polares da Quechua.

– Geralmente, o terceiro entrevistado de uma reportagem, é brasileiro

– Cerca de 95% dos entrevistados tem dentes podres e não se importa de os mostrar

– Em caso de incêndios, cheias, acidentes de automóvel, derrocadas e tragédias em geral, todos os entrevistados afirmam nunca terem visto nada assim, mesmo que seja algo que aconteça todos os anos

– Todos os entrevistados apanhados em bombas de gasolina não sabem onde isto vai parar e conhecem pessoas que fazem cem quilómetros até Espanha para encher o depósito

– Os populares entrevistados junto aos Tribunais gostavam de apanhar o réu cá fora e espancá-lo até í  morte, excepto se forem familiares do dito; nesse caso, acham que só há justiça para os ricos

Continuarei vigilante

A crise chega a todos

O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) mostra que a crise também se faz sentir nas forças da ordem.

De facto, a PSP, a GNR, a PJ e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, em conjunto, realizaram, em 2011, apenas 71 898 detenções – menos 16 280 do que em 2010.

No que respeita í  emancipação feminina, também neste capítulo pouco se evoluiu. Segundo o RASI, apenas 11,5% dos detidos em 2011 eram do sexo feminino, enquanto 88,5% eram homens.

Não há dúvida que as autoridades têm que fazer um esforço para prender mais mulheres.

Cumprindo o conselho do primeiro-ministro, 2 481 portugueses decidiram ser presos no estrangeiro, poupando, assim, muitos milhares de euros ao erário público nacional.

Também as buscas diminuíram em 2011, em relação ao ano anterior – 9 172 e 10 156, respectivamente. O RASI não revela as razões desta diminuição, mas pode estar relacionada com o corte de horas extraordinárias aos agentes da lei, que assim tiveram menos tempo para andar í  procurar dos bandidos.

Mas o mais preocupante, sem dúvida, é a diminuição do número de detenções.

Notem que em 2011, a média diária de detenções foi apenas de 196.

Já viram quantos anos vão ser precisos para prender todos os ladrões portugueses?

Millor, o Maior

“O pior não é morrer. É não poder enxotar as moscas” – Millor Fernandes

Nos finais dos anos 60, lembro-me de surripiar o Diário Popular ao meu pai, para ler o Pif-Paf, uma página semanal da autoria de Millor Fernandes.

Já naquela altura eu achava que Millor era genial. Os aforismos, os pequenos poemas (hai-kai), as minúsculas peças de teatro num único acto curto e grosso, tudo eu devorava com avidez. Mal eu sabia que, muitos anos depois, iria colaborar num programa radiofónico, o Pão Comanteiga, que muito bebeu no estilo do Millor Fernandes, sobretudo, ao nível dos aforismos.

Millor nasceu no Rio de Janeiro, em 1923 e morreu ontem. Colaborou em inúmeras publicações, sendo classificado como humorista, cartonista, dramaturgo, tradutor, argumentista e poeta.

Estranhamente, cá em Portugal, Millor é quase desconhecido, sobretudo entre os mais novos.

Quando lemos entrevistas com os chamados humoristas portugueses, todos gostam de dizer que são influenciados pelos Monty Python ou por Seinfeld, o que, embora sejam excelentes referências, apenas demonstram a geral falta de cultura geral, a falta de mundo (como diria o Coimbra de Matos) de muitos indígenas armados em bobos da corte.

Mas Millor seria uma referência muito mais “nossa”, já que se exprime em língua portuguesa e usa, muitas vezes, os trocadilhos, os duplos sentidos e outros truques de linguagem.

Há alguns anos, Millor criou o seu próprio site: Millor Fernandes – enfim, um escritor sem estilo. Aconselho a visitarem-no, embora, devido í  morte de Millor, o site esteja de luto por estes dias.

Em 2004, o semanário Independente, teve a excelente ideia de reunir em livro, alguns textos de Millor Fernandes. Procurem o livro, que se chama Pif-Paf e acreditem que vão ter boas surpresas.

E fiquem-se com estas:

– ” O país que precisa de um salvador não merece ser salvo”

– “Nos momentos de perigo é fundamental manter a presença de espírito, embora o ideal fosse conseguir a ausência do corpo”

– “Depois de bem ajustado o preço, a gente deve sempre trabalhar por amor í  arte”

– “Até mesmo o suor do trabalho e o suor do prazer têm cheiros diferentes”

– “O quartzo é um mineral que está entre o tertzo e o quintzo”

– “Um homem começa a ficar velho quando prefere andar só do que mal acompanhado”

– ” De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência”

 

“Atirei o pau ao Pinto da Costa”…

O trabalho dos jornalistas tem que ser devidamente enaltecido.

Que dizer dos jornalistas que foram desencantar esta história?

A educadora de uma creche de Ericeira, decidiu fazer uma ligeira adaptação de uma canção popular “Atirei um pau ao gato”. Na segunda estrofe, cantou, juntamente com os meninos a seu cargo: “vai-te embora pulga maldita/ batata frita/viva o Benfica”.

Quando soube da nova versão deste verdadeiro hino do Cancioneiro Popular português, o pai da Vera ficou chocado.

Ele, que é adepto do Futebol Clube do Porto, foi tirar satisfações com a educadora – mas o que é isto, viva o Benfica? E o Porto?

Numa interessante reportagem transmitida pela TVI ontem, vemos o pai da Vera, incomodado, dizendo que a educadora ignorou a sua indignação, respondendo-lhe que a maioria das crianças era do Benfica e que, portanto, não iria mudar a nova letra da cantiga.

O pai da Vera estava visivelmente preocupado, assim como a mãe da Vera, mostrada em segundo plano, sentada no sofá da sala, a fumar, enquanto a criancinha, lá ao fundo, andava num baloiço suspenso das escadas da habitação.

Dizia o pai da Vera: isto pode não ter importância nenhuma mas, hoje é isto e amanhã, o que poderá ser?

Tens razão, pai da Vera: a ditadura da maioria é o que dá – hoje és obrigado a dar vivas ao Benfica e amanhã, quem sabe, serás obrigado a fazeres-te explodir í  porta da Assembleia da República!

Estas educadoras adeptas do Benfica, no fundo, são o verdadeiro Perigo Vermelho!

Comunistas do caraças!

A reportagem mostra, depois, a fachada da creche onde tudo se passa. A mãe de uma outra criança diz que aquela educadora só tem 13 crianças a seu cargo e que os pais das outras 12 já assinaram um documento de apoio í  educadora.

Mas o pai da Vera não desiste e já fez queixa da educadora no ministério da Educação (verídico!).

Boa, pai da Vera! Mostra-lhes como é!

Na minha opinião, o senhor enganou-se no motivo da queixa: a educadora devia ser admoestada por ensinar í s crianças uma cantiga que instiga í  violência contra os animais, isso sim!

Atirei um pau ao gato?!

Porquê?! Que mal é que o gato fez?!

Ainda se fosse atirei um pau ao pinto-da-costa…

Morte ao Governo! Mai-nada!

Há dois ou três dias, liguei o televisor na RTP-1 (a tal que está a lixar a execução orçamental ao Passos) e pensei que tinha feito uma viagem ao passado.

Ali estava o Garcia Pereira, em pose de Estado, com um cartaz em tons de amarelo e vermelho por trás, a invectivar o governo, a troika, a Merkel, a banca, os capitalistas em geral, os alemães em particular, e tudo!

A linguagem era a mesma que o MRPP sempre utilizou e aquela declaração inflamada podia ter sido feita contra um governo do Pinheiro de Azevedo, do Balsemão, do Mários Soares, do Cavaco ou de outro primeiro-ministro qualquer.

—O tal cartaz, que está por aí, espalhado pelas paredes das cidades, grita: “Morte í  tróica! Morte ao governo de traição nacional PSD/CDS!”

Não é um simples “abaixo o governo!”, ou um mero “todos contra o governo!”, ou um singelo “se há governo, sou contra!”

É mesmo morte ao governo e mai-nada!

É levar os gajos para o campo do Estrela da Amadora, pí´-los todos em fileira, o Passos, o Portas, a Cristas, o ílvaro, o Gaspar, o Ervas e os outros todos, vendar-lhes os olhos e pimba: chumbo neles!

Fuzilá-los sem dó nem piedade!

E depois, ir í  procura dos filhos da mãe da troica e aplicar-lhes o mesmo tratamento!

A ver se não acabava logo a austeridade!

A ver se a Merkel não começava logo a piar mais baixinho!

Mas há um coisa que me faz espécie, no cartaz do MRPP…

Qual será o Governo Democrático Patriótico a quem o MRPP dá vivas?

Note-se que é Governo com letra grande, em oposição ao reles “governo de traição nacional do PSD/CDS”, que só tem direito a letra pequena.

Quem fará parte desse Governo que, pelos vistos, irá governar depois do fuzilamento dos traidores todos?

í“ Garcia, explica lá isto í  malta!

 

Desempregados, mas cultos!

O nosso governo quer que os portugueses sejam cultos e não quer desculpas!

Acaba-se essa treta de dizeres que não vais ao teatro porque estás desempregado!

A partir de agora, os desempregados podem frequentar í  borla monumentos, palácios e museus e ainda terão descontos na Cinemateca, nos teatros nacionais ena Companhia Nacional de Bailado.

O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas está esfusiante com a ideia e revela que estes descontos não são só para os desempregados portugueses, mas sim para todos os da União Europeia.

Portanto, não te espantes se deres de caras com um torneiro-mecânico esloveno desempregado, no S. Carlos, a assistir í  opera de Puccini, La Rondine.

Obrigado, Passos Coelho!

Salazar branco ou tinto?

O Público de hoje dedica duas páginas í  história do possível lançamento de um vinho de marca Salazar.

Claro que a ideia é um completo disparate.

É como se os alemães lançassem uma salsicha de marca Hitler, os chilenos escolhessem Pinochet para marca de um cabernet sauvignon, os espanhóis fabricassem um queijo de marca Franco ou os italianos produzissem pizzas Mussolini.

Mas o presidente da câmara de Santa Comba Dão não percebe a razão da polémica.

Do alto da sua elevada cultura, diz que nunca sentiu “pinga de curiosidade” pelo ditador e que só recentemente leu alguma coisa sobre ele, por dever de ofício!

E acrescenta, douto: «mas passa pela cabeça de alguém que eu queira vender a ideologia? Eu quero é vender o vinho!»

Nisto, estamos de acordo porque Lourenço, apesar de ter sido eleito pelo PSD (ou por isso mesmo…), não deve ter um grama de ideologia naquela cabeça!

Mirem-se no exemplo de Falciano del Massico

Falciano del Massico é uma pequena localidade, a 50 km de Nápoles, com apenas 3700 habitantes, mas sem cemitério.

Como forma de protestar contra esta falha, o presidente da câmara local, Giulio Fava, publicou um decreto municipal que proíbe os munícipes de morrerem.

Leram bem: em Falciano del Massico é proibido morrer.

Só que, esta semana, dois cidadãos resolveram infringir a lei e morreram mesmo.

Fava não sabe o que há-de fazer.

Que castigo se aplica a dois cidadãos que não cumprem a lei, mas que estão falecidos?

Esta singela história mostra bem como há sempre ovelhas negras na melhor das democracias.

Que melhor forma de se protestar contra o facto de não termos um cemitério, se não recusarmos morrer?

E, mesmo assim, tinha que haver dois palermas a furarem o protesto!

Claro que em Portugal, isto seria impossível, já que o ministro Miguel Ervas nunca permitiria que uma comunidade com apenas 3700 habitantes tivesse direito a ter um presidente da Câmara – quanto mais um cemitério!

Os suíços estão a gozar connosco!

Há países que, sinceramente, não se entendem.

A Suíça é um deles.

Alguém sabe, de facto, o que é um suíço?

Será um italiano, um francês, um alemão?

Ou será um dos milhares de emigrantes de diferentes nacionalidades?

E depois, a Suíça está-se borrifando para os outros: mantém-se neutral, acolhe dinheiros espúrios em contas secretas, inventou os relógios a sério, tem vacas e chocolates e uma bandeira bonita.

E tem os referendos.

No passado fim de semana, 66,5% dos participantes num referendo, votaram contra a introdução de seis semanas de férias pagas para todos os trabalhadores!

Meditem nisto: enquanto por cá, o governo nos corta feriados e dias de férias, os suíços rejeitam seis semaninhas de férias!

Mas o referendo deste fim de semana tomou outras decisões, nomeadamente, a de limitar a 20% o número de residências de férias em estâncias de inverno!

E mais: em Zurique, os suíços decidiram aprovar a criação de um drive-in para prostitutas. Com o objectivo de retirar a prostituição do centro da cidade, os votantes decidiram aprovar a construção de um complexo, nos arredores da cidade, onde os cidadãos poderão procurar os prazeres da luxúria, sem incomodarem o resto da malta.

Por cá, os referendos têm pouco impacto, e é pena.

Assim, de repente, ocorrem-me meia dúzia de referendos urgentes, que deveríamos realizar já!

O primeiro dos quais, rezaria assim: «Está de acordo que o Presidente Cavaco se mantenha calado até ao fim do seu mandato?»

SIM!