Obama e os crocodilos

Notícia do DN de hoje:

«Barack Obama inicia hoje uma visita de dois dias í  Austrália e uma empresa local não quis perder a oportunidade de se promover, oferecendo (…) um seguro contra dentadas de crocodilo. Obama passará por Darwin, habitat por excelência destes animais e se uma eventual mordidela levar í  sua morte, a família receberá 37 400 euros.»

A família do crocodilo?

Fumar, mata – não fumar, também?

Título do DN de hoje:

«Mil pessoas morrem por ano devido a cigarros mal apagados»

O quê?!

Então, e devido a cigarros bem acesos, quantas morrem?

Diz a notícia que vão «entrar em vigor as novas regras para o fabrico de cigarros para que se apaguem quando não são fumados».

Para além da frase estar mal construída, esta afirmação levanta-me a seguinte dúvida: será que, agora, os maços de cigarros passarão a ter cigarros acesos, que se apagarão automaticamente se não forem fumados?

E ao fim de quanto tempo?

Claro que é apenas um erro de construção da frase.

Diz a Comissão Europeia que «os cigarros acesos abandonados são uma das principais causas de incêndios mortais na Europa». Assim, poder-se-ão evitar cerca de 500 mortes por ano, com a introdução dos chamados cigarros de propensão reduzida para a ignição.

Segundo a notícia, este tipo de cigarros têm um »tempo de combustão mais reduzido e, assim, menor possibilidade de inflamar mobiliário, roupa de cama e outro material».

Ainda bem que já deixei de fumar.

Uma das coisas que me dava mais gozo era ver o mobiliário e a roupa da cama arderem em segundos!…

A pão e água

Segundo o DN, «o PS vai propor na terça-feira que a Comissão parlamentar do Ambiente passe a consumir água da torneira, uma medida para dar o “exemplo” no Parlamento, onde se consomem anualmente mais de 45 mil garrafas de água».

Acho mal.

Percebe-se que, em tempos de crise, os deputados fiquem a pão e água, mas penso que os nossos deputados deviam ajudar a nossa economia e passar a consumir vinho.

As sessões parlamentares seria muito mais divertidas!

Salvemos o escudo!

Segundo o Sol, «o Estado está a preparar-se para derreter as moedas de escudo que estão guardadas desde 2002 – momento da adesão í  moeda única europeia».

São toneladas de moedas de escudo que estão í  guarda de militares da Força Aérea, no campo de tiro de Alcochete.

Derreter tantos escudos, quando o euro está í  beira de explodir, será boa ideia?

Se calhar, é altura do Otelo pegar nos seus 800 homens e assaltar Alcochete!

O Coiso há uma dúzia de anos

Foi em Novembro de 1999 que meti O Coiso na net, já lá vão 12 anos!

Tal só foi possível graças í  Dee, que fez o design da página, e ao Pedro, que me ensinou como fazer. Para colocar O Coiso na net, usava-se o Dreamweaver, se não estou em erro.

Nessa altura, a ideia era recordar textos que escrevi nas décadas de 70, 80 e 90, para as mais variadas publicações e programas de rádio e televisão.

A saber, por ordem cronológica: jornal República, semanários Pé de Cabra, O Coiso e Gazeta da Semana, Pão Comanteiga, programa de rádio, revista e suplemento em A Capital, ainda na rádio, o Contra-Ataque, o Programa da Manhã da Rádio Comercial, a crónica semanal do Raúl Solnado, quer na rádio, quer na RTP, os Intocáveis, rubrica de discos da música pimba, integrada num programa de Paulo Fernando, na RDP, o semanário O Bisnau, os programas televisivos A Festa Continua e Arroz Doce, o programa de rádio Pé de Vento e o semanário Pau de Canela, o programa de rádio Uma Vez por Semana, os programas televisivos A Quinta do Dois e 1,2,3, a peça de teatro Quem Tramou o Comendador?, os episódios iniciais da sitcom Lá Em Casa Tudo Bem, e o programa televisivo Zona +.

Escrevia que me desunhava!

Mas, a pouco e pouco, o Velho Coiso começou a integrar, também, textos a propósito da actualidade e fotos legendadas, geralmente com políticos da nossa praça. Por coincidência, o último Cromo do Coiso publicado no antigo design da página, em abril de 2006, foi de Berlusconi, que ontem mesmo se demitiu.

A partir desse ano (2006), O Coiso mudou-se para aqui, para o WordPress e está muito bem assim.

Mais 12 anos?

Otelo poupa no Orçamento

Ficaram todos muito chocados quando o Otelo disse que lhe bastariam 800 homens para derrubar o governo.

O homem estava a ser poupado, caramba!

Só para despentear o ministro da Defesa, Aguiar Branco e calar o Miguel Relvas serão precisos dois exércitos!

O Otelo estava a querer poupar dinheiro aos contribuintes.

Obrigado Otelo – e não te esqueças de tomar as gotas, pá!

Eureka! Tantas erecções!

Não é permitida a publicidade a medicamentos, nomeadamente í queles que combatem a disfunção eréctil, como o Viagra, o Cialis e o Levitra.

Mas nada impede que um jornal como o Diário de Notícias, publique um anúncio de página inteira a um spray chamado Eureka (eu repito: chamado Eureka), que, uma vez esguichado sobre o pénis, proporciona um «erecção sólida, firme, sem demora, sempre que quiser», como consta do longo texto publicitário.

Em parte alguma do texto se refere a composição química da mistela que faz acordar um morto («o seu pénis fica imediatamente erecto, mesmo que não tenha uma erecção há anos!»), mas isso pouco importa.

O que interessa são os testemunhos de homens que já pulverizaram a pila com Eureka.

Diz um, com 73 anos: “o spray é realmente um produto extraordinário…  Além de discreto, permite-me ter uma grande e linda erecção, sempre que quero! Tenho 73 anos e posso dizer que faço amor até 3 vezes por dia!

Reparem que o velhote diz que tem uma “grande e linda erecção“! Que ternura!…

Faltaria ouvir a esposa, que deverá dizer algo do género: ” Xiça! O sacana do velho não me larga! Sempre atrás de mim com aquela coisa pendurada! Tem a mania que tem 20 anos, o jarreta!”

Outro homem, afirma ter tido sempre problemas com as erecções e agora, depois de experimentar Eureka, é sempre a aviar, e diz: “Pois é certo que irei obter uma erecção a qualquer hora do dia ou da noite… Ainda melhor, tenho a certeza que o meu pénis ganhou mais alguns centímetros”.

Vai-te gabando, vai. Se continuas a usar Eureka de cada vez que quiseres mandar uma pinocada, qualquer dia tropeças no prepúcio, pá!

Finalmente, um terceiro homem que, para além de não o conseguir levantar, também tinha ejaculação precoce, garante: “Eu e a minha esposa usamos Eureka para grande prazer mútuo. Agora podemos fazer amor durante horas!”

Lá se vai o sexo tântrico!

O maravilhoso spray dá tesão, resolve a ejaculação precoce, permite orgias demoradas e até anima as mulheres. De facto, segundo o texto publicitário: «pulverize Eureka nas partes íntimas da sua parceira para lhe estimular uma sensação deliciosa e torná-la muito mais animada“.

Se começarem a cruzar-se nas ruas, nos centros comerciais, nos cafés com mulheres de olhar glorioso, já sabem que, na noite anterior, o respectivo companheiro lhes pulverizou a passarinha com Eureka!

Espero bem que o ministro da Saúde tome, finalmente, uma medida acertada, passe a considerar o Eureka um verdadeiro medicamento e o comparticipe a 100%.

Pode ser que, assim, a malta aguente a crise com um sorriso nos lábios…

Medo do animal feroz

Lembram-se do que aconteceu depois de António Guterres e Durão Barroso terem deixado de ser primeiro-ministros?

Nada.

Guterres foi para aquela coisa dos refugiados e Barroso, no fundo, também, já que a Europa não passa de um enorme campo de refugiados.

E por cá, pouco ou nada se fala deles.

Vemos Guterres ao lado de Angelina Jolie, algures na Somália e Barroso, ao lado de Angela Merkel, algures na Europa e é tudo.

Vantagem para Guterres, sem dúvida.

A Angelina bate a Angela em todas áreas.

E quanto a Sócrates?

Muito mais odiado que Guterres e Barroso, retirou-se pela esquerda baixa.

Diz-se que foi para Paris, estudar filosofia (e diz-se com ar de gozo, como se aquele tipo, que nem engenheiro é, tivesse categoria para estudar fosse o que fosse, muito menos filosofia – o mister do outro Sócrates, o original!…).

Mas a sombra de Sócrates continua a pairar sobre as páginas dos jornais.

O semanário Sol, um dos que mais bateu em Sócrates, demorou semanas a retirá-lo da primeira página.

E esta semana, subitamente, voltou-se a falar do homem.

Que o homem tinha telefonado a alguns deputados do PS, para que eles votassem contra o Orçamento. Que tinha jantado com apoiantes no Porto. Que anda por aí.

Que medo!

O medo é tão grande que até o chefe da JSD decidiu mesmo entregar ao Procudador-Geral da República, uma série de documentos que supostamente provam que Sócrates é responsável pela dívida soberana, pelo que deve ser julgado.

Claro que este inteligente jovem (chama-se Duarte Marques, tomem nota porque ainda pode chegar a primeiro-ministro…) sabe que esta sua iniciativa não passa de uma patetice populista porque, se a responsabilização criminal de Sócrates fosse para a frente, teríamos que abrir processos a muita gente, a começar pelo Cavaco!…

Portanto, estamos nisto: o PSD e o CDS têm a maioria absoluta, têm um líder da Oposição que é um cinzentão tão triste que até tem Seguro no apelido e, mesmo assim, não se sentem a salvo e temem o regresso do animal feroz.

Por que será?

Aceitam-se sugestões.

 

Il vero amore de Berlusconi

A crise prejudica todos.

Vejam lá que o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi obrigado a adiar a edição do seu terceiro disco, intitulado “Il Vero Amore”.

Gravado em parceria com o músico napolitano Mariano Apicella, o disco, que já devia estar aí, a subir nos tops, só sairá, talvez, lá para o fim do mês.

Percebe-se, agora, por que razão Berlusconi pediu a supervisão do FMI.

Ainda o vamos ver fazer um dueto com a Christine Lagarde…

O referendo grego

O problema central não é o primeiro-ministro grego ter decidido fazer um referendo, mas sim que pergunta fazer nesse referendo.

Papandreu (pronuncia-se mais ou menos assim, mas escreve-se de maneira muito diferente) diz que o referendo não é sobre o euro, mas sim sobre as medidas de austeridade.

Mas também há a possibilidade de Papandreu desistir do referendo, a favor da formação de um governo de coligação entre os socialistas e o partido í  sua direita.

Nesse caso, Papandreu cederia o seu lugar a Papadamus (não tenho bem a certeza se é assim que se pronuncia…)

Fica claro que o problema grego é uma questão de Papas.

Por cá, o nosso Papa-Açorda anda a reboque, ora dizendo que não é preciso renegociar com a troika, ora afirmando que são precisos ajustamentos…

Voltando ao referendo e í  sua pergunta.

Poderá ser, simplesmente: «deve a Grécia manter-se no euro ou deve voltar ao dracma?»

Ou ainda: «deve a Grécia aceitar as medidas impostas pela troika ou deve fazer-lhes um manguito?»

Ou talvez: «deve a Grécia manter-se na Europa ou passar-se para a ísia, que fica já aqui ao lado?»

Ou, finalmente: «deve a Grécia pedir a extradição de Duarte Lima, conceder-lhe a cidadania e nomeá-lo primeiro-ministro e, depois, sair do euro?»

Eu votaria nesta última pergunta.