Roubaram uma mala de senhora!

Foi numa praia, em Albufeira e a RTP enviou para lá uma equipa de reportagem!

A repórter entrevistou um herói de bigode que explicou como conseguiu, com a ajuda do nadador-salvador, deter um homem, que chegou í  praia com as mãos a abanar e que se preparava para ir embora com uma mala de senhora.

O de bigode interpelou-o e o ladrão ainda tentou ludibriá-lo, dizendo que a mala era da esposa. Claro que não era – a mala pertencia a uma senhora que o sevandija tinha assaltado há pouco tempo.

Logo a seguir, a repórter ouviu um veraneante que, muito espantado, revelou que costumava frequentar aquela praia há cerca de trinta anos e que nunca tinha ouvido falar de assaltos.

Confesso que já não recordo como acabou esta coisa, mas fiquei com a impressão de que estava a ver uma espécie de reportagem de amadores, como se fosse um trabalho de grupo, de alunos do 11º ano.

Então, roubaram uma mala de senhora numa praia de Albufeira?

Que escândalo!

Este mundo está perdido!

Hoje, uma mala de senhora, amanhã – quem sabe? – um computador portátil ou mesmo um telemóvel!

Sport ONU e Benfica

Vi ontem o primeiro jogo de preparação do Benfica.

Para além do resultado, que pouco importava, dado o miserabilismo do adversário, o que interessava era ver como jogavam as novas aquisições.

Confesso: eram tantas as novidades que já me lembro dos que jogaram bem e dos que jogaram menos bem…

Fiquei, porém, com a impressão que o Benfica é assim uma espécie de Nações Unidas, com representantes de todos os países. Se não me engano, só lá faltam jogadores do Burkina Faso e do Sudão do Sul, país recentemente criado.

E portugueses, claro…

 

Cavaco feliz

O homem não cabe em si de contente!

Finalmente, conseguiu realizar o sonho de Sá Carneiro – um presidente, um governo, um coiso e tal.

E desatou a dar opiniões, a falar por tudo e por nada, a armar-se em presidente!

Foi bonito ver o homem mudar de opinião e zangar-se com as agências de rating. Enquanto, no ano passado, dizia que não devíamos criticar essas agências, mas sim fazer o nosso trabalho, agora, diz que é escandaloso que elas digam que somos lixo.

E foi curioso vê-lo hoje defender mudanças no Serviço Nacional de Saúde, nomeadamente, a sua abertura aos privados e o contributo dos cidadãos de acordo com os seus rendimentos.

Claro que Cavaco não explicou, por exemplo, que isso implica que muita gente passe a pagar quimioterapias, transplantes hepáticos, colocações de stents e outras coisas que, hoje em dia, o SNS faz, quer ao desempregado, quer ao director de empresa.

Obviamente que Cavaco está a lançar a semente para que, depois, quando o governo avançar com a ideia, a coisa já esteja a germinar.

E ainda faltam quase 5 anos para o homem se ir embora!

Primeiro-ministro de 1985 a 1995 e presidente desde 2006, quer fazer passar a ideia de que não tem culpa de nada.

E ainda faltam quase 5 anos para se ir embora!

Escolhas culturais

Título do DN de hoje:

“Vip Manicure

Primeiro-ministro foi ver ‘A Crise’ no seu primeiro evento cultural

Estreia. Pedro Passos Coelho escolheu o humor de Ana Bola e Maria Rueff para a sua primeira aparição pública num evento cultural. A mulher, Laura, e as filhas acompanharam-no”

Evento cultural?

Sem comentários!

Moody’s Blues

Alguém se lembra deles?

Alguém sabe quem eles foram?

Oa Moody Blues eram o conjunto (não se chamava banda, naqueles tempos) mais selecto dos anos 60. Quando os Beatles e os Rolling Stones se perdiam em “yeah-yeah” e berravam “twist and shout” ou “get out of my cloud”, os Moody Blues, certinhos, faziam soar o melotron e eram acompanhados por uma orquestra sinfónica.

Em 1967 editaram um álbum (era como se chamava, naqueles tempos, a um conjunto de canções) chamado “Days of Future Passed”, que é muito bom e que está muito esquecido.

Não sei se foi essa a intenção deles, mas sempre traduzi mentalmente o seu nome, Moody Blues, por Humores Deprimidos, tendo em consideração o ar solene das canções, os arranjos vocais vagamente conventuais, e os “slows” monumentais que inventaram, nomeadamente, o “entesoante” “Nights in White Satin”.

Vem isto a propósito da agência de rating Moody’s, a que nos considera lixo.

Sempre que oiço falar nela, lembro-me dos Moody Blues e começo a cantarolar “Nights in White Satin/ Never reaching the end/ letters I’ve written/ never meaning to send”.

Ainda bem que Sócrates se foi embora. Se o homem continuasse por aí, aposto que continuaríamos a deitar-lhe as culpas. Agora, podemos, finalmente, culpabilizar a Moody’s…

Mas também vos digo, quando se olha para este título do DN:

“Todo o País tem média negativa a Físico-Química”

…estamos mesmo a pedir que nos chamem LIXO!

Coisas que acontecem

* O Hospital Miguel Bombarda fechou ontem as suas portas. Os últimos cinco doentes ali asilados, foram realojados na Moody’s

* Depois dos casos dos agentes da PSP de Vila do Conde, de Aveiro e da Pontinha, ficou claro que há uma nova exigência para se poder ser integrado na Polícia: não ter carta de condução

* A empresa que fazia a limpeza dos quartéis da GNR não viu o seu contrato renovado. Por isso, têm sido os soldados da GNR a fazer a limpeza. E estão revoltados. Não sei porquê. É a filosofia do utilizador-pagador. Sujam? Toca a limpar!

Lixo!

A Moodys decidiu: Portugal é lixo!

Os PEC não são suficientes, a troika não resolve nada, o corte do subsídio de natal é escasso – nada satisfaz as agências de rating!

Somos lixo e pronto!

Passos Coelho conseguiu, em duas semanas, o que Sócrates não conseguiu em seis anos…

Nota: ah! a culpa não é do Coelho, é da Grécia… pois…

Um castigo para Portas

Paulo Portas andou estes últimos seis anos a louvar a lavoura (bonita frase).

De boné e casaco de xadrez, era vê-lo na Ovibeja a apertar a mão aos agricultores, com aquela genica máscula que o caracteriza.

E depois, quando é convidado para o governo, enxota a Agricultura para a Cristas e fica com os Negócios Estrangeiros!

Paulo Portas no Foreign Office? Quem diria?

Como castigo, devia ser obrigado a dizer, em voz alta, o nome da nova primeiro-ministra tailandesa:

Yngluck Shinawatra!

Cem vezes…

Charlene nada de costas?

Na varanda, Charlene contrai-se, no momento em que Alberto, do Mónaco, a beija na boca, perante a multidão de servos monegascos.

Graças í  enviada especial da RTP, fico a saber que Charlene é uma nadadora sul-africana, campeã e tudo!

Que distraído que eu sou -nem sabia que a Charlene existia!…

Mas a enviada especial da televisão pública, vestida e calçada a preceito, explicou-nos tudo sobre o casamento. Uma enviada especial ao casamento do príncipe do Mónaco?

Depois, admirem-se que cada vez haja mais gente a favor da privatização da RTP…

Mas voltando í  Charlene: achei-a triste e retraída.

É verdade que, no Mónaco, há muitas piscinas e Charlene poderá continuar a treinar.

Mas será que Alberto…nada?…

Estado de (des)graça

A Comunicação Social, em peso, está rendida a Passos Coelho ou, melhor dizendo, aos interesses que ele representa.

Tudo o que o homem diz ou faz, tudo o que o seu governo decide, todas os movimentos dos seus ministros – tudo é bem interpretado, tudo é bom, tudo é adequado, tudo é responsável.

Teixeira dos Santos era um cara de pau. O novo ministro das Finanças, aquele com uma camisa dois números acima, é um gajo divertido! Chamou Lopes ao Honório Novo, do PCP e, depois, ripostou “Novo sou eu!”, e logo todos os jornalistas se ajoelharam e o veneraram pelo seu humor. Temos um ministro das Finanças que diz piadas!

O ílvaro da Economia, também continua na senda do humorismo, comparando a economia ao futebol. E pergunta: de que serve ter um bom treinador, se o guarda-redes deixa entrar frangos? E esclarece, logo a seguir, que não é do Benfica. Engraçadinho, não?

As medidas socráticas do PEC IV eram más. As medidas da troika são poucas e ainda é preciso sacar parte do subsídio de natal. Sócrates era aldrabão, Passos Coelho é ponderado.

Sócrates prometeu não aumentar impostos e, assim que subiu ao poder, aumentou o IVA. Era um mentiroso!

Passos Coelho afirmou que, se tivesse que aumentar impostos, seria sempre os de consumo e nunca os do rendimento de trabalho. Assim que subiu ao poder, cria uma taxa extraordinária de IRS. É um político equilibrado…

E até o tom monocórdico e chato do primeiro debate parlamentar deste governo foi louvado na coluna daquele jornalista azougado, Ricardo Costa,  por oposição ao tom conflituoso dos debates em que Sócrates participava.

Conflito é mau, pasmaceira é bom.

Levado ao colo desta maneira, o novo governo só não cumpre o programa do FMI por pura incompetência.

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