Moody’s Blues

Alguém se lembra deles?

Alguém sabe quem eles foram?

Oa Moody Blues eram o conjunto (não se chamava banda, naqueles tempos) mais selecto dos anos 60. Quando os Beatles e os Rolling Stones se perdiam em “yeah-yeah” e berravam “twist and shout” ou “get out of my cloud”, os Moody Blues, certinhos, faziam soar o melotron e eram acompanhados por uma orquestra sinfónica.

Em 1967 editaram um álbum (era como se chamava, naqueles tempos, a um conjunto de canções) chamado “Days of Future Passed”, que é muito bom e que está muito esquecido.

Não sei se foi essa a intenção deles, mas sempre traduzi mentalmente o seu nome, Moody Blues, por Humores Deprimidos, tendo em consideração o ar solene das canções, os arranjos vocais vagamente conventuais, e os “slows” monumentais que inventaram, nomeadamente, o “entesoante” “Nights in White Satin”.

Vem isto a propósito da agência de rating Moody’s, a que nos considera lixo.

Sempre que oiço falar nela, lembro-me dos Moody Blues e começo a cantarolar “Nights in White Satin/ Never reaching the end/ letters I’ve written/ never meaning to send”.

Ainda bem que Sócrates se foi embora. Se o homem continuasse por aí, aposto que continuaríamos a deitar-lhe as culpas. Agora, podemos, finalmente, culpabilizar a Moody’s…

Mas também vos digo, quando se olha para este título do DN:

“Todo o País tem média negativa a Físico-Química”

…estamos mesmo a pedir que nos chamem LIXO!

Coisas que acontecem

* O Hospital Miguel Bombarda fechou ontem as suas portas. Os últimos cinco doentes ali asilados, foram realojados na Moody’s

* Depois dos casos dos agentes da PSP de Vila do Conde, de Aveiro e da Pontinha, ficou claro que há uma nova exigência para se poder ser integrado na Polícia: não ter carta de condução

* A empresa que fazia a limpeza dos quartéis da GNR não viu o seu contrato renovado. Por isso, têm sido os soldados da GNR a fazer a limpeza. E estão revoltados. Não sei porquê. É a filosofia do utilizador-pagador. Sujam? Toca a limpar!

Lixo!

A Moodys decidiu: Portugal é lixo!

Os PEC não são suficientes, a troika não resolve nada, o corte do subsídio de natal é escasso – nada satisfaz as agências de rating!

Somos lixo e pronto!

Passos Coelho conseguiu, em duas semanas, o que Sócrates não conseguiu em seis anos…

Nota: ah! a culpa não é do Coelho, é da Grécia… pois…

Um castigo para Portas

Paulo Portas andou estes últimos seis anos a louvar a lavoura (bonita frase).

De boné e casaco de xadrez, era vê-lo na Ovibeja a apertar a mão aos agricultores, com aquela genica máscula que o caracteriza.

E depois, quando é convidado para o governo, enxota a Agricultura para a Cristas e fica com os Negócios Estrangeiros!

Paulo Portas no Foreign Office? Quem diria?

Como castigo, devia ser obrigado a dizer, em voz alta, o nome da nova primeiro-ministra tailandesa:

Yngluck Shinawatra!

Cem vezes…

Charlene nada de costas?

Na varanda, Charlene contrai-se, no momento em que Alberto, do Mónaco, a beija na boca, perante a multidão de servos monegascos.

Graças í  enviada especial da RTP, fico a saber que Charlene é uma nadadora sul-africana, campeã e tudo!

Que distraído que eu sou -nem sabia que a Charlene existia!…

Mas a enviada especial da televisão pública, vestida e calçada a preceito, explicou-nos tudo sobre o casamento. Uma enviada especial ao casamento do príncipe do Mónaco?

Depois, admirem-se que cada vez haja mais gente a favor da privatização da RTP…

Mas voltando í  Charlene: achei-a triste e retraída.

É verdade que, no Mónaco, há muitas piscinas e Charlene poderá continuar a treinar.

Mas será que Alberto…nada?…

Estado de (des)graça

A Comunicação Social, em peso, está rendida a Passos Coelho ou, melhor dizendo, aos interesses que ele representa.

Tudo o que o homem diz ou faz, tudo o que o seu governo decide, todas os movimentos dos seus ministros – tudo é bem interpretado, tudo é bom, tudo é adequado, tudo é responsável.

Teixeira dos Santos era um cara de pau. O novo ministro das Finanças, aquele com uma camisa dois números acima, é um gajo divertido! Chamou Lopes ao Honório Novo, do PCP e, depois, ripostou “Novo sou eu!”, e logo todos os jornalistas se ajoelharam e o veneraram pelo seu humor. Temos um ministro das Finanças que diz piadas!

O ílvaro da Economia, também continua na senda do humorismo, comparando a economia ao futebol. E pergunta: de que serve ter um bom treinador, se o guarda-redes deixa entrar frangos? E esclarece, logo a seguir, que não é do Benfica. Engraçadinho, não?

As medidas socráticas do PEC IV eram más. As medidas da troika são poucas e ainda é preciso sacar parte do subsídio de natal. Sócrates era aldrabão, Passos Coelho é ponderado.

Sócrates prometeu não aumentar impostos e, assim que subiu ao poder, aumentou o IVA. Era um mentiroso!

Passos Coelho afirmou que, se tivesse que aumentar impostos, seria sempre os de consumo e nunca os do rendimento de trabalho. Assim que subiu ao poder, cria uma taxa extraordinária de IRS. É um político equilibrado…

E até o tom monocórdico e chato do primeiro debate parlamentar deste governo foi louvado na coluna daquele jornalista azougado, Ricardo Costa,  por oposição ao tom conflituoso dos debates em que Sócrates participava.

Conflito é mau, pasmaceira é bom.

Levado ao colo desta maneira, o novo governo só não cumpre o programa do FMI por pura incompetência.

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El cancer no passará!

Hugo Chávez abriu um novo caminho para a revolução bolivariana na América Latina: a luta contra o cancro!

Gostei de o ver a explicar como foi operado a um tumor abcedado, presumo que situado na próstata, e como a anatomia patológica revelou células cancerígenas, o que obrigou a nova cirurgia.

Chávez descobriu agora que o cancro não passa de um inimigo de direita, que pretende travar o passo da revolução.

Agora, o presidente da Venezuela junta-se a Fidel Castro e mostra ao mundo: os líderes comunistas que sofrem de cancro, vestem-se de fato de treino.

A grande vantagem destes tipos é que podem, pura e simplesmente, anular o cancro por decreto.

O disparate como lei

Passos Coelho começou a sua carreira como primeiro-ministro, assumindo um disparate.

Não foi um bom começo.

Vimos na televisão: em abril, questionado por uma jovem, durante uma visita a uma escola, Coelho garantiu que era um disparate. Sócrates andava a dizer que o PSD queria cortar o subsídio de Natal. Coelho garantiu: isso é um disparate!

Hoje, no primeiro debate em que participou como primeiro-ministro, Coelho transformou o disparate em lei.

Vão-nos mesmo cortar o subsídio de Natal!

E eu que já tinha planeado comprar um escafandro para oferecer, no Natal, ao Paulo Portas, para ele poder viajar, em segurança, num dos submarinos que fez o favor de encomendar para eu pagar!…

Olha, Paulo, não te vou dar nada no Natal!

Queixa-te ao Passos…

í“ ílvaro, posso tratar-te por pá?

O novo ministro da Economia, ílvaro (o apelido não interessa) é muito solto, muito sorridente, muito saltitante!

É natural – ele esteve Lá Fora, ele foi professor em faculdades Lá Fora.

Foi Lá Fora que ele aprendeu que até a reles secretária tratava o professor universitário por Mark.

í“ Mark, a que horas dás a próxima aula? í“ Mark, queres que eu te leve um café? í“ Mark, tira daí a mão, que os alunos estão a ver!…

Toda esta familiaridade entre a reles secretária e o super-génio é natural Lá Fora.

Cá Dentro, é Sr. Professor para a direita, Sr. Doutor para a esquerda (para a esquerda, não! Lagarto, lagarto! Que o ílvaro – o apelido não interessa – quer a esquerda bem longe!)

Então, o novo ministro da Economia visitou ontem uma feira de artesanato, o que é significativo. Com a crise, voltamos a fazer tudo í  mão…

E o ílvaro pediu aos artesãos para espetarem uma bandeira de Portugal junto aos seus produtos. Um bandeira de Portugal no pastel de natal, no galo de Barcelos, na cavaca das Caldas!

Boa, ílvaro, tu é que sabes!

Estiveste Lá Fora, deves saber como é que se espevita a economia!

Eu também só viajo em económica

Cheguei ontem da Noruega e viajei, como sempre, em classe económica.

Sou um homem simples, detesto ostentações.

Por isso, percebo perfeitamente o nosso novo primeiro-ministro, quando decidiu optar pela económica, em vez da classe executiva a que tinha direito.

Também ele é um homem simples…

E, ao fim e ao cabo, daqui a Bruxelas, são pouco mais de duas horas de voo; não dá tempo para que o Pedro fique com as pernas dormentes e, considerando a sua idade, ainda não deve sofrer de espondilose…

Mas penso que deve haver outra razão para Passos Coelho ter escolhido a económica, para as suas viagens de avião. E passo a explicar:

Ontem, antes de embarcar em Oslo, o funcionário do check-in informou-me que o voo estava overbooked, havendo quatro passageiros a mais. Assim, a companhia estava disposta a oferecer-me 400 euros, se eu desistisse daquele voo e optasse por um voo Oslo-Amesterdão e, depois, Amesterdão-Lisboa. E ainda ganharia mais milhas, caso tivesse aderido a algum programa de passageiro frequente.

É este o plano de Passos Coelho: ao escolher a classe económica, quando era suposto viajar em executiva, está a contribuir para o overbooking do voo.

Quando deixar o cargo de primeiro-ministro, terá milhas acumuladas que lhe permitirão viajar até ao fim do mundo.

E, quem sabe, não regressar…