A dieta de Passos Coelho

Ontem, Passos Coelho jantou com os deputados do PSD.

Jantou, não – petiscou, porque Passos está de dieta.

Foi ele próprio que revelou esta notícia importantíssima.

Disse: «Eu estou mais magro porque tenho feito dieta, é porque não quero ficar barrigudo, é só isso. Eu estou muito bem de saúde.»

Com efeito, um Coelho barrigudo parece mais um canguru!

No brilhante discurso que proferiu e que, por pouco, não ia adormecendo os deputados, Passos também explicou que «nenhum dos que aqui estão foi eleito para ganhar as próximas eleições, ou para ajudar a ganhar as autárquicas, nem as regionais deste ano nos Açores, nem as europeias que aí vêm a seguir. Não foi para isso que fomos eleitos».

Os deputados presentes, aqui, sobressaltaram-se.

Passos estava a contradizer-se: por um lado dizia que nenhum deles tinha sido eleito e depois dizia não era para isso que eles tinham sido eleitos.

Confuso.

Resultado da dieta, certamente…

Mas mais espantados ficaram os deputados quando Passos declarou: “Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições!»

Ora aqui está uma declaração democrática í  brava!

Mas há antecedentes…

Ainda recordo, com saudade, o almirante Pinheiro de Azevedo que, em pleno PREC, declarou um dia: «Bardamerda para o socialismo!», para já não falar na também saudosa Manuela Ferreira Leite, que queria suspender a democracia durante 6 meses.

Agora é Passos que quer que as eleições se lixem…

í“ Passos, a dieta está-te a fazer mal… olha que isso é da fraqueza, pá…

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Santinhos!…

Reparem bem neste grupo de católicos fervorosos…

Da esquerda para a direita: o Sr. Lopes, primeiro-ministro de Portugal durante o período áureo em que não havia crise e podíamos gastar dinheiro í  fartazana, Mota Amaral, talvez o menos pecador deles todos, Dias Loureiro, que nada teve a ver com o BPN, o Miguel Ervas, o doutor da mula russa, e outro doutor, o Arnaut, nóvel administrador da REN, depois de muitos fretes feitos ao Poder.

Reparem bem no ar contrito, de profundo catolicismo, do Sr. Lopes, do Sr. Amaral e até do Sr. Arnaut e o ar blazé do Sr. Loureiro – todos contrastando com o ar sacaninha do Dr. Ervas.

A foto é de 2004 e saiu hoje no Público, mas podia ter sido tirada ontem…

Ditosa religião que tão elevados filhos tem!…

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Torgal versus Passos

Não gosto de bispos.

Acho-os supérfluos. Vestem mal. E não se importam de ser tratados por Dom.

D. Januário Torgal é (ou foi) o bispo das Forças Armadas.

Primeira incongruência: por que carga de água umas forças armadas de um país laico precisa de um bispo?

Adiante.

Há três ou quatro dias, Januário disse que Portugal «não tem governo. (…) E no fim ainda aparece um senhor, que pelos vistos ocupa as funções de primeiro-ministro, dizendo um obrigado í  profunda resignação de um povo dócil e tão bem amestrado que até merecia estar no jardim zoológico. Conclusão: parecia que estava a ouvir o discurso de uma certa pessoa há 50 anos.»

O raça do bispo!

A comparar o Passos Coelho com o Salazar!…

Logo no dia a seguir, o Correio da Manhã revelava que o bispo ganhava 4500 euros de reforma e tinha direito a gabinete de apoio, carro, motorista, secretária e telemóvel.

Januário foi aos arames.

Hoje, disse ao jornal i que está a ser vítima de um “linchamento público” e que só ganha “pouco mais de 2500 euros” por mês e que abdicou daquelas regalias todas.

E acrescentou: «depois de uma vida inteira a trabalhar, praticamente metade do que ganho vai para o Estado, que depois não sabe gerir esse dinheiro: vai para espiões e para empresas privadas».

Januário, posso fazer-te uma pergunta?

Por que raio foste para bispo, pá?

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