Li há pouco tempo “O Caderno Proibido”, de 1952, outro livro desta autora nascida em Roma, filha do embaixador de Cuba em Itália e, portanto, com dupla nacionalidade, cubana e italiana.
Apesar de se ter oposto ao regime fascista de Mussolini, não lhe foi retirada a nacionalidade, ao contrário do que o palhaço do Ventura queria fazer aos estrangeiros que conseguissem a nacionalidade portuguesa e cometessem determinados crimes.
Quem ler este romance, perceberá o que quero dizer.
São seiscentas páginas e a coisa pode parecer um pouco monótona, mas temos de entender a época em que o romance foi escrito, quatro anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, altura em que o papel das mulheres era absolutamente secundário.
No final do livro, temos acesso a um prefácio escrito pela autora em 1994, três anos antes de falecer. Este prefácio devia, na minha opinião, surgir antes do romance, para percebermos melhor o que a autora pensava sobre o que escrevera quase cinquenta anos antes.
“Dar-se conta de que a luta, a prisão e, para tantos, a morte, não tinham servido senão para fazer da Itália um protectorado americano” – diz a autora nesse prefácio.
Aconselho.
