Os pubs, cheios até í porta, de irlandeses de Guiness em punho, as portas georgianas, pintadas de cores garridas, a Christ Church, os jardins de St. Stephen e da Merrow Square, o rio Liffey e a Ha’Penny Bridge, Temple Bar e a multidão pelas ruas medievais, os artistas de rua, O’Connell Street e the Spire, as ruas pedonais, Grafton e Moore Street, com o mercado de legumes, Meeting House Square e o mercado de comidas, o Castelo e o Trinity College, as Wicklow Mountains e Glendalough, as ruínas e os lagos.
“Whatever Works”, de Woody Allen
Woody Allen voltou í s boas comédias com este “Whatever Works”, traduzido para “Tudo Pode Dar Certo”, que é exactamente o contrário do título original e da filosofia do filme.
“Whatever Works” quer dizer qualquer coisa como “o que for, soará”, ou “seja o que for”, ou “desde que resulte” – nunca “tudo pode dar certo”. Pode e não pode…
O personagem principal é Boris Yelnikoff, um físico reformado que quase ganhou o Nobel e interpretado por Larry David (outro trunfo do filme – já que todos estamos um pouco farto destes personagens interpretados por Allen). Boris está sempre zangado, não suporta os outros seres humanos porque, como tem um QI de 200, todos são imbecis, a seus olhos. Vive sozinho e detesta tudo e todos até que, certo dia, acolhe em sua casa uma jovem sulista (Evan Rachel Wood), ignorante, pouco mais que analfabeta e que, acabada de chegar a Nova Iorque, não tem onde dormir.
A partir daí, a história do Pigmalião, de Bernard Shaw, repete-se, mas com os tiques de Woody Allen. Claro que Boris é um hipocondríaco, tem crises de pânico e, temendo a gripe A, canta o “Happy Birthday” duas vezes, enquanto lava as mãos, tal como a OMS aconselhava.
O filme está cheio de boas piadas e embora seja um déjí vu das comédias de Allen, vale a pena o tempo e Larry David merece 20 valores.
Aconselho.
“Cheri”, de Stephen Frears
Chéri é a alcunha do filho de uma prostituta reformada (Kathy Bates) que, aos 19 anos, não faz nada senão perder-se em noitadas de sexo e drogas (ainda não havia rock’n’roll, uma vez que o filme decorre na chamada Belle Époque, em Paris).
A mamã, preocupada, pede í sua amiga Lea, também prostituta a entrar na casa dos 50, mas ainda com muita meia sola para gastar, que desvie o seu filho daqueles maus caminhos e o seduza. Ela assim o faz acaba por se apaixonar pelo puto.
A tal prostituta cinquentona é interpretada por Michelle Pfeiffer, ainda em muito boa forma física e, pelos vistos, com a sabedoria suficiente para prender e manter um rapazola de 19 anos.
E depois?
Depois, nada.
O que se esperava de um filme baseado num romance de Colette?
Cenários excelentes. í€s tantas, parece que estamos num filme sobre decoração de interiores, mas pouco mais. Se Stephen Frears tentou repetir o êxito de “Strange Liaisons”, falhou.
Um pouco bocejante.
Não se importa de repetir?
“Não houve muitas situações de golo de parte a parte, mas se calhar a equipa que esteve mais próximo de chegar ao golo foi o Braga.”
– Domingos Paciência, no final do jogo que o Benfica ganhou por 1-0 (estatística do jogo: oportunidades de golo (7-3), remates em direcção í baliza (6-3), cantos (7-6), passes com êxito (76%-71%), posse de bola (56%-44%) – tudo a favor do Benfica)
Não se importa de repetir?
“Os jogadores mais influentes numa equipa detectam-se pela dimensão de espaço que eles ocupam nos seus movimentos habituais”.
– Luís Freitas Lobo, Expresso, 2 de outubro de 2010
Um problema de insónia
Depois de anunciar ao país as novas medidas de austeridade, Teixeira dos Santos foi a correr a Bruxelas, informar os seus pares da União Europeia. Claro que ficaram todos muito satisfeitos, como é costume. Mais um país a cortar nos salários e a aumentar os impostos. Os mercados aprovam.
Depois, dos Santos referiu-se ao seu problema de insónia, dizendo:
Eu já desconfiava. As olheiras do homem são reveladoras.
E é assim: para tentar resolver um problema de insónia, sacam-me 10% do ordenado!
E ainda não estou descansado.
O Teixeira diz que, se não tivesse tomado estas medidas, não teria dormido. Vai daí, tomou-as. Mas, mesmo assim, dormiu mal!
Isto pode querer dizer que, para dormir que nem um anjinho, o homem pode muito bem vir a tomar ainda mais medidas do género.
Pára, Teixeira! Chega, homem!
PS – Não percam as ideias que o macacos tem para salvar o país
País deprimido
O Sócrates vai-nos ao bolso e o Benfica perde!
Só falta começar a chover…
Da crise como oportunidade
As crises não são necessariamente coisas más. Podem ser elas as geradoras de oportunidades de negócio.
Que o diga o Tira Fumos (alcunha de Camilo Feliciano) que, em plena crise de 1979, com o FMI instalado em Portugal, lançou esta vigorosa Campanha de Férias.
O homem afinava o motor do nosso carro e garantia mais 30% de rendimento com menos consumo, “eliminando o poço do seu automóvel sem alterar nada de fábrica” (o poço do automóvel?!). E tudo isto por uns míseros 1,7 euros, se o carro fosse pequeno ou 2,49 euros, se o carro fosse grande, nada dizendo para os carros de tamanho médio.
Mas o Tira Fumos devia andar um pouco confuso, fruto, quiçá, da pressão do FMI. O resto do anúncio, publicado no Diário Popular, no dia 21 de Julho de 1979, é incompreensível:
“Apenas uma afinação especial/ é grátis/ 2 afinações por dia/ só paga depois de comprovada esta afinação”.
Afinal, era grátis ou só se pagava depois de verificar que o Tira Fumos tinha afinado a coisa como deve ser?…
Mas o Camilo tinha-os no sítio. Se não ficasses satisfeito com o trabalho e quisesses tirar satisfações, era só ires í Rua Elias Garcia, 157-3º Dto, na Amadora, que era onde o mecânico morava.
Ah grande Tira Fumos!
“Não há lenha que detenha o FMI”*
Tenham medo, tenham muito medo – o FMI vem aí!
Não se deixem enganar pelas palavras bonitinhas do site dessa organização sinistra.
Segundo o seu site, o FMI diz ser “uma organização de 187 países que trabalha para a cooperação monetária global, para uma segura estabilidade financeira, que facilita o comércio internacional, que promove o pleno emprego e o crescimento económico sustentado, e que reduz a pobreza em todo o mundo.”
MENTIRA!
“Não há força que retorça o FMI!” *
Eles já estiveram em Portugal, em 1977 e 1983 e todos nos lembramos de como o país ficou de pantanas!
O FMI tira-nos as casas e as mulheres, rouba-nos os plasmas e as altas-fidelidades, tira-nos os fins-de-semana nos spas, os subsídios de doença, os medicamentos contra o colesterol, os parques infantis e os programas bons da televisão.
O FMI não está interessado no equilíbrio das contas do Estado, mas apenas em fazer-nos a vida negra, provocar o fim das nossas colheitas, a secagem dos rios e a drenagem dos pântanos (porquê a drenagem dos pântanos, porquê?!)
O FMI é um grupo de malfeitores que nos vai esmifrar os salários, esmagar os subsídios de férias, esganar as senhas de refeição, os abonos de família, os subsídios de desemprego e de doença outra vez, vai tirar-nos os anéis e os dedos, os almoços e os jantares, os dias bonitos de sol e os passarinhos. Todos!
O FMI só é amigo dos governos – de resto, é inimigo de toda a gente!
Mas ele vem aí, inevitavelmente.
Estou transido de medo!
* frases de José Mário Branco, nesse seu grandessísimo rap intitulado, justamente, “FMI”, e cujo texto completo vos aconselho a recordar aqui.
Cavaco ao mar!
No Congresso dos Portos e Transportes Marítimos, Cavaco Silva disse:
“Espanta muitos, dada a importância estratégica dos nossos portos, que possamos discutir meses e anos a fio o TGV ou o novo aeroporto de Lisboa sem que paremos um pouco para pensar nos portos do futuro”.
É bem verdade, Sr. Presidente!
E também nos esquecemos de tudo o que o senhor fez pelos nossos portos durante os 10 anos que foi primeiro-ministro! O que eles se desenvolveram, senhor!
Lembro-me perfeitamente que, enquanto o senhor foi primeiro-ministro, Portugal não gastou um centimo em alcatrão, optando claramente pelas auto-estradas do mar, como o senhor muito bem lhes chamou no seu discurso de ontem.
O que os nosso portos floresceram, a nossa marinha mercante se elevou e o comércio marítimo se desenvolveu durante esses maravilhosos e aquáticos 10 anos!
E agora, é o que se vê: os nossos portos resumem-se ao Portinho da Arrábida e ao Porto Brandão!
Ainda bem que o senhor vai continuar a ser presidente e vai ajudar o PSD a ganhar as eleições e Portugal vai sair da crise.
Pelo mar, claro…

