O Benfica só ganha a coxos!

2-0 ao Sporting é alguma coisa de especial?

Eu queria ver era o Benfica ganhar a grandes equipas como a Académica ou o Nacional ou o Guimarães – agora í queles coxos de verde e branco?! Até a equipa dos reformados da Carris ganhava!

Até o Cardozo, que precisa de rematar dez vezes para marcar um golo, ontem marcou dois e ia marcando outros tantos!

Até o Roberto, que tem um buraco em cada mão e costuma deixar passar a bola por entre os olhos, defendeu o pouco que houve para defender!

O Sporting teima em ser treinado por gajos chamados Paulo. Depois do Bento, veio o Sérgio. Têm que continuar í  procura.

Ainda têm o Paulo Autuori.

E o João Paulo Segundo…

(ou esse já morreu?)

“Cisionistas, revisionistas e boicotadores”

—O MRPP fez ontem 40 anos!

Para quem não sabe – e há muita gente que não sabe – MRPP é a sigla de Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (reorganizativo de quê?!…do PCTP – Partido Comunista dos Trabalhadores de Portugal).

A coisa parece tão anódina como Movimento para a Reintrodução no Mercado do í“leo de Fígado de Bacalhau.

Quem quer recuperar uma coisa que é intragável?

No seu 40ª aniversário, o Garcia Pereira, perdão, o MRPP fez saber que, desta vez, não vai concorrer í s eleições presidenciais.

Faz mal.

Competindo com candidatos como Fernando Nobre e Defensor de Moura, Garcia Pereira era muito capaz de, desta vez, ir í  segunda volta contra Cavaco Silva e ganhar.

Eu, pelo menos, dava-lhe o meu voto.

Antes o Garcia que o Cavaco, safa!

O 40º aniversário do MRPP fez-me lembrar uma pequena notícia publicada no falecido Diário Popular, a 26 de Julho de 1979 e que dizia “Arnaldo Matos demite-se”.

—Ora, Arnaldo Matos era, nessa altura, o Grande Educador da Classe Operária (tudo com letra grande e não se riam porque era assim, exactamente, que ele era conhecido). Advogado e dirigente do MRPP, Arnaldo Matos e o seu bigode educavam a classe operária portuguesa como mais ninguém.

Mas, em 1979, Matos tinha 40 anos (como o MRPP tem agora) e estava farto de alguns dirigentes do movimento “não aplicarem a liberdade de expressão no interior da organização”, segundo diz a notícia. Vai daí, considerando que esses dirigentes eram “cisionistas, revisionistas e boicotadores”, Arnaldo Matos demitiu-se para nunca mais voltar.

Saindo o Grande Educador, a classe operário ficou cada vez mais mal-criada.

Até hoje!

É ver polícias acampados í  porta do MAI e professores a descerem a avenida e a chamar mentiroso ao senhor primeiro ministro!

Entretanto, Garcia Pereira e o MRPP, ambos simultaneamente, continuam a dizer que são pela revolução socialista.

A malta aguarda, serenamente.

No entanto, se o camarada Garcia Pereira fosse Presidente da República, convenhamos que a Revolução Socialista ficava mais fácil, não?…

Não sejas chato, ó Garcia – concorre lá, pá!

Venham a nós as criancinhas

—

O Papa está a visitar o Reino Unido.

Esta manhã,  ao ligar a tv, em vez de ver o telejornal da RTP-1, deparei com uma imagem aérea de um estrada, onde se via uma fileira de carros. Era o Papa e respectiva comitiva que ia não-sei-para-onde, dizer uma missa, em Inglaterra. As imagens eram captadas de helicóptero e a estação de televisão oficial da nossa república laica estava a transmitir, em directo, a viagem do líder de uma das muitas religiões existente í  face da Terra.

(respirar fundo para não mandar estes gajos todos í  merda!)

Pois não é que o Papa, aquele velhinho com ar de quem foi sacana a vida toda, está a pedir perdão a todas as vítimas dos pedófilos da igreja católica?!

São centenas, milhares de vítimas que, ao longo dos anos, foram apalpados, beijados, lambidos, acariciados, violados por tipos vestidos de batina, que apregoavam a palavra do deus católico, o deus que perdoa, o deus que dá a outra face.

Mas o Papa pede perdão, e a coisa é transmitida de tal modo que parece que as vítimas é que são os culpados e que os abusadores, coitados, são fracos, que cederam í  tentação e que tiveram que rezar 30 avé-marias e 30 pais-nossos para conseguir a absolvição.

Reflexão divertida: o Papa vai encontrar-se, no Inferno, com o Carlos Silvino e com alguns (ou todos) os restantes acusados da Casa Pia, dependendo do resultado dos recursos…

Sarkozy Lelo

—

Ai Sarkozy Lelo, havias de vir aqui ao bairro e trazer a tua Carla! Então é quias ver o qué bom! Havíamos de despir a Carlita, toda nuasita e ósdepois a gente vestíamos a gaja com a roupa qua gente vende na venda, tudo de marca, techêrt armani, calçonitos calvinqueleine, sandalitas daquele lelo espanhol cagora namalembro do nome e um relógio guchi, com brilhantes e tudo!

E a ti, meu Sarkozy do carago, era logo um fato do hugo boce, com um gravata de seda e uma camisa triple marfel, que nos sobrou das vendas do século passado.

Depois deste servicinho, de certeza que não ias expulsar a gente, ca gente não é como os romenos, já vivemos case todos em bairros sociais, todos arrecebemos rendimento mínimo, vamos í  escola, menos cando a nossa dótora de família nos passa um atestado, que é cando temos o nosso filho com um óbcesso ou cando a nossa filha tá cum atraso na menstrulação. A gente, ó depois leva o atestado í  nossa assistente e não podemos ir í  escola durante um mês, mas isso é muito diferente do que viver debaixo das pontes ou nos terrenos baldios, como fazem os ciganos romenos, e não andemos a pedir nas escadas no metro, com um muleta a fazer de conta que semos coxos.

Por isso, Sarkozy, tamos contigo! Expulsa os romenos e deixa esse gajo do Barroso ladrar! E ço gajo continuar a mandar vir, diz pró gajo vir aqui í  Cova da Piedade, passar um fim-de-semana com os romenos aqui da Etar, a ver o qué bom!

Dança em Almada

A Companhia de Dança de Almada existe há 18 anos e, antes disso, a professora Maria Franco ensinou bailado a milhares de jovens almadenses na Academia Almadense, entre elas, a minha filha Marta que, entre os 6 e os 18 anos, por lá andou, com entusiasmo e dedicação.

Durante esses anos fui um espectador mais ou menos assíduo de dança, mais como pai orgulhoso do que como espectador interessado – embora algumas produções da Gulbenkian me tenham transformado num quase-fã de dança moderna (naquela altura, dançar canções de Tom Waits era o suficiente para me conquistar…)

Há alguns anos que não assistia a um espectáculo de dança mas hoje a Marta convenceu-nos e fomos ao Auditório Lopes Graça e, a troco de míseros 6 euros cada um , assistimos ao 4º Programa de Dança, integrado na 18ª Quinzena de Dança de Almada, organizada pela Companhia.

Assistimos a 5 obras, das quais tenho que destacar a primeira, “Inside Out”, com coreografia e interpretação da bailarina húngara Anna Réti, e a segunda, “Absence”, com coreografia do francês Éric Oberdroff e interpretação de Audrey Vallarino e Gildas Diquero.

De vez em quando, sabe bem…

“Up In The Air”, de Jason Reitman

—George Clooney faz de George Clooney, neste filme muito aclamado porque tenta mostrar que, afinal, a teoria da mochila não funciona para sempre.

Clooney é Ryan Bingham, um tipo cuja função é despedir pessoas. Uma vez que muito patrões não têm tomates para tomar essa decisão, acabam por contratar uma empresa que tem especialistas nessa área. Bingham é um desses especialistas e vive em viagem, entre um e outro aeroporto norte-americano, de hotel para hotel. Dá formações onde mostra que é difícil ser-se livre se, na nossa mochila, temos que introduzir a casa, os móveis, os electrodomésticos, o carro, a mulher e os filhos. A nossa mochila deve estar sempre pronta para zarpar e, com todo esse peso, é impossível partir de um momento para o outro.

Só que Bingham acaba por conhecer uma mulher (Vera Farmiga), que fica muito bem, de costas, toda nua, apenas com uma gravata í  cintura. Também ela anda de aeroporto para aeroporto. Os dois acabam na cama mas o desenvolvimento da relação trás uma surpresa desagradável para o teórico da solidão.

Como dizia o meu tio Zé, é bonito e faz chorar, é próprio para mulheres grávidas e pupilos do exército.

No final, Clooney fica a beber o Nespresso sozinho.

Mais apelidos

Ora tomem lá mais alguns apelidos dignos de antologia.

Podemos começar por alguém que, não sendo profissional, se chama Amador Pulguinha. Contradição em pessoa deve ser o Israel de Jesus e, sabendo que foi Abel quem matou Caim, que dizer de um Caim Turbulento?

Ignorando uma quase inverosímil Cristiana Ronalda, passamos ao reino dos peixes com um Valente Lampreia e um não menos surpreendente Bacalhau Pelúcia.

Posso garantir que não estou a inventar ao citar o Opinião da Silva e o Encontro da Silva e, se é verdade que a inteligência salva, que dizer do Astúcia Mata?

Se o Bastos Bate, por que fará o Bonito Durão?

A Felicidade Pesqueira pode ser natural, mas o Marinho Mouco, terá assim ficado (mouco) por ser familiar do Pilonas Mouco?

No entanto, nada supera a Grelixa Carapeta.

Ezequiel – um herói português

Em 1992, Ezequiel Lino era presidente da Câmara de Sesimbra, eleito pelo PCP.

No dia 5 de Março desse ano, decorria o cortejo carnavalesco daquela vila quando Ezequiel, ao volante de um Volvo, fez menção de percorrer uma determinada rua, que estava cortada ao trânsito pela GNR.

Um jovem cabo da GNR, Viriato de sua graça, barrou o caminho a Ezequiel, que lhe terá perguntado sabes quem sou eu?

Viriato não sabia e não deixou que Ezequiel passasse.

Vai daí, Ezequiel acelerou, levou Viriato pelo ar um par de metros e continuou o seu caminho, sem se preocupar com o estado de saúde do cabo, que teve que ser socorrido no hospital de Setúbal.

Passaram 18 anos e eis que a PSP de Oeiras decide rebocar o carro da filha de Ezequiel, que estava estacionado numa passadeira para peões.

Irado, Ezequiel – agora adjunto do presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais – foi í  esquadra da PSP e, palavra puxa palavra, agrediu um agente com um pontapé, um empurrão e uma dentada!

Quer dizer, quando era do PCP, um  partido organizado e com uma longa história, Ezequiel agrediu a autoridade com um veículo automóvel.

Agora, que não passa de adjunto de um presidente que nenhum partido quer como candidato, tem que agredir a autoridade í  dentada!

“Precious”, de Lee Daniels

—Não bastava í  pobre da Precious ser negra e gorda. Tinha que ser, também, muito feia, mal encarada, analfabeta, pobre e – cereja no topo do bolo – maltratada pela mãe e violada pelo pai.

Sinceramente, não me senti tocado pela personagem; nem incomodado, nem revoltado, nem solidário, nem nada.

Precious não tem substância e por mais verdadeira que possa ser a história, a mim não me convenceu.

A mãe de Precious tem os defeitos todos, o pai só aparece para violar a filha, a professora boazinha que ensina Precious a ler é lésbica, a primeira filha de Precious é mongolóide. Para evitar transformar isto tudo num grande dramalhão, o realizador tentou fazer um filme despojado, para parecer mais verdadeiro.

Comigo não pegou.

Por razões que não compreendo, Mo’Nique, que interpreta o papel de Precious, ganhou o óscar para melhor actriz secundária (quem será a actriz principal neste filme, em que Precious ocupa todo o écran?)

Cooperação estratégica, uma ova!

—

Nunca passou pela cabeça de Cavaco dissolver a Assembleia. E Passos Coelho sabia disso, embora tenha feito de conta.

Para Cavaco, dá muito mais jeito que Sócrates continue como primeiro-ministro. Assim, ele tem sempre oportunidade de dar uns bitaites, de fazer umas acusações veladas, de se mostrar como verdadeiro salvador da Pátria. Se o primeiro-ministro fosse do PSD, Cavaco não poderia criticar, ficava-lhe mal.

Acrescente-se o facto de Sócrates não gostar muito (ou nada) de Alegre e temos o menu completo.

Será que sobrevivemos a mais 5 anos de Cavaco?