“New York, I Love You”

—E no dia em que se assinalam 9 anos sobre a destruição das Twin Towers, nada melhor que este pequeno filme para homenagear essa cidade fantástica.

New York, I Love You” é um conjunto de pequenas histórias, umas melhores que outras, passadas em Nova Iorque, com gente de Nova Iorque. Os realizadores são 11, todos desconhecidos para mim e a lista de actores é interminável, incluindo Julie Christie, que protagoniza a história mais “europeia”, John Hurt, James Caan, Andy Garcia, Eli Wallach, Natalie Portman, e muitos outros.

Apesar da tagline dizer “a cada momento começa uma nova história de amor”, e apesar das histórias serem todas histórias de amor, nenhuma é piegas.

Duas histórias sobressaem: a da jovem de cadeira de rodas, a quem o pai (James Caan) arranja um par para o baile de finalistas e a do engatatão de esquina e a sua tentativa de conquistar mais uma mulher. Ambas as histórias têm um final surpreendente.

Vale a pena ver.

Jesus sem maioria absoluta

No ano passado, Jorge Jesus tinha a maioria absoluta. Todos se renderam ao futebol do Benfica, foram apanhados desprevenidos, baixaram a crista e deixaram a coisa andar. O futebol praticado era bonito – todos o diziam -, a equipa marcou mais de 100 golos, viva o Benfica, deixa lá os gajos serem campeões, disseram os tipo que mandam nisto…

Mas este ano…

Este ano, Jesus não tem maioria absoluta e tem que enfrentar diversas forças de bloqueio.

Ontem, foi o Olegarinho, o famoso árbitro que não viu Baía tirar uma bola de dentro da baliza, chutada por Petit. Desta vez também não viu dois penaltis contra o Guimarães e viu  dois fora-de-jogo que não existiram.

Não faz mal.

Damos 9 pontos de avanço!

E ainda vai dar mais gozo que no ano passado!

Génova não dorme!

Quatro milhões por aquela abécula?!

Nós pagámos quatro milhões ao Braga por aquele guarda-frangos que leva quatro do Chipre?!

Um milhão por cada frango?!

E mais um frango inacreditável frente í  Noruega!

Bastou aquele norueguês típico, morenaço e tudo, chamado Carew, dois metros de escandinávia em cima do saloio do Minho e o gajo atrapalha-se, chuta a bola contra o calmeirão, deixa que ele lhe caia em cima e lhe esborrache os tintins e pronto: golo da Noruega.

Depois, foi cerca de uma hora de incompetência dos jogadores e do treinador, aquele tipo com um capachinho na cabeça e com um bigode que já não se usa.

Mas isso, é problema dos portugueses.

Agora nós, cá em Génova, não estamos a dormir e a margem de erro desse frangueiro do Eduardo é de 5 minutos – que é o tempo que a gente leva a colocar-lhe uma bomba no carro…

Alvor lixa Vila Velha de Ródão

Sou do tempo em que havia jornais da manhã e jornais da tarde. De manhã, saía o Comércio do Porto, o Jornal de Notícias, o Diário de Notícias, o República e o Século. í€ tarde, saíam o Diário de Lisboa, A Capital e o Diário Popular.

Isto era no tempo da Outra Senhora, em que havia ardinas (alguém se lembra deles?).

—Tinham um saco de pano a tiracolo, onde transportavam quilos de jornais. E havia pessoas que faziam assinatura de jornais! Os ardinas passavam, cá em baixo, na rua, dobravam o jornal e atiravam-no com destreza, para a varanda do terceiro andar. Nunca falhavam.

E apregoavam os jornais.

Diz-se – que eu nunca ouvi – que chegavam a apregoar, nas ruas da Baixa, “Lisboa, Capital, República, Popular”, só para chatear os salazaristas.

Usando os títulos dos jornais mais vendidos, iam dizendo que Lisboa era a capital de uma República Popular.

Também sou do tempo do Banco Fonsecas e Burnay que, em maio de 1980, resolveu abrir mais três agências: em Alvor, em Lixa e em Vila Velha de Ródão.

Tal como os ardinas faziam com os títulos dos jornais, também o Banco, com os nomes das terras fez com que Alvor lixasse Vila Velha de Ródão…


Mariquices da reentré

O conceito de “reentré política” é algo que me escapa.

Parece que o país pára durante o mês de Agosto, os políticos vão todos para férias, a malta fica a ver os incêndios e, depois, há que marcar o regresso com grandes manifestações.

Eu, quando regresso ao trabalho, depois das férias, só quero é passar despercebido.

Mas os políticos, não!

O PCP é o único que inventou uma coisa para camuflar a reentré, dando-lhe uma aura de seriedade – é a Festa do Avante.

Na Festa (não há outra como esta…), o secretário-geral do Partido tem direito a dois-discursos-dois, com larga publicidade nos órgãos de comunicação social, e tudo é disfarçado por um programa cultural variado, que inclui ópera e operários, rap e vira do minho, jazz, fado, minis e tremoços, churros e charros í  discrição.

O PSD inventou duas coisas para a reentré: o Pontal e a Universidade de Verão e qualquer uma delas soa a falso, a patético e a coisa para ser transmitida pela televisão.

A festa do Pontal é uma espécie de Avante sem a ideologia, sem as atracções culturais e sem mais nada, a não ser as minis e as bifanas.

A Universidade do Verão é uma patetice ao nível das reuniões de tupperware, ou de lingerie para donas de casa, ou, neste caso, para laranjinhas-que-querem-um-dia-ser-políticos-profissionais-como-o-santana-lopes.

Quanto ao PS de Sócrates, tem arranjado reentrés com produção tipo hollywood. Este ano, começou por Mangualde e continuou em Matosinhos: em primeiro plano, o líder, o adorado líder, cheio de optimismo e confiança; por trás, um coro de jovens com ar saudável e t-shirts verdes (mau gosto!).

Mais modesto, o CDS-PP viveÂ í  custa do Paulinho que, com aquela voz tronitruante tenta esconder o vazio da militância no seu partido: ele é que apresenta propostas, ele é que faz, ele é que acontece, ele é que tem razão, ele nunca fez parte do governo, ele não tem culpa nenhuma desta merda (gritar isto em voz alta e ligeiramente nasalada)!

E acho que ainda há mais reentrés políticas, mas já ninguém dá por elas…

Tudo isto é inventado para os media, como o Valentine’s Day ou o Hallowheen.

E já não há paciência!…

Dos agnóides í  silvastatina

Quase todos os dias oiço algo do género, mas já nem ligo.

Por vezes, tomo nota e quando já tenho um número razoável de exemplos, vale a pena escrever um pequeno texto.

Porque não é todos os dias que nos pedem para fazermos um raio xis aos agnóides (1) porque a criança ressona muito. Será que ele sofre de apeneira do sono (2)? Pior seria se tivesse o azar de ter nascido com um lábio de Turim (3). Agora, quanto a infecções virais, todos os miúdos estão sujeitos a uma ou outra, mas pouco terão uma menocleose (4).

No que respeita a nomes de medicamentos, estamos conversados. São difíceis. E agora, que os genéricos estão na moda, ainda é pior. Fácil é dizer que se toma, por exemplo, Renidur; mais complicado articular maleato de enalapril com hidroclorotiazida, que é o genérico do dito.

É por isso que o medicamento para o colesterol mais usado, que é a sinvastatina, pode ser chamado de substantiva ou de silvastatina (que deve servir para tratar apenas os silvas; os lopes deverão tomar, certamente, a lopestatina).

Depois, de 6 em 6 meses, fazem-se anális ao constrol (5).

Se ele baixar, pode ser que se melhore desta picardia, também conhecida como ritmia espaçosa (6).

(1) adenóides
(2) apneia do sono
(3) lábio leporino
(4) mononucleose
(5) análises ao colesterol
(6) arritmia

Castelos em “Já Lá estive”

A primeira vez que estive em Los Angeles, fui dar um passeio até Venice e outras praias. O motorista, de nacionalidade brasileira, foi fazendo comentários durante o percurso e a páginas tantas perguntou se em Portugal tínhamos castelos.

Claro que temos, respondemos. Muitos castelos!

É que ali em cima, continuou o motorista, fica o castelo da família Hearst e apontou para uma espécie de palácio, mandado construir pelo multimilionário William Randolph Hearst.

Está-se mesmo a ver que o velho Hearst nunca veio a Portugal. Se tivesse vindo, teria aprendido a construir castelos como deve ser e não aquela piroseira.

Portugal terá cerca de 200 castelos medievais e eu gosto muito de castelos.

No passado fim de semana fui visitar mais uns quantos: Juromenha, Terena, Alandroal, Borba e Vila Viçosa.

Em “Já Lá estive“, que faz agora um ano, com 178 posts, há pequenas notas sobre estes castelos e ainda sobre os de Abrantes, Celorico da Beira, Pinhel, Belmonte, Sabugal, Sortelha, Castelo Rodrigo, Linhares da Beira, Marialva, Trancoso, Castelo Novo e Arouce.

E muitos outros hão-de vir.

O polvo e a nuvem

A entrevista de Carlos Queiroz í  SIC, ontem, teve momentos de fino recorte literário.

Queiroz disse que está a ser atacado por um polvo ou uma nuvem, o que constitui uma imagem literária digna de outro Queiroz.

Aliás, a nossa selecção, no que respeita a treinadores, passou de um com nome de mestre escola (Scolari), para este, com nome de escritor (Queiroz) e, agora, provisoriamente, para um que tem nome de agência funerária (Funerária Agostinho Oliveira, enterra a selecção inteira).

VoltandoÂ í  entrevista: o polvo de que Queiroz fala, afinal, não tem nada a ver com a Mafia. Todos nós, quando usamos o termo “polvo”, em sentido figurado, usamo-lo, sempre, relacionado com essa organização italiana com fins lucrativos.

Queiroz, não. Para Queiroz, polvo é sinónimo de nuvem e, no sentido figurado dele, é qualquer coisa que caiu em cima dele, assim que ele chegou de férias.

Ele até disse, especificamente: “quando cheguei de férias, o mundo caiu em cima de mim!”

Exagero, claro.

Queiroz não é assim tão importante, para que o mundo se dê ao trabalho de cair em cima dele.

E se, de facto, o mundo caísse mesmo em cima de Queiroz, ficávamos com o problema resolvido.

Até porque Queiroz disse ao Expresso que da selecção só sairia morto.