Cavaco em calções

Fiquei a saber, pelo DN, que Cavaco Silva só usa calções Vilebrequin.

Penso que esta informação é de vital importância para o futuro da democracia portuguesa.

Os Vilebrequin são calções que ficam na história por encobrirem as partes pudendas de muitos políticos portugueses, de Manuel Pinho a Marcelo Rebelo de Sousa, passando pelo inevitável Santana Lopes.

Vantagens?

Muitas.

Secam rapidamente. O Presidente pode ir dar um mergulho que, 10 minutos depois, já tem o rabiosque seco.

E, por dentro, há uma excelente cueca de algodão, que aconchega os testículos presidenciais, de modo a evitar impingens e irritações desnecessárias (bem basta as provocadas pela cooperação estratégica).

Mas espanta-me que Cavaco, que exortou os portugueses a passarem férias cá dentro, pague 160 euros por uns calções franceses, em vez de comprar umas truces de fabrico português.

Ajudava a economia nacional e ficava muito mais apessoado.

Força Xico!

Está confirmado: Francisco Lopes é o candidato do PCP í  Presidência da República.

O “nosso Xico”, como é conhecido entre os camaradas, é electricista e está pronto para mudar os fusíveis em Belém.

Força, camarada Xico!

As eleições estão no papo!

PS – acho que nem valia a pena realizarem as eleições; dava-se a presidência ao Xico e estava o assunto arrumado!

Robertos e fantoches

Quando era miúdo, era frequente, nas praias da Costa da Caparica, assistir a espectáculos de fantoches, a que a malta chamava robertos, não faço ideia porquê (ver PS).

Vinham dois homens com uma espécie de biombo de pano branco; montavam aquilo no meio do areal e um dos homens ia lá para dentro, enquanto o outro ficava cá fora, a anunciar o espectáculo.

Primeiro, havia um diálogo entre o primeiro roberto e o homem cá de fora; depois esse roberto ia-se embora e vinha outro, que era o totó.

Depois, o primeiro roberto reaparecia e dava uma sova no outro, com um pau, que fazia um ruído característico de cada vez que batia na tola do roberto totó.

O Benfica tem, agora, na baliza, um Roberto totó…

PS - Depois de breve pesquisa no Google, descobri a origem do termo “roberto ( “A prevalência deste nome está, por ventura, ligado a uma comédia de cordel com grande repercussão, intitulada “Roberto do Diabo” ou a um conhecido empresário de teatro de fantoches, Roberto Xavier de Matos”)

Três anos sem fumar

Por volta de 15 de Agosto de 2007, se alguém me dissesse que, três anos depois, eu seria anti-fumador militante, responderia “estás maluco!”

Mas é verdade: quando vejo alguém com um cigarro na mão (e vejo todos os dias colegas meus com o cigarro na mão) custa-me a perceber como é possível! Que raio de vício mais idiota, pegar num cilindro de tabaco envolto em papel e absorver fumo que, depois, invade os pulmões e tem que sair pela boca e pelo nariz! Como foi possível que, durante 39 anos, eu alinhasse nesse vício tão patético?

Ainda mais revoltado estou, neste 3º aniversário, porque um dos meus doentes que eu mais admiro, por razões que não vou explicitar para preservar a sua privacidade, está a morrer com um cancro do pulmão, com metástases hepáticas e supra-renais e outras, ele que foi um grande fumador, durante mais de 50 anos…

Comecei a fumar, como muita gente da minha geração, com cigarros comprados avulso numa drogaria da Avenida de Madrid, nas traseiras do Liceu Camões, secção do Areeiro. Não tinha antecedentes familiares relevantes. Fumar era importante, para afirmação pessoal e porque não fazia mal í  saúde. Alguém se lembra que os apresentadores dos telejornais liam as notícias com o cigarro na mão? (hoje em dia, são as bebedeiras que têm a vénia da comunicação social; ainda hoje vi, no telejornal da sic, uma jovem açoriana dizer que o Festival da ilha de Sta. Maria é óptimo porque, depois de uma noite de diversão, vão para a praia, de manhã, “curar a ressaca” (sic) e tudo isto é dito a rir e com o beneplácito da jornalista, que deve achar que é muito normal que a malta jovem se embebede todas as noites…)

Aí por volta do dia 18 de Agosto de 2007, comecei a tomar o Champix, só para ser solidário com a Mila, e sem “fé” nenhuma no êxito. Depois, o cigarro começou a enjoar-me e, três dias depois, não fumei mais cigarro nenhum. Até hoje!

Nos primeiros meses, ainda tive algumas saudades e até sonhei com cigarros.

Agora, três anos volvidos, posso afirmar: é possível deixar de fumar, mesmo 39 anos depois, e vale a pena!

A qualidade de vida é incomparável mas, acima de tudo, é a liberdade, porque um fumador é, de facto, um escravo do cigarro!

PS – alguns dos meus posts mais comentados têm a ver com o “deixar de fumar”; O Coiso nunca teve uma filosofia de “espaço de discussão” e, sinceramente, não é isso que me interessa na net mas, no caso do “vício de fumar”, não me importo de dar conselhos. Querem deixar de fumar? Perguntem-me como!

Farto!

Por vezes estou farto das unhas dos pés pintadas de vermelho com porcaria no sabugo, das unhas sujas dos bebés de colo, da porcaria acumulada nos umbigos e entre os dedos dos pés, das manchas de sujidade nas regiões mais inacessíveis das costas, das crostas de caspa nos ombros, dos cabelos oleosos, escorridos, mal oxigenados, com as raízes í  mostra, das orelhas sujas, dos olhos ramelosos, do cheiro a sovaco não lavado, do odor a corpo e a cama e a suor retoiçado, dos restos de comida nas gengivas e nos escombros dos dentes podres, dos traços escuros nas dobras dos cotovelos e dos joelhos, dos calcanhares encardidos a arrastar chinelas de meter o dedo, das banhas pendendo sobre o púbis.

Outras vezes, encolho os ombros e ando em frente.

O ciclo das hóstias

—Portanto, é assim:

Os emigrantes comem, fazem a digestão e evacuam. Os dejectos vão para a natureza e, de um modo ou de outro, acabam por adubar a terra, fertilizando-a e ajudando o trigo a nascer e crescer.

Depois, o trigo é colhido, metido em sacos e transportado pelos emigrantes para Fátima.

Lá, nesse lugar mágico, os eclesiásticos transformam o trigo em hóstias.

Mais tarde, nas peregrinações periódicas, os mesmos eclesiásticos enfiam as hóstias nas bocas dos emigrantes.

E o ciclo recomeça.

Asneiras vermelhas

Tiago – estava triste…

Avó – porquê?

Tiago – fiz asneiras ao pai…

Avó – asneiras? Que asneiras fizeste, Tiago?

T – asneiras vermelhas…

A – asneiras vermelhas? Fizeste asneiras vermelhas ao pai?

T – é…

V – e as asneiras que fazes í  mamã?

T – são azuis…

Bela – então e as asneiras que fazes í  tia são de que cor?

T (já com sorriso malandro) – laranja…

V – e as asneiras que fazes í  avó?

T – são azuis escuras…

V – e as que fazes ao aví´?

T – são verdes…

Espectacular, este conceito de dar cor í s asneiras, conforme o membro da família envolvido. Boa, Tiago!

Especialistas

Tez morena, cabelo puxado para trás, ar de tipo vivido, camisola de alças, braços outrora musculados, com alguma gordura pendente, a descair a tatuagem de amor de mãe.

Olha para a repórter da televisão com olhos de carneiro mal-morto, se não estivesse aqui a câmara comia-te toda, e diz que já é o terceiro ano consecutivo que há incêndios neste sítio, no Gerês, e não se aprendeu nada. Se os bombeiros tivessem vindo quando eu os chamei e se tivessem começado logo a fazer o que estão a fazer agora, a coisa não tinha ficado tão complicada…

É um especialista em combate a incêndios.

Somos um país de especialistas.

Treinadores de bancada, economistas de vão de escada, doutores da mula ruça, juristas de trazer por casa, medinas carreiras da treta, filomenas mónicas armadas ao pingarelho, nunos rogeiros de pacotilha.

Nos fóruns da tsf e da sic notícias, é ouvi-los, bom dia sr. manuel acácio, a arrotar postas de pescada e a botar opinião sobre tudo, desde a crise económica até í  reflorestação da Peneda-Gerês, desde o plantel do Benfica í  falta de condições das clínicas oftalmológicas.

Não há portuga que não mande umas bocas sobre qualquer coisa e certamente que nenhum de nós conhece um que diga que não gosta de trabalhar, outro que afirme que mete baixas fraudulentas, outro ainda que afirme fugir deliberadamente aos impostos.

São sempre Os Outros e a culpa é sempre Deles.

Somos todos muito honestos, muito competentes, muito organizados, muito esclarecidos, menos os treinadores, no futebol, os dirigentes, na política, os bombeiros, nos incêndios.

Nas reportagens televisivas, vemos mulheres vestidas com batas (porque será que todas as portuguesas que aparecem nas reportagens usam bata?) correndo de um lado para o outro, de mãos na cabeça, enquanto as chamas lavram a escassos metros das habitações lá da aldeia.

E não vemos homens. Eles estão afastados, encostados aos muros, a dar entrevistas, a explicar como é que devia ser a estratégia dos bombeiros. Eles que deviam ter limpo a caruma e as garrafas de minis que deitam para o chão, eles que atiram beatas incandescentes pela janela do carro – eles são os especialistas no combate aos incêndios.

E estamos condenados a respirar o mesmo ar…

Dexter – 2ª e 3ª temporadas

—Michael C. Hall faz um Dexter perfeito.

As 2ª e 3ª temporadas desenvolvem a personagem do psicopata controlado que consegue viver em sociedade, satisfazendo a sua necessidade de matar eliminando assassinos que a justiça não consegue condenar.

Depois de ter morto o irmão, no final da 1ª temporada, Dexter vê-se obrigado a matar o seu único amigo, no final da 3ª temporada e casa-se, o que vai ser óptimo como disfarce. Quem vai desconfiar do técnico forense casado e com um filho a caminho?

Entretanto, Michael C. Hall adoeceu com um linfoma mas, felizmente, parece estar a recuperar e há-de conseguir fazer a 4ª temporada desta que eu considero uma das melhores séries ainda no ar.