Nunca tinha lido nada deste beste-seller norte-americano, sobretudo conhecido pelo seu romance “…Psicopata Americano” e confesso que fiquei cansado, depois destas 621 páginas de letra pequenina.
Numa introdução, Ellis faz-nos crer que vai contar acontecimentos que viveu aos 17 anos, quando era finalista de Buckley, um liceu na área de Los Angeles. Esses acontecimentos são marcados pela existência de um serial killer que, em 1980-81, foi responsável por alguns crimes horrendos. Claro que a memória de Ellis é prodigiosa, uma vez que se recorda das músicas que estavam a tocar em determinados locais, da roupa que ele e os colegas do liceu usavam em determinados dias, da decoração das diversas casas onde decorriam as festas. A certa altura, parecia estar a ler um dos livros de Knausgard, aquilo a que chamam autoficção.
o jovem Ellis e os seus colegas movimentam-se num ambiente de gente rica; todos conduzem grandes máquinas, saltitam de festas em festa, têm pais que lhes dão toda a liberdade, a maior parte deles divorciados, vivem em grandes mansões com piscina e todos se drogam, sobretudo com coca, erva, Valium e Qualuudes.
Ellis é homossexual e tem relações com um colega e não só, mas esconde esse facto e, oficialmente, tem uma namorada.
As descrições dos grandes carros e dos seus percursos, chega a ser enfadonha:
“…A seguir endireitei-me e liguei o carro e segui o Porsche para Valley Vista. Nessa tarde se gunda-feira o Robert virou í esquerda para Beverly Glen, em lugar de continuar por Valley Vista até í 405, o que significava que ia passar pela casa em Benedict Canyon. (…)
Esperei que passasse outro carro e segui o Robert até ele parar no semáforo em Sunset Boulevard e virar em direcção a Beverly Hills, onde Benedict Canyon entrava em North Canon Drive, e percebi que ele ia passar pela casa da Susan Reynolds…”
Quanto í s roupas e acessórios, o autor faz questão de nos descrever tudo ao pormenor, incluindo as marcas.
“…Ele tomara banho e tinha o cabelo penteado para trás e vestia calças de ganga e uma Lacoste azul a combinar com os olhos e um casaco Members Only, e sorriu-me de novo enquanto entrávamos no átrio…”
Mas Ellis também descreve, em pormenor, alguns encontros amorosos, de um modo muito gráfico:
“…… o filme era bom, mas não achei nenhum dos rapazes britânicos atraentes, apesar de serem jovens atletas universitários, porque, suponho, estar ali sentado tão perto do Ryan me distraía, e estava muito consciente de todos os meus movimentos. Queria tocar-lhe, passar os dedos pelo fecho das calças dele, puxar-lhe o caralho para fora e masturbá-lo, só para poder ver a cara dele durante o orgasmo e cheirar-lhe o sémen, e fiquei instantaneamente teso ao pensar nisso.”
Em resumo, a história que Bret Easton Ellis conta podia ser resumida em metade das páginas, mas penso que o autor quis mesmo que o livro fosse assim, cheio de descrições de roupas, e de festas, e de drogas e de orgias, para dar a chamada cor local dos anos 80 na Los Angeles dos muito ricos.
Ficámos a saber ““ aparentemente, com alguma estupefação ““ que o líder do PSD, Luís Montenegro, se recusa a participar nos debates pré-eleitorais com o líder da CDU, Paulo Raimundo e com o líder do Livre, Rui Tavares. No seu lugar, indicou o nome do desconhecido Nuno Melo, que parece que é o líder de uma agremiação chamada CDS, uma sigla que talvez signifique Centro Democrático Social, mas não há a certeza.
As televisões, em uníssono, disseram que não era possível essa alteração, que o acordo tinha sido que os debates decorreriam entre os líderes dos partidos e/ou coligações com assento parlamentar.
Ripostou o PSD que, em 2015, também Jerónimo de Sousa, então líder da CDU, tinha sido substituído por Heloísa Apolónia, líder de Os Verdes, para debater com Paulo Portas, da coligação Prá Frente Portugal, no lugar de Passos Coelho.
O problema é que qualquer destes quatro políticos faziam parte de partidos com assento no Parlamente, ao passo que o tal Melo, ninguém sabe quem é, muito menos o dito CDS.
Enfim, perante a recusa do Montenegro, há quem diga que ele tem medo de debater com o Tavares e o Raimundo ““ e, no fundo, têm razão.
O que, de facto, acontece é que Montenegro é um perigoso esquerdista encapotado, uma espécie de agente secreto da esquerda radical que milita num partido de direita para o minar por dentro. Se Montenegro for eleito e se se tornar primeiro-ministro de Portugal, a primeira coisa que ele vai fazer é uma aliança política-económica com Cuba.
É por isso que ele teme confrontar-se com Tavares e Raimundo: teme ser descoberto, receia que, durante o debate, se descubra que, afinal, ele é um trotskista dos sete costados.
E isto não é especulação; foi uma fonte de Belém que me assegurou ser verdade.
Depois de ouvir as propostas dos partidos políticos para as próximas eleições, decidi fazer um resumo, tentando juntar uma proposta daqui com outra dali.
Assim temos:
– Um médico de família para cada português; para os portugueses doentes, dois médicos de família para cada um;
– Acabar com os tempos de espera nos hospitais; passam a ser os hospitais que ficam í espera dos doentes;
– Uma casa para viver e outra para passar férias; toda a gente tem o direito a passar férias numa casa;
– Rendas de bilros acessíveis para todos;
– Retirar o suplemento í Judiciária, de modo a que fique nivelada com as outras polícias;
– Descongelar os anos aos professores; desse modo ficarão mais velhos e poderão reformar-se já;
– Aumentar todas as pensões e baixar todos os hotéis;
– Diminuir IRS, IVA e IMI; passam todos a ser escritos com letra minúscula (irs, iva e imi);
Assim de repente, é o que me lembro. Se tiver mais ideias, depois digo.
O Correio da Manhã é um manancial de curiosidades.
Ficamos a saber, por exemplo, que uma mulher pode ser identificada pela polícia na Brandoa pelo simples facto de morder no marido. O pobre do homem foi “…transportado ao Hospital Amadora-Sintra com vários ferimentos no corpo” e tudo porque aconteceu um “…desentendimento doméstico”.
Pelo contrário, “…um homem de 55 anos foi detido pela GNR por agredir a ex-companheira e ter em sua posse uma faca em Tomar”. Se fosse na Brandoa, talvez se safasse…
Já em Oliveira de Azeméis, “…um homem de 34 anos foi preso pela PJ por obrigar a companheira a vender o corpo em casa”. Se o tivesse vendido na rua ou num jardim, talvez se safasse… Ou, se não tivesse sido tão garganeiro e, em vez de vender o corpo da mulher, tivesse vendido só partes, um braço ou uma perna, talvez a pena fosse mais leve.
Finalmente, no que í droga diz respeita, dois conselhos do Correio da Manhã:
Segundo a notícia, “…um jovem de 19 anos foi detido pela GNR de Barcelos na posse de 25 doses de haxixe. Foi parado numa operação de trânsito e mostrou-se «nervoso»”.
Primeiro conselho: nada de nervos quando se transporta droga. Se se mantiver a calma, nada acontece, a bófia não chateia.
Segundo outra notícia: “…um homem de 57 anos foi detido no concelho da Guarda por cultivar canábis num campo agrícola”
Segundo conselho: se quiser cultivar canábis, escolha a varanda, por exemplo.
Participações em negócio e negócios em participações.
Um parágrafo de um comunicado da PGR lixou o Costa, mas o Vice-Rei da Madeira está acima disso tudo. Com aquele ar de Frankenstein de risco ao meio, franze as sobrancelhas e diz que até calha bem ser arguido; desse modo, poderá explicar tudo quando for ouvido… daqui a uns meses.
Quanto a Montenegro, mantém aquele sorriso espúrio, conseguindo dizer uma coisa e o seu contrário, praticamente na mesma comunicação.
E o Ventura esfrega as mãos. Corrupção por todos os lados, menos por um, chamado Chega que, no entanto, alberga tipos que, vivendo em Coimbra, receberam subsídios de deslocação por terem casa em Luanda.
Kawakami nasceu em Osaka (1976) e é conhecida como cantora, escritora e autora de um blog, aparentemente com muito sucesso.
O livro “…Seios e í“vulos” parece ter agitado muito aa águas editoriais japonesas, que devem ser dominadas por homens, aparentemente como toda a sociedade. Murakami, outro autor japonês com muito sucesso, diz que “…nunca poderei esquecer a sensação de puro deslumbramento que senti quando li pela primeira vez (este livro)”.
É a opinião dele, claro.
Este calhamaço de quase 500 páginas está dividido em dois livros.
No Livro Um, a narradora, Natsuko, recebe na sua casa de Tóquio a irmã, Makiko e a filha desta, adolescente Midoriko. Natsuko está a tentar tornar-se escritora. Makiko é anfitriã num bar manhoso em Osaka, onde todas viviam inicialmente. Midoriko está zangada com a mãe e não lhe fala e responde í s suas perguntas escrevendo num caderno. As duas irmãs vêem televisão e bebem cerveja até cair para o lado. Makiko quer operar as mamas, está obcecada com isso. As duas irmãs viveram com a mãe e com a avó, que já faleceram. O pai era um calão alcoólico, que abandonou o lar.
No Livro Dois, Natsuko já publicou um livro, que teve um sucesso relativo, mas está encalhada na escrita do segundo romance, mas, a partir de certa altura, nunca mais se fala nisso porque a sua obsessão é ter um filho a apetir de um dador mais ou menos anónimo. Em tempos, teve uma relação com um homem, mas nunca gostou de ter relações sexuais; doía-lhe e não tinha prazer. Nunca mais quer experimentar ““ daí, ter de recorrer a um dador para ter um filho. Pelos vistos, no Japão, é possível conhecer um dador num qualquer blogue, encontrar-se com ele num café e ficar com o seu esperma, que ele vai obter na casa de banho do café ““ ou é assim, ou há algum lost in translation…
Também neste segundo livro, os homens estão praticamente ausentes e as mulheres embebedam-se com frequência.
Na página 363, Rika, uma amiga de Natsuko, diz:
“…Quer dizer, um homem nunca pode perceber o que realmente importa para uma mulher. nunca. Quando se diz este tipo de coisas, as pessoas dizem logo que somos tacanhas ou que nunca conhecemos o verdadeiro amor ou qualquer coisa desse género. Dizem que não se podem enfiar todos os homens no mesmo saco assim, mas, infelizmente, é a verdade. Nenhum homem alguma vez compreenderá as coisas que são realmente importantes para uma mulher.
(…)
Estão num pedestal a partir do momento em que nascem. Só que não percebem isso. Sempre que precisam de alguma coisa, as mães vêm a correr. São ensinados a acreditar que os seus pénis os tornam superiores e que as mulheres só existem para eles as usarem como bem entenderem. Depois, saem para o mundo, onde tudo se centra neles e nas suas pilas. E são as mulheres que têm de arranjar forma de as coisas funcionarem. Afinal, de onde vem esta dor que os homens sentem? Na opinião deles: vem de nós. A culpa é toda nossa… por serem impopulares, estarem falidos, desempregados. Seja o que for, culpam as mulheres por todos os seus fracassos, por todos os seus problemas. Agora pensa nas mulheres. Independentemente da forma como vires as coisas, quem é realmente responsável pela maior parte da dor que as mulheres sentem? Se pensarmos nisso dessa forma, como é que um homem e uma mulher se podem entender? É estruturalmente impossível”
E esta não é apenas a opinião desta amiga na narradora ““ é o tom geral do livro. Há dois mundos totalmente separados: o dos homens e o das mulheres e é impossível, aparentemente, haver ligação entre eles.
Para além desta dicotomia, o livro relata alguns fenómenos que desconhecia existirem na sociedade japonesa, propagandeada como tão certinha e direitinha: os sem-abrigo, os bares das anfitriãs em todas as ruas, os banhos comunitários, etc.
Um livro curioso, proveniente de uma sociedade que talvez venha a conhecer melhor em breve.