Toma lá com um grande disco!
Nunca fui um grande fã de Peter Gabriel – nem quando o tipo era o líder dos Genesis, nem depois, na sua carreira a solo.
Enfim, apreciava a sua voz característica, a sua vontade em credibilizar o rock como música a merecer respeito, esforçando-se por lhe dar um “ar” de erudição, através dos Genesis, ou de cometimento político, com a carreira a solo.
De qualquer modo, Gabriel parece não estar nisto só pelo dinheiro…
Este disco é surpreendente e aplaudo com ambas as mãos.
Gabriel junta-se a uma London Scratcher Orchestra, liderada por uma tal Louisa Fuller e conduzida por um tipo chamado Ben Foster e reinventa, de modo irrepreensível, “Heroes”, de David Bowie, “The Boy in the Bubble”, de Paul Simon, “Listening Wind”, dos Talking Heads (uma das melhores), “The Power of the Heart”, de Lou Reed, “Philadelphia”, de Neil Young, “Street Spirit (Fade Out)”, dos Radiohead, “Waterloo Sunset”, dos Kinks.
E, ainda, adaptações de coisas que eu não conhecia e que não me apetece conhecer porque, assim estão muito bem: “Flume”, de Bon Iver, “Mirrorball”, de Elbow, “I Think It’s Going To Rain Today”, de Randy Newman e, as três melhores: “My Body Is Cage”, dos Arcade Fire, “The Book Of Love”, dos Magnetic Fields, e “Aprés Moi”, de Regina Spector.
Gabriel pode ter descoberto uma mina: a pop-rock tem centenas (milhares?) de músicas que podem e devem ser recriadas por quem tem a paciência, o tempo e a sabedoria para lhes conferir o classicismo que elas merecem.