“Zack and Miri Make a Porno”, de Kevin Smith

—Quem sabe inspirado no britânico “The Full Monty“, em que seis trabalhadores desempregados resolvem montar um espectáculo de strip-tease para angariar fundos, o argumento desta comédia conta-nos a história de Mark e Miri, que se conhecem desde a escola primária e partilham a mesma casa, embora nunca tenham partilhado a mesma cama.

Sem dinheiro, com a água a luz cortadas, decidem fazer um filme porno para tentar arranjar umas massas.

Esta ideia tão disparatada podia dar origem a um filme completamente idiota, do género das comédias para adolescentes tão ao gosto de alguns norte-americanos.

Mas não. O filme vê-se bem, o tipo que faz de Mark (Seth Rogen) tem graça, as situações são divertidas, sem serem demasiado escatológicas (excepto uma, enfim…) e até se conseguem alguns sorrisos.

Claro que não perderia uma tarde no cinema por causa disto, mas tolera-se.

(Participação especial de Traci Lords – quem se lembra dela?)

“Inglourious Basterds”

—Tarantino está em forma!

Estava um pouco desiludido com ele. Depois do inolvidável “Reservoir Dogs” e do inultrapassável “Pulp Fiction”, o díptico “Kill Bill” não me entusiasmou. As artes marciais não são o meu forte…

Em contrapartida, este “Inglouriou Basterds” é um entretenimento cinco estrelas, contendo todos os tiques geniais de Tarantino: os longos diálogos aparentemente sem sentido, a divisão da narrativa em capítulos, a banda sonora muito especial.

A primeira cena do filme dá logo o tom: Christoph Waltz, que faz um espantoso Coronel Hans Landa, conversa com um produtor de leite francês, í  mesa da sua modesta casa, sabendo que, por baixo, se esconde uma família de judeus. Lá fora, estão alguns soldados alemães, que aguardam a ordem do coronel para chacinarem os judeus, e as três jovens filhas do agricultor, virginais e cândidas. Não lhes acontece nada, mas Tarantino cria o ambiente de tal modo que nós estamos sempreÂ í  espera da maior desgraça.

Brad Pitt faz o papel do sargento Aldo Raine que, com o seu bando de “basterds” (fazendo lembrar “Dirty Dozen”), se entretém a matar nazis e a tirar-lhe os escalpes. Algumas cenas são citações dos westerns de Sérgio Leone, incluindo a banda sonora, a fazer lembrar “The Good, the Bad and the Ugly”.

Na cena final, ou quase, Hitler é metralhado, juntamente com todo o seu Estado-maior, o que fez com que a guerra tenha acabado naquele dia. O facto disso nunca ter acontecido não tem a menor importância.

Destaque para a figura criada por Brad Pitt mas, sobretudo, para a interpretação de Christoph Waltz. O tipo consegue que odiemos o coronel Landa e aprovemos a sua sanguinária morte.

(Eu sei que ele não morre no fim do filme – mas aprovamos, ou não, a sua sanguinária morte?)

Cardozo atrasa-se!…

Ontem, o Cardozo não conseguiu marcar nenhum dos 4 golos com que o Benfica brindou o Leixões…

Em compensação, o Di Maria marcou 3 – o que corresponde a metade de todos os golos que o Liedson marcou em todo o campeonato…

Mas o Cardozo preocupa-me: continua com 17 golos e o Sporting já vai com 20!

Mad Men – 1ª temporada

—Mad Men pode ter duplo sentido: homens loucos e homens de Madison Avenue.

Loucos, nem por isso. Não há sequer um alcoólico, para amostra, nem tampouco um cocainómano e, apesar do protagonista, Draper, ter duas namoradas, para além da esposa, também não há nenhum mulherengo.

Quanto í  Madison Avenue, lá está, em Nova Iorque – e só tenho pena de não ir lá há 8 anos. E a série nem para isso serve, isto é, não me mata as saudades de Nova Iorque, porque, embora a acção se passe, pretensamente, na Madison Avenue, raramente (ou nunca), vemos uma cena no exterior.

Apesar do aplauso unânime da crítica, esta série televisiva não conseguiu agarrar-me. Concordo que a reconstituição da época, do final dos anos 50 e princípio dos anos 60, é quase perfeita, mas a trama da série é muito superficial e não fiquei com vontade de ver a 2ª temporada.

“I´m New Here”, de Gil Scott-Heron

—Confesso que nunca tinha ouvido falar deste tipo – o que não é de espantar, já que ele próprio decidiu intitular este seu novo disco, desta maneira.

Gil Scott-Heron não é propriamente novo, nem aqui, nem em qualquer lado. Com 60 anos, tem já uma carreira longa, embora não com muitos discos. Há 16 anos que não editava qualquer disco.

Segundo dizem, Scott-Heron é um dos precursores do rap, embora, nos anos 90, tenha criticado os rapers, pela influência negativa que tiveram sobre a juventude. De facto, ele começou por publicar poesia e só depois ligou a música í  poesia.

Este “I’m New Here” tem alguma coisa de rap, embora seja mais declamação com música de fundo, alguma coisa de r&b e hip-hop. Embora não seja propriamente a minha cena, gostei de ouvir “Me and The Devil”, “Your Soul and Mine” ou “New York Is Killing Me”.

Confesso, também, que só í  terceira audição, consegui entrar no espírito do disco e acabei por ficar com pena que só tenha 28 minutos.

Quecas abençoadas (1)

“Heterossexual, espanhol, ao serviço da tua felicidade. Para mulheres ou casais, bem dotado (15 cm), sou aberto a tudo menos ao sadomasoquismo, não lamentarão, dar-vos-ei prazer como nunca.”(2)

Era este o texto do anúncio que Samuel Martin, padre de duas paróquias de Toledo, fez publicar em sites da especialidade.

Preçário: 50 euros por 15 minutos; 120 por uma hora.

Consta que, antes de se deitar com os clientes e iniciar a chafurdice, o padre aspergia-os com água benta.

No final, todos rezavam, ajoelhados.

Preçário: sexo oral – um padre nosso; sexo clássico – um padre nosso e uma avé maria; sexo anal – três padres nossos e uma salvé raínha; sexo anal, oral, vaginal e tudo o que te vierÂ í  cabeça – missa completa.

Boa Samuel! Deste a volta aos gajos do Vaticano!

É pecado sexo sem ser para procriar? Fornicas com o padre e o acto fica abençoado!

(1) Quecas abençoadas é muito diferente de abençoadas quecas! É como a diferença entre corpo consular e consolar o corpo…

(2) “Bem dotado” com 15 cm?! Ai Samuel, Samuel, não passas de um lingrinhas!…

Viva a República!

Nunca tive dúvidas!

República sim, monarquia não!

Foi na República, jornal, que publiquei os meus primeiros textos.

Foi com a República, jornal, que iniciei a minha aprendizagem política.

E foi na República, restaurante da baixa de Faro, que comi uns divinais filetes de polvo com uma saborosa e perfumada açorda – e eu nunca gostei de açorda!

Aconselho vivamente a experiência!

—

Obrigado, Doug Fieger

—Em 1973 saíram “Dark Side of The Moon”, dos Pink Floyd e “Houses of the Holy”, dos Led Zeppelin.

Depois disso, entreguei-me í  música popular brasileira (Chico, Caetano, Gilberto Gil), í  música portuguesa de intervenção  (Zeca, Zé Mário Branco, Sérgio Godinho, Adriano Correia de Oliveira…) e í  chamada música erudita.

Papei de tudo, da Handel a Xenakis, de Mozart a Bartok, de Beethoven a Eric Satie.

Com o 25 de Abril, a coisa ainda se agravou mais. Era reaccionário gostar de rock’n’roll.

Foi em 1979, a fazer o estágio de Saúde Pública, em Armamar que, sem acesso ao gira-discos, recomecei a ouvir a Rádio Comercial e foi “My Sharona” que me fez voltar a bater o pé no chão, a compasso e, sem que ninguém visse, a abanar a cabeça, ao ritmo frenético dos Knack.

Deixei-me de preconceitos e recomecei a ouvir pop-rock.

O responsável foi Doug Fieger, líder dos Knack.

Morreu no passado domingo, com a minha idade, e um tumor cerebral.

Não conheço mais nenhuma música dos Knack, mas obrigado pela Sharona, pá!

Lost – 5ª temporada

—Já não há pachorra para esta série!

A coisa arrasta-se e, depois dos flash-back e dos flash-forward, agora temos saltos no tempo e vemos os principais paspalhões a saltarem 30 anos para a frente e 30 anos para trás, com a figura patibular do Locke, qual deus dos pequenos argumentistas, como pano de fundo.

Pena que a série não dê também alguns saltos para o lado. Podia ser que invadisse o espaço onde estão a filmar o “24” e o Jack Bauer entrasse por ali adentro e desatasse a partir o pescoço í  malta toda – menos í  Juliet, que deve ter feito um “boob job” nas férias, e í  Kate, que faz tão bem aqueles anúncios a champí´s (ou será depilatórios?).

Enfim, estou a ser mauzinho porque, na realidade, adormeci a meio de quase todos os episódios. No entanto, se me perguntarem, sou capaz de vos fazer um resumo do argumento, o que também não é difícil.

E ainda falta uma 6ª temporada!