“North Country”, de Niki Caro

—Em 1989, as minas do Minnesota foram obrigadas pelo Supremo Tribunal a contratar mulheres e não é que contrataram logo a Charlize Theron?…

“North Country” é um filme baseado numa história verídica. Charlize faz o papel de Josey Aimes, mãe solteira de dois filhos, um de cada pai, e com fama de ser estouvada e danada para a brincadeira.

Assim, quando decide empregar-se nas minas, é alvo de provocações diárias, por parte dos mineiros todos e nem consegue a solidariedade das restantes mulheres, meia-dúzia de mães de família que não querem perder o emprego. A única que a apoia é uma delegada sindical (Frances McDormand), que acaba vítima de esclerose múltipla.

Afinal, acabamos por descobrir que Josey foi violada por um professor e a única testemunha, o seu primeiro namorado, nada fez para a ajudar e é agora um dos mineiros que mais a provoca.

O assunto é sério mas, sinceramente, ver a Charlize vestida de mineira, com capacete e tudo, tira a seriedade í  coisa e faz com que comecemos, também nós, a mandar umas bocas machistas, armados em mineiros do Minnesota.

E a coisa acaba por saber a soap opera…

Enjoado com tanta laranja!

Estou cheio de Congresso do PSD até aqui!

Um gajo liga a televisão, e só dá laranjas! Um tipo olha para as primeiras páginas dos jornais, e é tudo laranja!

Ontem, todos os ex-líderes do PSD quiseram botar faladura no Congresso: Manuela Ferreira Leite (quase ex-líder), Marcelo Rebello de Sousa (que já foi e está sempre para voltar a ser), Santana Lopes (que também já foi e que ficou ressaibiado por deixar de ser), Luis Filipe Menezes (que quase ninguém deu por ter sido) e Marques Mendes (foi, não foi?).

E, claro, os três candidatos a líder – três cães a um osso.

Estou farto de laranjas!

Como diz o povo: laranja, de manhã é ouro, í  tarde é prata – í  noite, mata!

“Memoirs of a Geisha”, de Rob Marshall

—Se em “Love in the time of cholera” temos actores espanhóis, italianos e brasileiros a falar inglês com sotaque colombiano, neste filme a coisa ainda é mais complicada: temos actores chineses, a fazer de conta que são japoneses e a falar inglês com sotaque de Osaka (ou será de Hokaido?).

Tirando este “pequeno” pormenor, “Memoirs of a Geisha” é bonito e quase que faz chorar as pedras da calçada. Conta-nos a história de Sayuri, desde que foi vendida pelo pai, um pobre pescador í  beira de ficar viúvo, até se tornar na mais famosa e aclamada gueixa do Japão e arredores, nos tempos da 2ª Guerra Mundial.

Este percurso que, no filme, dura mais de duas horas, está cheio de ódios, invejas, ciúmes e sentimentos correlativos, vividos entre as gueixas, o que nos deixa um pouco perplexos, já que retrata uma realidade que nos é desconhecida. Será que é (era) exactamente assim – ou esta é a visão dos ocidentais, que dificilmente penetram noutras culturas, nomeadamente na japonesa, sempre tão fechada ao exterior.

Precisão – até no erro!

Ontem í  noite verifiquei que estava sem televisão, sem internet e sem telefone fixo.

É o que dá colocar todos os ovos no mesmo cesto.

Liguei para o Apoio ao Cliente da Zon e atendeu-se um Gonçalo qualquer.

Muito simpático e aparentemente feliz por estar a falar comigo, o Gonçalo Qualquer, depois de indagar o meu número de cliente e de consultar O SISTEMA (sempre com letra grande), informou-me que, de facto, havia uma avaria na minha zona.

Mais me informou que a avaria estava a ser resolvida e que havia uma previsão: estava previsto que o problema fosse resolvido í s 0h32 do dia 11 de março.

Não í s 0h30, não pouco depois da meia-noite, não por volta da meia-noite e meia, não ainda antes da uma da manhã – mas sim, í s 0h32!

Claro que esta manhã, quando acordei, continuava sem televisão, sem internet e sem telefone fixo.

O Gonçalo Qualquer enganou-se – mas com muita precisão!…

“Love in Time of the Cholera”, de Mike Newell

—Não sei por que razão ainda não li este livro do Garcia Marquez , publicado em 1985 – e nem sequer o tenho. Mas a história tem, toda ela, a assinatura do escritor colombiano.

O filme, de 2007, é escorreito e Javier Bardem faz um excelente papel, ao contrário da menina Giovanna Mezzogiorno que, para além de ter um par de maminhas interessantes, poucos mais atributos tem, nomeadamente na área da representação.

A pobre da Giovanna é pouco convincente como Fermina Urbino, sobretudo quando a personagem já tem uma idade mais avançada, e as camadas de pó-de-arroz também não ajudam.

Pelo contrário, Bardem faz um Florentino Ariza que nos convence, um sonhador que, na impossibilidade de ter a sua primeira amada, vai coleccionando mulheres e anotando essas experiências com minúcia, ultrapassando as seis centenas.

Outra coisa que faz com que o filme não seja tão interessante como poderia ser é o facto de ser falado em inglês: Bardem é espanhol, Giovanna é italiana, a mãe de Florentino é uma actriz brasileira cujo nome me escapa – e todos eles falam um inglês com sotaque colombiano, o que se torna ridículo.

De qualquer modo, e graças í  história, é um bom entretenimento.

PS – Afinal, encontrei o livro e descobri que o li em 1989… Tenho que começar a tomar as gotas…

Este é o Inverno do nosso descontentamento

Não, não falo do Freeport, do Face Oculta, do Programa de Estabilidade e Crescimento, da crise internacional, da taxa de desemprego, dos três patéticos candidatos í  presidência do PSD, do Orçamento Geral do Estado, da Comissão de Ética da Assembleia da República e da sua inutilidade, do ano de 369 dias de Cavaco Silva (1), do plano de Jardim para aumentar a superfície da Madeira, í  custa da lama e dos pedregulhos da enxurrada.

Estou mesmo a falar da porra deste Inverno!

Será que não pára de chover, carago?!

Estou farto de frio, de nevoeiro, de vento e de chuva!

Chega, porra!

—

Olha para o Tejo, hoje, tão triste que estava!…

(1) “Falta tanto tempo. Um ano, doze meses, 369 dias. Falta ainda muito tempo. Não acreditam no que digo e não insisto. Mas é assunto em relação ao qual eu não dediquei ainda um minuto da minha ponderação”, afirmou Cavaco Silva, a propósito da sua hipotética recandidatura.

“Scratch My Back”, de Peter Gabriel

—Toma lá com um grande disco!

Nunca fui um grande fã de Peter Gabriel – nem quando o tipo era o líder dos Genesis, nem depois, na sua carreira a solo.

Enfim, apreciava a sua voz característica, a sua vontade em credibilizar o rock como música a merecer respeito, esforçando-se por lhe dar um “ar” de erudição, através dos Genesis, ou de cometimento político, com a carreira a solo.

De qualquer modo, Gabriel parece não estar nisto só pelo dinheiro…

Este disco é surpreendente e aplaudo com ambas as mãos.

Gabriel junta-se a uma London Scratcher Orchestra, liderada por uma tal Louisa Fuller e conduzida por um tipo chamado Ben Foster e reinventa, de modo irrepreensível, “Heroes”, de David Bowie, “The Boy in the Bubble”, de Paul Simon, “Listening Wind”, dos Talking Heads (uma das melhores), “The Power of the Heart”, de Lou Reed, “Philadelphia”, de Neil Young, “Street Spirit (Fade Out)”, dos Radiohead, “Waterloo Sunset”, dos Kinks.

E, ainda, adaptações de coisas que eu não conhecia e que não me apetece conhecer porque, assim estão muito bem: “Flume”, de Bon Iver, “Mirrorball”, de Elbow, “I Think It’s Going To Rain Today”, de Randy Newman e, as três melhores: “My Body Is Cage”, dos Arcade Fire, “The Book Of Love”, dos Magnetic Fields, e “Aprés Moi”, de Regina Spector.

Gabriel pode ter descoberto uma mina: a pop-rock tem centenas (milhares?) de músicas que podem e devem ser recriadas por quem tem a paciência, o tempo e a sabedoria para lhes conferir o classicismo que elas merecem.

“Public Enemies”, de Michael Mann

—Johnny Depp é um actor sui-generis, capaz de encarnar personagens tão estranhas como o Eduardo Mãos-de-Tesoura ou o pirata das Caraíbas e, nos intervalos, vestir-se de John Dillinger e ser um duro clássico, ao estilo dos gangsters de Chicago.

Os norte-americanos, como não têm heróis com mais de 200 anos, do tipo da Deuladeu Martins, Joana d’Arc, D. Quixote ou Ivanhoe – para citar apenas quatro -, fazem filmes sobre bandidos que, nas décadas de 30-40, assombraram as ruas de Chicago.

Michael Mann é um realizador excessivo e gosta dos planos rodopiantes, com a câmara a rodar em volta do actor e, depois, a subir, até se obter um plano aéreo, mas esses truques não substituem a caracterização das personagens. É por isso que não se percebe muito bem que tipo de pessoa era Dillinger, a não ser que desprezava o futuro e que vivia só para o dia-a-dia. Por que se tornou gansgter, por que escolheu assaltar bancos, em vez de ter uma vida honesta, de simples empregado do McDonalds? Dillinger não tem densidade, como personagem.

Mas enfim – se eu quisesse densidade (e chatice!…) – tinha alugado um filme europeu…

Aljubarrota – a sequela

“Manuela diz que Sócrates até pressionou Rei de Espanha”

(Título do Diário de Notícias.)

—Cego pelos ataques de Manuela Moura Guedes, Sócrates telefonou ao Rei de Espanha e gritou:

“Ou fazes com que a Prisa cale aquela gaja, ou a gente invade o teu país e levam mais porrada do que em Aljubarrota!”

E foi assim que, com o rabinho entre as pernas, o Rei Juan Carlos telefonou aos tipos da Prisa e a Manuela foi para a rua.

í“ Manuela: tenha paciência, querida. Eu sei que a menina deve estar farta de médicos, nomeadamente, de cirurgiões plásticos, mas acho que a querida precisa, urgentemente, de um anti-psicótico.