Henrique, Cimento & Lícito, Lda

O PSD conseguiu que o Parlamento aprovasse uma lei que cria um novo crime: o crime do enriquecimento ilícito.

Quer dizer que, a partir de agora, todo aquele que fique rico í  custa da trapaça, da fuga aos impostos, dos compadrios políticos, do roubo, da especulação fraudulenta, negócios sujos, lenocínio, tráfico de droga e/ou de influências, etc – passa a ser um criminoso.

Acho mal.

Esses gajos deviam até ser incentivados pelo Estado!

Com efeito, os tipos que enriquecem ilicitamente deviam ter direito a receber um Rendimento Máximo Garantido, que lhes permitisse passar a viver í  vontade, sem precisarem de continuar a cometer ilegalidades e, assim, terem tempo e disponibilidade para organizarem palestras, jornadas, congressos, onde nos ensinassem como enriquecer ilicitamente.

Até nas escolas, em vez da palermice da educação sexual, devia haver uma cadeira de enriquecimento ilícito para preparar os nossos jovens para o futuro – já que trabalhar, pagar impostos e ser honesto, nunca enriqueceu ninguém.

Será que um tipo que nasceu lá nas berças, comprou o primeiro par de sapatos quando foi para a instrução primária, aderiu a uma juventude partidária aos 16 anos, foi eleito deputado aos 24, nomeado secretário de Estado aos 32, ministro aos 40 e, agora, aos 50 anos, é administrador de uma empresa pública, vive em Cascais, tem uma casa no Algarve e dois Audis, é um criminoso?

Nesse caso, o PSD que se ponha a pau porque acaba por mandar grande parte dos seus militantes mais destacados para a cadeia.

Palhaço, Maria José? Actualize-se!

A D. Maria José Nogueira Pinto, que já foi deputada do CDS e, agora, é do PSD, faz parte de uma comissão parlamentar da saúde. Não gostando de um comentário feito pelo deputado socialista Ricardo Rodrigues, a D. Maria José disse:

«Tenho estado a interrogar-me quem é este palhaço que apareceu aqui na Comissão. Deve ter sido eleito para nos animar».

í“ Maria José, palhaço?!

Então a menina não costumava levar os seus filhos ao Coliseu, todos os natais – ou será que a sopeira é que ia com eles?

Palhaço é insulto, Maria José?

E se, agora, os artistas circenses passarem a insultar-se, chamando-se deputados uns aos outros. Do género: “quem é aquele deputado que nem malabarismos sabe fazer?!”

Um palhaço na Assembleia da República?

Então, agora que querem acabar com os animais no circo, a senhora quer tirar, também os palhaços, levando-os para a Assembleia?

Um palhaço na Assembleia da República?

Só um?!

Não me faça rir, querida! Quando a menina foi eleita pelo PSD, cuidava que ia fazer o quê para Assembleia, se não animar a malta?

O feriado da Conceição

Hoje, feriado, é dia de Nossa Senhora da Conceição.

Foi nas Cortes de 1646 que D. João IV decretou que a Virgem Nossa Senhora da Conceição se tornasse a padroeira do reino. Agradecendo-lhe o facto de Porttugal ter reconquistado a sua independência, deixou de usar a coroa de rei e, desde então, mais nenhum rei português usou tal coisa. A coroa passou a pertencer í  Nossa Senhora da Conceição, que costuma ser representada com aquilo na cabeça.

Vem isto a propósito de me sentir um pouco culpabilizado por usufruir de um feriado católico.

De facto, é completamente idiota ser feriado nacional o dia em que se celebra sei-lá-o-quê relacionado com uma das representações da mãe de Jesus Cristo, neste caso, com a designação de Conceição e que, em tempos, foi padroeira de uma Coroa que já não existe desde 1910.

É tão idiota como se fosse feriado nacional o dia do nascimento de Maomé, ou o dia em que Buda subiu aos céus.

Aposto que, se fizerem um inquérito por aí, uma boa percentagem das pessoas não faz ideia por que raio é que hoje é feriado.

Mas, olhem, fiz 15 km de bicicleta, comi um grande cozido í  portuguesa e não fiz nada de útil, o que é bom.

Obrigado, Conceição!

“Quiet Is The New Loud”, dos Kings of Convenience

kings_quietQuando estes dois rapazinhos nasceram, em 1975, já Simon e Garfunkel estavam separados há muitos tempo. No entanto, foi a eles que Erlend â±·ye e Eirik Glambek Bâ±·e foram buscar o estilo calmo e tranquilo, as guitarras dedilhadas e os restantes instrumentos acústicos, as melodias e as harmonias vocais.

Claro que as diferenças são maiores que as semelhanças ““ detecto, por exemplo, um ritmo tipo-bossa nova, que Simon & Garfunkel nunca usariam, mas enfim…

Já tinha ouvido falar destes Kings Of Convenience há uns tempos, mas ainda não conhecia nada deles. Agora, que saiu um novo álbum, decidi conhecer o primeiro, editado em 2001.

Confesso que gostei do que ouvi, embora não me entusiasme por aí além.

Pronto: tomem lá as escutas!

O formidável director do Sol, José António Saraiva, escreveu no seu editorial desta semana:

“O PGR, Pinto Monteiro, teve há semanas um desabafo que um jornal transformou em manchete onde dizia mais ou menos isto: «Se for necessário para acalmar os ânimos, eu divulgo as escutas todas do 1ºministro». Ora essa divulgação é impossível, como o PGR sabe, por uma razão inultrapassável: as conversas contêm linguagem imprópria, com insultos e referências desprimorosas a figuras públicas, pelo que não podem ser divulgadas. Se isso acontecesse, Sócrates seria forçado a renunciar – ou o PR teria de o demitir.”

Isto quer dizer, obviamente, que José António Saraiva conhece o conteúdo das conversas entre Sócrates e Vara, isto é, violou o segredo de justiça.

Mas não é só ele. Também eu conheço o conteúdo dessas conversetas e, para se acabar com as especulações, aqui têm um excerto de um dos telefonemas entre Sócrates e Vara:

S- Alí´, Vara, como vai isso, meu ganda c*****?

V – Olá, Sócrates, meu s***** de m****! Então, que é feito?

S – É pá, estou f***** com aquela p*** da MMG e da m**** do Jornal Nacional. A gaja está-me a f**** e eu a ver!

V – Tens razão, pá! Havíamos de calar a tipa! Mas como?!

S – Olha, enfiando-lhe uma p**** pela boca abaixo!

V – Isso era o que ela queria! Mas a malta não pode arranjar maneira de acabar com aquilo?

S – Só se for com a ajuda dos c****** dos espanhóis!

V – Ou então, arranjamos alguém que lhe parta uma perna… eu, por acaso, conheço um sucateiro que era capaz de se encarregar disso.

S – Ah é? E quanto é que ele levaria por esse trabalhinho?

V – O c***** é ganancioso e é capaz de levar uns 10 mil euros!

S – í“ pá, eu até lhe pagava o dobro!

V- Tás a brincar, não tás, ó Sócras!

S – Claro, meu c*****! Não é que isso já me tenha passado pela cabeça mas, se alguma vez o fizesse, não combinava isso contigo pelo telefone, por causa das escutas…

V – Então, mas afinal, quem é que está a ser escutado? Ouvi dizer que tu é que estavas a escutar o Cavaco!

S- Lérias, Vara! Lérias! Olha, tenho que ir! Adeus e não te deixes corromper, pá!

V – Está descansado. Com o ordenado que os tansos do BCP me estão a pagar, só me deixava corromper por uma quantia milionária!

Como se compreende, não é possível publicar isto nos jornais, se não, o nosso 1º ministro teria que se demitir e os jornalistas não querem isso, nomeadamente, os do Sol – depois, como Felícia Cabrita ocuparia o tempo e que manchetes arranjariam eles para vender o seu formidável jornal?

“Glitter and Doom Live”, de Tom Waits

waits_glitterQue pena, que raiva, que frustração não ter tido a iniciativa de programar a minha vida de modo a poder ir ver Tom Waits, por exemplo, a Milão!

Este disco é uma prova pálida do espectáculo formidável que deve ter sido esta tourné.

Waits reinterpreta, de forma irrepreensível, alguns dos seus temas mais recentes e eu fico rendido. Não precisa de cantar temas pré-Swordfishtrombones, não precisa de rebuscar nos baús da memória para ir buscar grandes êxitos de há décadas, como têm que fazer os Stones, ou McCartney, por exemplo. Waits tem evoluído, ao longo destas décadas, criando um estilo único, em que mistura valsas, polkas, tangos, blues, trash, hard, pop, histórias malucas, country, instrumentos desafinados e inventados.

E aquela voz rouca, funda, quase sinistra, faz o resto.

Prometo-me que, se o gajo fizer uma nova série de shows ao vivo, estarei atento e irei, nem que seja a Kuala Lumpur.

Sobretudo, se for em Kuala Lumpur!…

Touche pas aux messieurs juges

Podes descer a avenida da Liberdade gritando “Sócrates mentiroso”!

Podes dizer, escrever e publicar que Cavaco é como o eucalipto – seca tudo í  sua volta.

Podes dizer que Alberto João Jardim é um bronco, que os deputados são uns calões, que os ministros são incompetentes.

Mas cuidado com o que dizes dos juízes!

Eles fazem parte do único órgão de soberania que não é eleito, mas não podem ser criticados, pressionados, postos em causa.

Ontem , o inefável presidente da Associação Sindical dos juízes, António Martins, disse coisas engraçadíssimas, na Sic.

Disse, por exemplo, que não estava de acordo que um advogado pudesse defender um arguido do caso Face Oculta e, ao mesmo tempo, fazer parte do Conselho de Magistratura, que avalia os juízes.

O entrevistador chamou-lhe a atenção para o facto de estar a pí´r em causa a honorabilidade do referido advogado, ao que ele respondeu que não era bem isso mas que poderia haver conflitos de interesses e tal e coisa. Em resumo: a ocasião faz o ladrão – ao fazer parte do Conselho de Magistratura, o advogado poderia sentir-se tentado a avaliar por baixo um juiz que o tivesse lixado num processo qualquer.

A associação sindical dos juízes pediu, ainda, a demissão do ministro Vieira da Silva por achar inaceitável que ele tenha dito que havia espionagem política no caso Face Oculta.

Por outras palavras: um gajo que eu mal sei quem é, que não foi sufragado pelos eleitores, pede a demissão de um ministro de um Governo que acabou de ganhar as eleições, com 38% dos votos.

Vão dar banho ao cão!

(“Touche Pas í  La Femme Blanche” é um filme de Marco Ferreri, realizado em 1974, com Michel Piccoli, Catherine Deneuve e Marcello Mastroianni – um filme surrealista, como esta Associação Sindical)

Onde estavas no 25 de Novembro?

Estava na redacção do Telejornal, ainda no velho Lumiar. Nessa altura, era jornalista.

De repente, vejo muitos tipos vestidos com camuflados a tomarem posições, no páteo, nos telhados, nas esquinas. Estavam armados. Vejo, também, alguns jornalistas, conotados com o PCP, a tomarem posições de comando, um deles, de granada na mão.

Foi quando o major Clemente interrompeu o António Santos, que estava a ler o telejornal e se dirigiu ao país. E, depois, os emissores do Porto cortaram-lhe o pio e puseram, no ar, um filme idiota com o Danny Kaye.

Sinceramente, não achei piada nenhuma ao que se estava a passar e fui-me embora.

Um golpe de Estado?

Mais um?!

í€ saída, nenhum dos militares que montavam guarda me importunou.

Quando cheguei a casa, disse para a Mila: “Acabou-se! Estou sem emprego!”

No dia seguinte, a RTP esteve fechada. Não houve emissão.

No outro dia, telefonaram-me: não queria aceitar o lugar de responsável pela 3ª edição do Telejornal?

Afinal, ainda tinha emprego.

E até fora promovido!

Mais um golpe de Estado e teria chegado a presidente da coisa!

Continuei jornalista da RTP até ao final de 1976, quando acabei o curso de Medicina.

Comecei a exercer medicina em janeiro de 1977 e deixei de ser jornalista.

Não estou arrependido.

“Dexter” – 1ª temporada

dexter1Michael C. Hall é o responsável por metade do êxito de Dexter, uma série negra, desenvolvida para televisão por James Manos Jr., a partir da novela de Jeff Lindsay.

Dexter é um perito forense da polícia de Miami que, simultaneamente, é um serial killer. No entanto, graças í  educação do seu pai adoptivo, também ele polícia, Dexter foi canalizando os seus instintos assassinos para os “maus”.

E assim, Dexter faz o que, no fundo, muitos de nós gostaríamos que fosse feito: justiça pelas suas próprias mãos, matando os maus, embora com requintes de psicopata.

Como é habitual nestas séries, a galeria de personagens secundárias é rica e variada, permitindo histórias laterais. Por outro lado, episódio a episódio, vamos conhecendo a infância de Dexter, ao mesmo tempo que surge um duelo com outro psicopata que, afinal, conhece o seu segredo.

E, repito, a personagem criada por Michael C. Hall é excelente, não tendo nada a ver com a que o mesmo actor personificava em “Six Feet Under”, outra grande série.

Vejamos se a segunda temporada mantém o mesmo nível.