“A Rainha no Palácio das Correntes de Ar”, de Stieg Larsson

milenium3Três dias de gripe A (ou B…) e umas 9 horas de leitura e acabei com a trilogia “Millenium”, do sueco Stieg Larsson.

O 3º volume é, muito provavelmente, o mais interessante dos três calhamaços. É neste volume que se atam todas as pontas soltas que envolvem a estranha e aventurosa vida de Lisbeth Salander, uma hacker super-dotada, filha de um espião russo que trabalhava para uma secção muito especial dos serviços secretos suecos, í  revelia das próprias autoridades e mais, e mais…

O argumento é astucioso e tem suspense suficiente para nos agarrar e, a dado passo, até nos esquecemos que tudo isto se passa na Suécia e não em Nova Iorque ou Miami.

Continuo a achar que o escritor não conseguiu eliminar partes do livro que são perfeitamente dispensáveis. Por exemplo, este naco:

“Meteu-se no Volvo e dirigiu-se ao centro da cidade, onde bifurcou, por Stora Essingen e Grondal, para Sodermalm. Meteu pela Hornsgatan e chegou í  Bellmansgatan pela Brannkyrkagatan. Virou í  esquerda na Tavastgatan, próximo do pub Bishop’s Arms, e estacionou junto í  esquina”.

Bem sei que todas estas indicações conferem alguma realidade í  coisa, mas que me interessa a mim o percurso que o tipo fez para chegar ao pub? E para quem não conhece Estocolmo, o escritor podia ter posto ali outros nomes quaisquer, que era igual ao litro.

E existem longos parágrafos com descrições semelhantes, o que acaba por quebrar um pouco o ritmo í  história. Mantendo a mesma história e reduzindo o tamanho dos livros, Larsson conseguiria um efeito ainda mais explosivo.

Mas enfim, foi um bom companheiro nestes três dias de gripe, em que o ânimo não daria para obras de outro fí´lego.

181 Insultos

Lista e revista e aumentada:

Badameco, salafrário, palerma, parvalhão
pateta, lambisgóia, delambida, morcão
malacueco, safardana, maluco, tarado
cunanas, escanifobética, camelo, chalado
idiota, flausina, camafeu, cona de sabão
vaca gorda, cara de cu í  paisana, coirão
choninhas, parvo, sevandija, porcalhão
mariquinhas pede-salsa, estafermo, ladrão
trombalazanas, sacripanta, otário, piroso
bandido, pirata, trapaceiro, piolhoso
embusteiro, farsante, gatuno, aldrabão
meliante, vigarista, carroceiro, lavajão
vígaro, bruto, besta quadrada, barrigudo
brutamontes, estúpido, abécula, cabeçudo
cavalgadura, imbecil, zero í  esquerda, mentiroso
nódoa, nulidade, velhaco, esqueleto vaidoso
zarolho, pirata, canalha, bandido
sacrista, sacana, malandro, vendido
velhaco, unhas de fome, cretino, calhandreira
sovina, somítico, marreco, quadrilheira
lambéconas, engraxador, lambe-botas, maneta
caga-tacos, peida-gadoxa, gordalhufo, cegueta
safado, sabujo, pantomineiro, ranhoso
borra-botas, bufo, queixinhas, trabeculoso
pote de banhas, caixa de óculos, cornudo
quatro olhos, pernas de alicate, trombudo
olhos de carneiro mal morto, agarrado
boca de charroco, orelhas de abano, esgalgado
moco, pelintra, mariconço, trauliteiro
patego, saloio, boi, coxo, candongueiro
analfabruto, basbaque, careca, desenxabida
chupado das carochas, empecilho, atraso de vida
tísico, copinho de leite, menino da mamã, bexigoso
soba, cacique, vagabundo, tinhoso
lingrinhas, filho da puta, panasca
bichona, sebento, reles, rasca
apanhado do clima, bebedolas, calão
batoque, zé ninguém, cabra, cabrão
cusca, fufa, doido, coscovilheira
cabeça no ar, convencido, fersureira
mastronço, mostrengo, paneleiro
banana, gabiru, moina, azeiteiro
doidivanas, bardajona, nabo, chanfrado
putéfia, badalhoca, meia-leca, falhado
estróina, merdoso, escarumba, panilas
urso, galinha choca, larápio, larilas
monhé, estouvada, molengão, foleiro
gatuno, patife, trique-lariques, bisbilhoteira
estupor, bandalho, perliquiteques, alcoviteira

Prendam este gajo já!

socrates_vacina

Mas que raio de choldra é este país?

Então, a malta já sabia que lhe saiu o curso de engenheiro nos pacotes da farinha Amparo, que é o responsável por uns projectos de umas casas manhosas, na Covilhã, que recebeu um suborno chorudo para licenciar o Freeport e que, para além do facto inegável de ser maricas, descobre-se, agora, que falou ao telefone com esse facínora, chamado Vara, um mafioso capaz de vender as empresas públicas a um sucateiro com diabetes – a malta sabe isto tudo e ainda não prendeu o homem?!

Que é que faz este gajo í  solta?!

140 Insultos

Até para insultar é preciso imaginação.

Badameco, salafrário, palerma, parvalhão
pateta, lambisgóia, delambida, morcão
malacueco, safardana, maluco, tarado
cunanas, escanifobética, camelo, chalado
idiota, flausina, camafeu, cona de sabão
vaca gorda, cara de cu í  paisana, coirão
choninhas, parvo, sevandija, porcalhão
mariquinhas pede-salsa, estafermo, ladrão
trombalazanas, sacripanta, otário, piroso
bandido, pirata, trapaceiro, piolhoso
embusteiro, farsante, gatuno, aldrabão
meliante, vigarista, carroceiro, lavajão
vígaro, bruto, besta quadrada, barrigudo
brutamontes, estúpido, abécula, cabeçudo
cavalgadura, imbecil, zero í  esquerda, mentiroso
nódoa, nulidade, velhaco, esqueleto vaidoso
zarolho, pirata, canalha, bandido
sacrista, sacana, malandro, vendido
velhaco, unhas de fome, cretino, calhandreira
sovina, somítico, marreco, quadrilheira
lambéconas, engraxador, lambe-botas, maneta
caga-tacos, peida-gadoxa, gordalhufo, cegueta
safado, sabujo, pantomineiro, ranhoso
borra-botas, bufo, queixinhas, trabeculoso
pote de banhas, caixa de óculos, cornudo
quatro olhos, pernas de alicate, trombudo
olhos de carneiro mal morto, agarrado
boca de charroco, orelhas de abano, esgalgado
moco, pelintra, mariconço, trauliteiro
patego, saloio, boi, coxo, candongueiro
analfabruto, basbaque, careca, desenxabida
chupado das carochas, empecilho, atraso de vida
tísico, copinho de leite, menino da mamã, bexigoso
soba, cacique, vagabundo, tinhoso
lingrinhas, filho da puta, panasca
bichona, sebento, reles, rasca
apanhado do clima, bebedolas, calão
cabra, batoque, zé ninguém, cabra, cabrão

E escusam de agradecer…

“The Wrestler”, de Darren Aronofsky

wrestlerO wrestling não me diz nada, nunca fui capaz de ver um combate até ao fim, acho todo aquele folclore um pouco ridículo e, portanto, a minha expectativa era baixa, em relação a este filme.

No entanto, fiquei agradavelmente surpreendido. Mickey Rourke (nomeado para o óscar de melhor actor) faz um “underacting” de que gostei muito. Aliás, o filme é, todo ele, “low profile”, em contraste com os meios onde a acção se desenvolve: os ringues de wrestling e os bares de strip-tease.

Rourke faz o papel de um velho lutador, que tenta esconder a idade enchendo os músculos de anabolizantes e que tenta enganar a solidão com uma strip-teaser (Marisa Tomei, nomeada para óscar de melhor actriz secundária).

A fotografia mantém-se sombria, ao longo de todo o filme, Rourke nunca eleva a voz e tudo acaba mal, como devia.

Gostei.

“Leite Derramado”, de Chico Buarque

leitederramadoUm homem muito velho está na cama de um hospital, vivendo os últimos dias da sua longa vida e vai desfiando as suas memórias para alguém (a filha, uma enfermeira, alguém que passa…)

As suas memórias começam no tempo em que, descendente de portugueses, vivia num casarão de ricos e vai por ali fora, de geração em geração, da riqueza í  miséria, até seu tetaraneto que, pelos vistos, trafica cocaína.

Os episódios da sua vida vão-se confundindo na sua memória já muito usada, mas o episódio fulcral é o do seu casamento com Matilde e do desaparecimento desta: fugiu com um amante, suicidou-se, morreu de doença grave?

“Leite Derramado” é um texto notável, um monólogo que vai avançando e recuando, para avançar novamente e que se lê de um fí´lego.

Pintar a cara de Preto

O Expresso de ontem publica uma notícia que pode passar despercebida e é pena.

Diz a notícia que Virgilio Sobral  de Souza e Jorge Silvério, co-arguidos, com o deputado do PSD, António Preto, no chamado “caso da mala”, apresentaram uma acção no Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal, a requerer a extinção de uma execução fiscal de 347 mil euros de dívidas de IRC, da sua empresa “Serbro”.

E em que se baseiam os chicos-espertos para exigirem que lhes perdoem o facto de não terem pago 347 mil euros de impostos?

Baseiam-se no facto da morada da notificação estar errada. Em vez de figurar “Rua do Castanheiro nºs 1 a 3, 8 – Funchal”, que é a verdadeira morada da tal empresa, da notificação constava “Rua do Castanheiro, nºs 1 a 38”.

Diz o advogado dos dois chicos-espertos, Rui Teixeira: “O sr. carteiro pode ter tentado a entrega do nº4 ao 38”.

Portanto, os dois construtores civis e mais o seu advogado preparam-se para fugir í  Justiça por causa de uma vírgula.

Grandes serbros que eles têm!…

A desfaçatez com que esta malta trata a Justiça merecia, da nossa parte, dos que pagam todos os impostos, uma reacção um pouco mais violenta.

Alcatrão e penas, no mínimo!

“Happy-Go-Lucky”, de Mike Leigh

happygoluckyNão consigo perceber por que razão este filme foi nomeado para o óscar de melhor argumento original, na medida em que não tem argumento propriamente dito.

Poppy (Sally Hawkins) é uma professora primária, de 30 anos, solteira, que continua a levar a vida a brincar, como se fosse ainda uma adolescente que se recusa a assumir a pose e as responsabilidades de um adulto.

Mas Poppy está sempre a rir-se e a cacarejar, de tal modo que, por vezes, parece mesmo tolinha, com um algum déficit cognitivo.

Depois de lhe roubarem a bicicleta, decide começar aulas de condução e calha-lhe um instructor paranóide, que se apaixona por ela.

Certo dia, ao ver um dos seus alunos bater nos colegas, pede a ajuda da Segurança Social e sai-lhe um assistente social calmeirão, como quem vai para a cama.

E fim.

É pouco…

“Prison Break”, série 4

prisonbreak4“Prison Break” é o exemplo acabado de uma boa ideia completamente estragada por necessidades contratuais.

A ideia de inventar um herói (Michael Scofield), que se deixa prender para ajudar o irmão a fugir da prisão, é óptima – e vi a primeira série com muito interesse.

Devia ter terminado aí, quando eles conseguem, finalmente, fugir de Fox River.

As restantes três séries são uma chatice e esta quarta temporada ultrapassa tudo, fazendo lembrar os piores episódios da “Misson: Impossible” e do McGiver, com os múltiplos personagens a fazerem jogos duplos e triplos, apoiando uns, mas denunciando outros, mais a inverosímil personagem da mãe de Scofield e da Companhia, uma organização tentacular mais ridícula que a do sucateiro Godinho.

O último episódio é-nos servido numa versão alargada, que é exclusiva da edição em dvd, e que é dolorosamente longo, indo quase até aos netos do Scofield.

Largamente dispensável.