Fado Tropical

Com Sá-í -viola e David Luiz í  guitarra, o Benfica cantou, ontem, ao Porto, o Fado do 31.

Mesmo com o Urreta, que tem apelido de Golfo, com o Carlos Martins, mais coxo que vivo, com o Ramires, de muletas e – espantem-se! – com o Luis Filipe a lateral direito, mais tempo tempo do que a prudência aconselha, mesmo sem o Aimar, sem o Di Maria, sem o Coentrão – o Benfica mudou a letra do fado, com argentinos, uruguaios, paraguaios e brasileiros a atacarem o refrão.

Porque quem tem unhas é que toca guitarra.

E ontem, Jesus cantou mais alto que Jesualdo.

Nopenhaggen 2009

Existe um certo paralelismo entre a vacina contra a gripe A e o aquecimento global.

Ambos têm defensores acérrimos e muita gente contra.

A vacina contra a gripe A começou por ser mal apresentada ao público. Com vergonha de confessar que fabricar uma vacina contra o H1N1 é semelhante a fabricar uma outra contra qualquer tipo de vírus da gripe, os laboratórios e as autoridades mundiais de saúde (OMS incluída), deram a entender que a pandemia ia matar milhões de pessoas, a menos que a indústria conseguisse fabricar uma vacina. Os governos, temendo sublevações da população mas, sobretudo, temendo as críticas da comunicação social, pressionaram a indústria e prometeram que comprariam milhões de doses. E a vacina surgiu, quase de um mês para o outro. No fundo, ela já estava preparada para o H1N5 – foi só modificá-la um pouco mas, a impressão que ficou na opinião pública, transmitida pela comunicação social, foi que a vacina foi fabricada í  pressa.

O resultado foi que muita gente, médicos incluídos, rejeitaram a vacina, com medo dos eventuais efeitos secundários.

Aqui, em Portugal, os meios de comunicação social passaram a ideia de que a vacina podia  matar fetos na barriga das mães. Impunemente. Até hoje, nenhum responsável de nenhum órgão de comunicação social foi responsabilizado pelo facto de transmitir informações erróneas sobre a vacina. Aquelas três grávidas tiveram morte fetal por que sim. Nada teve que ver com a vacina. Apenas os jornalistas fizeram essa assumpção.

Em resumo: a opinião pública, jornalistas e muitos médicos incluídos, falaram sobre a vacina contra a gripe A sem nada saberem sobre ela, deram apenas a sua opinião pessoal, sem nenhuma base científica, apenas pelo “ouvir dizer”, como se ouve dizer que a porteira do nosso prédio se anda a deitar com o carteiro.

Passa-se o mesmo com o aquecimento global.

Toda a gente, jornalistas incluídos, tem uma opinião sobre o aquecimento global: o planeta está a aquecer e, em 2050, as Maldivas vão desaparecer da face do planeta. Claro que a maior parte das pessoas que, hoje em dia, têm uma opinião sobre isto, não estarão vivas em 2050 – o que quer dizer que não poderão confirmar se é verdade, ou não, que o planeta vai aquecer de tal modo, que as calotes polares vão derretr e o nível do mar vai subir não-sei-quantos-metros.

É que a posição da comunicação social é, no caso da vacina da gripe, no sentido de dar maior ênfase aos eventuais (e falsos) efeitos secundários, do que í s óbvias vantagens e, no caso do aquecimento global, adoptar a ideia de que é inexorável e de que, daqui a alguns anos, as ilhas do Pacífico vão desaparecer.

Depois, quando sabemos que os EUA, o Brasil, a Índia, a China e a ífrica do Sul são os responsáveis pelo acordo (frágil) de Copenhaga, interrogamo-nos: afinal, o aquecimento global será assim tão intenso? será que os dirigentes destes 5 grandes países se estão mesmo borrifando para o degelo das calotes? Será que as Maldivas e Vanuatu vão mesmo desaparecer ou, como me pareceu ser sugerido, alguns países em vias de desenvolvimento tentam aproveitar-se desta história para receber mais ajudas internacionais, depois gastas pelas mulheres dos seus dirigentes, quando viajam até í  Europa para virem comprar roupa de marca?

Em resumo: Hopenhaggen transformou-se em Nopenhaggen mas – podem crer – amanhã, toda a comunicação social, em Portugal, apenas falará do Benfica-Porto.

E, se calhar… ainda bem…

Casamento gay

Ele lê o jornal, sentado í  mesa da cozinha, enquanto o namorado prepara o pequeno almoço para os dois.

– E o Sócrates lá aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo!

– Não tinha outro remédio… até porque o Sócrates é cá dos nossos! – exclama o namorado.

– Lá estás tu a alinhar com essa malta dos boatos! Isso é conversa da oposição!

– Pois, pois! O que ele precisava era que lhe fizessem o que fizeram ao Berlusconi, só que, em vez de levar com o Duomo de Milão, levava com a torre de Belém e o Mosteiro dos Jerónimos na tromba! – azucrinou o namorado.

– Vê lá se mordes a língua e morres envenenado!

– Pronto, pronto! Não te zangues! Não se pode tocar no Sócratezinho que ele fica logo todo picado!…

Ele continua a folhear o jornal, mas com movimentos mais bruscos. Depois, diz, já com a voz um pouco alterada:

– É que é toda a gente contra o homem! Até o Cavaco, com aquele ar de eucalipto em tempo de seca, sempre a dizer que não interfere, que não se mete na política partidária e, depois, diz que a crise e a dívida externa são mais importantes que o casamento homossexual!

– A culpa é do Sócrates. Ele é que provocou o Cavaco! Quando o PSD voltar a governar é que vais ver a diferença! – grita o namorado, queimando-se na torradeira.

– Está mas é calado! O PSD não se consegue governar a si próprio, quanto mais o país! – vocifera o primeiro, atirando com o jornal para o chão.

– Mas agora, que o Pedro Santana Lopes vai pegar no partido outra vez, a coisa vai ser a sério!

– És mas és um grande parvalhão! O Santana Lopes deixa sempre tudo a meio, até os casamentos!

– Tu não me chamas parvalhão, meu ordinário!

– Ordinário és tu, meu estúpido!

– Olha! Vou mas é para casa da minha mãe!

– Vai, vai viver com essa lésbica que não tem onde cair morta!

O namorado sai, batendo com a porta.

Terão que aguardar até sair a lei do divórcio gay…

“Invisível”, de Paul Auster

invisivelLi críticas que diziam que este era o melhor romance de Paul Auster dos últimos tempos.

Não estou de acordo. Gostei mais de “Viagens no Scriptorium” ou de “As Loucuras de Brooklyn”.

Este “Invísivel” é mais um romance í  Auster, em que se cruzam diversas histórias, que têm princípio, meio, mas não têm fim. De facto, o livro termina abruptamente, muito mais que outros, como, por exemplo, “A Trilogia de Nova Iorque”.

Depois, uma das histórias parece-me um pouco forçada. Auster descreve, de modo muito gráfico, as aventuras sexuais de uma irmão e de uma irmã. Se estava com vontade de descrever práticas de sexo oral, ejaculações e orgasmos diversos, não precisava de pí´s dois irmãos a fazê-lo. O incesto em nada melhora ou faz andar a história e parece, apenas, servir para “épater le bourgeois”.

Por outro lado, ao contrário de muitos outros romances de Auster, parece-me que, neste “Invisível”, as personagens não têm muita substância, o que faz com que as histórias, embora curiosas e inteligentes, acabem por soar a pouco verosímeis.

Enfim, achei o Paul Auster em baixo de forma.

“A Sabedoria e o Humor de Oscar Wilde”

citacoes_oscarwildePareceu-me um bom investimento, comprar este livrinho, onde estariam compilados, por temas, os principais aforismos de Oscar Wilde.

O problema é que esta é uma edição muito pouco cuidada.

Diz a capa que a compilação pertence a Loureiro Neves.

í“ Sr. Neves, explique-me lá isto:

Na página 15, no capítulo Amor, pode ler-se esta citação: «um homem pode viver feliz com qualquer mulher, desde que não a ame».

Mais í  frente, na página 33, no capítulo Casamento, lê-se esta citação: «qualquer homem poderá ser feliz com uma mulher, contanto (sic) que não a ame».

Na página 45, no capítulo Estados Unidos, lemos: «A juventude da América é a sua mais antiga tradição. Dura, pelo menos, há uns trezentos anos».

Logo na página a seguir, esta outra, tão diferente da anterior: «A juventude da América é a sua mais velha tradição – dura há trezentos anos».

E há mais exemplos como este, para além de outras situações em que a tradução das frases de Wilde é confrangedora.

Salvam-se as grandes frases de Oscar Wilde. Alguns exemplos:

«Todos os incapazes de aprender, resolveram ensinar – foi a isso que chegou o nosso entusiasmo pela educação».

«Dado o carácter do jornalismo actual, a profissão de espião deixou de fazer sentido».

«O cínico é aquele que conhece o preço de tudo, mas não sabe o valor de nada».

«Não tenho nada a declarar, a não ser o meu génio».

«Tenho os gostos mais simples do mundo – contento-me com o melhor».

«Sei resistir a tudo menos í s tentações».

O menino Jesus pendurado

Dizem-me que já existem mais de 30 mil estandartes do menino Jesus pendurados das varandas e janelas portuguesas!

meninojesus

Vi na TV uma católica dizer que este gesto era uma espécie de resposta í  moda, difundida pelas lojas chinesas, de pendurar pais-natal a trepar pelas varandas.

Quer dizer: combate-se uma ideia estúpida com uma ideia idiota.

Agora, acabou-se o “menino Jesus nas palhas deitado, menino Jesus nas palhas estendido” – agora é o menino Jesus nas varandas estendido.

Estão a colocar o menino Jesus ao nível da roupa lavada.

Como se fosse as cuecas da avó ou as toalhas da casa de banho.

Se a intenção é recordar que, no Natal, se celebra o nascimento do menino Jesus, por que não penduram, também, das varandas, os três reis magos, o burrinho ou até a vaquinha?

ER – 13ª temporada

er13O ER sem o Dr. Greene já não era grande coisa – agora, sem o Dr. Carter e sem a Dra. Weaver, o ER não passa de um SAP de segunda categoria.

As situações clínicas de urgência, que fizeram desta série a melhor “série de médicos” e que transformavam cada episódio num vórtice de acção e ansiedade, foram substituídas pelos problemas pessoais de cada uma das personagens, o que faz desta 13ª temporada do ER uma espécie de telenovela, apenas um bocadinho acima da média.

No último episódio, é introduzida uma nova personagem, um novo chefe das Urgências, que talvez traga mais pica í  série, embora já se saiba que ela só dura mais duas temporadas.

Henrique, Cimento & Lícito, Lda

O PSD conseguiu que o Parlamento aprovasse uma lei que cria um novo crime: o crime do enriquecimento ilícito.

Quer dizer que, a partir de agora, todo aquele que fique rico í  custa da trapaça, da fuga aos impostos, dos compadrios políticos, do roubo, da especulação fraudulenta, negócios sujos, lenocínio, tráfico de droga e/ou de influências, etc – passa a ser um criminoso.

Acho mal.

Esses gajos deviam até ser incentivados pelo Estado!

Com efeito, os tipos que enriquecem ilicitamente deviam ter direito a receber um Rendimento Máximo Garantido, que lhes permitisse passar a viver í  vontade, sem precisarem de continuar a cometer ilegalidades e, assim, terem tempo e disponibilidade para organizarem palestras, jornadas, congressos, onde nos ensinassem como enriquecer ilicitamente.

Até nas escolas, em vez da palermice da educação sexual, devia haver uma cadeira de enriquecimento ilícito para preparar os nossos jovens para o futuro – já que trabalhar, pagar impostos e ser honesto, nunca enriqueceu ninguém.

Será que um tipo que nasceu lá nas berças, comprou o primeiro par de sapatos quando foi para a instrução primária, aderiu a uma juventude partidária aos 16 anos, foi eleito deputado aos 24, nomeado secretário de Estado aos 32, ministro aos 40 e, agora, aos 50 anos, é administrador de uma empresa pública, vive em Cascais, tem uma casa no Algarve e dois Audis, é um criminoso?

Nesse caso, o PSD que se ponha a pau porque acaba por mandar grande parte dos seus militantes mais destacados para a cadeia.

Palhaço, Maria José? Actualize-se!

A D. Maria José Nogueira Pinto, que já foi deputada do CDS e, agora, é do PSD, faz parte de uma comissão parlamentar da saúde. Não gostando de um comentário feito pelo deputado socialista Ricardo Rodrigues, a D. Maria José disse:

«Tenho estado a interrogar-me quem é este palhaço que apareceu aqui na Comissão. Deve ter sido eleito para nos animar».

í“ Maria José, palhaço?!

Então a menina não costumava levar os seus filhos ao Coliseu, todos os natais – ou será que a sopeira é que ia com eles?

Palhaço é insulto, Maria José?

E se, agora, os artistas circenses passarem a insultar-se, chamando-se deputados uns aos outros. Do género: “quem é aquele deputado que nem malabarismos sabe fazer?!”

Um palhaço na Assembleia da República?

Então, agora que querem acabar com os animais no circo, a senhora quer tirar, também os palhaços, levando-os para a Assembleia?

Um palhaço na Assembleia da República?

Só um?!

Não me faça rir, querida! Quando a menina foi eleita pelo PSD, cuidava que ia fazer o quê para Assembleia, se não animar a malta?