Não aqueceu o lugar!
O novo pequeno líder
“Regresso í Pequena Ilha”, de Bill Bryson (2015)
Bill Bryson nasceu em Des Moines, EUA, em 1951, mas vive há 40 anos na Grã Bretanha, depois de se ter casado com uma inglesa.
Embora seja conhecido por escrever livros de viagens, Bryson é muito mais do que isso – é, sobretudo, um bom observador, um estudioso das coisas banais, um coleccionador de factos históricos e, além de tudo isto, tem um sentido de humor refinadíssimo.
Em 1995, Bryson publicou Crónicas de Uma Pequena Ilha, que li em 2008 e há dois anos, decidiu publicar este Regresso í Pequena Ilha, mais um conjunto de crónicas em que, a partir de visitas a algumas localidades britânicas, vai discorrendo sobre os tiques, as particularidades e as idiossincrasias britânicas.
Falando das praias britânicas, por exemplo, Bryson escreve:
“Estava bastante calor (em Brighton) – lembro-me que o sol aparecia por vários momentos de casa vez – e os banhistas eram muitos. Soltavam gritos que me pareceram de prazer, mas hoje sei que eram de agonia. Ingénuo, despi a t-shirt e corri para a água. Achei que estava a entrar em azoto líquido.”
Por vezes, Bryson parece esquecer que está a escrever sobre viagens e divaga:
“Não é espantoso o número de pessoas que nos odeiam neste mundo? (…) Todas as pessoas que criam software na Microsoft detestam-nos e o mesmo acontece com as que atendem telefones na Expedia. As do TriAdvisor também nos odiariam se não fossem tão estúpidas. Quase todos os empregados das recepções dos hotéis detestam-nos, tal como os empregados das linhas aéreas, sem excepção. Todos os indivíduos que trabalham para a British Telecom, incluindo alguns que faleceram antes de nós nascermos detestam-nos; a BT contrata vastas equipas de linhas de atendimento na Índia só para nos odiarem”.
Em resumo, quem pensa que vai ler um livro de viagens vai sentir-se ludibriado, uma vez que este é, sobretudo, um livro sobre tudo e sobre nada, mas que nos proporciona bons momentos de diversão.
Outros livros de Bryson: 1927 – Aquele Verão; Em casa – Breve História da Vida Privada; A Vida e as Aventuras do Rapaz Relâmpago;Â Por Aqui e Por Ali; Notas sobre um País Grande; Made in America
Kim Jong-un procura conselheira
Nossa Senhora: demita-se!
“De um dia para o outro, o ambiente toldou-se – como se Nossa Senhora de Fátima, depois de ajudar o Governo durante um ano e meio, lhe houvesse voltado as costas.
De facto, a tragédia que se abateu sobre Pedrógão Grande e o roubo de material de guerra em Tancos parecem obra do demónio”
- José António Saraiva, no semanário Sol, hoje
É assim que a Direita vê as coisas.
O sucesso do Governo da Geringonça durante um ano e meio, foi obra da Nossa Senhora de Fátima.
A tragédia de Pedrógão e o roubo de Tancos, são obra do demónio.
Portanto, pedir a demissão da ministra da Administração Interna e do ministro da Defesa parece-me ocioso.
Que se demita a Nossa Senhora de Fátima, carago!
Nem no ano em que o bonzinho Papa Francisco veio a Portugal, ela nos dá uma ajudinha?!
Ingrata!
Os 50 anos dos Cem Anos de Solidão
No passado dia 5 deste mês, fez 50 anos que foi publicado o livro mais famoso de Gabriel Garcia Marquez, Cem Anos de Solidão.
Quatro dias antes, tinham passado 50 anos sobre o lançamento do Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles.
Estes dois aniversários estão ligados na medida em que Garcia Marquez, durante os quatro meses que esteve fechado em casa a escrever o romance, tinha sempre música a tocar, nomeadamente, dos Beatles.
Ambas as obras me marcaram muito e ao ler o texto que a Revista do Expresso publicou no passado sábado (O livro que ele não derrotou), ao recordar as peripécias que envolveram a escrita dos Cem Anos, quase que fiquei com vontade de reler o livro.
Garcia Marquez desempregou-se para escrever os Cem Anos e durante quatro meses fechou-se numa pequena sala na sua casa e escreveu. Mercedes, a sua mulher, tratava do resto, nomeadamente dos dois filhos, mas o dinheiro começou a escassear e foram obrigados a penhorar e depois vender o Opel, que era o orgulho do escritor. Em seguida, penhoraram as poucas jóias, a televisão e até o frigorífico, além de terem ficado a dever ao talhante, que lhes continuou a vender carne e até í tabacaria, onde Marquez comprava os três maços de cigarros que devorava todos os dias.
Há muitos pormenores como estes que se tornaram lendários, assim como o livro, e alguns deles talvez tenham sido inventados e tornados realidade depois de terem sido contados tantas vezes.
No entanto, acho que não vou reler os Cem Anos de Solidão porque tenho receio de ficar desiludido.
Li-o em Maio de 1978, com 25 anos, numa edição da Europa-América e todo aquele “realismo mágico”, como lhe chamam, me fascinou. Durante anos, se me perguntassem qual o melhor livro que tinha lido até então, diria, sem hesitação, Cem Anos de Solidão.
Passaram 40 anos e, entretanto, li milhares de livros e já não sou capaz de dizer qual é, para mim, o melhor livro que já li. Aliás, quanto mais livros leio, quanto mais música oiço, menos capaz sou de fazer listas de best of…
É por isso que acho que li os Cem Anos de Solidão na altura certa e quero ficar com aquela boa recordação do livro, que uma nova leitura talvez estragasse.
Já agora, quanto ao outro cinquentenário, o do Sgt Pepper’s, continuo a preferir, de longe, o White Album e até o Abbey Road, embora perceba que o Sgt. Pepper’s tenha sido um marco.
Sabiam que, entre muitas outras inovações, foi a primeira vez que as letras das canções apareceram impressas na capa do disco?…
Paris forever!|
Ele só queria levantar dinheiro…
Trump contribui para a paz mundial
Na sua primeira visita de Estado a um país estrangeiro, Donald Trump escolheu a democrática Arábia Saudita.
Enquanto a sua esposa, Melania, exibia os seus longos cabelos í s mulheres sauditas que, como se sabe, sofrem de alopécia hereditária, Trump fechava negócio com os xeiques, vendendo-lhes armas no valor de 110 mil milhões de euros (dava para a malta pagar o resgate ao FMI e ainda sobravam uns trocos para fazer as 20 estações de metro propostas pela Dona Assunção).
Este é, sem dúvida, o primeiro grande contributo de Trump para a paz mundial.
O que vai a Arábia Saudita fazer a tantas armas se, praticamente, não tem inimigos?
Com sorte, algumas dessas armas ainda vão parar í s mãos do Daesh que, como agradecimento, são muito capazes de atacar a Coreia do Norte.
Haverá maior infiel que Kim-Jong un?






