“As Raízes da Língua”, de Marco Neves (2026)

Marco Neves é bem conhecido no que diz respeito a estas coisas da língua portuguesa.

Este livro debruça-se sobre a origem de 50 palavras e é mais um excelente veículo de propaganda da nossa língua, excepto na página 155, logo na última palavra analisada, onde podemos ler

“no fundo, é uma boa viagem para uma tarde de verão – embora, avisa já, começemos no calor de Portugal…”

Como é possível?

Ninguém reparou neste erro, tão comum nas redes sociais?

O cê de cedilha antes de um “e”?

Ó Marco Silva, também tu?! (ou alguém por ti?)

Parece quase um crime, julgar todo um livro por uma simples frase, mas, quando se trata de um livro sobre a língua, não há desculpas.

De resto, todo o livro merece ser lido…

“Em Nome da Língua. Amen”, de Manuel Monteiro (2026)

É uma pena estes livros não serem obrigatórios nas redações do jornais e telejornais e não serem leitura obrigatória nas escolas.

Manuel Monteiro, autor e revisor linguístico, também é contra o chamado Acordo Ortográfico – aquele que é mais um Desacordo, como o demonstra este pedaço:

“óptico e ótico dizem respeito, respectivamente, à visão e à audição. Com o infausto novo acordo ortográfico, passam a grafar-se de forma igual. Mais um crime”

E nesta pequena citação, o corrector do Word, assinala-me doi erros: o primeiro “óptico” que, segundo o tal acordo não leva “pê”, e “respectivamente”, que não leva “cê”.

Gostava de saber como é que os jovens que foram para Medicina, vão distinguir o nervo ótico do nervo ótico.

Este pequeno livro mostra-nos 71 erros comuns na nossa Língua, muitos deles a surgirem todos os dias nos órgãos de comunicação social. E também há algumas chamadas de atenção para a chamada linguagem politicamente correcta, como esta:

“Se inexistente é o contrário de existente, se inadequado é o contrário de adequado, se inapropriado é o contrário de apropriado (…), invisual é o contrário de visual. (…)

Chamar invisuais aos cegos equivale a chamar inauditivos aos surdos.

Acresce que não temos invisualidade (cegueira) nem invisualizar (cegar) nem invisualzinho (ceguinho). O Ensaio sobre a Invisualidade havia de ser bonito.”

Leiam e aprendam.

“Queria? Já Não Quer?”, de Marco Neves (2024)

O subtítulo deste pequeno livro diz tudo: Mitos e Disparates da Língua Portuguesa.

Entre eles, o mito de que a palavra “bica” é um acrónimo de “beba isto com açúcar”, que é uma daquelas ideias peregrinas postas a correr nas redes sociais. O autor pesquisa, procura e até consegue, neste caso, transcrever um depoimento de um descendente dos fundadores da Brasileira do Chiado, a explicar que bica vem disso mesmo: de uma bica, a bica da cafeteira de onde saía o café de saco.

Mas o livro debruça-se sobre outros disparates, como o do título. Estará errado dizer “queria um café e um pastel de nata?”. E o que devemos responder ao empregado espertinho que nos responde: “Queria? Já não quer?”

Talvez lhe devêssemos responder:” Eu que eu queria era partir-lhe a cara, mas não devo, devido a convenções sociais, portanto, quero exigir-lhe que me traga um café!”

E, afinal, a excelente palavra “caralho” vem mesmo do cesto da gávea, ou estamos todos enganados? Quando mandamos alguém para o caralho, será que pensamos todos nesse cesto?

Enfim, mais um livrinho de Marco Neves que devia ser obrigatório ler antes de começar a usar as chamadas redes sociais…