Outra razão para impedirmos a Manuela de ser primeira-ministra

Há muitas razões para não deixarmos a Manuela Ferreira Leite ser primeira-ministra, mas hoje vamo-nos ficar por esta:

A Dona Manuela está com perturbações da memória.

Ela esqueceu-se do que Santana Lopes fez como presidente da Câmara de Lisboa, ela esqueceu-se que esteve contra Durão Barroso quando este cedeu o seu lugar so Sr. Lopes, ela não se lembra das coisas que ele disse dela, quando ela concorreu contra ele, nas últimas eleições no PSD.

Agora, a Dona Manuela apoia devotadamente o Sr. Lopes – o homem dos túneis.

A Dona Manuela é capaz até de rezar pelo Sr. Lopes – ele, que pediu a ajuda de Deus para ganhar as eleições autárquicas, como se Deus não tivesse já tanto que fazer com as vítimas da gripe, das manifes no Irão e das quedas do airbuses.

Se a MFL ganhar as eleições em Setembro (livra!) é muito capaz de se esquecer que Dias Loureiro (outra grande vítima do Alzheimer) é arguido no caso BCP e convidá-lo para ministro da Administração Interna, cargo que ele ocupava no governo de Cavaco Silva, quando aconteceu o bloqueio da ponte 25 de Abril (será que alguém se lembra disto?)

Uma razão para impedirmos a Manuela de ser primeira-ministra

Há muitas razões para não deixarmos a Manuela Ferreira Leite ser primeira-ministra, mas hoje vamo-nos ficar por esta:

A Manuela Ferreira Leite não é capaz de pensar pela sua própria cabeça.

Afinal, ela assinou a autorização da compra da rede fixa pela Portugal Telecom, em 2002, não porque estivesse de acordo, não porque precisasse daquele dinheiro para manter o déficit abaixo dos 3%, mas apenas porque o negócio já tinha sido resolvido pelo governo anterior, chefiado por Guterres.

Em Setembro, se MFL ganhar as eleições (livra!), é muito capaz de começar as obras do novo aeroporto, do TGV, da 3ª auto-estrada Lisboa-Porto e da nova ponte sobre o Tejo e dizer que não tem culpa nenhuma, porque foram decisões do governo de Sócrates.

Deve a PT comprar a TVI ou a CGTP?

Este ano, a campanha para as legislativas vai ultrapassar tudo a que estávamos habituados.

Combates ideológicos pertencem ao passado – qual a diferença ideológica entre o PS e o PSD? O que distingue, ideologicamente, o PSD do CDS? O que separa, sob o ponto de vista ideológico, o PCP do Bloco de Esquerda? Que diferenças ideológicas importantes existem entre o PS e o PCP? E, se exceptuarmos a legislação sobre gays e eutanásia, o que separa o CDS do Bloco?

Eu sei que estou a ser exagerado mas todos sabemos que, por exemplo, o Manuel Alegre, que é do PS, fala como se fosse do PCP ou do Bloco; que o CDS, no que toca aos agricultores, quase que parece o PCP a defender a Reforma Agrária; que o PSD, em geral, parece qualquer partido e partido nenhum, conforme está no governo ou na oposição; que o PS, igualmente.

E, dos Verdes, nem é bom falar…

Portanto, a ideologia morreu – viva a má língua!

E nesta campanha eleitoral, vamos destilar muito veneno.

Vamos saber, por exemplo, que, afinal, Manuela Ferreira Leite não é assim tão boa avó como quer fazer parecer e que é capaz de deixar a neta, aos berros, enquanto está a preparar o Orçamento Geral do Estado.

Vamos descobrir que Paulo Portas, apesar de dizer que deseja ter um filho, não tem feito nada por isso.

Vamos ouvir dizer que Francisco Louçã, muito provavelmente, é um adepto da bigamia, embora isso nada tenha a ver com aquela calmeirona que andava sempre atrás do Miguel Portas.

Vamos ficar estupefactos com as cenas que Sócrates inventa para escapar ao controlo de Fernanda Câncio, chegando a mascarar-se de Paulo Rangel, para lhe fugir.

Vamos chorar a rir com Jerónimo de Sousa e as suas anedotas sobre Lenine.

Os jornais vão descobrir escândalos escondidos há anos, e só agora revelados, e que vão influenciar o voto dos portugueses, como esta história da PT querer comprar 30% da TVI, só para calar a Manuela Moura Guedes, para que ela não ataque mais o Sócrates.

Claro que o Zeinal Bava é primo do Sócrates, por parte daquele que está a aprender kung-fu na China, e está a fazer-lhe um frete.

Como a D. Manuela Ferreira Leite já explicou, o Sócrates queria obrigar o Bava a comprar a TVI, para silenciar a outra Manuela. Mas, como o Sócrates desistiu e diz que vai vetar o negócio, a D. Manuela diz que só faz para se auto-promover.

Estás lixado, ó Sócrates: és preso por quereres a Prisa e preso por não a quereres!

Mas a PT ia fazer um mau negócio.

Considerando a sua capacidade mobilizadora anti-governo (cem mil professores, cem mil trabalhadores da função pública, cem mil operários, cem mil polícias), a PT devia era comprar a CGTP, de Carvalho da Silva!

Bava – atira-te ao Carvalho!

Onde pára o calor?

A comunicação social anda preocupada com o Nuno Melo, o BPN e o Vitor Constâncio, com a mudança de atitude de Sócrates, com as candidaturas í  presidência do Benfica e com o pequeno Martim (alguém se lembra da pequena Esmeralda?…).

Vai daí, os nossos velhotes andam todos a morrer aos poucos com o calor que se faz sentir e que não é noticiado como devia ser!

É vê-los, í  torreira do sol, secos que nem carapaus, com a língua colada ao céu da boca, porque não há nenhum jornalista que os avise que estamos a viver uma onda de calor e que, por isso, devem andar pela sombra e beber muita águinha.

Jornalistas maus, estes!

No ano passado, bastava a temperatura subir um pouco acima dos 28 graus e era logo reportagens nos largos das vilas, com o coreto ao fundo e as perguntas inteligentes: “Então, que me diz a este calor?”; E o velhote, de camisa, pulóver e casaco, respondia: “A gente aqui na Amareleja, estamos habituados!”

Agora, há uma semana que as temperaturas rondam os 35 graus e os gajos não avisam ninguém!

Ainda ontem vi velhotes na rua, de sobretudo e chapéus de chuva, porqe não sabiam que ia estar tanto calor, caraças!

Afinal, onde está o direito a sermos informados como deve ser?!

Abstinentes e repetentes

Se, por um lado, houve cidadãos que decidiram não votar, e foram a grande maioria (64%), houve outros que decidiram votar duas vezes.

A televisão mostrou ontem um deles, um tal Vitor Manuel Teixeira da Costa Santos que, na sua ingenuidade, não sabia que estava a cometer um crime.

Orgulhoso da sua esperteza saloia, disse como fez: primeiro, usando o seu velho cartão de eleitor, foi votar na freguesia de onde é natural; depois, com o seu novo cartão único, votou na freguesia onde actualmente reside.

Muito contentinho, acrescentou: “E votei as duas vezes no mesmo partido!”. Depois, sorriu para a câmara, exibindo alguns dentes estragados, montou na  Famel e partiu, í  desfilada, em direcção í  sua freguesia natal, a Golpilheira.

País de opereta este: o autor do golpe, é natural de Golpilheira…

PS – se existe uma freguesia chamada Golpilheira, será que também haverá uma Falcatrueira e outra, Roubalheira?

Antes o Luis que o Moniz

Não gosto do Luis Filipe Vieira e penso que o Benfica merecia melhor.

Mas, por favor: antes o Luis que o Moniz!

Já imaginaram o Moniz a gerir o Benfica como se fosse um reality show: jogador que jogasse mal, era expulso da equipa. Chegávamos a Dezembro e tínhamos que comprar mais 20 jogadores.

E depois, pensem na Manuela Moura Guedes a meter o bedelho: “ó Jesus, tira o Cardozo! í“ Jesus, mete o Mantorras! Esta equipa não joga nada e a culpa é toda do Sócrates!”

Não!

Para pior, já basta assim…

Que mal lhes fizeste, Sócrates?

Os jornalistas, em geral, não gostam de Sócrates – e o inverso também deve ser verdadeiro.

Esta história da maioria absoluta versus maioria parlamentar, é mais um exemplo.

Questionado í  entrada para a reunião da comissão política do PS, Sócrates disse aos jornalistas que pretende uma maioria parlamentar nas próximas legislativas.

Parlamentar? – espantaram-se os jornalistas. Então tu não queres uma maioria absoluta, ó Sócras?!

E, í  saída da reunião, voltaram ao ataque: afinal, queres uma maioria parlamentar ou uma maioria absoluta, pá?

E o pá respondeu: “…A maioria parlamentar é uma maioria absoluta, que eu saiba, a não ser que haja outra maioria parlamentar que permita governar sozinho, só a maioria absoluta”.

Que confusão, na cabeça deste primeiro-ministro!

O que vale é que os jornalistas explicam tudo.

Diz a jornalista do Público, Maria José Oliveira: “Maioria absoluta e maioria parlamentar possuem diferentes definições. A primeira, uma maioria qualificada (50 por cento mais um), não implica necessariamente a maioria de um só partido político, bastando lembrar a aliança governamental entre o PSD e o CDS/PP, que assim detinham o maior número de votos no Parlamento. A maioria parlamentar, por seu lado, pode ser uma maioria absoluta, é certo, mas também uma maioria relativa, esta última habitualmente controlada por apenas uma força partidária (embora também existam coligações minoritárias).”

Perceberam?

É tão claro! Absoluta é a maioria que, embora podendo ser de um só partido, como a actual, do PS, também pode ser de uma coligação; maioria parlamentar é, digamos, quer dizer, enfim, também pode ser absoluta, mas se calhar é relativa, a menos que existam coligações… ou não.

Espantosos, estes jornalistas!

Se querem bater no Sócrates, façam o favor; mas, já agora, sejam um pouco mais inteligentes, caramba!

Ronaldo em Madrid, Scolari em Tashkent

Estamos naquela época do futebol que se designa por “defeso”.

É a época em que o Benfica descobre os jogadores que lhe iriam devolver a glória, se o FCP não os contratasse primeiro.

É a época em que todas as equipas preparam a próxima temporada, enquanto o Benfica discute quem há-de ser o próximo presidente.

É a época em que as restantes equipas renovam os contratos com os seus treinadores ou apresentam os novos, enquanto o Benfica continua í  espera de Jesus.

É a época das transferências milionárias, que fazem sonhar qualquer ex-depositante do BPP, sobretudo os de “retorno absoluto”.

Pagar 93 milhões de euros por um jogador de futebol, parece exagerado, por muito bom que esse jogador possa ser.

Os responsáveis do Real Madrid dizem que Cristiano Ronaldo vale mais que isso e que os 93 milhões de euros são um bom investimento.

Os 3,5 milhões de desempregados espanhóis devem pensar isso mesmo.

Outra contratação interessante foi a de Scolari, para treinador do Bunyodkor, um clube de futebol do Uzbequistão. Vai ganhar 10 milhões de euros pelos próximos 18 meses.

Em primeiro lugar, nem sabia que o Uzbequistão tinha uma equipa de futebol.

Será que Scolari aceitou o lugar devido ao nome da capital do Uzbequistão?

É que a capital é Tashkent, e não é só de nome. Hoje, por exemplo, a temperatura média esperada para a cidade é de 35 graus. Só que a praia mais próxima ficava a centenas de quilómetros, no mar Aral.

E digo ficava, porque o mar Aral está a desaparecer e já nem praias tem. Agora, se Scolari quiser ir dar uma cacholada, tem que ir ao mar Cáspio, que fica a alguns milhares de quilómetros de Tashkent.

De qualquer modo, espero bem que Scolari não renove o contrato de 18 meses. É que o ex-seleccionador nacional tem 61 anos e a esperança média de vida no Uzbequistão é de 65 anos…

Que ninguém o pare!

Houve duas coisas de que gostei muito na noite eleitoral.

Uma, foi a maneira sentida, vibrante, máscula, í  homem, como Paulo Portas, com uma lágrima no canto do olho, se abraçou a Nuno Melo.

Por momentos, pensei que iam arrancar o braço um ao outro, tal o vigor aplicado naquele abraço.

Os homens a sério vêem-se neste gestos(*).

A outra, foi ver Paulo Rangel a ocupar metade do palanque e rodeado por 152 jovens pê-esse-dês, imberbes, a gritarem: “Ninguém pára o Rangel! Ninguém pára o Rangel! Ninguém pára o Rangel, olé-ó!”.

Concordo plenamente.

Posto a rolar, em direcção a Bruxelas, espero bem que ninguém o pare e que o deixe rolar, Europa fora, até aos Urais.

(*) – Os homens? A sério?! Vêem-se nestes gestos?

Os homens!… A sério que se vêem nestes gestos?

Os homens a sério vêm-se nestes gestos?