Barreto – ou como voar da Esquerda para a Direita em 60 anos

António “…Pingo Doce” Barreto é um personagem curioso. Apesar de já ter defendido o que agora ataca e atacado o que agora defende, continua a ser ouvido e entrevistado e a publicar uma crónica todas as semanas.

Nascido em 1942, Barreto foi militante do Partido Comunista entre 1963 e 1970, isto é, entre os 21 e os 28 anos ““ coisas da malta nova.

Em dezembro de 1974, aderiu ao Partido Socialista e, no ano seguinte, foi eleito deputado pelo PS. No primeiro governo constitucional, liderado por Mário Soares, foi ministro do Comércio e Turismo e, depois, ministro da Agricultura e Pescas, tendo sido o responsável pela famosa Lei Barreto, que redefinia a Reforma Agrária.

Tinha, então, 32-33 anos.

Em 1978, com 36 anos, afastou-se do PS e aproximou-se da Aliança Democrática de Sá Carneiro.

Mas regressou ao PS entre 1987 e 1991, tendo sido, novamente, eleito deputado por aquele partido.

Por volta dos 50 anos, abandonou definitivamente o Partido Socialista e foi-se endireitando cada vez mais.

Hoje, com quase 80 anos, Barreto deu uma entrevista ao jornal Nascer do Sol.

São 3 ou 4 páginas de perguntas e respostas e Barreto diz coisas como estas:

– “…A justiça do antigo regime era mais séria do que a de agora”, como se comprova pelos Tribunais Plenários.

– “…A requisição civil em Odemira é um acto de terrorismo político” ““ Osama Bin Laden não diria melhor…

– “…Vamos ter um problema de cor de pele por muitos anos” ““ gostava de saber onde é que o Tó Barreto se bronzeia…

– “…A violência dos EUA sobre brancos é aceitável, a violência sobre negros passou a ser de bradar aos céus” ““ quer dizer que, antes, era aceitável também?… Aos 20 comunista, aos 30, socialista, aos 40, social-democrata, aos 60, conservador-liberal. Agora, que se aproxima dos 80, será que Barreto vai aderir ao Ch#ga?

25 de Abril sempre!

Quando, com 20 anos, comecei a coleccionar, num dossier, recortes do jornal República, não sabia quase nada.

Não sabia, por exemplo, que em breve começaria a colaborar com o jornal, com textos mais ou menos humorísticos, influenciados pelo Mário-Henrique Leiria.

Não sabia, também, que, graças a esses textos, conheceria o ílvaro Guerra e que, depois do 25 de Abril, ele me convidaria para uma experiência como jornalista na RTP, que durou até acabar o curso de Medicina, entre junho de 1974 e dezembro de 1977.

Não sabia, nem poderia imaginar, que, 47 anos depois, ao ler alguns desses recortes ficaria incrédulo: mas que país era aquele?

Ao folhear o grosso dossier repleto de recortes, todos de 1973, tenho dificuldade em escolher um que seja representativo da tristeza de país em que vivíamos.

Podia escolher aquele em que o presidente Américo Tomaz dizia que «é necessário evitar, a todo o custo, o caos em que a civilização ocidental se está precipitando. (…) Temos de nos manter permanentemente em estado de alerta e prontos a imitar Cristo”.

Ou ainda aqueloutro, em que o chefe do governo, Marcello Caetano dizia «pus um travão ao processo de liberalização em Portugal apenas porque o futuro está seriamente ameaçado pela difusão de ideias anarquistas e socialistas».

Acabei por escolher este recorte, também de agosto de 1973. Podemos ler afirmações de Natália Tomaz, esposa do presidente, do próprio presidente e ainda do inefável governador civil de Lisboa, Afonso Marchueta. Poucos se lembram desta gente, nomeadamente, muitos dos democratas formados í  pressa que andam por aí a dar vivas í  liberdade, mas, no fundo, desejam ardentemente que se estabeleçam limites para essa mesma liberdade.

Hoje mesmo, nas declarações de alguns dirigentes partidários, no final das comemorações do 47º aniversário do 25, ouvi palavras semelhantes. Aquele Francisquinho do CDS, por exemplo, afirmou que quer libertar Portugal do jugo socialista, coitado…

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Fascismo, nunca mais!

O Sócrates já foi vacinado?

Vamos ao que interessa: José Sócrates já foi vacinado?

Sabemos que não faz parte de nenhum grupo de risco, mas com tantos conhecimentos, não terá conseguido uma dosezinha da vacina, mesmo que fosse da AstraZeneca?

Certamente que, se deixassem o procurador Rosário Teixeira investigar, descobriríamos que o amigo Carlos Santos Silva teria importado uma embalagem de vacinas, para Sócrates ser vacinado e vacinar todas as suas testas de ferro.

Aí está mais um crime socrático que não vai a julgamento!

O juiz Ivo Rosa deu ontem uma lição de como se consegue resumir seis mil páginas em três horas. Mas podia ter feito melhor: bastava que dissesse apenas quem vai a julgamento e porquê, em vez de gastar saliva a descrever as centenas de crimes que caíram por terra.

Ricardo Salgado já deve ter sido vacinado, uma vez que faz parte de um grupo prioritário por ter sido banqueiro.

O juiz disse que ele, afinal, não corrompeu ninguém, nem Sócrates, nem Granadeiro, nem Bava.

Se eu fosse ao Salgado, sentia-me injustiçado!

Quem julga aquele juiz que é, para considerar que Salgado não é capaz de corromper ninguém?!

Depois, há a questão das prescrições.

Há quem não perceba isso das prescrições.

Mas é simples: se roubares, fugires ao fisco, sonegares informação, tiveres benefícios ilícitos, em suma, se fores um grande ladrão, mas só fores descoberto passados cinco anos, é como se nada se tivesse passado.

É como se deixasses a vacina do covid passar do prazo de validade.

Deixa de fazer efeito.

Quem fica muito mal nesta fotografia é o juiz Carlos Alexandre.

Ora vejam…

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Feliz Moedas Oliveira Leite

Rui Rio não teve qualquer dificuldade em escolher os candidatos do PSD í s principais Câmaras do país.

Escolheu pelos nomes.

A Câmara do Porto foi a mais difícil. Não podendo apoiar a recandidatura do seu homónimo, por razões relacionadas com ódios figadais, viu-se um bocado aflito para encontrar um candidato cujo perfil encaixasse nas suas premissas, e que eram, já que não posso ganhar, ao menos que seja feliz.

E foi quando se lembrou do Vladimiro que, apesar do primeiro nome com ressonâncias soviéticas, tem um apelido feliz- exactamente, Feliz.

Portanto, para o Porto, Vladimiro Feliz.

Quanto a Gaia, que tal aquele coleccionador de arte contemporânea que nada tem a ver com futebol, de apelido Oliveira?

Pois não é a oliveira um dos símbolos da paz, quando um dos seus ramos é transportado pelo bico de uma pomba?

Fica então o António Oliveira para a Gaia.

Sintra era outro problema bicudo, já que, pela frente, vai haver um Horta.

Neste caso, foi o rapazinho do CDS que lhe deu a ideia, ao recordá-lo desse grande democrata que dava pelo nome de Jacinto Leite Capelo Rego.

Também tenho um Leite! – exclamou Rio.

E Batista Leite ficou por Sintra.

Quanto a Santana Lopes, Rio ainda tentou Torres Vedras, mas Lopes é um apelido fraco e o Sr. Lopes ficou sem Câmara.

Finalmente, para Lisboa, que tal um Moedas, para atirar í  cara do Medina?

Esse tipo que só tem testa está farto de gastar dinheiro só para ser reeleito – agora até se lembrou de ir testar os lisboetas í  covid, só para garantir votos.

Mas o Moedas vai fazer-lhe frente!

Como se viu na conferência de imprensa de apresentação do candidato, o Moedas estava cheio de pica para avançar.

Não admira, ele é Carlos – vale por dois!…

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Medidas contra a vaga de frio

68. Decorreu, esta tarde, a reunião com os especialistas.

Perante a vaga de frio que atravessamos, e depois de ouvir os especialistas, o governo aconselha o uso de gorro e luvas e, sempre que possível, as pessoas devem manter-se em casa, embora com o devido distanciamento em relação aos aquecedores, lareiras e escalfetas.

Foram estes os conselhos do primeiro-ministro, que se retirou rapidamente, esfregando as mãos e com os lábios roxos.

O líder da Oposição veio criticar o governo, dizendo que estas medidas pecam por tardias; no fim de verão, era previsível que tivéssemos uma vaga de frio e, portanto, o governo devia, então, ter tomado medidas. Agora, é tarde e vamos continuar a tiritar.

Os partidos mais í  esquerda, embora concordem com o gorro e as luvas, exigem medidas de apoio í  compra de aquecedores e de lenha para todos os operários, camponeses, soldados e marinheiros.

O partido liberal, pelo contrário, não está de acordo com a obrigatoriedade do uso de luvas e gorros e afirma que, se as pessoas quiserem andar de calções e havaianas, estão no seu pleno direito porque o mercado tudo regula.

Finalmente, a extrema-direita exige que acabem com os subsídios para a compra de luvas e gorros para toda aquela malta que não quer trabalhar, incluindo os que vêm de Marrocos.

Trump e a invasão do Capitólio

A 12 de novembro de 1975, operários da construção civil e não só, cercaram a Assembleia da República e sitiaram o governo.

Na altura, o primeiro-ministro, era o almirante Pinheiro de Azevedo, o almirante sem medo.

Zangado, o truculento almirante disse que não gostava de ser cercado e gritou, para quem o quis ouvir, “…bardamerda para os fascistas!”

Há versões diferentes, mas todas concordam no bardamerda.

E também todos concordam que Pinheiro de Azevedo, vendo o fumo resultante de gás lacrimogénio, terá gritado: O povo é sereno, é só fumaça!

O que é certo é que era só fumaça, o povo português é mesmo sereno, acabou por dispersar e bardamerda para a revolução, foi o que foi.

Esta semana, no Capitólio norte-americano, não foi só fumaça, até porque aquele povo está longe de ser sereno.

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Incentivado pelo derrotado Trump, algumas centenas de manifestantes, onde se destacava uma espécie de veado, de tronco nu e peludo, coberto por uma pele de urso e encimado por um par de cornos, invadiu o Capitólio, conseguiu entrar e interromper os trabalhos de confirmação da vitória de Joe Biden.

A polícia não conseguiu deter os invasores e Trump acabou por ser banido do Twitter e do Facebook, para que não publicasse mais palavras incendiárias.

Tudo acabou com cinco mortos e dezenas de detenções e, muito mais tarde, a sessão foi retomada e Joe Biden e Kamala Harris lá foram confirmados.

Ao vermos as imagens da invasão do Capitólio, não pudemos deixar de nos recordar de imagens semelhantes, em Caracas, por exemplo. A Venezuela de Maduro, que Trump tantas vezes ridicularizou, afinal, não está assim tão longe dos States.

Temos agora dois candidatos a presidente, o liberal Tiago Mayan e o grunho André Ventura que, sempre que querem denegrir os candidatos mais í  esquerda, evocam a Coreia do Norte e a Venezuela.

Têm de começar também a citar os Estados Unidos de Trump…

Vacinem os canalizadores primeiro!

O eminente bastonário dos Médicos, depois de ter sido vacinado contra a covid, lembrou-se de questionar as prioridades na vacinação, e propor que se vacinassem, já os idosos que não estão nos lares.

Não estou de acordo!

Já vos aconteceu acordarem num domingo de manhã com a casa inundada porque rebentou o cano da sanita?

Experimentem, e vão ver que não é agradável.

Telefonámos para o Sr. Leonel, o canalizador aqui da região. A esposa informou que não podia vir porque estava em isolamento profilático; pelos vistos, esteve num congresso de canalizadores e andavam por lá uns colegas assintomáticos, mas infectados com o bicho. Resultado: todos em isolamento durante dez dias; por conseguinte, não há canalizadores nos próximos tempos.

É por isso que eu acho que os canalizadores deviam ser vacinados já nesta primeira fase.

Alguém levantou uma pedra..

E de lá começaram a sair lacraus há muito escondidos.

Santana Lopes, Cavaco Silva e até Passos Coelho.

Gostava de saber o que o PPC diria a esses queixinhas que andam para aí, choramingando por causa das medidas do estado de emergência.

Agora com o seu novo look descapotável, Passos Coelho parece querer voltar í  ribalta.

Quando o PSD se estatelar nas autárquicas, estará pronto para triturar o Rui Rio e regressar, triunfante, para gáudio do Vent$ra…

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Cada vez mais o cão morde no homem

A comunicação social, em geral, adopta, cada vez mais, esta atitude de procurar sempre a defesa das minorias, o que poderia ser uma coisa digna de aplauso, mas que acaba por ser uma posição irritante.

O exemplo mais recente desta atitude centra-se no combate í  pandemia.

Ninguém estava preparado para o covid 19.

Quando se fizerem as contas, no final de mais esta pandemia, ninguém se poderá vangloriar de ter antecipado o problema e de o ter enfrentado com notável sucesso.

Ao longo destes meses, a comunicação social tem enchido a boca com o exemplo da Suécia. Hoje, o rei dos suecos declarou publicamente que o país tinha falhado, no que respeita combate contra o covid, sobretudo nesta segunda onda.

Outro exemplo que a comunicação social levou aos píncaros, nomeadamente a Dona Sandra Felgueiras, da RTP, foi o da República Checa. Também já passou í  história, perante o aumento do número de casos.

Por cá, os jornais e as televisões partiram sempre do princípio de que o SNS é uma merda e que a ministra da Saúde é uma incompetente e que a directora-geral da Saúde, uma tonta. Os hospitais estiveram sempre í  beira da ruptura, os doentes estiveram sempre a morrer por falta de diagnósticos, nunca houve testes suficientes, as medidas foram sempre insuficientes ou, pelo contrário, foram a mais, os ventiladores eram poucos, depois eram suficientes, mas faltava-lhes um adaptador para o oxigénio (gostava de saber se os jornalistas fazem ideia do que é um ventilador, quanto mais uma cena para o oxigénio…).

O Público e a RTP conduziram um inquérito sobre a avaliação que os portugueses fazem do trabalho das autoridades, no que respeita ao combate ao covid.

Anunciaram, em parangonas, que 17% dos inquiridos classificavam como mau ou muito mau o desempenho da ministra Marta Temido; no entanto, mais de 80% disseram que o trabalho dela foi razoável, bom ou muito bom.

Idêntico raciocínio fez a comunicação social em relação a António Costa ou Graça Freitas, ou seja, as opiniões positivas ou razoavelmente positivas foram escamoteadas, em favor da minoria das opiniões negativas.

Mas, no que respeita í  vacina contra o covid, a atitude da comunicação social é ainda mais preconceituosa.

Os jornalistas, em geral, ignoram que Portugal é um dos países do Mundo com taxas mais elevadas de vacinação ““ e que essa vacinação é feita, toda, nos nossos Centros de Saúde. As nossas equipas de enfermagem vacinam contra o tétano, poliomielite, tosse convulsa, parotidite, sarampo, rubéola, meningite, etc, há décadas.

E como são ignorantes neste campo, os jornalistas encheram a boca com os alemães, que estão a preparar pavilhões para vacinações em massa, como quem diz, vêem como eles são bons e nós somos uma merda?!…

Afinal, parece que a Pfizer não vai ser capaz de fornecer o número de doses que previa, pelo que, a nós, Portugal, cabem 9 750 doses, para já. Para as nossas enfermeiras, vacinar 9 750 pessoas vai ser como limpar o cu a meninos.

Ontem mesmo, os jornais embandeiravam com a notícia de que a França e a Alemanha iam começar a vacinação a 27 de dezembro. Afinal, parece que TODOS os países da União Europeia vão começar nesse dia. Portugal TAMBÉM!

Finalmente, no tal inquérito do Público e da RTP, perguntava-se se os portugueses estavam dispostos a ser vacinados contra o covid.

Três em cada quatro responderam que sim, mas isso era mau, em termos de notícia. Pois se estava estabelecido, pelos órgãos de comunicação social, que a campanha de vacinação ia correr mal, que não havia pessoal suficiente, que os centros de saúde não seriam capazes de cumprir a tarefa ““ era preciso dar uma ideia diferente da opinião geral dos inquiridos.

Por isso, noticiou-se que um em cada quatro portugueses não pretende ser vacinado para já…

Ora, porque não vão dar banho ao cão?…

A fome é negra!

Ao terceiro dia de greve de fome, exigimos uma reunião com o Presidente da República.

Estamos fortes e unidos e esta luta é para levar até ao fim.

Decidimos não ingerir nada a não ser água ou chá com açúcar.

Ao quarto dia de greve de fome percebemos que o Presidente tem mais coisas importantes para tratar, mas exigimos a presença do Primeiro-Ministro.

Continuamos fortes e unidos, mas com um ratinho no estí´mago…

Nada nos fará desistir da nossa luta!

Ao quinto dia de greve de fome não queremos que digam que somos inflexíveis e, em vez do Primeiro-Ministro, aceitamos uma reunião com o ministro da Economia.

Apesar de continuarmos fortes e unidos, estamos esganados de fome; um de nós teve que ir ao hospital levar um soro e regressou ainda mais forte e determinado.

Ao sexto dia de greve de fome, sonhámos com um Big Mac e aceitámos uma reunião com o presidente da Câmara. Confesso que até aceitávamos um vereador, ou mesmo um presidente da Junta.

Vamos todos comer croquetes!