Cala-te, Coelho!

Eu só conhecia um coelho que fala: Bugs Bunny.

Sou fã.

Quando o Bugs Bunny pergunta what’s up doc?, roendo a cenoura, consegue arrancar-me sempre um sorriso.

Mas agora conheço outro coelho que fala: Passos Coelho.

E também tem muita graça, este coelho.

Ontem, perante uma plateia de jovens dirigentes associativos, Coelho disse “a democracia e a liberdade têm de ser regadas com muito cuidado todos os dias”.

Que grande porra!

Só li esta notícia agora e penso que já é tarde para ir regar a democracia e a liberdade hoje… Vão secar, coitadas…

Mas Coelho disse mais.

Numa curta declaração, nos jardins de S. Bento, apelou í  participação dos mais novos nas comemorações do 25 de Abril, para que não fiquem a “cheirar a bafio”.

E aqui fiquei confuso.

É que se regarmos a democracia e a liberdade todos os dias, com a humidade que tem estado, é certo e sabido que vão começar a cheirar a bafio.

Teremos, então, uma democracia e uma liberdade com bolor.

Em que ficamos, Coelho: regamos a coisa e ela fica a cheira a bafio, ou não regamos e a coisa seca?

Estás frito, Coelho…

25 de Abril, sempre!

São apenas números?

1. Partos em casa em 1974 – 66%; em 2012 – 0,7%

2. Percentagem de mulheres no total de doutoramentos em 1974 – 12,6%; em 2013 – 54,1%

3. Estudantes do ensino superior em 1970 – 49 375; em 2011 – 1 244 742

4. Alunos no ensino secundário em 1970 – 43 653; em 2013 – 411 238

5. Taxa de analfabetismo em 1970 – 25,7%; em 2011 – 5,2%

6. Mulheres no mercado de trabalho em 1974 – 1 540 500; em 2013 – 2 565 100

7. Habitações com água canalizada em 1970 – 50,4%; em 2011 – 73,2%

8. Esperança média de vida em 1974 – 68,2 anos; em 2011 – 79,8

9. Taxa de mortalidade infantil em 1970 – 37,9 crianças morriam por cada mil que nasciam; em 2013 – 3,4

E ainda acham que isto está muito pior?…

Pela hora da morte

Um vento de protesto passa por terras do Douro.

O povo de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde une-se para protestar contra o aumento das taxas dos cemitérios.

Por exemplo: no caso de enterros em sepulturas, o preço era de 17,20 euros e vai passar a ser 49,60, o que corresponde a um aumento de 180%.

Mas o maior aumento dá-se nos enterros aos fins de semana, em que a taxa passa de 42,30 para 123 euros, ou seja, um aumento de 190%!

Morrer no Douro está pela hora da morte.

Portanto, esta malta de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde é muito capaz de decidir não morrer, o que irá prejudicar, ainda mais, a sustentabilidade das pensões da Segurança Social.

Sempre quero ver o que é que a troika tem a dizer sobre isto!…

Um governo prejudicial í  saúde

Factos:

1. No final da reunião do Conselho de Ministros de terça-feira passada, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque disse que teremos que ter mais «contributos adicionais do lado da receita, designadamente na indústria farmacêutica ou de tributação sobre produtos que têm efeitos nocivos para a saúde».

2. No dia seguinte, o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, revelou a intenção de criar uma taxa sobre produtos com alto teor de sal ou açúcar.

3. Hoje, o Público diz que o ministro da Economia, Pires de Lima disse: «Não há taxa. É uma ficção, um fantasma que nunca foi discutido em Conselho de Ministros e cuja especulação só prejudica o funcionamento da Economia».

Estes três factos permitem as seguintes cinco perguntas:

1. Um secretário de Estado que é Leal da Costa também será leal do interior?

2. Um pires de loiça não seria preferível a um Pires de Lima?

3. Maria Luís Albuquerque é mesmo um pãozinho sem sal?

4. Leal da Costa sofre de amargos de boca?

5. O secretário de Estado da Saúde tem alguma empresa produtora de aspartame?

Em resumo: se Maria Luís Albuquerque quer taxar os “produtos com efeitos nocivos para a saúde” por que não começa por ela própria?

 

Quando Durão era Durinho

Durão Barroso não pretende ser candidato í  presidência da República mas não faz outra coisa se não aparecer nos telejornais por tudo e por nada.

Há uns dias deu uma entrevista í  SIC, que ocupou quase um telejornal inteiro. Um frete do Balsemão, claro…

Nessa entrevista, entre muitas vulgaridades, disse, com aquele ar de cherne cheio de ovas, que tinha chamado o Vitor Constância por três vezes para tentar perceber se o que se dizia sobre o BPN era verdade.

E o Constâncio, moita, disse o Durão.

E o Durão, pergunto eu, o que fez?

Nada, também nada!

Ontem, Durão esteve não sei onde a entregar um cheque chorudo da Comissão Europeia, a fim de ser distribuído por obras sociais.

Escusava de se ter dado ao trabalho, caramba!

Mandava cá um comissário qualquer.

Mas Durão quer aparecer; não é que pretenda ser candidato í  presidência, não senhor!

E então, na entrega do tal cheque, Durão resolveu recordar os velhos tempos em que era aluno do Camões, ou seja, quando ainda era um puto, um Durinho…

E disse esta coisa espantosa: no tempo do Estado Novo «apesar de algumas liberdades cortadas, havia na escola uma cultura de mérito, exigência, rigor, disciplina e trabalho».

Claro que havia, Durão!

O que não havia era escola para todos, pá!

Os liceus em Lisboa contavam-se pelos dedos de uma mão e na província, nem se fala! A taxa de analfabetismo era brutal e poucos miúdos passavam da quarta classe, a Universidade era só para uma minoria e os programas escolares escamoteavam factos da História que não interessavam ao regime.

O menino Durinho portou-se mal desta vez!

E como gosta de uma cultura de exigência, vou-lhe dar umas valentes reguadas e pí´-lo no canto da sala com orelhas de burro!

durao barroso

Espeta-lhe essa alheira no coração!

Fui surpreendido por este título do Diário de Notícias de hoje:

«Passos Coelho não recebeu facas mas sim alheiras»

Mas afinal, o que vem ser esta conversa de objectos cortantes e enchidos?

Em traços largos: um empresário de Lamego, Júlio Marinheira, farto de esperar financiamento para um empreendimento hoteleiro, decidiu escrever uma carta a Passos Coelho, a expor a situação.

Segundo notícia da SIC, essa carta, dirigida ao primeiro-ministro, acabou por chegar ao Ministério da Economia e, dentro do envelope, vinha uma faca!

O DN foi investigar e falou com a segurança de São Bento.

E que lhe disseram?

«Uma dessas fontes conta que “de vez em quando, têm sido recebidas algumas encomendas, mas que não têm nada de ameaçador, como alheiras e alguns produtos de gastronomia regional”».

Ora isto é muito grave!

Uma faca destinada a Passos Coelho, para que ele corte os pulsos, por exemplo, é compreensível… agora, quem são os cabrões que lhe estão a enviar alheiras, pá?

Cambada de vendidos!

 

Volta, Saddam Hussein – estás perdoado!

O Governo iraquiano aprovou uma proposta de lei que merece a nossa atenção.

Essa lei passa a permitir casamento com raparigas a partir dos 9 anos e relações sexuais sem consentimento mútuo!

Convém esclarecer que essa lei só se aplica aos xiitas (que alívio!). Chama-se Lei do Estatuto Pessoal e é baseada na jurisprudência da escola religiosa de Jaafari, fundada pelo sexto imã xiita Jaafar al-Sadiq.

Sadiq, sem dúvida!

A Lei foi apresentada pelo ministro da Justiça iraquiano Hassam al-Shimmari, membro do partido xiita radical Fadhila, que quer dizer virtude.

Virtude?!

A mesma lei, além de aprovar também a poligamia, estabelece o modo como homem deve tratar as suas mulheres, no que respeita a quecas.

Assim, se a esposa for jovem e nunca tiver sido casada antes, pode dormir com o marido sete noites seguidas. No entanto, se a esposa já não for assim tão jovem ou já tiver sido casada, só tem direito a três noites seguidas com o marido.

No que respeita ao divórcio, continua a ser aceite, mas será difícil para as mulheres.

Estas só poderão divorciar-se se o marido for impotente ou se o seu pénis tiver sido amputado.

De que é que elas estão í  espera?

Aquilo corta-se mais facilmente do que se pensa!

Quanto aos homens, poderão divorciar-se das mulheres por inúmeras razões e uma delas está relacionada com o aparecimento de erupções cutâneas na esposa.

Quer dizer: se um xiita se pode casar com uma miúda de 9 anos, arrisca-se a ter que se divorciar quando a miúda apanhar varicela!

Que saudades do Saddam Hussein, não?

Intolerância ao leite

O secretário de Estado da Administração Pública, José Leite Martins, convocou alguns órgãos de comunicação social para lhes dizer, informalmente, quais as ideias do Governo no que respeita ao futuro dos salários e  pensões dos trabalhadores do Estado.

Informalmente quer dizer, tipo, é pá, o Governo vai transformar os cortes transitórios em definitivos e tal e a Contribuição Especial de Solidariedade passa a ser para sempre e tal, mas isto é tudo off the record e tal.

Os jornalistas publicaram isto tudo e o Governo ficou indignadíssimo!

Passos espumou, Portas berrou!

Hoje, no Parlamento, Portas disse que “o que aconteceu foi um erro, não devia ter acontecido”, desmentido, assim, o secretário de Estado Leite.

Não é a primeira vez que Portas se dá mal com um Leite.

Já há uns anos fiou famoso um homem misterioso que teria financiado a campanha eleitoral do CDS e que se chamava Jacinto Leite Capelo Rego…

Definitivamente, Portas tem intolerância ao leite…

Com tutano e tudo!

Fiquei a saber, graças í  revista Tabu, que o chefe Dieter Koschina (chefe de quê?!) só vai estar í  frente da cozinha do Vila Joya, em Seteais, até ao fim deste mês.

Depois, regressará ao seu restaurante, no Algarve.

Quer dizer que só temos 5 dias para degustar as «papadas de porco ibérico com alcachofras de Jerusalém e shitake, a corça com tutano, caju e cherivia ou o bacalhau fresco com cevada pérola, rábano e cidra» – tudo por 95 euros por pessoa (menu de três pratos) ou 165 euros (seis pratos).

Corça com tutano!

É pena eu andar com falta de apetite…