It’s good to be the king!

Depois de ter afirmado que os espanhóis devem enfrentar a crise com «rigor e seriedade» e de ter dito que ele próprio tinha «o dever de observar um comportamento exemplar», o rei Juan Carlos pirou-se para o Botswana para caçar elefantes.

Ora, sabendo-se que a licença para caçar elefantes custa cerca de 30 mil euros, temos que concordar que o comportamento do rei não foi dos mais exemplares.

—No site da empresa que organiza a caçada, lá estava uma foto do rei, de espingarda na mão, junto ao corpo de um imponente elefante macho, supostamente caçado por sua alteza.

A foto foi, entretanto, retirada do site, mas, hoje em dia, não se pode fazer como no tempo do Lenine, em que o Trotsky era apagado das fotos – e a foto aí está, para a posteridade.

E até parece que deus-todo-poderoso estava atento e pimba – fez com que o rei desse um valente trambolhão e fracturasse a coxofemural, como castigo!

Repatriado para Espanha, foi-lhe colocada uma prótese na anca, para que nunca mais se esqueça daquele elefante.

Claro que isto só podia acontecer em Espanha, em que o rei nunca se reforma e recebe o ordenado por inteiro até morrer.

O nosso Cavaco Silva nunca poderia ir caçar elefantes, já que a sua magra reforma nem chega para os medicamentos para o Alzheimer… quanto mais para caçar elefantes! Se ainda fossem gambozinos!

E por falar em excessos dos líderes: o presidente da ífrica do Sul, Jacob Zuma, de 70 anos, vai-se casar pela sexta vez.

Sabendo que uma das esposas se suicidou e que outra se divorciou, isto quer dizer que o presidente passará a ter quatro esposas. Acrescente-se que a poligamia é legal na ífrica do Sul.

Grande Zuma! A crise não te atinge, pá!

Champanhe para os sem-abrigo

Primeiro, vamos situar a coisa:

O Gil Vicente é um clube de futebol da cidade de Barcelos.

O seu presidente chama-se António Fiúsa.

O Gil Vicente vai hoje jogar a sua primeira final de uma grande competição – a Taça da Liga.

O jogo é contra o Benfica.

Situada a coisa, vamos agora ouvir as palavras sábias de Fiúsa:

«Pertenço a um associação e se trouxermos a taça para Barcelos, prometo, durante oito dias, oferecer champanhe aos sem-abrigo que vão almoçar a essa associação, í  volta de 40 pessoas carenciadas».

Fiúsa é sempre a abrir!

Quais dar um par de sapatos novos, um cobertor ou uma samarra a cada sem-abrigo!

É champanhe e do melhor, que Fiúsa logo acrescentou que tinha que ser do melhor, um “moet chandonzinho”, como ele sublinhou!

E acrescentou:

«Se ganharmos vamos almoçar um leitão e beber um Moet & Chandon, dos melhores champanhes que há!»

É este o conceito de felicidade do presidente do Gil Vicente: leitão e champanhe!

Mas estas afirmações do Fiúsa colocam muita pressão sobre o Benfica.

É que se o Benfica, desgraçadamente, ganha a taça, os sem-abrigo não terão o privilégio de saborear o Moet & Chandon e vão continuar a ter que emborcar a zurrapa de um espumante qualquer!

 

O nosso não é um Jesus a sério!

O nosso Jesus não sabe expulsar os fariseus.

Quando tem que os enfrentar, retrai-se, encolhe-se e leva na cabeça.

Em três anos de Jesus, nunca enfrentámos os nossos demónios como deve ser; foi sempre a medo. E mesmo quando ganhámos, foi í  rasca, a coçar para dentro.

O nosso Jesus tem medo de morrer e não ressuscitar ao terceiro dia. Não confia no pai. Nunca se deixa cair em tentação.

É um Jesus fraco.

E í s vezes, inventa, mesmo quando já tudo está inventado.

É certo que nos proporcionou alguns momentos de alegria mas está na altura de ir treinar para o Dubai ou para a Arábia Saudita, onde o seu penteado será muito apreciado.

Quanto a nós, agradecíamos alguns reforços a sério.

E um novo Profeta.

Queres subsídios? Toma!

Ficou tudo muito indignado com a revelação do Steps Rabbit, de que os subsídios de natal e de férias só voltarão em 2015, e aos bochechos.

Não percebo tanta gritaria.

Está na cara que a política deste governo é mesmo esta: acabar com tudo que cheire a subsídios: de natal, de férias, de desemprego, de natalidade, de morte, de invalidez, de acidente de trabalho, de doença, you name it.

Coelho, Portas, Gaspar e Companhia querem acabar com o Estado Social e substituí-lo pela Caridadezinha.

Vamos voltar aos tempos em que cada família, da pequena burguesia para cima, tinha, pelo menos, um pobre de estimação.

Dava-se esmola í quele pobre e ficávamos com o problema da solidariedade social resolvida.

Quanto aos subsídios, ou í  falta deles, claro que a culpa é dos sindicatos.

Quando discutiram os sucessivos acordos colectivos, os sindicatos deviam ter lutado pela extinção dos subsídios e pela sua incorporação nos ordenados mensais.

Acabavam-se com as tretas dos subsídios, cuja designação cheira logo a favorzinho que nos fazem.

Subsídio é uma ajuda, um auxílio, um contributo. Se nos dão esse subsídio, também o podem tirar…

Foi o que aconteceu agora.

E depois, em 2015 (segundo a última versão do Coelho), vão ser bonzinhos e voltam a conceder-nos o privilégio de recebermos os subsídios, mas í s pinguinhas.

Resta saber o valor dessas pinguinhas…

Acabaremos por voltar a receber os subsídios por inteiro lá para 2025, se não houver outra crise e levarmos com outra troica em cima…

 

Grandes verdades das reportagens de rua

Após visionar centenas de reportagens de rua, transmitidas pelos jornais televisivos, cheguei í s seguintes conclusões:

– Os entrevistados apresentados como testemunhas, regra geral, não testemunharam nada. Geralmente, ouviram o estrondo e, quando chegaram í  janela, já não viram nada

– Três em cada quatro entrevistados usam polares da Quechua.

– Geralmente, o terceiro entrevistado de uma reportagem, é brasileiro

– Cerca de 95% dos entrevistados tem dentes podres e não se importa de os mostrar

– Em caso de incêndios, cheias, acidentes de automóvel, derrocadas e tragédias em geral, todos os entrevistados afirmam nunca terem visto nada assim, mesmo que seja algo que aconteça todos os anos

– Todos os entrevistados apanhados em bombas de gasolina não sabem onde isto vai parar e conhecem pessoas que fazem cem quilómetros até Espanha para encher o depósito

– Os populares entrevistados junto aos Tribunais gostavam de apanhar o réu cá fora e espancá-lo até í  morte, excepto se forem familiares do dito; nesse caso, acham que só há justiça para os ricos

Continuarei vigilante

A crise chega a todos

O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) mostra que a crise também se faz sentir nas forças da ordem.

De facto, a PSP, a GNR, a PJ e o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, em conjunto, realizaram, em 2011, apenas 71 898 detenções – menos 16 280 do que em 2010.

No que respeita í  emancipação feminina, também neste capítulo pouco se evoluiu. Segundo o RASI, apenas 11,5% dos detidos em 2011 eram do sexo feminino, enquanto 88,5% eram homens.

Não há dúvida que as autoridades têm que fazer um esforço para prender mais mulheres.

Cumprindo o conselho do primeiro-ministro, 2 481 portugueses decidiram ser presos no estrangeiro, poupando, assim, muitos milhares de euros ao erário público nacional.

Também as buscas diminuíram em 2011, em relação ao ano anterior – 9 172 e 10 156, respectivamente. O RASI não revela as razões desta diminuição, mas pode estar relacionada com o corte de horas extraordinárias aos agentes da lei, que assim tiveram menos tempo para andar í  procurar dos bandidos.

Mas o mais preocupante, sem dúvida, é a diminuição do número de detenções.

Notem que em 2011, a média diária de detenções foi apenas de 196.

Já viram quantos anos vão ser precisos para prender todos os ladrões portugueses?

Millor, o Maior

“O pior não é morrer. É não poder enxotar as moscas” – Millor Fernandes

Nos finais dos anos 60, lembro-me de surripiar o Diário Popular ao meu pai, para ler o Pif-Paf, uma página semanal da autoria de Millor Fernandes.

Já naquela altura eu achava que Millor era genial. Os aforismos, os pequenos poemas (hai-kai), as minúsculas peças de teatro num único acto curto e grosso, tudo eu devorava com avidez. Mal eu sabia que, muitos anos depois, iria colaborar num programa radiofónico, o Pão Comanteiga, que muito bebeu no estilo do Millor Fernandes, sobretudo, ao nível dos aforismos.

Millor nasceu no Rio de Janeiro, em 1923 e morreu ontem. Colaborou em inúmeras publicações, sendo classificado como humorista, cartonista, dramaturgo, tradutor, argumentista e poeta.

Estranhamente, cá em Portugal, Millor é quase desconhecido, sobretudo entre os mais novos.

Quando lemos entrevistas com os chamados humoristas portugueses, todos gostam de dizer que são influenciados pelos Monty Python ou por Seinfeld, o que, embora sejam excelentes referências, apenas demonstram a geral falta de cultura geral, a falta de mundo (como diria o Coimbra de Matos) de muitos indígenas armados em bobos da corte.

Mas Millor seria uma referência muito mais “nossa”, já que se exprime em língua portuguesa e usa, muitas vezes, os trocadilhos, os duplos sentidos e outros truques de linguagem.

Há alguns anos, Millor criou o seu próprio site: Millor Fernandes – enfim, um escritor sem estilo. Aconselho a visitarem-no, embora, devido í  morte de Millor, o site esteja de luto por estes dias.

Em 2004, o semanário Independente, teve a excelente ideia de reunir em livro, alguns textos de Millor Fernandes. Procurem o livro, que se chama Pif-Paf e acreditem que vão ter boas surpresas.

E fiquem-se com estas:

– ” O país que precisa de um salvador não merece ser salvo”

– “Nos momentos de perigo é fundamental manter a presença de espírito, embora o ideal fosse conseguir a ausência do corpo”

– “Depois de bem ajustado o preço, a gente deve sempre trabalhar por amor í  arte”

– “Até mesmo o suor do trabalho e o suor do prazer têm cheiros diferentes”

– “O quartzo é um mineral que está entre o tertzo e o quintzo”

– “Um homem começa a ficar velho quando prefere andar só do que mal acompanhado”

– ” De todas as taras sexuais, não existe nenhuma mais estranha do que a abstinência”

 

“Atirei o pau ao Pinto da Costa”…

O trabalho dos jornalistas tem que ser devidamente enaltecido.

Que dizer dos jornalistas que foram desencantar esta história?

A educadora de uma creche de Ericeira, decidiu fazer uma ligeira adaptação de uma canção popular “Atirei um pau ao gato”. Na segunda estrofe, cantou, juntamente com os meninos a seu cargo: “vai-te embora pulga maldita/ batata frita/viva o Benfica”.

Quando soube da nova versão deste verdadeiro hino do Cancioneiro Popular português, o pai da Vera ficou chocado.

Ele, que é adepto do Futebol Clube do Porto, foi tirar satisfações com a educadora – mas o que é isto, viva o Benfica? E o Porto?

Numa interessante reportagem transmitida pela TVI ontem, vemos o pai da Vera, incomodado, dizendo que a educadora ignorou a sua indignação, respondendo-lhe que a maioria das crianças era do Benfica e que, portanto, não iria mudar a nova letra da cantiga.

O pai da Vera estava visivelmente preocupado, assim como a mãe da Vera, mostrada em segundo plano, sentada no sofá da sala, a fumar, enquanto a criancinha, lá ao fundo, andava num baloiço suspenso das escadas da habitação.

Dizia o pai da Vera: isto pode não ter importância nenhuma mas, hoje é isto e amanhã, o que poderá ser?

Tens razão, pai da Vera: a ditadura da maioria é o que dá – hoje és obrigado a dar vivas ao Benfica e amanhã, quem sabe, serás obrigado a fazeres-te explodir í  porta da Assembleia da República!

Estas educadoras adeptas do Benfica, no fundo, são o verdadeiro Perigo Vermelho!

Comunistas do caraças!

A reportagem mostra, depois, a fachada da creche onde tudo se passa. A mãe de uma outra criança diz que aquela educadora só tem 13 crianças a seu cargo e que os pais das outras 12 já assinaram um documento de apoio í  educadora.

Mas o pai da Vera não desiste e já fez queixa da educadora no ministério da Educação (verídico!).

Boa, pai da Vera! Mostra-lhes como é!

Na minha opinião, o senhor enganou-se no motivo da queixa: a educadora devia ser admoestada por ensinar í s crianças uma cantiga que instiga í  violência contra os animais, isso sim!

Atirei um pau ao gato?!

Porquê?! Que mal é que o gato fez?!

Ainda se fosse atirei um pau ao pinto-da-costa…

Morte ao Governo! Mai-nada!

Há dois ou três dias, liguei o televisor na RTP-1 (a tal que está a lixar a execução orçamental ao Passos) e pensei que tinha feito uma viagem ao passado.

Ali estava o Garcia Pereira, em pose de Estado, com um cartaz em tons de amarelo e vermelho por trás, a invectivar o governo, a troika, a Merkel, a banca, os capitalistas em geral, os alemães em particular, e tudo!

A linguagem era a mesma que o MRPP sempre utilizou e aquela declaração inflamada podia ter sido feita contra um governo do Pinheiro de Azevedo, do Balsemão, do Mários Soares, do Cavaco ou de outro primeiro-ministro qualquer.

—O tal cartaz, que está por aí, espalhado pelas paredes das cidades, grita: “Morte í  tróica! Morte ao governo de traição nacional PSD/CDS!”

Não é um simples “abaixo o governo!”, ou um mero “todos contra o governo!”, ou um singelo “se há governo, sou contra!”

É mesmo morte ao governo e mai-nada!

É levar os gajos para o campo do Estrela da Amadora, pí´-los todos em fileira, o Passos, o Portas, a Cristas, o ílvaro, o Gaspar, o Ervas e os outros todos, vendar-lhes os olhos e pimba: chumbo neles!

Fuzilá-los sem dó nem piedade!

E depois, ir í  procura dos filhos da mãe da troica e aplicar-lhes o mesmo tratamento!

A ver se não acabava logo a austeridade!

A ver se a Merkel não começava logo a piar mais baixinho!

Mas há um coisa que me faz espécie, no cartaz do MRPP…

Qual será o Governo Democrático Patriótico a quem o MRPP dá vivas?

Note-se que é Governo com letra grande, em oposição ao reles “governo de traição nacional do PSD/CDS”, que só tem direito a letra pequena.

Quem fará parte desse Governo que, pelos vistos, irá governar depois do fuzilamento dos traidores todos?

í“ Garcia, explica lá isto í  malta!