25 de Abril, sempre!

Para todos aqueles que dizem que isto está cada vez pior.

Esperança de vida antes do 25 de Abril – 68 anos; agora – 78,9 anos.

Médicos por 100 mil habitantes antes do 25 de Abril – 122; agora – 377.

Taxa de alfabetização antes do 25 de Abril – 72.6%; agora – 95%.

Número de alunos no ensino superior antes do 25 de Abril – 57 000; agora – 383 627.

Taxa de inflação antes do 25 de Abril – 25,1%; agora – 1,3%.

Mortalidade infantil antes do 25 de Abril – 37,9 crianças por mil nascimentos; agora – 3,6.

Isto chega e sobra.

Mas ainda há a liberdade…

 

A ausência de Salman bin Hamad al-Khalifa

O DN informa que o príncipe herdeiro do Bahrein, não estará presente no casamento real de William e Kate.

Salman, para os amigos, esclareceu que, devido í  agitação social que se vive no seu país, prefere não se deslocar a Inglaterra para assistir í  cerimónia.

E?…

E nada!

A comunicação social portuguesa enche páginas e tempos de antena com este casamento, como se ele representasse mais do que isso mesmo – um casamento.

Labregos!

Os pés pela cabeça

Passos Coelho foi visitar a Docapesca.

í€ entrada, deram-lhe algo que é obrigatório usar quando se visitam locais como aquele.

Passos começou a desembrulhar a coisa e, como estava a ser filmado e quer parecer simpático e popular e tal, disse: “vou enfiar a minha primeira touca da campanha”.

Espirituoso, o homem…

Só que, ao desenrolar a coisa, Passos verificou que a coisa, afinal, eram duas!

Duas pantufas para envolver os sapatos, de modo a que o visitante não contamine o chão com as porcarias que traz da rua.

“Ah! Isto é para os pés!” – concluiu, brilhante.

No final da visita, Passos informou:

“Já tenho o governo na cabeça.”

í“ homem, não será nos pés?!…

Polícias educadinhos é o que se quer…

Fazia falta um código de conduta para os polícias portugueses.

Há muito tempo que estávamos fartos de polícias a cuspirem para o chão, a coçarem as partes, com a farda cheia de nódoas e o bigode mal aparado.

O Diário da República já publicou as novas regras pelas quais se devem reger os agentes da ordem.

Mas a coisa tem falhas.

Por exemplo:

Diz o novo código: “ao cruzar com superior em local apertado, (o polícia) facilita-lhe a passagem ou pede-lhe licença para passar se este estiver parado, evitando fazê-lo pela frente”.

Quer dizer que o polícia terá que passar por trás do seu superior. Pergunta-se: poderá dar-lhe um pequeno beliscão nas nádegas?

E se o local for verdadeiramente apertado, poderá o polícia saltar por cima do seu superior ou deverá agachar-se, de modo a que o superior passe por cima dele?

Questões prementes…

Outra regra de ouro: “quando um elemento da PSP acompanhar um superior hierárquico junto a uma parede ou num passeio, o subordinado deve ceder-lhe a posição interior”.

Compreende-se. Se, por acidente, um louco do volante invadir o passeio, terá mais hipóteses de atropelar o polícia, salvando-se o chefe da esquadra…

Claro que, se o passeio for muito estreito, deve seguir-se a regra anterior, isto é, o subordinado deve ir atrás do superior, embora um poucochinho desviado para fora, de modo a que o chefe sinta que vai por dentro.

Percebido?

Agora, quanto í  magna questão de como devem entrar e sair os polícias de um carro…

Esta é, sem dúvida, uma das questões mais polémicas da nossa PSP. Várias vezes os bandidos conseguiram fugir porque os polícias se atabalhoaram a sair do carro, durante a perseguição.

Mas o novo código estabelece a regra: “a entrada em viatura da PSP inicia-se por ordem crescente de categoria ou função, fazendo-se a saída por ordem inversa”.

Simples e claro.

No caso de todos os polícias terem a mesma patente, suponho que devem sair do carro ao mesmo tempo, depois de dizerem em voz alta: “1 – 2 – 3!”

Há mais regras, mas estas três dão uma ideia da grandiosidade deste novo documento que orgulha a PSP e que deverá servir de exemplo a todas as polícias europeias!

O percurso do costume

“Geração í  rasca muda de nome a pensar no futuro”, titula o DN de ontem.

Para que não sejam confundidos com outros movimentos sociais, os jovens que lançaram essa ideia grandiosa, incluindo um tal Labrincha, já adoptaram um novo nome e respectivo acrónimo: Movimento 12 de Março, ou M12M.

No entanto, para que não haja oportunismos, “geração í  rasca” foi registada como marca para impedir “utilizações abusivas, nomeadamente com fins lucrativos”, segundo afirmou o Labrincha.

Fiquei estupefacto.

E se eu fosse registar o “vai í  merda!”?

Evitaria que outros usassem essa expressão tão portuguesa e ainda ganharia uns cobres com a sua utilização abusiva.

Aguardemos, com serenidade, a notícia de que os promotores do M12M são cabeças de lista por um partido qualquer, numas eleições futuras.

É difícil ser liberal, caramba!

Há um senhor chamado Carlos Alberto Amorim, que escreve umas crónicas no DN, que é liberal í  brava.

E todos sabemos como é difícil ser liberal em Portugal…

Tão difícil, tão difícil que o mail de CAA até é difícilserliberalemportugal@gmail.com

Tão difícil, tão difícil que o homem até vai ser cabeça de lista por Viana do Castelo, por um dos partidos que mais mama na teta do estado, o PSD!

Doces painéis…

Notícia de hoje, no Diário de Notícias:

“Soutiens velhos entregues em lojas de roupa interior conferem descontos de três a cinco euros na compra de peças novas e são depois reciclados para utilização no fabrico de painéis isoladores e de absorção sonora.”

Curioso…

Os soutiens, depois de absorverem os choques e as trepidações, protegendo as maminhas, passam a proteger os ouvidos, absorvendo os ruídos.

Gosto muito de maminhas.

Sempre gostei…

Se um dia me virem encostado, com ar palerma, a um painel isolador, ficam logo a saber que o dito é feito de soutiens velhos…

Nobre, o obstipado

Então, o Fernando Nobre, o candidato independente í  presidência da República, o homem que tinha a boca cheia de cidadania, que disse que só lhe dessem um tiro é que desistia de concorrer a Belém – esse senhor, com ar de quem sofre de obstipação crónica, é o cabeça de lista, por Lisboa, do PSD?

Qual é o espanto?

Por acaso, a candidatura de Fernando Nobre tinha ideologia?

Por acaso, o PSD tem ideologia?

Coisas que eu li na imprensa

1. Em 2010 ocorreram menos 4500 AVC e menos 300 enfartos que no ano anterior (DN de 9/4)

Fica provado que a crise beneficia a prevenção primária dos eventos cardiovasculares e que o governo Sócrates fez bem í  saúde dos portugueses.

2. O Expresso compara Portugal í  Finlândia. Os números são muito semelhantes: enquanto nós temos 25% de carga fiscal sobre as empresas, os suomis têm 26%; o endividamento das famílias também não é muito diferente (100% para nós, 129% para eles); os gastos do Estado até é maior na Finlândia (56,2% do PIB) do que em Portugal (48,2%).

Sendo assim, como se explica a diferença do êxito destes dois países?

Pistas: número de polícias por mil habitantes – 520 em Portugal, 150 na Finlândia; número de advogados por mil habitantes – 260 por cá, 34 na terra do sol da meia-noite…

3. Perto de Praga foi descoberto um esqueleto pré-histórico datado entra 2500 e 2800 AC. Trata-se de um homem que, no entanto, foi enterrado segundo os procedimentos usados para as mulheres (inclinado para a esquerda e com a cara virada para ocidente, sem armas nem jóias).

Os arqueólogos especulam: terá sido um transsexual?

Quer dizer: se já não é politicamente correcto dizermos “homem das cavernas”, teremos que passar a dizer “homem, mulher ou maricas das cavernas”?

4. A América Latina continua e merecer o trocadilho de América Latrina.

Desta vez é na Guatemala.

O presidente ílvaro Cólon não pode ser reeleito. A Constituição proíbe, para que não aconteça como na Venezuela de Chavez, que se vai eternizando no trono.

Sendo assim, a sua mulher, Sandra Torres pensou em candidatar-se. Mas a constituição também não permite que nenhum parente do presidente se possa candidatar, para que não aconteça como na Argentina, em que a esposa (Cristina Kirchner), sucedeu ao marido, Nestor (e o marido só não irá suceder í  esposa porque, entretanto, morreu de enfarto).

Mas ílvaro Colom e Sandra Torres já encontraram uma solução: divorciaram-se!

5. Quem devia passar a pertencer í  América Latrina era a Madeira, enquanto fosse chefiada pelo Alberto João.

Caladinho durante uns tempos, talvez fruto de ordem médica, após o enfarto, ei-lo que volta í  ribalta e diz a maior quantidade de disparates por segundo no 13º Congresso do PSD-Madeira.

Exemplos:

– para acabar com as greves nos transportes propõe “ensinar os militares a pilotar aviões comerciais ou a conduzir comboios ou até o metro”

– o “Estado-polvo, o Estado-paraíso, triunfo dos idiotas, não é mais que uma paródia de República que estamos aqui a aturar, um regime socialista tipo chinês, que destruiu a classe média”

– Teixeira dos Santos é “criminoso”, por causa da zona franca, mas também “malcriado” e deveria “ter levado umas palmadas do presidente da República”

– Se fosse primeiro-ministro, Jardim, assim que chegasse a São Bento, anularia vários decretos, nomeadamente, dois: a liberalização da droga e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que são “novos costumes de gente aberrante”.

Claro que Alberto João já se esqueceu das boquinhas e olhinhos que fez a Sócrates, quanto este lhe deu milhões para a reconstrução da Madeira, após as enxurradas.

Isso tem pouca importância para este tipo, que não precisa de artimanhas para se eternizar no poder.