O casamento e a beatificação

Isto sou eu a pensar…

1. O casamento de William e Kate e a beatificação de João Paulo 2 foram agendadas para dias diferentes para não prejudicar as audiências televisivas

2. Meio milhão de basbaques para ver dois pequenos beijos na varanda do palácio. Imaginem se fosse sexo oral

3. A RTP, a SIC e a TVI enviaram, para Londres, vários jornalistas para cobrir o casamento que, aliás, tinha transmissão directa assegurada e para fazerem reportagens idiotas. Quem disse que estamos em crise?

4. Por que carga de água foi preciso exumar os restos mortais do João Paulo para a beatificação? Não me digam que a alma do Papa estava dentro do caixão!

5. David Beckham foi convidado para o casamento e o D. Duarte de Bragança, não. Mais vale ser jogador de futebol, bonito e rico, do que pretendente ao trono, tosco e pobre.

6. Segundo o Diário de Notícias, o beijo de Carlos e Diana aconteceu í s 12h50, enquanto o beijo de William e Kate foi í s 13.26, com replay í s 13.28. E DEPOIS, CARAGO?!

As ciber-quadrilheiras

Cameron Reilly, um guarda do Palácio de Buckingham, foi riscado da lista de convidados do príncipe William depois de alguém ter descoberto, no Facebook, comentários que ele escreveu sobre Kate.

Escreveu ele que Kate era uma “vaca estúpida e convencida”.

Um pouco mais a sul, o deputado português José Lello, escreveu no seu Facebook, sobre Cavaco Silva: “este Presidente é mesmo foleiro. Nem sequer convidou os deputados para a cerimónia do 25 de Abril”.

Não me espanta que Cameron pense que Kate é uma vaca estúpida e que Lello diga que Cavaco é foleiro.

O que me espanta é que alguém tenha descoberto estas afirmações nos milhões de mensagens que, todos os dias, a todas as horas, caem no Facebook.

Isto quer dizer que existem, nas redacções dos órgãos de comunicação social, funcionários que passam horas a espiolhar as páginas de várias pessoas, em busca de afirmações bombásticas.

São as novas calhandreiras, as que levam e trazem, as amigas da onça, as ciber-quadrilheiras das chamadas redes sociais.

 

25 de Abril, sempre!

Para todos aqueles que dizem que isto está cada vez pior.

Esperança de vida antes do 25 de Abril – 68 anos; agora – 78,9 anos.

Médicos por 100 mil habitantes antes do 25 de Abril – 122; agora – 377.

Taxa de alfabetização antes do 25 de Abril – 72.6%; agora – 95%.

Número de alunos no ensino superior antes do 25 de Abril – 57 000; agora – 383 627.

Taxa de inflação antes do 25 de Abril – 25,1%; agora – 1,3%.

Mortalidade infantil antes do 25 de Abril – 37,9 crianças por mil nascimentos; agora – 3,6.

Isto chega e sobra.

Mas ainda há a liberdade…

 

A ausência de Salman bin Hamad al-Khalifa

O DN informa que o príncipe herdeiro do Bahrein, não estará presente no casamento real de William e Kate.

Salman, para os amigos, esclareceu que, devido í  agitação social que se vive no seu país, prefere não se deslocar a Inglaterra para assistir í  cerimónia.

E?…

E nada!

A comunicação social portuguesa enche páginas e tempos de antena com este casamento, como se ele representasse mais do que isso mesmo – um casamento.

Labregos!

Os pés pela cabeça

Passos Coelho foi visitar a Docapesca.

í€ entrada, deram-lhe algo que é obrigatório usar quando se visitam locais como aquele.

Passos começou a desembrulhar a coisa e, como estava a ser filmado e quer parecer simpático e popular e tal, disse: “vou enfiar a minha primeira touca da campanha”.

Espirituoso, o homem…

Só que, ao desenrolar a coisa, Passos verificou que a coisa, afinal, eram duas!

Duas pantufas para envolver os sapatos, de modo a que o visitante não contamine o chão com as porcarias que traz da rua.

“Ah! Isto é para os pés!” – concluiu, brilhante.

No final da visita, Passos informou:

“Já tenho o governo na cabeça.”

í“ homem, não será nos pés?!…

Polícias educadinhos é o que se quer…

Fazia falta um código de conduta para os polícias portugueses.

Há muito tempo que estávamos fartos de polícias a cuspirem para o chão, a coçarem as partes, com a farda cheia de nódoas e o bigode mal aparado.

O Diário da República já publicou as novas regras pelas quais se devem reger os agentes da ordem.

Mas a coisa tem falhas.

Por exemplo:

Diz o novo código: “ao cruzar com superior em local apertado, (o polícia) facilita-lhe a passagem ou pede-lhe licença para passar se este estiver parado, evitando fazê-lo pela frente”.

Quer dizer que o polícia terá que passar por trás do seu superior. Pergunta-se: poderá dar-lhe um pequeno beliscão nas nádegas?

E se o local for verdadeiramente apertado, poderá o polícia saltar por cima do seu superior ou deverá agachar-se, de modo a que o superior passe por cima dele?

Questões prementes…

Outra regra de ouro: “quando um elemento da PSP acompanhar um superior hierárquico junto a uma parede ou num passeio, o subordinado deve ceder-lhe a posição interior”.

Compreende-se. Se, por acidente, um louco do volante invadir o passeio, terá mais hipóteses de atropelar o polícia, salvando-se o chefe da esquadra…

Claro que, se o passeio for muito estreito, deve seguir-se a regra anterior, isto é, o subordinado deve ir atrás do superior, embora um poucochinho desviado para fora, de modo a que o chefe sinta que vai por dentro.

Percebido?

Agora, quanto í  magna questão de como devem entrar e sair os polícias de um carro…

Esta é, sem dúvida, uma das questões mais polémicas da nossa PSP. Várias vezes os bandidos conseguiram fugir porque os polícias se atabalhoaram a sair do carro, durante a perseguição.

Mas o novo código estabelece a regra: “a entrada em viatura da PSP inicia-se por ordem crescente de categoria ou função, fazendo-se a saída por ordem inversa”.

Simples e claro.

No caso de todos os polícias terem a mesma patente, suponho que devem sair do carro ao mesmo tempo, depois de dizerem em voz alta: “1 – 2 – 3!”

Há mais regras, mas estas três dão uma ideia da grandiosidade deste novo documento que orgulha a PSP e que deverá servir de exemplo a todas as polícias europeias!

O percurso do costume

“Geração í  rasca muda de nome a pensar no futuro”, titula o DN de ontem.

Para que não sejam confundidos com outros movimentos sociais, os jovens que lançaram essa ideia grandiosa, incluindo um tal Labrincha, já adoptaram um novo nome e respectivo acrónimo: Movimento 12 de Março, ou M12M.

No entanto, para que não haja oportunismos, “geração í  rasca” foi registada como marca para impedir “utilizações abusivas, nomeadamente com fins lucrativos”, segundo afirmou o Labrincha.

Fiquei estupefacto.

E se eu fosse registar o “vai í  merda!”?

Evitaria que outros usassem essa expressão tão portuguesa e ainda ganharia uns cobres com a sua utilização abusiva.

Aguardemos, com serenidade, a notícia de que os promotores do M12M são cabeças de lista por um partido qualquer, numas eleições futuras.

É difícil ser liberal, caramba!

Há um senhor chamado Carlos Alberto Amorim, que escreve umas crónicas no DN, que é liberal í  brava.

E todos sabemos como é difícil ser liberal em Portugal…

Tão difícil, tão difícil que o mail de CAA até é difícilserliberalemportugal@gmail.com

Tão difícil, tão difícil que o homem até vai ser cabeça de lista por Viana do Castelo, por um dos partidos que mais mama na teta do estado, o PSD!

Doces painéis…

Notícia de hoje, no Diário de Notícias:

“Soutiens velhos entregues em lojas de roupa interior conferem descontos de três a cinco euros na compra de peças novas e são depois reciclados para utilização no fabrico de painéis isoladores e de absorção sonora.”

Curioso…

Os soutiens, depois de absorverem os choques e as trepidações, protegendo as maminhas, passam a proteger os ouvidos, absorvendo os ruídos.

Gosto muito de maminhas.

Sempre gostei…

Se um dia me virem encostado, com ar palerma, a um painel isolador, ficam logo a saber que o dito é feito de soutiens velhos…