25 de Abril, sempre!

Para todos aqueles que dizem que isto está cada vez pior.

Esperança de vida antes do 25 de Abril – 68 anos; agora – 78,9 anos.

Médicos por 100 mil habitantes antes do 25 de Abril – 122; agora – 377.

Taxa de alfabetização antes do 25 de Abril – 72.6%; agora – 95%.

Número de alunos no ensino superior antes do 25 de Abril – 57 000; agora – 383 627.

Taxa de inflação antes do 25 de Abril – 25,1%; agora – 1,3%.

Mortalidade infantil antes do 25 de Abril – 37,9 crianças por mil nascimentos; agora – 3,6.

Isto chega e sobra.

Mas ainda há a liberdade…

 

A ausência de Salman bin Hamad al-Khalifa

O DN informa que o príncipe herdeiro do Bahrein, não estará presente no casamento real de William e Kate.

Salman, para os amigos, esclareceu que, devido í  agitação social que se vive no seu país, prefere não se deslocar a Inglaterra para assistir í  cerimónia.

E?…

E nada!

A comunicação social portuguesa enche páginas e tempos de antena com este casamento, como se ele representasse mais do que isso mesmo – um casamento.

Labregos!

“O Sonho do Celta”, de Mário Vargas Llosa

—De Vargas Llosa só ainda tinha lido três romances: “A Guerra do Fim do Mundo” (1981), “Os Cadernos de Don Rigoberto” (1997) e “Travessuras da Menina Má” (2006).

Apesar de o achar um autor interessante, sempre preferi Garcia-Marquez e Cortazar, no que respeita aos escritores latino-americanos.

Este ano, Vargas Llosa ganhou o Prémio Nobel e as livrarias encheram-se com as suas obras e peguei neste “O Sonho do Celta”.

O livro conta a história de Roger Casement, um irlandês que lutou e morreu pela independência do seu país. Antes disso, como cí´nsul britânico no Congo belga e em Iquitos, no Peru, lutou contra o modo desumano como eram tratados os autóctones, explorados pelas grandes companhias que extraíam borracha das florestas.

A narrativa de Llosa parece-me pouco consistente, de tal modo que, no fim das 400 páginas não fiquei com uma ideia bem formada de como terá sido Roger Casement, como pessoa. Claro que o autor nos dá grande quantidade de pormenores da sua vida, de como se sentia horrorizado com as torturas que os colonialistas impunham aos indígenas; ficamos também a saber que Casement era homossexual e que registava num caderninho as suas aventuras sexuais, descrevendo-as de modo muito cru. Mas são apenas factos. Fiquei sem saber como era Casement, como pessoa.

Porventura, Llosa também não sabe, ao certo, quem foi Roger Casement mas, como romancista, tinha a obrigação de criar uma personagem credível para os seus leitores, até porque este livro é um romance, não uma biografia.

Ou então, fiquei desiludido porque estava í  espera de mais uma história passada na América Latina e saiu-me uma coisa completamente diferente.

 

Os pés pela cabeça

Passos Coelho foi visitar a Docapesca.

í€ entrada, deram-lhe algo que é obrigatório usar quando se visitam locais como aquele.

Passos começou a desembrulhar a coisa e, como estava a ser filmado e quer parecer simpático e popular e tal, disse: “vou enfiar a minha primeira touca da campanha”.

Espirituoso, o homem…

Só que, ao desenrolar a coisa, Passos verificou que a coisa, afinal, eram duas!

Duas pantufas para envolver os sapatos, de modo a que o visitante não contamine o chão com as porcarias que traz da rua.

“Ah! Isto é para os pés!” – concluiu, brilhante.

No final da visita, Passos informou:

“Já tenho o governo na cabeça.”

í“ homem, não será nos pés?!…

Polícias educadinhos é o que se quer…

Fazia falta um código de conduta para os polícias portugueses.

Há muito tempo que estávamos fartos de polícias a cuspirem para o chão, a coçarem as partes, com a farda cheia de nódoas e o bigode mal aparado.

O Diário da República já publicou as novas regras pelas quais se devem reger os agentes da ordem.

Mas a coisa tem falhas.

Por exemplo:

Diz o novo código: “ao cruzar com superior em local apertado, (o polícia) facilita-lhe a passagem ou pede-lhe licença para passar se este estiver parado, evitando fazê-lo pela frente”.

Quer dizer que o polícia terá que passar por trás do seu superior. Pergunta-se: poderá dar-lhe um pequeno beliscão nas nádegas?

E se o local for verdadeiramente apertado, poderá o polícia saltar por cima do seu superior ou deverá agachar-se, de modo a que o superior passe por cima dele?

Questões prementes…

Outra regra de ouro: “quando um elemento da PSP acompanhar um superior hierárquico junto a uma parede ou num passeio, o subordinado deve ceder-lhe a posição interior”.

Compreende-se. Se, por acidente, um louco do volante invadir o passeio, terá mais hipóteses de atropelar o polícia, salvando-se o chefe da esquadra…

Claro que, se o passeio for muito estreito, deve seguir-se a regra anterior, isto é, o subordinado deve ir atrás do superior, embora um poucochinho desviado para fora, de modo a que o chefe sinta que vai por dentro.

Percebido?

Agora, quanto í  magna questão de como devem entrar e sair os polícias de um carro…

Esta é, sem dúvida, uma das questões mais polémicas da nossa PSP. Várias vezes os bandidos conseguiram fugir porque os polícias se atabalhoaram a sair do carro, durante a perseguição.

Mas o novo código estabelece a regra: “a entrada em viatura da PSP inicia-se por ordem crescente de categoria ou função, fazendo-se a saída por ordem inversa”.

Simples e claro.

No caso de todos os polícias terem a mesma patente, suponho que devem sair do carro ao mesmo tempo, depois de dizerem em voz alta: “1 – 2 – 3!”

Há mais regras, mas estas três dão uma ideia da grandiosidade deste novo documento que orgulha a PSP e que deverá servir de exemplo a todas as polícias europeias!

O percurso do costume

“Geração í  rasca muda de nome a pensar no futuro”, titula o DN de ontem.

Para que não sejam confundidos com outros movimentos sociais, os jovens que lançaram essa ideia grandiosa, incluindo um tal Labrincha, já adoptaram um novo nome e respectivo acrónimo: Movimento 12 de Março, ou M12M.

No entanto, para que não haja oportunismos, “geração í  rasca” foi registada como marca para impedir “utilizações abusivas, nomeadamente com fins lucrativos”, segundo afirmou o Labrincha.

Fiquei estupefacto.

E se eu fosse registar o “vai í  merda!”?

Evitaria que outros usassem essa expressão tão portuguesa e ainda ganharia uns cobres com a sua utilização abusiva.

Aguardemos, com serenidade, a notícia de que os promotores do M12M são cabeças de lista por um partido qualquer, numas eleições futuras.

É difícil ser liberal, caramba!

Há um senhor chamado Carlos Alberto Amorim, que escreve umas crónicas no DN, que é liberal í  brava.

E todos sabemos como é difícil ser liberal em Portugal…

Tão difícil, tão difícil que o mail de CAA até é difícilserliberalemportugal@gmail.com

Tão difícil, tão difícil que o homem até vai ser cabeça de lista por Viana do Castelo, por um dos partidos que mais mama na teta do estado, o PSD!

Preservativos contra mosquitos

“Mais de um quinto dos estudantes universitários pensam que o vírus da sida pode ser transmitido através da picada de um mosquito. Apesar disso, a larga maioria sabe que o uso do preservativo é uma das melhores formas para evitar as doenças sexualmente transmissíveis”.

Isto são resultados de um inquérito que envolveu mais de três mil universitários portugueses e a notícia vem hoje no DN.

Por outras palavras: sempre que um grupo de cinco estudantes universitários portugueses passeia por locais onde existem águas estagnadas e, portanto, mosquitos, um deles enfia um preservativo na pila, a fim de evitar ser picado e, consequentemente, contrair sida!

Não admira que os finlandeses não nos queiram emprestar dinheiro!…