AD outra vez? Não, obrigado!

A propósito do 30º aniversário da morte de Sá Carneiro, voltou a falar-se da AD.

De quê? De quem?

Da Aliança Democrática, uma coisa que parece que foi inventada por Sá Carneiro e que, segundo muitos especialistas da nossa praça, poderia salvar o país do atoleiro.

Em primeiro lugar, esta história de mitificar o Sá Carneiro já cheira mal. Convém recordar que Sá Carneiro foi deputado na Assembleia Nacional, nos tempos do Marcelo Caetano. Era daqueles que queria minar o sistema por dentro. Depois do 25 de Abril, foi um dos fundadores do PPD e, na altura em que morreu no tal acidente/atentado, apoiava um general obscuro para Presidente da República. Era o general Soares Carneiro e Sá (também) Carneiro sonhava com um governo, uma maioria e um presidente.

Agora, 30 anos depois da sua morte, ao mesmo tempo que põem o homem nos píncaros, chegando a dizer que, se ele não tivesse morrido, Portugal não estaria como está hoje, tentam ressuscitar esta história de “um governo-uma maioria-um presidente”.

Partindo do princípio que o Cavaco ganha as eleições presidenciais, basta que o PSD e o CDS, juntos, obtenham a maioria absoluta, para formarem um governo de coligação.

E assim renasce a Aliança Democrática!

E a malta que faz este raciocínio, incluindo ilustres jornalistas, fazem por se esquecer que, entre 2002 e 2004, tivemos um governo Durão Barroso-Paulo Portas e que, entre 2004 e 2005, tivemos um governo Santana Lopes-Paulo Portas.

Foi apenas há 5 anos, rapaziada!

A direita teve, então, um governo e uma maioria – só não tinha um presidente, mas também não foi por causa de Jorge Sampaio que Durão Barroso não levou o seu governo até ao fim da legislatura, pois não?

Portanto, deixem a AD sossegada, lá no sítio onde Sá Carneiro repousa.

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“Blow”, de Ted Demme

—George Jung foi o homem que, na década de 70 do século passado, estabeleceu o mercado de cocaína nos Estados Unidos.

Será que este tipo merece um filme biográfico? Pelos vistos, parece que sim e logo com Johnny Depp a encarnar essa personagem.

Filho de um casal desavindo, de um pai honesto, mas pobre, e de uma mãe dona-de-casa que queria sempre mais do que a vida lhe dava, George Jung iniciou-se no tráfico de droga com a canabis, na Califórnia e, a pouco e pouco, foi subindo no negócio, acabando por lidar pessoalmente com Pedro Escobar, transportando a coca para os States.

O filme arrasta-se um pouco, perdendo-se em pormenores e dando uma imagem de coitadinho a Jung, que acaba aldrabado pelo seu sócio, enganado pela mulher (Penélope Cruz), escorraçado pela mãe e condenado a muitos anos de prisão (parece que sai em 2015). Coitadinho do traficante…

Destaque para as fatiotas de Depp, fatos completos, com colete e tudo, vermelho vivo ou com motivos psicadélicos. Enfim, eram os anos 70-80 e o gajo era traficante de coca…

Cheira-me a que este filme se fez porque muita malta lá de Hollywood foi cliente de Jung…

“Bad Company”, de Joel Schumacher (2002)

—Mais um filme estilo-my-fair-lady, mas com espiões.

Um negro que vende bilhetes para espectáculos no mercado negro e joga muito bem xadrez (Chris Rock), tem um irmão gémeo que nunca viu na vida, que é um espião de alto gabarito, trabalhando para a CIA. Esse irmão é assassinado pelos mauzões e a Companhia vai buscar o aldrabão e vai transformá-lo num grande espião.

O homem encarregado desse trabalho é um agente interpretado por Anthony Hopkins.

Seguem-se as cenas de tiroteio, em que o novo espião começa a dar barraca para, depois, se transformar num herói.

A receita é conhecida, o argumento não tem surpresas e o filme não ultrapassa a mediania, mas dá para hora e meia de entretenimento.

Californication – 3ª temporada

—A série continua com bom ritmo. Politicamente incorrecta, machista q.b., ordinarota e cheia de ritmo.

David Duchovny continua a fazer um bom escritor falhado, bebedolas, mulherengo, preguiçoso, porcalhão e tudo o que se quiser, mas com muita saída junto das mulheres, sobretudo das mulheres dos outros, que não as sabem acarinhar como só ele sabe.

No antepenúltimo episódio, assistimos a uma verdadeira comédia de costumes, com as três mulheres que Moody anda a papar a encontrarem-se, todas, em casa dele, juntando-se, depois, a legítima mulher e a filha.

Hank Moody e o seu agente e amigo Runkle formam um par irresistível, muito bem secundados por Kathleen Turner, que personifica a agente Collini, “who always gets the weeny”.

E caso não gostes deste tipo de séries, “you can leak me where god slipt me”…

Deus regressa a O Coiso

Deus esteve sempre disponível para os visitantes do Coiso, só que andava escondido, nos meandros do Velho Coiso.

Mas Deus merece melhor.

Portanto, aí está, de novo, o link que vos envia directamente para Ele.

Está aqui, em www.deus.com e logo aí ao lado, na coluna dos Coisos da Família – até porque Deus é cá dos nossos…

Meo tanga

No mês passado decidi contratar a Zon Fibra.

Marquei a instalação. Telefonaram na véspera a confirmar. No dia aprazado, ninguém apareceu. Telefonei a indagar. Depois de muitas teclas batidas, do lado de lá da linha, e depois de muitos muito obrigado por ter esperado, Sr. Artur, disseram-me que não estava nada agendado.

Mudei de operador. Logo.

Liguei para o Meo.

Uma semana depois, tinha telefone, internet e televisão HD. Do Meo.

Sábado passado, já não tinha nada.

Nem telefone, nem internet, nem televisão.

Esperei por domingo. Telefonei. Depois de muito obrigado por ter aguardado, Sr. Artur, ordenaram-me que desligasse os equipamentos da corrente, por esta ordem: primeiro a box, depois o router e depois o não-sei-quê.

De cu para ar, com o telemóvel (que ainda é da Zon…) encostado ao ouvido, desliguei tudo.

Aguarde uns minutos.

Aguardei.

Agora ligue os aparelhos pela mesma ordem.

Liguei.

Aguarde uns minutos.

Aguardei.

Obrigado por ter aguardado, Sr. Artur – diga-me como é o estado das luzes no router, por favor.

Pois a primeira está ligada, as outras duas piscam e a da internet e a do telefone, estão apagadas.

Aguarde mais alguns minutos.

Aguardei.

Em resumo: 23 minutos depois, 6 euros e qualquer coisa de chamada (a chamada só é gratuita se for da rede PT), a menina diz-me que tem que mandar um técnico cá a casa.

Pode ser amanhã, das 18 í s 20h?

Pode.

Não apareceu ninguém.

Mas também não me chateei porque o serviço foi retomado, assim, de repente.

Ontem, a meio do Barcelona- Benfica, o serviço foi ao ar!

Liguei para o apoio ao cliente, mais uma vez.

Expliquei tudo.

Muito obrigado por ter aguardado, Sr. Artur: trata-se de um problema na sua zona. Já lá está alguém a tomar conta do assunto e o serviço deve ser retomado dentro de 24 horas.

Então e por que estive eu, ontem de cu para o ar, a ligar e a desligar equipamentos.

Pois, isso foi porque ainda não tínhamos um “tec” aberto (?)

Então e como poderei ser ressarcido de três dias sem serviço?

Ah, para isso vou passar ao meu colega das reclamações.

Desliguei.

É preciso ter fibra para aguentar estes gajos da fibra!

La crise oblige

Segundo o Público de hoje, citando uma reportagem de Le Parisien, começam a surgir, na imprensa francesa, anúncios que oferecem serviços em troca de sexo.

Exemplo: «homem efectua tarefas domésticas a troco de mimos».

Ou este: «homem, 44 anos, respeitável, higiene irrepreensível, não fumador, com 1,80 metros, 85 quilos, troca reparações eléctricas por mimos picantes».

Ou mais este: «diplomado em Ciência Política dá aulas de francês, inglês, filosofia ou cultura geral a troco de carinhos de aluna maior de idade ou da mãe da aluna».

Ora aqui está uma excelente ideia que podia ser aproveitada pelo governo português!

A crise avança, o FMI parece inevitável, os mercados estão-se borrifando para a aprovação, ou não, do Orçamento, e Sócrates, apesar do  seu optimismo militante, já não consegue disfarçar o desconforto.

Por que não publicar, na imprensa da zona euro, anúncios daquele tipo?

Assim: «primeiro-ministro de país periférico, descomprometido, elegante, cabelo grisalho, troca dívida externa por mimos picantes com qualquer especulador(a) com peso nos mercados internacionais».

Ou ainda: «chefe de governo de um dos PIGS, boa forma física, que faz jogging em qualquer parte do mundo, aceita compra de parte da dívida soberana em troca de beijinhos e outras carícias mais íntimas. Preço a combinar, conforme as carícias.»

Não custa nada tentar, pá…

“Jazz and Beatles”

—Os Beatles continuam a ser um grande negócio.

Segundo os jornais,uma semana depois de, finalmente, terem sido disponibilizados para venda no iTunes, os álbuns dos Beatles já tinham vendido mais de 450 mil exemplares e tinham sido vendidas mais de dois milhões de canções!

O álbum mais vendido tinha sido o “Abbey Road” (aprovo, mas aconselharia o álbum branco…) e, nos Estados Unidos, “The Beatles Box Set”, que junta todos os álbuns dos Beatles, e que custa 200 dólares, estava em 10º lugar no top de vendas!

Sou fã desde os 11 anos. Por volta de 1964, o meu tio Xico, jornalista do Mundo Desportivo e que acompanhava o Benfica nos jogos da taça dos Campeões Europeus, trouxe-me o meu primeiro EP dos Beatles. Era um 45 rotações com quatro canções tiradas do álbum “A Hard Day’s Night”. Incompreensivelmente, perdi o rasto a esse clássico, como a muitos outras preciosidades, que se diluíram na bruma da história…

E nunca me senti desiludido com os Beatles. Mesmo quando se separaram, aplaudi. Estávamos em 1970 e começavam a apetecer outras coisas. Acabaram antes de nos fartarmos deles.

Sendo um fã assim tão fiel, sou suspeito quando digo que gosto deste disco “Jazz and Beatles”. Os puristas do jazz hão-de chamar-me nomes, porque isto é um jazz de pacotilha, de lóbbi de hotel, de elevador de centro comercial, de sala de aeroporto. Os puristas dos Beatles, aqueles que acham que o Beatle mais importante não era o piroso do McCartney, nem o falso revolucionário do Lennon, mas sim o místico Harrison, hão-de dizer que as versões destas 12 canções dos Beatles desvirtuam os originais e não têm graça nenhuma.

Que se lixem!

São 12 canções dos Beatles, que gosto sempre de recordar, e com uma roupagem “cool”, que lhes fica bem, nomeadamente “Honey Pie” ou “Oh! Darling”, por exemplo.