A auto-avaliação

Juro que quando escrevi o post em que propunha que os professores fizessem auto-avaliação, estava a brincar. Talvez a piada não fosse muito boa, mas juro que era a gozar.

Pois não é que os sindicatos propuseram exactamente isso í  ministra, que cada professor elaborasse um relatório de auto-avaliação, que seria depois apreciado pelo Conselho Pedagógico?

Custa a acreditar que seja esta a alternativa que os professores têm para contrapor ao modelo da ministra que, com tantas simplificações, já pouco deve a ter com o modelo inicial.

E pronto – continua o desacordo e vamos continuar a assistir ao espectáculo dos professores, na rua e nas escolas, contrariando uma decisão de um governo aprovado pela maioria absoluta dos eleitores.

Se fosse aos professores, esperava calmamente pela eleições (são já para o ano) e votava em todos os partidos menos no PS e convencia os familiares, amigos e pais dos alunos a fazerem o mesmo.

Entretanto, segundo o Público, vem aí mais uma guerra, desta vez com os médicos. Parece que o governo quer aumentar o horário de trabalho dos médicos de 35 para 40 horas semanais, sem contrapartidas.

Fica já dito que, por mim, podem estar í  vontade: é rara a semana que não trabalho entre 45 e 50 horas.

Mas acho que os sindicatos dos médicos devem exigir apenas uma coisa: que o horário dos médicos passe a ser igual ao dos professores.

Recessão – primeiros sinais

Quando acordei, esta manhã, o país já estava em recessão.

Dei por isso porque acordei mal disposto, o café tinha pouco açúcar e a torrada queimou-se.

Na rua, só me cruzei com transeuntes mal encarados e os automobilistas iam todos de trombas e devagarinho, para poupar combustível.

Numa esquina, parece que vi a economia a encolher-se, mas podia ser uma cadela a fugir. Só a vi de relance.

No trabalho, toda a gente me respondeu mal e eu respondi mal a toda a gente e só não andei í  pancada porque me faltou a energia alternativa.

Quando cheguei a casa, calcei só um chinelo, para poupar e sentei-me a ler o jornal.

Logo na primeira página: “Portugal está disposto a acolher presos da base de Guantánamo”.

Bonito gesto.

Mas será que os presos estarão na disposição de vir viver para um país em recessão? Não preferirão as economias florescentes do Iémen, do Afeganistão ou do Mali?

Logo ao lado, outra notícia da recessão: “Falências sobem 50% no distrito de Braga: este ano, até ao final do mês de Setembro, faliram 440 empresas do distrito de Braga”.

Onde é que Braga tinha tantas empresas? Passei por lá em Outubro e juro que não me apercebi disso.

Mais acima, uma notícia alegre: Manuel de Oliveira completa 100 anos.

Confesso que nunca vi nenhum filme do Manuel de Oliveira, mas há que elogiar o homem. Com 100 anos e ainda teima em trabalhar. É por causa de homens como ele que a idade da reforma cada vez é mais tardia…

Mais um pensamento triste…

Lá mais para o fim do jornal, uma notícia engraçada: o PSD considera que Sócrates “vai ficar na História como o primeiro-ministro do governo que levou o país í  recessão”.

Afinal não foi o sub-prime, nem o crédito imobiliários dos yankees, nem os bancos mal comportados. Foi o Sócrates. Embora malhar no homem!

í€s vezes era o que apetecia: uma boa sova, uma tareia, uma trepa, assim como está a acontecer agora em Atenas. Qual manifestações ordeiras avenida abaixo: porrada e mau viver, cocktails molotov, gás pimenta, gás mostarda, gás ketchup, tudo ao molho!

Olha, um bom exemplo é o do Vitor Constâncio, que já disse que não se importava que lhe baixassem o salário.

Sonso!

Eu não me importava era que me aumentassem o salário. Se todos ganhássemos mais, acabava-se a recessão.

Por isso é que o meu herói se chama Mugabe, o gajo que lançou, agora, uma nota que vale 200 milhões de dólares zimbabweanos.

Digam lá se não gostavam de ser pagos com notas de 200 milhões…

Eu tive um sonho

Eu tive um sonho: o Benfica ia í  Madeira e ganhava 6-0 ao Marítimo.

A última vez que eu vi o Benfica dar uma cabazada foi há 3 anos, quando ganhou, na Luz, 7-0 ao Paços de Ferreira.

Goleadas fora, só no século passado. Foram 7-1 ao Olhanense, no ano em que nasceu o meu filho, há 35 anos e 9-0 ao Beira-Mar, em 1966.

Por isso, goleadas, hoje em dia, só em sonhos.

Então, o sonho era assim:

O primeiro golo era do Reyes, de penalti. Depois, na sequência de um canto, Katsouranis desviava ao primeiro poste e Suazo marcava, ao segundo. Também na sequência de um canto, Luisão encostava o pé na bola e fazia o terceiro. Mais tarde, de fora da área, Suazo rematava í  Eusébio e marcava o quarto. Para acabar, Nuno Gomes marcava dois: o quinto, a passe de Balboa e o sexto, a passe de David Luiz.

Foi um sonho tão agradável que decidi não acordar, por enquanto…

Tens dias, Loureiro…

—Por que não ficaste em Aguiar da Beira?

Ficavas a dois passos de Contenças, a terra do teu amigo e sócio, Jorge Coelho. Podias ir í  Serra da Estrela, ver a neve. Em pouco mais de uma hora, estavas em Espanha, para comprar caramelos…

Podias ter ficado com o negócio do teu pai, que era latoeiro, em vez de te meteres nesta coisa do Valor Alternativo que, além de cheirar a alterne, tem algo a ver com ferro-velho.

Podias continuar a conviver com a Dona Natividade dos Santos, senhora com a provecta idade de 82 anos e que disse, ao Correio da Manhã, que tu foste para o seminário por influência do teu tio e padre José Fonseca.

A velhota – que te adora – disse ainda que foste “sempre uma flor de menino” e que, sempre que a vês lhe dás dois beijos.

Por que raio te foste meter nestas coisas da política, Manuel?

Não era melhor teres ficado sossegado, mais o teu bigode farfalhudo, em Aguiar da Beira, onde poderias ter tido um grande futuro como latoeiro?

Vieste para Lisboa, meteste-te na política, e acabaste como ministro da Administração Interna do Cavaco. Foste tu o responsavel pela carga policial sobre a malta que estava a bloquear a ponte 25 de Abril.

E sabes quem te sucedeu no cargo, depois do PSD perder as eleições (por causa da ponte e do feriado do Carnaval)? Pois foi o Jorge Coelho – que coincidência!

Ou então, não é coincidência – é a chamada solidariedade beirã…

Mas vê onde chegaste! Conselheiro de Estado, hã?!

E rico, muito rico – não graças aos ordenados de ministro e de deputado, diz o Pacheco Pereira – e digo eu, que sei como são os ordenados dos quadros da Função Pública.

Portanto, ficaste rico graças ao BPN e a negócios como aqueles de Porto Rico?

Ou ganhaste o Totoloto várias vezes?

De qualquer modo, fiquei com pena de ti, quando te vi ontem, na SIC, a seres entrevistado por aquele jornalista de economia, com ar sério. Que carinha tão inocente fizeste, durante toda a entrevista. Fizeste-me lembrar aqueles putos que acabam de fanar os chocolates todos da dispensa e dizem, com carinhas de anjinhos: «não fui eu, mãezinha…»

Mas podes estar tranquilo.

Nada te vai acontecer. A coisa vai engonhar nos tribunais, engonhar, engonhar, até seres bisaví´.

Entretanto, já estarás novamente em Aguiar da Beira, a pí´r flores na campa da Dona Natividade Santos.

“Cellular”, de David R. Ellis

—Está uma professora de Biologia (Kim Basinger), muito descansadinha, na sua cozinha, quando um corpulento careca lhe entra pela porta dentro, com ar ameaçador.

Será o secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, que lhe vem aplicar, í  força, o sistema de avaliação?

Não! É um polícia corrupto e seus capangas. O marido da professora filmou-os, sem querer, quando eles matavam dois traficantes de droga e lhes roubavam o produto. Os polícias corruptos raptam a professora e fecham-na num sótão.

A partir de um telefone fixo desmantelado, a professora consegue clicar um número ao acaso e que é o do telemóvel de um jovem (Chris Evans). A partir daquele momento, ele não pode desligar o seu telemóvel, para se manter em contacto com a professora, até a salvar, com a ajuda de um polícia bonzinho (William H. Macy).

O filme é um enorme anúncio í  Nokia, mostrando todas as potencialidades de um telemóvel. Tem um bom ritmo, mas a história tem poucas surpresas e parece uma variação de “Phone Booth”, de Joel Schumacher – aliás, o argumentista (larry Cohen) é o mesmo.

Em português, recebeu o título de “Ligação de Alto Risco”, o que se percebe. Os portugueses, como são burros, poderiam pensar que “Cellular” teria alguma coisa a ver com Biologia…

“Dead Man”, de Jim Jarmusch

—Imagens a preto e branco do Oeste americano, como nós o imaginamos e como, de facto, ele é.

Um contabilista de Cleveland (Johnny Depp) viaja de comboio, atravessando oi continente americano. Aceitou um emprego numa metalúrgica kafkiana, numa pequena cidade lamacenta e obscura, cheia de bebâdos e prostitutas.

Envolve-se com uma delas e ambos são apanhados, na cama, por um antigo namorado dela. Quase sem querer, o contabilista, de nome William Blake, mata o ex-namorado, mas também é baleado, junto ao coração.

Ferido de morte, foge da cidade. Desmaiado, é recolhido por um índio (Gary Farmer), que se chama a si próprio Nobody.

É com este índio que William Blake vai fazer uma longa viagem até ao Oceano ou, se quisermos, até ao outro mundo.

Filme estranho, aparentemente absurdo, mas hipnótico. Datado de 1995,  é composto por pequenas cenas, interrompidas com fade-out, faz com que fiquemos presos ao écran esperando a cena seguinte, embora saibamos que nada de especial vai acontecer porque, ao fim e ao cabo, Blake já está morto, quase desde o início do filme…

A Uefa está no papo!

O Benfica prepara-se para dar o salto para a fase seguinte da Taça Uefa.

Para isso, bastam duas coisas:

Primeira: o Olympiakos empatar, em casa, com o Hertha.

Fácil.

Pede-se ao Fernando Santos, esse grande benfiquista, que mova as suas influências na Grécia, que são muitas. Bastará falar com os gregos certos. Pede-se também ao Fernando Meira, esse outro grande benfiquista, e que jogou muitos anos na Alemanha, que fale com os seus amigos no Hertha. Sempre que os gregos marcarem um golo, os amigos alemães do Meira dão uma fífia e fazem auto-golo.

Segunda: vencer o Metalist por 8 golos de diferença.

Canja!

O Suazo mete dois, o Cardozo, outros dois, o Nuno Gomes faz três golitos, o Reyes marca mais dois e o Aimar mete um golo.

Eu sei que dá um total de 10 golos, mas temos que contar com os dois frangos que o Quim vai encaixar.

Fica, portanto, Benfica-10, Metalist-2. Oito golos de diferença.

Uefa – fase de grupos – aí vamos nós!

A Liga Intercalar

Ontem recebi um SMS muito estranho do Pedro.

Dizia, mais ou menos, o seguinte: “Benfa e Sporten na RTP-N, na Liga Intercalar. Que mais vão eles inventar?”

Fui ver.

A RTP-N transmitia, directamente do Centro de Estágio do Seixal, um Benfica-Sporting, a contar para a Liga Intercalar.

Nos idos de 60, quando eu ia í  bola com o meu pai (literalmente e em sentido figurado), havia um Campeonato de Reservas. As reservas eram formadas pelos putos que aspiravam a, um dia, jogar na equipa principal ou, ainda, os jogadores de topo que se portavam mal ou que estavam em processo de recuperação de uma lesão.

Nos tempos em que o meu pai andava mais louco por bola, chegávamos a ir ver jogar os juniores, ao sábado de manhã, as reservas, ao sábado í  tarde e, ao domingo, os gloriosos de primeiro plano, com o Eusébio a comandar.

Agora, chamam a esse campeonato de reservas, a Liga Intercalar.

Que interesse terão os jogos desta Liga para serem transmitidos por um canal de notícias, ainda por cima, í  hora de jantar?

E por que se chamará Liga Intercalar?

Intercalar ou para calar o Inter?

De qualquer modo, como dizia o Pedro, “mais um campeonato para o SLB perder”…

Humor bancário

“O Banco Privado Português não recebeu nenhuma herança mas mesmo assim é um dos Bancos mais capitalizados do mundo no seu segmento, com capitais próprios de cerca de 200 milhões de euros”.

Este naco de prosa faz parte do anúncio de duas páginas que, todas as semanas, abre a revista íšnica, do Expresso. Tenho akguma curiosidade em saber se, no próximo sábado, o anúncio ainda se vai publicar.

Trata-se, claro, do mais fino humor bancário.

Se o BPP tem capitais próprios de 200 milhões de euros, para que raio quer ele uma parte dos meus impostos?