Bamos Atão Nacionalizar Isto Foda-se (BANIF)!

Estávamos mesmo a viver acima das nossas possibilidades!

O FMI tinha toda a razão!

Uma merda de um país como este, com 10 milhões de tesos, para que raio queria tantos bancos?

O BPN, o BES, o BPP, o BPI, o Montepio, o BCP, o BIG, CGD e mais o BANIF, para além de outros Bancos mais ou menos pequenos, de investimento, de negócios, de crédito agrícola e etc e tal.

Onde é que a malta tinha tanto dinheiro para tantos Bancos?

Não tinha, está visto!

Mas acontece que somos uma espécie de Liga dos Amigos dos Banqueiros, e estamos sempre prontos a dar-lhe uma ajuda.

Pagámos o buraco do BPN e praticamente demos o Banco ao BIC, ajudámos o BPP, o BCP, a CGD – e agora, vamos pagar a falência do BANIF e oferecemo-lo ao Santander.

Não haverá um Nobel para isto?

Para quem não se lembra, deixámos a Guiné Equatorial entrar na CPLP porque o seu presidente, o grande democrata Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, ia salvar BANIF, entre outras benfeitorias.

(Pela mesma ordem de ideias, devíamos ter também deixado a Gâmbia entrar na CPLP porque o seu presidente, Yahya Jammeh, garante que tem a cura para a sida…)

E afinal, nem o Teodoro salvou o BANIF!…

Snif…

Quem quer um presidente surdo?

Parece que não vai ser preciso realizar eleições presidenciais: Marcelo já ganhou!

O homem nem precisa de fazer cartazes, autocolantes, bonés ou t-shirts.

Basta sentar-se num sofá na Faculdade de Direito de Lisboa e esperar que os jornalistas lhe façam perguntas.

E ele responde, tranquilo, já em pose de presidente: estará atento, fará tudo para, procurará consensos, não hostilizará, representará o sentir dos portugueses, será o presidente de todos nós.

Para quê fazer eleições, gastar todo aquele dinheiro em boletins de voto, urnas e mais não sei o quê?

Durante anos, o professor andou a ganhar fortunas a dar palpites, saltando da TSF para as várias estações de televisão, preparando o terreno para, quando chegasse a altura, dar o passo em frente e ser aclamado.

Mas estamos perante um drama: Marcelo acabou de fazer 67 anos e confessou que ouve melhor do ouvido esquerdo que do direito (confirmar aqui).

Não tarda nada, está tão totó como o Cavaco!…

marcelo ouvido

“História do Novo Nome”, de Elena Ferrante (2012)

Este é o segundo volume da tetralogia L’Amica Geniale, da italiana Elena Ferrante.

história do novo nomeContinua a história de Elena e da sua amiga Lila, duas habitantes de um bairro pobre de Nápoles, cujas vidas, embora sempre ligadas, vão ter percursos muitos díspares.

O primeiro volume (A Amiga Genial), terminava com o casamento de Lila, aos 16 anos, com o dono da charcutaria, enquanto Elena não sabia ainda se haveria, ou não, de continuar os estudos.

Neste segundo volume, enquanto Lila vai caindo em diversos abismos, mantendo sempre a sua altivez, Elena, mais mansa, continua a estudar e, brilhante e disciplinada como é, acaba a licenciatura e até publica um livro.

Embora cada vez mais distantes, as duas amigas continuam unidas.

Ao contrário do que é habitual, não destaco nenhuma passagem do livro, porque todo ele é um conjunto perfeito. Para além da história ser boa, a autora, cujo verdadeiro nome continua uma incógnita, tem uma escrita envolvente.

Na estante, já tenho o terceiro volume, mas vou resistir-lhe e pegar no terceiro calhamaço do Knausgard.

A almofada invisível

Afinal, parece que não há dinheiro na almofada.

Não é de admirar.

Passos Coelho e Paulo Portas são liberais modernaços – nunca guardariam dinheiro no colchão, muito menos na almofada.

Conservadores como são, preferiram o porquinho-mealheiro.

Pena que o porquinho seja pequenino…

portas passos almofada

As máximas de Rogeiro

Nuno Rogeiro, o famoso espião português, deu uma entrevista ao i.

Não li.

Só tomei nota dos destaques.

Primeiro destaque: “Já vi Scud na Síria e no Iraque. Peguei em metralhadoras e disparei mas não tenho licença de porte de arma”

É preciso licença de porte de arma para disparar Scud?

Segundo: “Conheço o mundo da espionagem por dentro”

Duvido… continuas vivo…

Terceiro: “O Harry Potter é muito popular entre os prisioneiros de Guantánamo”

E a Cinderela, não?

Quarto: “Muitas personagens da série ‘Segurança Nacional’ são iguais a pessoas que eu conheço”

Não estarás a confundir as séries? Não será antes dos Simpsons?

Quinto: “Timbuctu ou a Síria não seriam os melhores sítios para ter uma apendicite”

E uma blenorragia?

Impagável, este Rogeiro…

A carta do Costa

Vamos lá rever a matéria.

O Presidente Cavaco podia ter antecipado as eleições para Junho para evitar a confusão, mas achou que não valia a pena porque estudou todos os cenários possíveis e já sabia o que tinha que fazer.

As eleições foram em Outubro, a coligação PSD/CDS ganhou mas os partidos de esquerda tiveram mais deputados.

Isto deixou o Cavaco í  brocha, porque ele tinha estudado todos os cenários, menos este.

Com efeito, o Presidente tinha previsto a vitória do PSD, ou a vitória do PSD ou, no máximo, a vitória do PSD. E sempre com maioria absoluta ou, pelo menos, com maioria absoluta.

Restava a hipótese de nomear António Costa, mas Cavaco não iria fazer isso sem, primeiro, ter a certeza que Costa não queria sair da Nato.

Como se sabe, Cavaco adora a Nato e a Nato não sobrevive sem a ajuda de Portugal, por isso, que se lixem os salários, que se lixem as reformas – temos é que preservar a Nato.

Então, Cavaco exigiu que Costa respondesse a seis questões fundamentais, antes de o indignar, perdão, indigitar para primeiro-ministro.

Costa respondeu em poucas horas, com uma carta, cujo conteúdo não foi revelado, mas que diz o seguinte:

Caro Aníbal:

Espero que esta carta te encontre bem, assim como a todos os teus. A Maria tem passado bem? E os netinhos? Já fizeram a árvore de Natal? E já têm uma lista de prendas? Era bom que fizessem uma lista porque cada vez é mais difícil arranjar prendas para vos dar – vocês têm tudo!

Nós, aqui pelo Rato, temos passado bem. O Sócrates lá continua a fazer almoços de desagravo, muito zangado com a justiça. Quem está muito contente é o João Soares, porque já lhe prometi o ministério da Cultura, caso faças a fineza de me indigitar. Já agora, se decidires indigitar-me, faz o favor de o fazer antes de sexta-feira porque já tinha planeado um fim de semana em família e não me dava jeito nenhum tomar posse nessa altura.

Além disso, o Jerónimo já prometeu que te oferece uma assinatura do Avante até morreres!