A agenda do Cavaco

Apesar de já saber há muito tempo o que fazer, uma vez que estudou todos os cenários possíveis, Cavaco continua a ouvir opiniões.

Já recebeu os patrões e os sindicatos, os banqueiros e os economistas.

Revelamos o que falta:

Sexta-feira de manhã: bastonários, costureiras e arquitectos;

í  tarde: prostitutas, empregados de balcão e palhaços;

Sábado de manhã: descanso

í  tarde: ladrilhadores, engenheiros e apicultores;

Domingo de manhã: missa

í  tarde: padres, freiras e ateus;

Segunda de manhã: cirurgiões plásticos, funileiros e decapadores;

í  tarde: parteiras, pastores e mergulhadores.

Terça-feira: conversa com a Maria para decidir se também é preciso ouvir os ourives e estofadores antes de tomar uma decisão.

Consequências da queda do PAF

O Passos Coelho volta para a Tecnoforma.
Paulo Portas vai reeditar o Independente.
Cavaco vai vender gasolina para Buliqueime.

A Maria foi dar com o Cavaco a chorar e a murmurar: vou ficar na História como o unico presidente que deu posse a um governo de bolcheviques, mencheviques e trotkas!…

Ouvi dizer que vão pí´r uma estátua do Lenine no Terreiro do Paço!

Ai Maria que vão pí´r a foice e o martelo na bandeira nacional!

Costa e os 3 Mosqueteiros: Martins, Sousa e aquela gaja dos verdes cujo nome não me lembro

í“ Maria, esconde as crianças que vêm aí os comunistas!

Primeira medida do António Costa: geminar Lisboa com Moscovo, Tirana e Pyong Yang.

Maria, manda alguém í  farmácia comprar Kompensan! A puta da azia não me larga!…

“1927 – Aquele Verão”, de Bill Bryson (2013)

Bill Bryson é especialista em, a partir de um determinado facto, contar-nos toda a história envolvente.

1927Assim foi, sobretudo, com Breve História de Quase Tudo (2003), mas quase todas a suas obras são verdadeiras enciclopédias de pequenas curiosidades sacadas do fundo dos arquivos, recortes de jornais, de livros esquecidos.

Este One Summer: America, 1927 é, talvez, o menos interessante de todos os livros de Bryson que já li, exactamente porque é “demasiado” americano.

O livro descreve, em pormenor, os principais factos que tiveram lugar nos Estados Unidos, de Maio a Setembro de 1927 – e foram muitos, sendo que o principal de todos foi a travessia do Atlântico por Lindbergh.

Mas houve muitos outros e Bryson fala-nos de Henry Ford e do seu modelo A, de Babe Ruth e dos seus home runs (aqui, o livro é um pouco enfadonho, até porque não pesco nada de basebol), de Sacco e Vanzetti, de Jack Dempsey e dos seus socos demolidores, de Al Capone, de Herbert Hoover, etc.

Como sempre, ler Bryson é um festival de cultura geral.

Outros livros de Bill Bryson: Em casa – Breve História da Vida Privada (2010), A Vida e as Aventuras do Rapaz Relâmpago (2006), Crónicas de uma Pequena Ilha (1998), Por Aqui e Por Ali (1992), Notas Sobre um País Grande (1999), Made in America (1994).

Versos de esquerda

Poema de militante anónimo do PCP, encontrado num contentor junto í  sede da Soeiro Pereira Gomes.

Jerónimo de Sousa
Está toda a gente nervosa
Estamos pendurados afinal
Do teu comité central

A Catarina aprovou
O PS aceitou
Os Verdes vão assinar
E vocês, vão borregar?

Estás velho, um farrapo
E vais engolir mais um sapo
A política é uma trampa
E Cunhal í s voltas na campa…

Assis ao ataque!

Assis assustou-se com a coligação de esquerda.

Diz que António Costa tem sede de poder – Assis deve ter fome de comer.

sao franciscoVai daí, organizou uma comezaina na Bairrada.

Os assissistas, seguristas e anti-costistas em geral, vão empanzinar-se de leitão e conspirar.

Assis assistiu í  derrota eleitoral do rival e regozijou, mas o rival transformou a derrota em vitória, com a ajuda dos marxistas-leninistas e dos trotkistas.

Sacrilégio!

Assis assestou as suas críticas a partir de Bruxelas, para onde se auto-deslocalizou, e no fim de semana vai para a Bairrada fazer oposição interna.

Assis assustou-se, assistiu e assestou.

São muitos ésses.

Este Assis não é nenhum santo…

Onomatopeias presidenciais

Tudo começou com o PAF – sigla de Portugal í  Frente.

pafQuando os cérebros do PSD e do CDS se lembraram de cunhar a sua coligação com esta sigla, todos nos lembrámos do Astérix e do Obélix a dar estaladas nos romanos – e era impossível não pensar que Passos e Portas estavam, de certo modo, a dar-nos umas estaladinhas na cara, como quem dizia “ainda não estás farto de austeridade, meu tolo? Toma lá mais uma! PAF! PAF!”.

O PAF passou í  história, já que vencendo, perdeu as eleições, mas chegou agora o SNAP.

snapSNAP é a sigla de Sampaio da Nóvoa í  Presidência.

Assim, como um estalar dos dedos, entrámos na era das onomatopeias eleitorais.

O professor universitário e o seu director de campanha deviam estar os dois muito ralados, sem saberem como dar a volta í s sondagens, cada vez mais desfavoráveis, até que tiveram esta ideia brilhante.

Ainda pensaram em CROINK ou ZUNK, mas acabaram por se decidir por SNAP!

Agora, são os outro candidatos que estão í  nora.

Que onomatopeia escolher?

Maria de Belém í  Presidência daria MBAP, que é difícil de pronunciar.

Também Marcelo Rebelo de Sousa a Belém, seria MRSB. Muito mau!

165932025Mas temos muitas í  escolha.

Por exemplo, para a candidatura de Maria de Belém, poderíamos escolher BANG – Belém A Nossa Garina, e Marcelo poderia escolher BAM – Bora Anda Marcelo!

Aquele velhote simpático, que se chama Henrique Neto, podia escolher CRUNCH porque soa bem.

Assim, no boletim de voto, figurariam as candidaturas de BAM, BANG, SNAP e CRUNCH.

Seria bem divertido, sobretudo depois do triste Cavaco ter feito KABOOM!

Afinal, Cavaco é comunista

Só agora se descobriu.

Só agora se tornou óbvio que toda a governação cavaquista, ao longo de mais de uma década e mais outra década de presidência, fizeram parte de uma estratégia a longo prazo para preparar o caminho ao Partido Comunista para, finalmente, fazer parte do governo da Nação.

Mesmo o discurso  que Cavaco fez após as eleições de 4 de Outubro, que todos consideraram ser crispado e de crítica í  possibilidade da formação de um governo PS/PCP/BE, não passou de poeira para os nossos olhos – foi só para disfarçar…

Disseram os comentadores que Cavaco, ao ser tão duro, apenas reforçou a vontade dos partidos da esquerda se unirem – ou seja, Cavaco fez de propósito.

Sabe-se agora que, enquanto esteve a doutorar-se, na Universidade de York, nos anos 70, Cavaco foi recrutado pelo KGB e era ele que, em segredo, escrevia os discursos de ílvaro Cunhal, depois do 25 de Abril.

Para manter o disfarce, Cavaco aderiu ao PSD e tornou-se seu líder, para assim poder melhor preparar o caminho í  chegado do PCP ao Poder.

Agora, pode retirar-se descansado.

Missão cumprida!

cavaco anarquista

“HHhH – Operação Antropóide”, de Laurent Binet (2009)

HHhHVencedor do Prémio Goncourt para primeira obra, este romance de estreia de Laurent Binet é, de facto, inovador.

Inovador no modo como Binet nos conta a história, lutando constantemente contra a tentação de romanceá-la.

A chamada Operação Antropóide consistiu no plano para assassinar Reinhardt Heydrich, o chefe dos Serviços Secretos nazis, da Gestapo, o inventor da “solução final” para extermínio dos judeus.

Heydrich era conhecido como o “Himmlers Hirn heibst Heydrich” (o braço direito de Himmler – daí o título do livro).

Depois de muito planearem, dois pára-quedistas, um checo e outro eslovaco, conseguem matar o “carrasco de Praga” mas, depois de muitas mortes de inocentes, acabam também por ser apanhados e suicidam-se, juntamente com outros companheiros da resistência checa, depois de oito horas de cerco.

Claro que isto dava para escrever um daqueles romances de 600 páginas sobre a 2ª Guerra Mundial, mas Binet tenta descrever os factos de uma maneira quase jornalística e, quando a escrita lhe foge para o romance, autocritica-se imediatamente.

A 2ª Guerra Mundial é uma fonte inesgotável de histórias e não é fácil escrever mais um livro sobre esse tema, e escrevê-lo de forma diferente.

Gostei.