Marques Mentes

Nunca vejo os comentário de Marques Mendes.

Não lhe reconheço know-how para se armar em comentador político.

Sempre me fez lembrar o sr. Lionel, o simpático merceeiro da minha rua – sem desprimor para este último.

Esta gente tem sempre opinião sobre tudo.

Se rebenta um cano na rua, se as laranjas andam azedas, se o seleccionador escolhe o Hugo Viana em vez do Ruben Micael, se a televisão não dá nada de jeito, se o Vitor Gaspar aumenta os impostos, se Barak Obama não é tão preto como parecia í  primeira vista – eles têm sempre uma sentença para dar.

E portanto, embora nunca veja os comentário do Mendes, acabo por ter conhecimento deles através dos jornais, que fazem essa coisa fantástica que é comentar os comentários dos comentadores!

Mendes disse que  a próxima visita de Angela Merkel é “a visita da chanceler de um país amigo, de um líder da União Europeia e uma oportunidade para Angela Merkel conhecer melhor Portugal e até de ouvir as queixas dos portugueses”.

Fiquei perplexo!

Então a Merkel vem aqui, ao Monte de Caparica, ouvir as queixas da malta do Picapau Amarelo, da malta que perdeu o subsídio de desemprego ou o rendimento de inserção, dos diabéticos que deixaram de estar isentos, dos doentes dependentes que passaram a pagar 10 euros por um domicílio médico?

É Mendes, tu mentes!

A Merkel vai directa do aeroporto para a sala onde estarão reunidos os grandes economistas portugueses que foram incapazes de prever a crise que estava para vir, incluindo tu, que já foste do governo e que – tão visionário que és – não conseguiste vislumbrar a merda que vinha a caminho.

Claro que, depois de ela nos cair em cima, é fácil apontar os erros.

Disseste tu, pelos vistos, que António José Seguro é um “político de plástico”.

Olha, pá: eu não gosto do Seguro, acho, de facto, que o tipo é um pouco postiço. Mas se o gajo é um político de plástico, tu és de plasticina.

Merecias que te fizessem o que os meus netos fazemÂ í  plasticina: bolinhas.

Pequeninas…

Muito pequeninas…

Afinal é revisitar, não é refundar!

A ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, não gosta do termo refundar.

Nisso estamos de acordo.

Diz a senhora que prefere a expressão “revisitar as funções sociais do Estado“.

E confirmou que os cortes na Justiça, Administração Interna e Defesa, serão de 500 milhões.

Parece, portanto, confirmar-se o que se diz por aí: o governo, com a prestimosa ajuda dos técnicos do FMI, prepara-se para cortar os tais 500 milhões e mais 3500 milhões na Saúde, na Segurança Social e na Educação.

Depois dessas reformas concluídas, a ministra Paula já não poderá “revisitar as funções sociais do Estado”, pela simples razão de que não restará nenhuma!

Refundidos e mal pagos

—Mas que raio de ideia te trespassou, Passos!

Queres refundar o quê?

Fundar, refundar, fundir, refundir, afundar, transfundir, tresandar, tresmalhar, transmitir, retransimitir, formar, reformar, reformular, reorganizar, enfaralhar, enfarinhar!

Se fosses mas era refundar a tua prima!

Que aconteceu?

Acordaste um dia de manhã e pensaste: tenho que refundar isto!

Foi um tique? Foi um traque? Foi um flic-flac?

Foi o Relvas, foi o Gaspar, qual deles te fez avançar com esta ideia espectacular de querer refundar?

Refundar o memorando? Quando?

Vai refundar o raio que te parta!

Afinal, este povo não presta

Há bem pouco tempo, depois de nos lixar com mais um enorme aumento de impostos, Vitor Gaspar disse que o povo português é o melhor povo do mundo.

Acontece que anteontem, nas Jornadas Parlamentares do PSD/CDS, disse isto:

“Aparentemente existe um enorme desvio entre aquilo que os portugueses acham que devem ser as funções sociais do Estado e os impostos que estão dispostos a pagar”

Ora, portanto, o melhor povo do mundo, pelos vistos, não está muito interessado em pagar os impostos que o Gaspar quer impor para manter o chamado Estado Social.

O próprio Gaspar está cansado de dizer que não há alternativa a esta política de austeridade.

Portanto, se a troika está certa, se este governo está certo, se Coelho não se engana, se Gaspar não falha – só há uma coisa a fazer: mudar de povo!

Relvas, o da consciência tranquila

Afinal, a façanha de Miguel Relvas foi ainda maior do que pensávamos.

—A criatura, não só fez um curso completo em 365 dias, obtendo equivalência em 32 cadeiras, sem sequer lá por os pés, como conseguiu, ainda, obter aproveitamento em cadeiras que nem sequer existiam!

Segundo uma auditoria agora realizada, Relvas obteve aproveitamento nas cadeiras de Teorias Políticas Contemporâneas II e Língua Portuguesa III e IV, cadeiras essas que nem sequer existiam no ano em que homem se licenciou.

Muita coisa fica explicada, depois desta revelação.

Não tendo frequentado Teorias Políticas Contemporâneas, Relvas não pesca nada da política actual e não tendo, de facto, assistido a aulas de Língua Portuguesa III e IV, não percebe o significado de algumas frases feitas do nosso idioma.

“Consciência tranquila” é uma das frases feitas que o tipo não entende.

É que Relvas afirmou: «não tenho receio de nada, quero que tudo seja apurado, porque, como disse, fiz de acordo com a lei, de consciência tranquila, de boa fé».

Ora, estar de “consciência tranquila”, significa estar em paz consigo próprio. Como pode Relvas estar em paz consigo próprio, ao saber que a Universidade lhe ofereceu cadeiras que nem sequer existiam?

Estás a ver, Relvas? fez-te falta frequentares as cadeiras de Língua Portuguesa, pá!|

 

Vamos morrer gordos!

Passos Coelho é uma inspiração.

De repente, toda a gente começou a fazer humor, graças a ele.

Manuela Ferreira Leite já tinha tentado fazer stand up comedy daquela vez em que propí´s que se suspendesse a democracia por seis meses.

Mas agora, que o seu rival, que ela, no fundo, despreza, chegou a primeiro-ministro, transformou-se numa comediante de alto gabarito, zurzindo no Governo como poucos.

A D. Manuela não acredita na receita da troika e diz que o Orçamento do Gaspar é impossível de cumprir.

Diz não crer que “haja a possibilidade de haver alguém que considere que, na situação presente em que está a economia portuguesa, a situação melhore com o aumento de impostos”.

Diz que “estamos a tentar passar um atestado de estupidez aos credores, eles estão a perceber que não vamos conseguir cumprir”.

Diz “o que é que interessa Portugal não entrar em falência, se no fim vamos estar todos mortos?”.

E diz “concordo que é preciso emagrecer; mas aquilo que recomendo é que as pessoas não aceitassem morrer antes de emagrecer. Morrer gordo é do pior que há, especialmente depois de se fazer uma dieta tremenda”.

Confesso que nunca pensei sorrir com uma frase pronunciada por esta senhora.

Morrer gordo é do pior que há, é uma punch line do camandro!

Mas lá está: ela, bem como Bagão Félix e outros perigosos esquerdistas, estão postados em derrubar este governo coeso. Tão coeso que até Portas emitiu um comunicado assegurando que vai votar a favor do Orçamento – coisa rara num tipo que até faz parte do Governo.

Portas acrescentou, mais tarde, que uma crise política deixaria “Portugal muito perto da Grécia”!

Portugal muito perto da Grécia? Que grande volta na geografia! Se Portugal ficasse muito perto da Grécia, a Espanha iria para cima da Turquia e a França para a zona do Irão ou do Iraque!

Mas Passos Coelho inspira outros cómicos, mesmo além fronteiras.

A revista inglesa Economist diz que Portugal vai ficar cada vez mais pobre e passará a chamar-se Poortugal.

Cada vez mais Passos Coelho faz lembrar Santana Lopes.

Ainda vamos ter saudades do homem…

 

 

O sapo do Portas

Portas é um artista.

Meteu o coelho na cartola e de lá tirou um sapo.

Um sapo chamado Gaspar.

Durante este ano e meio, Portas andou por aí. Foi ao Brasil, í  Líbia, í  Venezuela, a Moçambique. Diplomacia económica, disse.

Por cá, os restantes membros do Governo iam fazendo o possível e o impossível para agravar o défice.

Depois, de repente, perceberam que, afinal, a austeridade tinha que ser agravada.

E Gaspar propí´s um enorme aumento de impostos.

Portas esteve quase para repetir aquilo que disse em junho de 2010: «o PSD não é de fiar em matéria de impostos».

Ou então, repetir o que disse em março do ano passado: «”…Eu uso de franqueza. Quando concordo, concordo. Quando discordo, discordo. E tenho que vos dizer isto com toda a franqueza. Subir impostos é aumentar a recessão. Disse-o ontem e digo-o hoje”Â».

Ou ainda o que disse de Sócrates, em julho de 2009: Â«É preciso ter descaramento. Um primeiro-ministro que aumentou todos os impostos e conseguiu uma consolidação do Orçamento í  custa de impostos e não de contenção de despesas vem agora fazer este anúncio (de que não pode baixar impostoso), eu digo que é descaramento».

Ou o que disse em maio de 2010: «Aumentar impostos é, como dizia o próprio engenheiro Sócrates quando se apresentou aos portugueses, o caminho mais fácil, mas não faz bem í  economia».

Ou o que disse a Teixeira dos Santos em janeiro de 2010: “…A ameaça do ministro das Finanças fez” só merece uma resposta “…se quer aumentar os impostos não conta com CDS” para uma viabilização do Orçamento do Estado.

Ou, finalmente, o que disse em setembro de 2007: «Quem está a combater o défice não é o governo, mas o contribuinte português, com os seus impostos, cujas receitas aumentaram 8,3% e estão a pagar a factura».

Mas não disse nada disso.

Preferiu engolir o sapo.

Afinal, é fácil ser liberal em Portugal…

Vamos supor que sou liberal e que tenho um amigo que é secretário de Estado no governo.

Vamos supor, por absurdo, que me chamo Passos Coelho e que esse amigo se chama Miguel Relvas.

Decido ser consultor e depois administrador (ou vice-versa) de uma empresa de formação, a que dou o nome de Tecnoforma.

Se alguém me perguntar o que faz a empresa, digo que dá formação.

Se alguém perguntar que tipo de formação dá a minha empresa, respondo formação técnica.

Convém deixar tudo suficientemente vago para poder encaixar em qualquer oportunidade que o meu amigo Relvas me arranjar.

E ele arranja um programa com um nome bonito: Floral.

Há umas massas do Fundo Europeu e mais uns milhões do erário público.

Pensamos nos funcionários das autarquias, coitados.

Alguns não têm mais que a 4ª classe…

Será que conseguiam ajudar a fazer aterrar uma avioneta?

Claro que não!… Tristes!…

E se nós lhes déssemos formação para poderem fazer não-sei-o-quê nos aérodromos?

Bora lá!

O meu amigo Relvas dá uma ajuda, tenho outro amigo na região Centro, que foi meu colega na JSD que também dá uma mãozinha e voilá! – a Tecnoforma ganha um concurso de 1,2 milhões de euros para dar formação a mil funcionários autárquicos para eventualmente poderem vir a trabalhar nos 2 – dois – 2 aeródromos em actividade.

Depois, mais tarde, quando for primeiro-ministro e o Relvas for meu adjunto, depois, então, havemos de cortar nas despesas do Estado.

í€ fartazana!

Mas agora, carago, é de aproveitar esta oportunidade!

Podemos ser liberais, mas não somos estúpidos!

PS – e depois havemos de arregimentar aquele professor universitário obeso, que usa muito gel na cabeça, Amorim ou Abreu ou assim, e que tinha uma coluna no Notícias Magazine chamada “É difícil ser liberal em Portugal”… de facto!

Mitiga, Gaspar, mitiga…

—Gaspar gosta de utilizar palavras pouco usadas na língua portuguesa.

Começou por nos revelar um desvio colossal.

Falou, recentemente, num enorme aumento de impostos.

Prometeu reduzir a despesa para poder mitigar o aumento de impostos.

Eis aqui outras palavras que Gaspar pode usar:

– a tua folha de Excel é uma formidável merda

– usas umas camisas com uns punhos e uns colarinhos execráveis

– tens cara de anjinho mas deves ser um sacana inabalável

– diziam que eras um estupendo técnico mas cheira-me que és uma incomensurável fraude

– a tua política não é anódina, porque estás mesmo a foder isto tudo, pá!

O melhor povo do mundo

Gaspar é um ministro sádico.

Primeiro, informa que nos vai ao bolso, com um enorme aumento de impostos; depois, passa-nos a mão pelo pelo, dizendo que somos o melhor povo do mundo.

O seu homónimo rei mago, ofereceu mirra a Jesus; Gaspar, o ministro, oferece-nos uma porra!

Ele quer que fiquemos mais pobres.

Ao ouvi-lo, veio-me í  memória aquela cantiga reaccionária da Amália, que dizia assim: “A alegria da pobreza/ está nesta grande riqueza/ de dar, e ficar contente”.

Pobres mas honrados.

Cheira a Salazar.

Gaspar é sádico.

Fode-nos e depois dá-nos beijinho…