Ferreira Leite, Santana Lopes style

—Saudades do Santana Lopes e das suas calinadas?

Não tenhas!

Agora há: MANUELA FERREIRA LEITE!

Tão divertida como Lopes, com a vantagem de ser do sexo feminino, embora, no caso dela, bem… adiante…

Depois de dizer que o TGV e o aeroporto iriam resolver o problema do desemprego na Ucrânia e em Cabo Verde, Dona Leite, na passada 4ª feira, bateu o recorde das afirmações absurdas.

1ª Chalaça da Manuela: “os líderes políticos, numa sociedade democrática, têm que saber fazer passar a sua mensagem através da comunicação social (…), não pode ser só a comunicação social a seleccionar o que se diz.”

Nesse caso, Manuela propõe o quê? A censura prévia? Um comissário político em cada redacção de cada jornal e de cada televisão, para “seleccionar o que se diz”?

2ª Chalaça da Manuela: “enquanto o sistema de justiça não for eficaz, o polícia faz figura de palhaço”.

Claro que os polícias não leram esta notícia, caso contrário teriam ido para a porta da sede do PSD, vestidos de palhaços, exigindo que a Manuela explicasse por que razão o PSD, que tem estado no governo tantos anos quantos o PS, não conseguiu tornar a justiça eficaz.

3ª Chalaça da Manuela: “a nova lei do divórcio, que ninguém pediu, é a destruição da família”.

De qual família, Manuela? Da família nuclear, em que o marido bate na mulher e não quer saber dos filhos? Da família alargada, em que os avós cuidam dos netos e ninguém sabe do pai ou da mãe?

Estas chalaças da Dona Leite foram todas proferidas num único discurso, mas quase ninguém reparou, porque anda tudo preocupado com os professores.

Com esta líder da Oposição, Sócrates bem pode dormir descansado…

Não te cales, Manuela!

—Já percebi por que razão Manuela Ferreira Leite esteve tanto tempo calada.

Manuela estava apenas a tomar balanço!

E agora, que começou a falar, é bom que não se cale, porque a senhora, apesar daquele ar sério, é de uma comicidade formidável.

Qual Buster Keaton, que fazia os maiores disparates sempre com aquele fácies fechado, Manuela diz, por exemplo, que a decisão de aumentar o salário minimo em 24 euros, “roça a irresponsabilidade” (e a conotação do verbo “roçar” é sempre curiosa…) – e diz, agora, que a construção das grandes obras públicas (aeroporto e TGV) contribuem para resolver os problemas do desemprego… de Cabo Verde e da Ucrânia!

í“ Manuela, a senhora é impagável!

Que boa piada!

Embora se tenha esquecido dos brasileiros. Os nossos irmãos brasileiros imigrados, apesar de preferirem a restauração, o turismo ou outras ocupações alternativas, também trabalham nas obras. Bem como os guineenses, alguns quenianos e mesmo um ou outro marroquino.

Por favor, Manuela – não se cale!

Desde os tempos áureos do Sr. Lopes que não me divertia tanto com a leitura de entrevistas políticas.

Tenham medo, tenham muito medo!

O general Loureiro dos Santos disse que os militares estão descontentes com a política do Governo em relação í s Forças Armadas e que esse descontentamento poderia “conduzir a actos de desespero”, atitudes “irreflectidas”, por parte de “militares mais jovens”.

Ontem, dezenas de oficiais juntaram-se para um jantar em que se debateu, í  porta fechada, “o mal-estar” que se vive nas Forças Armadas.

O general Silvestre dos Santos disse que estes problemas “existem há muito tempo, mas que se agravaram em 2005, quando foram tomadas medidas í  revelia dos militares”, sobretudo no que diz respeito í  assistência na doença. Acrescentou que é urgente “os órgãos de soberania tomarem decisões antes que a situação se agrave”. Disse mais: a situação “poderá não chegar í s consequências do 25 de Abril, mas poderá agudizar-se”.

E os militares farão o quê?!

Dão um tiro no Sócrates? Invadem a Assembleia da República? Fecham os quartéis e vão para casa? Declaram guerra í  Mauritânia? Pintam a cara de preto? Rasgam os uniformes? Fazem uma manifestação todos nus?

Tudo isto seriam atitudes irreflectidas, como disse Loureiro dos Santos.

Estamos, portanto, no campo das ameaças.

É uma boa maneira de tratar dos problemas.

Os médicos, para obterem melhores salários, poderão ameaçar receitar os antibióticos errados.

Os professores, em vez de andarem aos gritos na Avenida da Liberdade, podem combinar não dar mais que 8 valores a todos os alunos, em todas as disciplinas.

Os trabalhadores que recolhem o lixo, podem passar a espalhá-lo pelas ruas.

Os motoristas dos transportes públicos podem começar a andar sempre em marcha atrás…

Independentemente de terem, ou não, razão nas suas reivindicações (a história da assistência na doença também daria pano para mangas, nomeadamente, a utilização dos cartões da ADME, ADMA, etc por toda a família, vizinhos e amigos…) – penso que os militares não têm o direito de fazerem ameaças deste género para tentarem vergar o poder político.

Ou então, eu estou enganado e vamos mas é fazer mais um golpe de Estado.

Estou disponível até í  próxima quarta-feira.

Depois, acabam-se as férias e teremos que combinar outra altura…

Leite e derivados

—Na concertação social (“concertação” com “cê”, porque vem de “concerto”; com “esse”, não, porque já não há “conserto”…), patrões, trabalhadores e governo chegaram a acordo: em 2011, o salário mínimo será de 500 euros.

Até lá, vai subindo devagarinho. Para o ano, será de 450 euros.

Manuela Ferreira Leite, distraída ou desconhecendo a decisão da concertação social, disse que Sócrates, ao fazer este aumento, “roça a irresponsabilidade”.

í“ Dra. Leite: é um aumentozinho de 24 euros mensais!

No que respeita ao leite, propriamente dito, e escolhendo o magro, tendo em atenção a doutora, 24 euros dá para comprar mais 27 litros de leite Matinal ultrapasteurizado por mês, partindo do princípio que cada litro custa 88 cêntimos. Quer dizer que o trabalhador, com o novo salário mínimo nacional, nem sequer vai poder comprar mais um litro de leite por dia, todos os dias do mês!

Quanto aos derivados: 24 euros dão para mais 40 iogurtes Longa Vida, a 2.19 cada pack de 4; ou mais 14 pacotes de 250 gramas de manteiga UCAL, a 1.69 cada um; ou 3 queijos e meio, tipo flamengo, da Agros, a 6.49 cada um.

A senhora acha que isto roça a irresponsabilidade?

Estou a ler o Orçamento

O Teixeira dos Santos teve a amabilidade de me enviar, via e-mail, o Orçamento Geral do Estado para 2009.

Como me custa um pouco ler no monitor do computador, imprimi aquilo tudo e comecei a lê-lo ontem í  noite, na cama, antes de adormecer.

Não estou a gostar muito. Acho que o argumento cheira a “déjí  vu” e a história não é grande coisa. Tive uma insónia…

Um tipo da minha idade já leu tantos livros na vida que, para ficar preso, precisa de mais qualquer coisa – e convenhamos que este OGE para 2009 é mais do mesmo.

Enfim, tem aquela coisa dos 2,9% de aumento para Função Pública, que sempre é uma inovação. Mas é pouco.

Confesso que estava í  espera de uma coisa com mais fí´lego e, afinal, todo o OGE cabe numa simples “pen drive”. Ouvi dizer que até cabe no Magalhães! Ora, uma Orçamento que cabe num Magalhães não pode ser grande coisa, não é?

De qualquer modo, prometi ao Teixeira que lhe enviava, depois, as minhas opiniões e vou cumprir – só que ainda não arranjei tempo para ler aquilo tudo.

Mas posso já fazer uma sugestão: se ainda não publicaste o Orçamento, troca os números do aumento, ó Teixeira: põe lá 9,2% de aumento, em vez de 2,9.

Sempre cria mais suspense na história, não achas?

Para a Islândia, e em força!

A Islândia nunca me enganou.

Como é que uma ilha praticamente gelada, situada no escroto de Judas, foi considerada, pela ONU, no ano passado, como o país mais avançado do Planeta?

Agora, está-se a ver. Bancarrota, a coroa islandesa não vale um caracol congelado e os islandeses correm aos supermercados e í s farmácias para açambarcarem os bens de primeira, segunda e terceira necessidade, como qualquer outro povo de um qualquer país subdesenvolvido da América do Sul e arredores.

Em bancarrota, ninguém deve dar nada pela Islândia, agora.

É portanto uma boa oportunidade para convencer o Alberto João Jardim a usar os lucros da off-shore da Madeira e comprar a Islândia.

Depois, muda-se para lá com todos os seus apaniguados, enquanto os islandeses (são pouco mais que 300 mil) vêm para a Madeira.

Ganhamos todos: Jardim ganha a independência, os islandeses ganham uma nova ilha sem gelo e nós ficamos livres do Alberto João.

Por que é que não tenho uma casa da Câmara?

—Antes de continuarem a ler este texto, agradeço que leiam esta pequena local, que saiu hoje no Expresso, a propósito do “Lisboagate” – distribuição de casas da Câmara a amigos e camaradas, por cunhas, pagamento de favores e outras trafulhices.

Já leram?

Então, agora, falo eu: em Junho de 1974, estudava no 2º ano de Medicina, tinha um filho, o Pedro, com um ano de idade e vivia num quarto, em casa dos meus sogros. Há mais de uma ano que colaborava, com estorinhas, poemas e outras brincadeiras, com o jornal República. Gratuitamente. “Just for fun”.

O ílvaro Guerra, que já não está por cá, achou que eu era bem capaz de ser jornalista e como, entretanto, depois do 25 de Abril, passara do República para a RTP, convidou-me para experimentar o jornalismo televisivo.

Não hesitei, claro.

Comecei por ganhar um salário de 7.500 escudos, que era excelente, naquela altura. Continuei a estudar, durante o dia, e a trabalhar no Telejornal da noite que, naqueles tempos, ia para o ar quando calhava, por vezes, depois da uma da manhã.

Graças ao ílvaro Guerra e ao meu emprego como jornalista estagiário, conseguimos sair da casa dos meus sogros e alugar um T1, em Benfica, por 3.500 escudos. Sobravam 4 mil escudos, do meu ordenado. Até dava para beber um gin tónico todos os dias!

Algum tempo depois, juntámo-nos ao nosso amigo José António, também jornalista, na altura, além de estudante de Matemática, e alugámos uma casa em Algueirão. Tinha dois andares: o rés-do-chão para nós, o primeiro andar para os amigos. Renda: 6 mil escudos mensais.

Nessa casa, nasceu a nossa Marta e a Joana deles.

“Obla-di Obla-da, life goes on…”

Em Setembro de 1987, 14 anos depois do 25 de Abril, já longe do jornalismo e trabalhando como Médico de Família há dois anos, conseguimos comprar a nossa primeira e única casa, em Almada.

Ainda a estamos a pagar.

Por isso, peço desculpa pela minha linguagem, mas quero que todos estes gajos façam o favor de ir í  merda!

Magalhães e os Velhos do Restelo

No Macacos sem galho decorre uma acesa discussão a propósito do computador Magalhães e da e-escolinha (http://www.macacos.com/2008/09/23/viva-o-magalhaes/).

Parece que, afinal, a tecnologia de ponta que o Sócrates diz que o Magalhães tem, já não é tão de ponta assim – dizem os críticos. Um dos fulanos que participa na discussão diz esta coisa enigmática:

“O portatil que eu dava aos alunos seria um com 32 megas de ram, disco de 512 megas, grafica de 2 megas, o s.o. seria linux ou bsd. Não precisavam mais do que isto. Queriam fazer processamento de texto, usavam latex, queriam fazer graficos usavam o gnuplot, queriam usar a calculadora ou abriam a shell de alguma liguagem interpretada ou então xcalc. Navegar na net era o lynx (caso precisasem de algo grafico que usem o “…links -g””). Querem fazer desenhos? usem papel e lapis (ou então o xfig que é poderosissimo)! Assim tornavam-se homemzinhos!”

Eu e 98% dos miúdos do ensino básico ficamos de boca aberta! Então, os putos podiam ter um sistema operativo linux, ou mesmo bsd, e não têm?! Que é lá isso, ó Sócrates? Está a roubar aos nossos infantes a possibilidade de usarem o “gnuplot”, seja lá isso o que for?! (a propósito: “bsd” quererá dizer “bondage-sado-masok”?)

Primeiro-ministro da treta, é o que tu és!

Sinceramente, a mim, parece-me uma ideia estrangeira, esta, a de fornecer portáteis aos putos do ensino básico e secundário. Quando percebi que isso se estava a passar em Portugal, pensei, por momentos, que tinha mudado de país.

Claro que o Sócrates e todo o Governo se aproveita do Magalhães para fazer auto-propaganda. Eu faria o mesmo. Os gajos do PSD fariam o mesmo (os gajos do PC, BE e CDS não fariam o mesmo porque nunca terão hipótese de chegar ao Poder, caso contrário… fariam o mesmo…).

A ideia é óptima e merece aplausos, o nome do computador é bem esgalhado (Magalhães ou Magajanes é conhecido em todo o mundo) e só gajos com o espírito do Velho do Restelo é que podem estar contra uma coisa destas.

O PSD não tem emenda

—Segundo o Expresso, Manuela Ferreira Leite estará inclinada a deixar que Santana Lopes possa ser o candidato do PSD í  Câmara de Lisboa.

Este seria o presente envenenado de Manuela ao Sr. Lopes: ao dar-lhe uma nova oportunidade, calaria a oposição dentro do partido. Se Santana ganhasse (ah! ah!), Manuela também ganharia; se Santana perdesse, Manuela não poderia ser acusada de não ter tentado.

Esta baixa política só mostra como se mexem os partidos, o PSD, em particular. No artigo do Expresso, assinado por í‚ngela Silva, não se fala, em lado nenhum, do que poderia ganhar a cidade se Santana Lopes voltasse a ser presidente da Câmara. Não se conhece, da parte de Santana, nenhuma ideia nova sobre Lisboa (ele tinha 3 e já as esgotou: o túnel do Marquês, o Casino de Lisboa e o Parque Mayer). Nada disto interessa. O que interessa são os jogos dentro do partido.

Aliás, no PS, a treta é a mesma. Agora, por exemplo, António Costa e Helena Roseta chegaram a um entendimento, que foi muito saudado pelos comentadores. Então, mas afinal eles não pertencem ao mesmo partido? Não podiam ter chegado a esse acordo antes de concorrerem separadamente í  Câmara, evitando meses e meses de decisões adiadas porque não havia maioria nas votações?

Voltando ao Sr. Lopes: será que ele quer a candidatura í  Câmara de Lisboa?

Não acredito.

O Sr. Lopes quer a Presidência da República, quando o ciclo de Cavaco acabar.

Lá terei que votar no Mário Soares, outra vez, daqui a 10 anos…