Os jornalistas, em geral, não gostam de Sócrates – e o inverso também deve ser verdadeiro.
Esta história da maioria absoluta versus maioria parlamentar, é mais um exemplo.
Questionado í entrada para a reunião da comissão política do PS, Sócrates disse aos jornalistas que pretende uma maioria parlamentar nas próximas legislativas.
Parlamentar? – espantaram-se os jornalistas. Então tu não queres uma maioria absoluta, ó Sócras?!
E, í saída da reunião, voltaram ao ataque: afinal, queres uma maioria parlamentar ou uma maioria absoluta, pá?
E o pá respondeu: “…A maioria parlamentar é uma maioria absoluta, que eu saiba, a não ser que haja outra maioria parlamentar que permita governar sozinho, só a maioria absoluta”.
Que confusão, na cabeça deste primeiro-ministro!
O que vale é que os jornalistas explicam tudo.
Diz a jornalista do Público, Maria José Oliveira: “Maioria absoluta e maioria parlamentar possuem diferentes definições. A primeira, uma maioria qualificada (50 por cento mais um), não implica necessariamente a maioria de um só partido político, bastando lembrar a aliança governamental entre o PSD e o CDS/PP, que assim detinham o maior número de votos no Parlamento. A maioria parlamentar, por seu lado, pode ser uma maioria absoluta, é certo, mas também uma maioria relativa, esta última habitualmente controlada por apenas uma força partidária (embora também existam coligações minoritárias).”
Perceberam?
É tão claro! Absoluta é a maioria que, embora podendo ser de um só partido, como a actual, do PS, também pode ser de uma coligação; maioria parlamentar é, digamos, quer dizer, enfim, também pode ser absoluta, mas se calhar é relativa, a menos que existam coligações… ou não.
Espantosos, estes jornalistas!
Se querem bater no Sócrates, façam o favor; mas, já agora, sejam um pouco mais inteligentes, caramba!
Nick Horny (nascido em Inglaterra, em 1957), escreveu um livro muito divertido. Chama-se “Alta Fidelidade”, foi publicado em 1995, adaptado ao cinema em 2000, com Stephen Frears a realizar e John Cusack a protagonizar.
The Wire tem dezenas de pequenas personagens, como na vida: McNulty, o polícia de origem irlandesa, muito dado a grandes bebedeiras, com uma vida pessoal “fucked up” e uma obsessão – apanhar Stringer Bell, o negro “drug dealer” que se quer transformar num “business man”, através do “real estate”; Avon Bakersdale, o gangster traficante, que não quer ser outra coisa senão gangster; Omar, o gangster solitário, homossexual assumido, duro, sem misericórdia, mas com um código ético muito próprio; Daniels, o líder do grupo especial que realiza as escutas, cheio de dúvidas acerca da profissão; os diversos membros da equipa, cada um com a sua história pessoal e a sua visão da vida e da profissão.
Na 3ª temporada, um dos chefes da polícia farta-se de ser criticado por não conseguir baixar a taxa da criminalidade e decide, sem dar cavaco a ninguém, empurrar os traficantes e os consumidores para três bairros, deixando-os comprar e vender í vontade e limpando o resto da cidade. Claro que a criminalidade baixa, mas a ideia não é muito bem aceite pelas restantes forças vivas da cidade. Entretanto, Daniels e a sua equipa continua o cerco a Bell, não o conseguindo apanhar porque Omar chega primeiro.
Demorei quase um ano a ler este calhamaço de 884 páginas. A letra é miudinha, quase não há parágrafos e os diálogos são todos corridos – caso contrário, o livro ultrapassaria, facilmente, o milhar de páginas.