Eureka! Tantas erecções!

Não é permitida a publicidade a medicamentos, nomeadamente í queles que combatem a disfunção eréctil, como o Viagra, o Cialis e o Levitra.

Mas nada impede que um jornal como o Diário de Notícias, publique um anúncio de página inteira a um spray chamado Eureka (eu repito: chamado Eureka), que, uma vez esguichado sobre o pénis, proporciona um «erecção sólida, firme, sem demora, sempre que quiser», como consta do longo texto publicitário.

Em parte alguma do texto se refere a composição química da mistela que faz acordar um morto («o seu pénis fica imediatamente erecto, mesmo que não tenha uma erecção há anos!»), mas isso pouco importa.

O que interessa são os testemunhos de homens que já pulverizaram a pila com Eureka.

Diz um, com 73 anos: “o spray é realmente um produto extraordinário…  Além de discreto, permite-me ter uma grande e linda erecção, sempre que quero! Tenho 73 anos e posso dizer que faço amor até 3 vezes por dia!

Reparem que o velhote diz que tem uma “grande e linda erecção“! Que ternura!…

Faltaria ouvir a esposa, que deverá dizer algo do género: ” Xiça! O sacana do velho não me larga! Sempre atrás de mim com aquela coisa pendurada! Tem a mania que tem 20 anos, o jarreta!”

Outro homem, afirma ter tido sempre problemas com as erecções e agora, depois de experimentar Eureka, é sempre a aviar, e diz: “Pois é certo que irei obter uma erecção a qualquer hora do dia ou da noite… Ainda melhor, tenho a certeza que o meu pénis ganhou mais alguns centímetros”.

Vai-te gabando, vai. Se continuas a usar Eureka de cada vez que quiseres mandar uma pinocada, qualquer dia tropeças no prepúcio, pá!

Finalmente, um terceiro homem que, para além de não o conseguir levantar, também tinha ejaculação precoce, garante: “Eu e a minha esposa usamos Eureka para grande prazer mútuo. Agora podemos fazer amor durante horas!”

Lá se vai o sexo tântrico!

O maravilhoso spray dá tesão, resolve a ejaculação precoce, permite orgias demoradas e até anima as mulheres. De facto, segundo o texto publicitário: «pulverize Eureka nas partes íntimas da sua parceira para lhe estimular uma sensação deliciosa e torná-la muito mais animada“.

Se começarem a cruzar-se nas ruas, nos centros comerciais, nos cafés com mulheres de olhar glorioso, já sabem que, na noite anterior, o respectivo companheiro lhes pulverizou a passarinha com Eureka!

Espero bem que o ministro da Saúde tome, finalmente, uma medida acertada, passe a considerar o Eureka um verdadeiro medicamento e o comparticipe a 100%.

Pode ser que, assim, a malta aguente a crise com um sorriso nos lábios…

Medo do animal feroz

Lembram-se do que aconteceu depois de António Guterres e Durão Barroso terem deixado de ser primeiro-ministros?

Nada.

Guterres foi para aquela coisa dos refugiados e Barroso, no fundo, também, já que a Europa não passa de um enorme campo de refugiados.

E por cá, pouco ou nada se fala deles.

Vemos Guterres ao lado de Angelina Jolie, algures na Somália e Barroso, ao lado de Angela Merkel, algures na Europa e é tudo.

Vantagem para Guterres, sem dúvida.

A Angelina bate a Angela em todas áreas.

E quanto a Sócrates?

Muito mais odiado que Guterres e Barroso, retirou-se pela esquerda baixa.

Diz-se que foi para Paris, estudar filosofia (e diz-se com ar de gozo, como se aquele tipo, que nem engenheiro é, tivesse categoria para estudar fosse o que fosse, muito menos filosofia – o mister do outro Sócrates, o original!…).

Mas a sombra de Sócrates continua a pairar sobre as páginas dos jornais.

O semanário Sol, um dos que mais bateu em Sócrates, demorou semanas a retirá-lo da primeira página.

E esta semana, subitamente, voltou-se a falar do homem.

Que o homem tinha telefonado a alguns deputados do PS, para que eles votassem contra o Orçamento. Que tinha jantado com apoiantes no Porto. Que anda por aí.

Que medo!

O medo é tão grande que até o chefe da JSD decidiu mesmo entregar ao Procudador-Geral da República, uma série de documentos que supostamente provam que Sócrates é responsável pela dívida soberana, pelo que deve ser julgado.

Claro que este inteligente jovem (chama-se Duarte Marques, tomem nota porque ainda pode chegar a primeiro-ministro…) sabe que esta sua iniciativa não passa de uma patetice populista porque, se a responsabilização criminal de Sócrates fosse para a frente, teríamos que abrir processos a muita gente, a começar pelo Cavaco!…

Portanto, estamos nisto: o PSD e o CDS têm a maioria absoluta, têm um líder da Oposição que é um cinzentão tão triste que até tem Seguro no apelido e, mesmo assim, não se sentem a salvo e temem o regresso do animal feroz.

Por que será?

Aceitam-se sugestões.

 

Il vero amore de Berlusconi

A crise prejudica todos.

Vejam lá que o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, foi obrigado a adiar a edição do seu terceiro disco, intitulado “Il Vero Amore”.

Gravado em parceria com o músico napolitano Mariano Apicella, o disco, que já devia estar aí, a subir nos tops, só sairá, talvez, lá para o fim do mês.

Percebe-se, agora, por que razão Berlusconi pediu a supervisão do FMI.

Ainda o vamos ver fazer um dueto com a Christine Lagarde…

O referendo grego

O problema central não é o primeiro-ministro grego ter decidido fazer um referendo, mas sim que pergunta fazer nesse referendo.

Papandreu (pronuncia-se mais ou menos assim, mas escreve-se de maneira muito diferente) diz que o referendo não é sobre o euro, mas sim sobre as medidas de austeridade.

Mas também há a possibilidade de Papandreu desistir do referendo, a favor da formação de um governo de coligação entre os socialistas e o partido í  sua direita.

Nesse caso, Papandreu cederia o seu lugar a Papadamus (não tenho bem a certeza se é assim que se pronuncia…)

Fica claro que o problema grego é uma questão de Papas.

Por cá, o nosso Papa-Açorda anda a reboque, ora dizendo que não é preciso renegociar com a troika, ora afirmando que são precisos ajustamentos…

Voltando ao referendo e í  sua pergunta.

Poderá ser, simplesmente: «deve a Grécia manter-se no euro ou deve voltar ao dracma?»

Ou ainda: «deve a Grécia aceitar as medidas impostas pela troika ou deve fazer-lhes um manguito?»

Ou talvez: «deve a Grécia manter-se na Europa ou passar-se para a ísia, que fica já aqui ao lado?»

Ou, finalmente: «deve a Grécia pedir a extradição de Duarte Lima, conceder-lhe a cidadania e nomeá-lo primeiro-ministro e, depois, sair do euro?»

Eu votaria nesta última pergunta.

Crise? Qual crise?!

1. O superintendente-chefe Guedes da Silva, director nacional da Polícia de Segurança Pública, viajou até Luanda, para participar numa reunião da CPLP. E foi em executiva.

O chefe da GNR também.

Segundo o Sindicato da polícia, a viagem da comitiva portuguesa custou 10 mil euros.

2. Cavaco Silva foi í  Cimeira Ibero-Americana, no Paraguai e levou 22 pessoas com ele.

Hoje vi, nos telejornais, uma conferência de imprensa dada na capital paraguaia por Cavaco, Passos Coelho e Paulo Portas. Todos em Asuncion, carago!

Presumo que a Assunção (coincidência…) Esteves ficou a presidir ao país. E quem terá ficado no lugar do primeiro-ministro?

Podíamos ter aproveitado para tomar o Poder!

Mas estava um dia de sol, tão bonito!…

Enfim, foi preciso uma viagem í  América Latina para vermos aqueles três passarões juntos, na mesma conferência de imprensa.

Claro que a minha irritação máxima vai para a pesporrência de Aníbal. Quando questionado sobre o teor das conversas que tem, í s quintas-feiras, com o primeiro-ministro, respondeu que foi ele o inventor da “cooperação estratégica” (que dificuldade que o homem tem a dizer palavras com érres!) e que quando, daqui a muitos anos, foram tornados públicos os registos dessas conversas, então sim, vamos todos perceber o quão iluminado era o nosso querido Presidente! Porque ele sempre nos avisou de tudo o que está a acontecer, e não teve culpa de nada e nunca tem dúvidas e raramente se engana!

3. Os telejornais estão todos doidos com o caso Duarte Lima. A RTP, apesar da crise, apesar da dívida, tem já uma jornalista, enviada especial, lá no Brasil, para nos dizer, em directo, coisas que já sabemos, porque estão escarrapachadas na net.

Que eu saiba, a RTP tem um correspondente no Brasil, um jornalista que vive lá. Será que o tipo não é suficientemente competente para fazer as reportagens sobre este caso? É preciso mandar para lá mais uma jornalista (em económica?…)

Estes três exemplos mostram bem que, pelos vistos, a crise não chega a todos, da mesma maneira…

Injustiça!

Fiquei chocado quando soube que o Dias Loureiro recebe, de subvenção vitalícia, apenas 1700 euros!

É um escândalo!

Enquanto tipos como o Duarte Lima, que se limitou a ser líder parlamentar do PSD, recebem mais de 2 mil euros por mês, Dias Loureiro, que foi ministro, fundador do BPN e membro do conselho de Estado, designado pelo Presidente Cavaco, fica-se pelos 1700!

E há mais injustiças, nesta lista de políticos que recebem pensões suportadas pelos contribuintes.

Por exemplo, como é que Bagão Félix consegue aguentar-se com 1000 euros por mês? Mal dá para pagar o lugar cativo na Luz!…

E Zita Seabra? Não será uma injustiça pagar a uma mulher que conseguiu passar do PCP para o PSD, a miséria de 3 mil euros por mês?

E agora, o governo vai acabar com estas subvenções.

Acho mal… Esta malta vai começar a viver mal!

E seguindo esta onda de cortes, eis que a pressão da comunicação social faz com que alguns membros do governo abdiquem do subsídio de deslocação!

É o caso de Miguel Macedo, que recebia a miséria de 1400 euros por mês por viver a mais de 100 km de Lisboa.

O que é que o homem vai fazer agora?

Estamos a transformar os nossos políticos em sem-abrigo…

O Hospital Garcia de Orta internacionaliza-se

A comunicação social noticiou o caso de um brasileiro, de São Paulo que, depois de comprar uns calções, reparou que, o forro de um dos bolsos tinha o logotipo do Hospital Garcia de Orta.

E parece que ficou muito chocado!

Se fosse o logotipo da Polo Ralph Laurent, mesmo que fabricado no Bangla Desh, e cosido por criancinhas de 10 anos, não tinha protestado, mas como era, eventualmente, um bocado de um antigo lençol do nosso querido Hospital de Almada, o homem ficou zangado.

Se as agências de rating nos classificam como lixo, por que não exportarmos lixo?!

Um dia destes, em Belém…

Maria (M) – Falaste hoje com o Pedro? Correu bem?…

Aníbal (A) – Nem por isso. Disse-me que decidiu cortar os subsídios de Natal e de férias…

M – A nós também?!

A- A todos os funcionários públicos e a todos os reformados!…

M – Que desfaçatez!…E eu que estava a pensar em gastar o subsídio de Natal nuns novelos de lã para fazer umas camisolas para os nossos netos!…

A-Vais ter que te satisfazer com umas techirts da Zara… O tipo está inflexível!…

M – E o subsídio de férias também?!…

A- Hum hum…

M – Lá vamos passar as férias outra vez no Algarve!… Os planos da ilha Canela vão por água abaixo! Bolas! O Sócrates tira-te uma das reformas, o Pedro tira-nos os subsídios – para que serve seres o Presidente?!…

A – É a crise, Maria!…

M – Qual crise! Esse Pedro nunca me enganou! Um tipo que foi casado com uma das galdérias das Doce, não podia ser boa peça!…

A – Eu bem avisei que a situação era explosiva…

M – Tão explosiva que rebentou para o nosso lado!… E tu não fazes nada?!

A – Então, eu tenho escrito umas coisas no Facebook…

M – Não chega, homem! Chega-te í  frente! Mostra-lhe quem manda!

A – E dissolvo a Assembleia? Ainda agora foi eleita!…

M – Quero lá saber! Eu quero é os meus subsídios de volta!

A – Deixa estar que eu vou dizer í  comunicação social que acho injusto e pode ser que o PS pegue na coisa e apresente uma alternativa no Parlamento…

M – O Seguro? Aquele totó?!… Podes esperar sentado!

Neste momento, alguém arrancou o microfone que tínhamos colocado nas flores de plástico que ornamentam a mesa da cozinha do casal presidencial.

Recordar é viver?

Com as medidas do governo para 2012, vamos andar para trás vários anos

1 – O SEGREDO DE CAVACO SILVA, SEGUNDO A ESPOSA

Na sua edição de 10 de Fevereiro de 1990, o Expresso fazia eco de uma entrevista concedida por Maria Cavaco Silva í  revista “Família Cristã”.

Nessa altura, a Dona Maria era professora na Universidade Católica e o Sr. Silva era primeiro-ministro. Haveria conflito de interesses? Explica a actual esposa do Presidente da República:

«Posso até contar-lhe um episódio de uma aluna que era fervorosa admiradora do senhor primeiro-ministro e que me pediu se eu lhe arranjava um autógrafo. Respondi-lhe que teria que se dirigir a ele, deixando bem clara a minha posição na aula”.

Ora toma!

Mais í  frente, o jornalista pergunta í  Dona Maria se ela pensa que o seu marido foi levado pelos acontecimentos, quando acabou por concorrer ao lugar de chefe do governo. E ela responde:

«As coisas foram acontecendo, e de repente ele viu-se numa situação semelhante í quela que Fernando Pessoa exprime na Mensagem, quando o rei se vê com a espada na mão, e diz: Que farei com esta espada? – Ergueste-a e fez-se! Penso que com o meu marido aconteceu uma situação semelhante, pois viu-se com qualquer coisa, que provavelmente nunca tinha pensado, na mão, e teve que andar para a frente e se ir adaptando, í  medida que as coisas iam acontecendo».

Tem sido esse o nosso drama: Cavaco, 10 anos primeiro-ministro, 10 anos presidente, foi-se adaptando, í  medida que as coisas foram acontecendo…

Sem comentários

* “Os seus propagandistas (do Governo) podiam poupar-nos a ilusões e a demagogia ideológica: daqui (das medidas do Orçamento) não resultará qualquer Estado mais virtuoso na sua magreza, nem nenhum país mais competitivo, nem um Portugal melhor. Sairá um país mais pobre, exausto, mais dependente, menos culto, menos qualificado, com  maiores diferenças sociais, mais zangado e mais violento e, muito provavelmente, com menos liberdades”

– Pacheco Pereira, in Público de hoje

* “Não há alternativa? Há sempre uma alternativa mesmo com uma pistola encostada í  cabeça. E o que eu esperava do meu primeiro-ministro é que ele estivesse, de forma incondicional, ao lado do povo que o elegeu e não dos credores que nos querem extrair até í  última gota de sangue”.

– Nicolau Santos, in Expresso de hoje

* “Até há dias, a estratégia do Governo passava por diferenciar Portugal da Grécia. Paradoxalmente, para evitar sermos vistos como a Grécia, a solução agora proposta é a mesma que levou ao descalabro económico e social que se vive nas ruas de Atenas. O fim dos subsídios de férias e de Natal, a somar a todos os outros cortes salariais e aumentos de impostos, terá inevitavelmente duas consequências: o colapso da procura interna e uma recessão ainda mais profunda do que o previsto.”

– Pedro Adão e Silva, in Expresso de hoje

* “Já basta e ofende a desculpa da herança do anterior governo. Primeiro, porque juraram que não o fariam; segundo, porque só mostra que nada sabiam do estado do país e não estavam preparados para governar, mas apenas para ocupar o poder; terceiro, porque, que se tenha percebido, o tal buraco inesperado de 3 mil milhões decorre, todo ele, da privatização do BPN, nas condições definidas por este governo, e das dívidas escondidas do querido Jardim, criatura emérita do PSD”.

– Miguel Sousa Tavares, in Expresso de hoje