Polícias educadinhos é o que se quer…

Fazia falta um código de conduta para os polícias portugueses.

Há muito tempo que estávamos fartos de polícias a cuspirem para o chão, a coçarem as partes, com a farda cheia de nódoas e o bigode mal aparado.

O Diário da República já publicou as novas regras pelas quais se devem reger os agentes da ordem.

Mas a coisa tem falhas.

Por exemplo:

Diz o novo código: “ao cruzar com superior em local apertado, (o polícia) facilita-lhe a passagem ou pede-lhe licença para passar se este estiver parado, evitando fazê-lo pela frente”.

Quer dizer que o polícia terá que passar por trás do seu superior. Pergunta-se: poderá dar-lhe um pequeno beliscão nas nádegas?

E se o local for verdadeiramente apertado, poderá o polícia saltar por cima do seu superior ou deverá agachar-se, de modo a que o superior passe por cima dele?

Questões prementes…

Outra regra de ouro: “quando um elemento da PSP acompanhar um superior hierárquico junto a uma parede ou num passeio, o subordinado deve ceder-lhe a posição interior”.

Compreende-se. Se, por acidente, um louco do volante invadir o passeio, terá mais hipóteses de atropelar o polícia, salvando-se o chefe da esquadra…

Claro que, se o passeio for muito estreito, deve seguir-se a regra anterior, isto é, o subordinado deve ir atrás do superior, embora um poucochinho desviado para fora, de modo a que o chefe sinta que vai por dentro.

Percebido?

Agora, quanto í  magna questão de como devem entrar e sair os polícias de um carro…

Esta é, sem dúvida, uma das questões mais polémicas da nossa PSP. Várias vezes os bandidos conseguiram fugir porque os polícias se atabalhoaram a sair do carro, durante a perseguição.

Mas o novo código estabelece a regra: “a entrada em viatura da PSP inicia-se por ordem crescente de categoria ou função, fazendo-se a saída por ordem inversa”.

Simples e claro.

No caso de todos os polícias terem a mesma patente, suponho que devem sair do carro ao mesmo tempo, depois de dizerem em voz alta: “1 – 2 – 3!”

Há mais regras, mas estas três dão uma ideia da grandiosidade deste novo documento que orgulha a PSP e que deverá servir de exemplo a todas as polícias europeias!

O percurso do costume

“Geração í  rasca muda de nome a pensar no futuro”, titula o DN de ontem.

Para que não sejam confundidos com outros movimentos sociais, os jovens que lançaram essa ideia grandiosa, incluindo um tal Labrincha, já adoptaram um novo nome e respectivo acrónimo: Movimento 12 de Março, ou M12M.

No entanto, para que não haja oportunismos, “geração í  rasca” foi registada como marca para impedir “utilizações abusivas, nomeadamente com fins lucrativos”, segundo afirmou o Labrincha.

Fiquei estupefacto.

E se eu fosse registar o “vai í  merda!”?

Evitaria que outros usassem essa expressão tão portuguesa e ainda ganharia uns cobres com a sua utilização abusiva.

Aguardemos, com serenidade, a notícia de que os promotores do M12M são cabeças de lista por um partido qualquer, numas eleições futuras.

Preservativos contra mosquitos

“Mais de um quinto dos estudantes universitários pensam que o vírus da sida pode ser transmitido através da picada de um mosquito. Apesar disso, a larga maioria sabe que o uso do preservativo é uma das melhores formas para evitar as doenças sexualmente transmissíveis”.

Isto são resultados de um inquérito que envolveu mais de três mil universitários portugueses e a notícia vem hoje no DN.

Por outras palavras: sempre que um grupo de cinco estudantes universitários portugueses passeia por locais onde existem águas estagnadas e, portanto, mosquitos, um deles enfia um preservativo na pila, a fim de evitar ser picado e, consequentemente, contrair sida!

Não admira que os finlandeses não nos queiram emprestar dinheiro!…

Ameaças…

—

Ouve lá, ó Sócrates, só falta mesmo dormir com a Valquíria! Não sei o que vês nessa fulana, que tudo o que ela diz, tu fazes, pá!

Liberta-te, homem!

E tu, Cavaco, estás farto do governo? Demite-o!

Quanto a ti, Coelho, vê se te decidides: não apoias as novas medidas de austeridade? Apresenta uma moção de censura!

E tu, Santana, quando é que passas das ameaças í  acção e inventas um novo partido?

País de cães que ladram, mas não mordem…

Morrer em casa

Agora, de repente, os portugueses começaram a descobrir velhotes mortos em casa há semanas ou meses… ou anos!

Somos mesmo um povo de modas, caramba!

Bastou ter-se descoberto aquela velhota, morta há 9 anos, esquecida na sua própria casa e logo os portugas desataram í  procura de mais cadáveres!

Hoje, o jornal da ASIC abriu com mais dois casos: um velhote de 80 anos, morto há umas duas semanas e outro, de 72 anos, morto há cerca de três meses.

E já se fala que, a partir de agora, além do enterro e da cremação, podemos optar por deixar estar.

Morremos e deixamo-nos estar, sossegadinhos, na nossa casinha.

Alguém nos há-de descobrir.

Eventualmente.

Este país é uma enxabarda!

A população de Enxabarda, concelho do Fundão, boicotou as eleições para a presidência da República.

Segundo a notícia da SIC, os habitantes de Enxabarda exigem a abertura da casa mortuária, cujas obras já estão prontas; no entanto, o empreiteiro não dá a chave da porta da casa mortuária porque a Junta de Freguesia ainda não pagou as obras.

Acresce que o sr. prior já disse que, na igreja, não quer mais mortos porque está muito frio, segundo afirmaram alguns habitantes de Enxabarda.

Um país que tem uma terra chamada Enxabarda, cuja população boicota as eleições presidenciais porque não tem a casa mortuária aberta, merece mesmo ter Cavaco como presidente mais 5 anos!

Meia cerveja, dois figos e um tiro no homem do talho

O Diário de Notícias continua a brindar-nos com verdadeiras pérolas do jornalismo de costumes.

Desta vez, socorro-me de uma notícia de ontem, da autoria de J.B. (presumo que seja o correspondente do DN em Guimarães) e que, bem ao estilo de um Rex Stout ou de um Dashiell Hammett, escreve:

«Entrou na mercearia, pediu uma cerveja, comeu dois figos e dirigiu-se ao talho contíguo onde disparou sobre o proprietário, seu antigo patrão.»

Qualquer boa história policial podia começar assim.

Não sabemos o nome do homem que disparou sobre o dono do talho, assim como não sabemos o nome do homem do talho. Mas sabemos – isso sim! – o nome do dono da mercearia, onde o tipo que disparou pediu a cerveja e comeu os dois figos!

É o Sr. José Silva.

Ei-lo que diz:

«Ele veio aqui beber uma cerveja, até me pediu dois figos para comer, e depois só disse ‘vou ali ao meu antigo patrão’, até deixou a cerveja a meio… Parece que ele toma medicamentos e, misturado com a cerveja, aquilo é como uma droga”.

Ah! grande José Silva!

Tu é que sabes!

Tomar medicamentos com cerveja “é como uma droga”! – sempre ouvi dizer!

Aspirina como Coca-Cola?

Droga!

Amoxicilina com Super-Bock?

Droga!

Ben-u-ron com Sagres?

Super-droga!

Vai daí, o homem drogado com medicamentos, meia cerveja e dois figos, toca de ir ao talho do antigo patrão e espetar-lhe com um tiro num braço.

São três colunas de notícia e ficamos sem saber: os nomes do agressor e da vítima, as motivações para a agressão, quantos tiros foram disparados, que tipo de arma foi usada, quando ocorreu toda esta tragédia.

Mas ficámos a saber que tudo se passou na Rua da Rainha, em Guimarães e que o talho se chama – espanto! – Talho Rainha!

Obrigado J. B.!

Obrigado Diário de Notícias!