A laranja já está podre

Não foi preciso muito tempo.

Em três míseros meses, a nova AD quebrou todas as promessas eleitorais que levaram o povinho a escolhê-los.

Passos dizia que cortar o 13º mês era um disparate?

Já está.

Que, se aumentasse os impostos, seria sempre do lado do consumo e nunca do lado dos rendimentos do trabalho?

Já está.

Que o TGV era um luxo e que ia ser suspenso imediatamente?

O tanas!

Dentro da coligação, começou a agitação.

Marques Mendes, Graça Moura, Pacheco Pereira, Manuela Ferreira Leite, Pires de Lima e Lobo Xavier, todos, de uma maneira ou de outra, vieram a público criticar a política fiscal do governo.

Comentadores chamam a atenção para o facto de Passos Coelho e Paulo Portas empurrarem Vitor Gaspar para a frente do touro, obrigando-o a anunciar, sozinho, sucessivos PEC´s, enquanto que, no passado, o arqui-inimigo Sócrates dava sempre a cara, ao lado de Teixeira dos Santos.

Miguel Sousa Tavares, na sua coluna semanal no Expresso, chama a atenção para o facto da despesa do Estado ter descido no primeiro semestre deste ano, quando Sócrates ainda estava no poder, e de ter aumentado desde Julho, já com a AD a mandar.

Fernando Madrinha, também no Expresso, diz que, dos últimos líderes do Continente, Sócrates foi o único que teve coragem para afrontar Alberto João Jardim.

Entretanto, na Universidade de Verão, organizada pelo PSD, Soares foi convidado a dar uma palestra e foi recebido pelos jovens da JSD com gritos de “Soares é fixe!”

Volta Sócrates, que estás perdoado!

Afinal, não somos um país de merda?

Todos os dias há uma surpresa.

Ontem, descobri que era rico.

Hoje descobri que, afinal, Portugal não é um país de merda!

Soube-se hoje que Sílvio Berlusconi, falando ao telefone com um amigo, disse:

«Daqui a uns meses vou-me embora… Vou-me embora deste país de merda que me dá náuseas!»

Portanto, afinal, Itália é que é um país de merda!

Portugal… nem isso…

Serviço Nacional de Escutas

O DN trás, hoje, na primeira página, as fotos tipo-passe de 16 “personalidades” que afirmam recear que os seus telefones estejam sob escuta.

“Personalidades” tão diversas como António Capucho, Honório Novo, Mário Cláudio, Marinho e Pinto e António José Seguro.

Todos dizem evitar falar de assuntos sérios ao telemóvel.

Só contam anedotas, pelos vistos…

Vem isto tudo a propósito de os Serviços Secretos portugueses terem andado a escutar o telemóvel de um jornalista do Público.

O simples facto de existirem uns Serviço Secretos portugueses já dá vontade de rir… mas enfim… adiante.

Parece-me normal que, existindo um serviço secreto, os seus membros devam respeitar esse secretismo. Não me parece correcto que venham cá para fora, para os amigos e as namoradas, contar segredos do Cavaco ou do Sócrates, ou do Passos Coelho, por exemplo.

Ora se, de repente, começam a aparecer, escarrapachadas no Público, coisas que supostamente deviam ser secretas, é porque alguém lá de dentro está a bufar cá para fora.

Digam lá se não é obrigação dos Serviços Secretos descobrir o bufo?

Imaginem que estávamos em guerra e que o bufo dos Serviços Secretos passava ao jornalista informações cruciais sobre a Defesa do Estado?

Nesse caso, já seria aceitável montar uma escuta para descobrir o bufo?

Ou será que isto só é aceitável nos filmes do James Bond?

Agora, há por aí um coro de virgens envergonhadas porque os Serviços Secretos violaram a liberdade de imprensa!

Pois claro que violaram!

É para isso que eles servem!

Ou não?

 

O muro

Ontem, a RTP e a SIC proporcionaram-nos reportagens formidáveis, directamente da Líbia (se calhar, a TVI também, mas eu não vejo a TVI por uma questão de princípio)

—Bem, eu não tenho a certeza se aquilo era mesmo na Líbia, mas parece que sim. Os jornalistas estavam mesmo na Líbia, mais precisamente, em Tripoli.

Mais precisamente, num hotel da capital líbia, cheio de jornalistas.

Mais precisamente, atrás de um muro.

E o muro foi a estrela das reportagens.

Na RTP, Paulo Dentinho, deitado no chão, atrás do tal muro, falava para o microfone e tinha um telemóvel na outra mão. Ao fundo, ouviam-se estampidos.

Na SIC, Cândida Pinto, deitada no chão, atrás do mesmo muro, fazia a mesma figura.

Os tais estampidos eram, supostamente, tiros.

Os repórteres, com ar de quem está com cólicas abdominais, iam descrevendo o óbvio: estamos aqui, o hotel é ali, ouvem-se tiros… tudo afirmações definitivas.

Do lado de cá, um José Rodrigues dos Santos, aos gritos, e um Rodrigo Guedes de Carvalho, aos berros, tentavam sacar mais informações dos seus colegas. Mas eles limitavam-se a debitar vulgaridades.

Os repórteres como sujeitos da notícia.

A notícia deixou de ser a guerra civil líbia e passou a ser o repórter, deitado no chão, atrás de um muro…

No mínimo, ridículo.

4 anos sem fumar

Sempre tiver queda para colecionador, ou dito de modo mais correcto, queda para ajuntador.

Juntei garrafas de gin (vazias, claro), selos, caixas e carteiras de fósforos (cheguei a ser filuminista associado), postais ilustrados, mortalhas para cigarros, envelopes timbrados, rótulos de bebidas, relógios de propaganda, canetas publicitárias, moedas e notas, tinteiros… e latas de bebidas, a única colecção que ainda persiste, com mais de duas mil latas acumuladas, ali, numa salinha dos fundos e que está para ser extinta há anos.

E também coleccionei embalagens de cigarros. Ainda tenho algumas dessas embalagens espalmadas e coladas num álbum de recordações: SG filtro, gigante e ventil, Kart (quilómetros de prazer, dizia o slogan publicitário…), Sintra, Porto, CT, Definitivos, Provisórios, Três Vintes, Português Suave.

—Experimentei de tudo.

Comecei aos 15 anos, quando frequentava o liceu Camões, secção do Areeiro. Comprava cigarros avulso, SG filtro (embalagem amarela em cima, e com listas azuis em baixo), numa drogaria por trás do Liceu, a mesma onde comprávamos as bolas de plástico com que jogávamos desafios épicos, nas traseiras do cinema Roma.

Nessa altura, devia fumar 5 ou 6 cigarros por dia. A dose foi aumentando até aos 15-16 diários e assim se manteve, com poucas flutuações. Só a marca foi mudando, fixando-se no Marlboro light, nos últimos anos.

Calculo que deva ter fumado mais de 140 mil cigarros, mas no dia 20 de Agosto de 2007 fumei o último (e a Mila também, claro…)

E nunca mais!

De quando em vez, ainda sonho que estou a fumar e fico perplexo, porque tenho a noção, mesmo a dormir, de que já deixei de fumar. Nesse caso, como é possível que esteja a fumar? Claro que tudo se desculpa porque é um sonho…

Mas já há muito tempo que não sinto, conscientemente, necessidade de um cigarro.

Aliás, ao pensar na possibilidade de fumar um cigarro, sinto uma espécie de náusea.

Parabéns para nós!

 

Mar encrespado

Miguel Relvas não convidou Mário Crespo para correspondente da RTP em Washington.

Aliás, nem podia, porque Crespo é funcionário da Sic e o governo não interfere com a RTP que, aliás, vai ser privatizada e seria demasiado escandaloso Miguel Relvas arranjar um tacho na RTP ao jornalista que mais bateu no Sócrates e que mais fretes fez ao PSD/CDS, um pouco antes da mesma RTP ser privatizada.

Podia dar a ideia de que o governo PSD/CDS estava a pagar um favor ao Crespo, coisa impensável, porque Relvas é puro como a Divina Graça e Crespo nunca seria capaz de fazer o que andou a criticar este tempo todo.

Felizmente, nada disso se passou.

Parece que, afinal, Relvas apenas sondou Crespo – o que é algo de completamente diferente!

E Crespo, embora não tenha aceite o convite que, aliás, nunca existiu, já avisou que até acha que tem muito jeito para correspondente em Washington, até fala bem americano e tudo!

De facto, não há dúvida que as moscas mudaram…

Não se importa de repetir?…

Temos um primeiro-ministro brilhante.

Eu avisei

Na festa do Pontal, Passos Coelho disse esta coisa definitiva:

«Vamos ingressar no coração do plano mais duro das tarefas que temos a realizar»

O QUíŠ?!…

Que raio é que isto quer dizer?

Vamos ingressar no coração do plano mais duro das tarefas?

í“ Sr. Primeiro-Ministro, não se importa de repetir?

Mas Passos Coelho disse mais coisas importantes. Por exemplo:

«Sabemos que quando se começa a querer mudar há dois tipos de atitude: uma mais conservadora, que começa sempre a pí´r problemas; e aqueles que arregaçam as mangas e dizem ‘muito bem’. Isso não se pode fazer de qualquer maneira, esse é o exercício da democracia».

Ora, vamos lá a ver se eu percebo: quando queremos mudar, há dois tipos de atitude, segundo Coelho: uma mais conservadora e a outra… pois, a outra não se percebe qual é.

Mas percebe-se que há pessoas que arregaçam as mangas e dizem ‘muito bem’, mas o nosso Primeiro garante que isso não se pode fazer de qualquer maneira.

E porquê?

Porque esse é o exercício da democracia.

O QU�!

í“ Pedro, não se importa de repetir?

Já vos disse: estamos tramados!…

Samantha Fox e o ministro das Finanças

—Quem se lembra da Samantha?

Em 1986, um jogo de strip poker permitia-nos despir a Samantha quase toda. Para ela ficar com as maminhas í  mostra, era preciso estar um bom bocado de volta do computador, até conseguir que ela tirasse a roupa.

Samantha foi um ícone dos anos 80, com o seu grande êxito “Touch Me”, acompanhado do sugestivo subtítulo “I Want Your Body”.

Também participou em alguns filmes pornográficos (não vi nenhum) e gravou seis álbuns (não ouvi nenhum), mas ficou mais conhecida pelos posters que forravam as paredes de muitos adolescentes desse tempo.

Pois a Samantha está viva e de boa saúde. Com 46 anos, foi convidada para actuar na inauguração do Naturewaterpark, perto de Vila Real.

Em entrevista ao DN, quando lhe perguntaram se ainda era um sex symbol, respondeu, toda atrevidota: «claro que sim, não se nota? Tudo no sítio, e espero continuar a ser sex symbol por mais alguns anos. Sinto-me jovem e bonita.»

Assim é que é, Samantha! Alto astral!

—Mas, perguntarão, o que tem a Samantha a ver com o ministro das Finanças, Vitor Gaspar?

Será que eu considero o Gaspar um sex symbol?

Será que eu era capaz de passar horas, em frente ao computador, a tentar despir o ministro, num jogo de strip poker?

Não! De modo nenhum!

Mas Samantha e Gaspar têm algo em comum.

Na citada entrevista, a Samantha diz: «Vou contar-lhe um segredo: os fãs que estão mais próximos do palco, quando o concerto começa, pedem o tema (Touch Me) e fazem o gesto com as mãos de tentarem tocar-me no peito. Mas logo lhes respondo: “Vamos guardar o melhor para o fim”. E no fim não têm direito a nada!»

É nisto que Gaspar é igual a Samantha: promete-nos cortes na despesa e, afinal, atira-nos com mais impostos.

No fim, não temos direito a nada!

O melro

Sabem quem é Daniel Campelo?

É aquele senhor deputado do CDS, que ficou conhecido por ter votado a favor de um Orçamento do governo de Guterres – o famoso Orçamento limiano.

Assim chamado porque Campelo era presidente da Câmara de Ponte de Lima, terra do queijo limiano.

Pois esse senhor é agora secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural – isto é, secretário de Estado de Coisa Nenhuma, já que florestas e desenvolvimento rural, são coisas que cá não há…

E foi ele, sagaz, que anunciou ter retirado o melro da lista das espécies cinegéticas.

A partir de agora, é proibido caçar melros!

Mais uma contundente medida deste governo, no sentido de diminuir a despesa pública!