Até nas santas nos enganamos!

O Diário de Notícias de hoje publica uma pequena local do seu correspondente em Viana do Castelo, Paulo Julião, que revela mais sobre Portugal do que todas as prosas de todos os nossos colunistas consagrados, de Pacheco Pereira a Sousa Tavares.

Segundo Julião, os devotos da freguesia da Areosa têm prestado culto í  santa errada, há décadas!

Com efeito, os crentes da Areosa veneram a Senhora da Vinha, pensando que ela representa a cultura da videira e a produção do vinho e, afinal, a Senhora é Ovinea (do latim, “ovelha”).

Quer dizer: agradecem í  santa a boa colheita das uvas e o bom vinho produzido, quando lhe deviam agradecer, por exemplo, a boa lã das ovelhas ou a suculenta carne dos borregos.

E depois, vão para a porta da Assembleia da República, exigir subsídios para apoiar a pastorícia.

Um povo que confunde as santas padroeiras, não merece milagres de espécie alguma!

Que vão todos para o diabo que os carregue!

The Shield – série 3

shield3De certo modo, “The Shield” é uma série precursora de “The Wire”.

Em “The Shield”, cuja acção decorre em Los Angeles, também os polícias estão cheios de defeitos, a começar pelo chefe da esquadra, o latino Aceveda, com grandes ambições políticas e a acabar na Strike Team, liderada por Vic Mackey.

Os quatro membros desta equipa especial também não são meninos do coro: roubaram uma boa maquia de dinheiro í  mafia arménia, mas estão tramados porque as notas estavam marcadas e, ao longo desta 3ª temporada (2004), tentam enganar os superiores hierárquicos, ao mesmo tempo que tentam apanhar os arménios, antes que eles os apanhem.

Dutch e Claudette, os dois detectives da esquadra, apesar de alguns sucessos, também têm as suas falhas e uma delas quase custa a vida a uma polícia a trabalhar “undercover”.

É uma série nervosa, filmada com a câmara ao ombro, sempre em andamento e que não tem uma única cena tranquila.

O lider da srike team, Vic Mackey (Michael Chiklis) ganhou o Emmy e o Globo de Ouro em 2002; a série ganhou o Globo de Ouro em 2003.

A gripá

Manchete do Público de ontem:

“Surto de Gripe A fecha infantários e obriga Governo a pedir vacinas para três milhões”.

Esta manchete merece as seguintes observações:

– duas entidades têm direito a maiúscula: o Governo e a Gripá

– os infantários portugueses que, como se sabe, são para aí 5 ou 6, começaram já a fechar as portas por causa da gripá. Dois já estão fechados! Toma! É muito bem feito que é para os paizinhos das criancinhas não se armarem ao pingarelho e irem de férias para Cancún!

– o Governo preparava-se para comprar meia dúzia de vacinas mas a gripá obrigou-o a pedir 3 milhões de vacinas! Toma lá que já almoçaste!

Com um pouco de sorte, pode ser que o Governo seja dizimado pela gripá e já nem seja preciso fazer eleições.

O Cavaco, se também não for contagiado, nomeia um Governo de Salvação Nacional.

Isto se sobreviver alguém de jeito, porque com tantos ministros e ex-ministros e autarcas que vão ser presos em breve e com todos os outros que vão ser apanhados pela gripá, podemos ter que importar políticos de outro país qualquer.

Portanto, toca a espirrar para cima uns dos outros, a ver se disseminamos a gripá o mais rapidamente possível.

O que isto precisa é de um novo 25 de Abril!

O povo está, com a gripá!

Mais uma razão para impedirmos a Manuela de ser primeira-ministra

Há muitas razões para não deixarmos a Manuela Ferreira Leite ser primeira-ministra, mas hoje vamo-nos ficar por esta:

A Dona Manuela promete fazer coisas que já podia ter feito.

A Dona Manuela disse que, caso ganhe as eleições em Setembro (livra!), vai alterar os estatutos do aluno e da carreira docente, o sistema de avaliação dos professores e aliviar a carga burocrática a que estão sujeitos.

Quanto ao Estatuto do Aluno, a senhora, que já é avó e tem idade para ter juízo, teve a lata de dizer que: «o problema é que com aquele estatuto o que acontece é que um aluno pode passar, transitar de ano, sem nunca ter sequer ido alguma vez í  escola».

Será que pode mesmo, Dona Manuela?

Não estará a exagerar?

O que fará, então, MFL se ganhar as eleições em Setembro (livra!)?

Será que volta í s políticas educativas dos anos 90?

É que a Dona Manuela já foi ministra da Educação entre 1993 e 1995 – ou será que já se esqueceu?…

Tauromaquia parlamentar

E, de repente, Manuel Pinho virou-se para Bernardino Soares e mimoseou-o com um par de cornos, em plena Assembleia da República.

manuelpinho_cornosSócrates demitiu-o.

Acho mal.

Para já, se a Assembleia costuma ser uma grande tourada, mais cornos, menos cornos, não há-de fazer diferença.

Tive pena foi do Bernardino Soares, coitado. Com aquela carinha de sacristão, nunca devia ter visto ninguém a fazer cornos…

Depois, há os antecedentes: é bom não esquercer que há poucas semanas, o vice-presidente da bancada do PSD mandou um deputado do PS para o caralho.

E nem vale a pena falar das tiradas fantásticas do Alberto João. Elas são tantas, que basta talvez recordar aquela vez que ele chamou filhos da puta aos jornalistas.

E ainda ontem, o presidente da Assembleia Geral do Benfica, Manuel Vilarinho, ao ser questionado sobre a possibilidade das eleições serem impugnadas, respondeu: “estou-me cagando!”.

Portanto, foda-se! que mal faz um simples par de cornos í  porra desta democracia de merda!?

Outra razão para impedirmos a Manuela de ser primeira-ministra

Há muitas razões para não deixarmos a Manuela Ferreira Leite ser primeira-ministra, mas hoje vamo-nos ficar por esta:

A Dona Manuela está com perturbações da memória.

Ela esqueceu-se do que Santana Lopes fez como presidente da Câmara de Lisboa, ela esqueceu-se que esteve contra Durão Barroso quando este cedeu o seu lugar so Sr. Lopes, ela não se lembra das coisas que ele disse dela, quando ela concorreu contra ele, nas últimas eleições no PSD.

Agora, a Dona Manuela apoia devotadamente o Sr. Lopes – o homem dos túneis.

A Dona Manuela é capaz até de rezar pelo Sr. Lopes – ele, que pediu a ajuda de Deus para ganhar as eleições autárquicas, como se Deus não tivesse já tanto que fazer com as vítimas da gripe, das manifes no Irão e das quedas do airbuses.

Se a MFL ganhar as eleições em Setembro (livra!) é muito capaz de se esquecer que Dias Loureiro (outra grande vítima do Alzheimer) é arguido no caso BCP e convidá-lo para ministro da Administração Interna, cargo que ele ocupava no governo de Cavaco Silva, quando aconteceu o bloqueio da ponte 25 de Abril (será que alguém se lembra disto?)

Uma razão para impedirmos a Manuela de ser primeira-ministra

Há muitas razões para não deixarmos a Manuela Ferreira Leite ser primeira-ministra, mas hoje vamo-nos ficar por esta:

A Manuela Ferreira Leite não é capaz de pensar pela sua própria cabeça.

Afinal, ela assinou a autorização da compra da rede fixa pela Portugal Telecom, em 2002, não porque estivesse de acordo, não porque precisasse daquele dinheiro para manter o déficit abaixo dos 3%, mas apenas porque o negócio já tinha sido resolvido pelo governo anterior, chefiado por Guterres.

Em Setembro, se MFL ganhar as eleições (livra!), é muito capaz de começar as obras do novo aeroporto, do TGV, da 3ª auto-estrada Lisboa-Porto e da nova ponte sobre o Tejo e dizer que não tem culpa nenhuma, porque foram decisões do governo de Sócrates.

“A Mãe”, de Rodrigo Leão

maeDisco triste, depressivo, para ouvir apenas quando se está equilibrado psicologicamente.

Um tipo que esteja em baixo, ao ouvir, por exemplo, Ana Vieira a cantar o tema “Vida tão estranha” e a lamentar-se “já nem chorar me dá consolo”, é muito capaz de deixar o cd a rolar e atirar-se do sexto andar.

No panorama da música popular portuguesa, Rodrigo Leão é único, quer pelo tipo de música que faz, quer pela seriedade da produção, quer pela busca dos colaboradores, neste caso, o Cinema Ensemble, a Sinfonietta de Lisboa e mais.

Além disso, e como não sabe cantar, pede a ajuda de quem sabe e, neste disco, tem a voz de Ana Vieira, de Stuart Staples (dos Thindersticks), de Neil Hannon (dos Divine Comedy) e de Daniel Melingo.

Destaco as faixas “Vida tão Estranha”, “Ya Skaju Tebe”, “A Corda”, “Canciones Negras” e “No sí¨ nada”, mas todo o disco, dedicado í  mãe do compositor, recentemente falecida, merece ser escutado com atenção.