O percurso do costume

“Geração í  rasca muda de nome a pensar no futuro”, titula o DN de ontem.

Para que não sejam confundidos com outros movimentos sociais, os jovens que lançaram essa ideia grandiosa, incluindo um tal Labrincha, já adoptaram um novo nome e respectivo acrónimo: Movimento 12 de Março, ou M12M.

No entanto, para que não haja oportunismos, “geração í  rasca” foi registada como marca para impedir “utilizações abusivas, nomeadamente com fins lucrativos”, segundo afirmou o Labrincha.

Fiquei estupefacto.

E se eu fosse registar o “vai í  merda!”?

Evitaria que outros usassem essa expressão tão portuguesa e ainda ganharia uns cobres com a sua utilização abusiva.

Aguardemos, com serenidade, a notícia de que os promotores do M12M são cabeças de lista por um partido qualquer, numas eleições futuras.

É difícil ser liberal, caramba!

Há um senhor chamado Carlos Alberto Amorim, que escreve umas crónicas no DN, que é liberal í  brava.

E todos sabemos como é difícil ser liberal em Portugal…

Tão difícil, tão difícil que o mail de CAA até é difícilserliberalemportugal@gmail.com

Tão difícil, tão difícil que o homem até vai ser cabeça de lista por Viana do Castelo, por um dos partidos que mais mama na teta do estado, o PSD!

Preservativos contra mosquitos

“Mais de um quinto dos estudantes universitários pensam que o vírus da sida pode ser transmitido através da picada de um mosquito. Apesar disso, a larga maioria sabe que o uso do preservativo é uma das melhores formas para evitar as doenças sexualmente transmissíveis”.

Isto são resultados de um inquérito que envolveu mais de três mil universitários portugueses e a notícia vem hoje no DN.

Por outras palavras: sempre que um grupo de cinco estudantes universitários portugueses passeia por locais onde existem águas estagnadas e, portanto, mosquitos, um deles enfia um preservativo na pila, a fim de evitar ser picado e, consequentemente, contrair sida!

Não admira que os finlandeses não nos queiram emprestar dinheiro!…

Medíocres

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Bom conselho, o de Relvas.

Cada vez que Passos Coelho fala, dá um tiro no pé.

Disse que tinha sido informado do PEC-4 por um simples telefonema e, afinal, encontrou-se com Sócrates, a sós, em São Bento.

Não consegue que dirigentes destacados do PSD aceitem fazer parte das listas de candidatos a deputados, caso de Luis Filipe Menezes, António Capucho, Marques Mendes ou Manuela Ferreira Leite.

Volta-se, então, para um senhor que, ainda em fevereiro, dizia que nunca aceitaria candidatar-se a um cargo partidário. “Categoricamente não!”, exclamou Fernando Nobre.

Era tudo a fingir, claro!.

O homem quer é ser presidente!

E já que o povo não o elegeu presidente da República, não se importa de ser eleito deputado pelo PSD, depois ser eleito presidente da Assembleia da República e depois, esperar que dê uma travadinha ao Cavaco (afinal, o homem tem 70 anos…), de modo a que ele, segunda figura da Nação, possa exercer o cargo de presidente da República interinamente.

Passos deve pensar que esta sua decisão foi uma jogada de mestre!

Coitado!…

Mas enfim… pouco podemos esperar de quem tem como mentor esse grande pensador que é… í‚ngelo Correia!…

 

Doces painéis…

Notícia de hoje, no Diário de Notícias:

“Soutiens velhos entregues em lojas de roupa interior conferem descontos de três a cinco euros na compra de peças novas e são depois reciclados para utilização no fabrico de painéis isoladores e de absorção sonora.”

Curioso…

Os soutiens, depois de absorverem os choques e as trepidações, protegendo as maminhas, passam a proteger os ouvidos, absorvendo os ruídos.

Gosto muito de maminhas.

Sempre gostei…

Se um dia me virem encostado, com ar palerma, a um painel isolador, ficam logo a saber que o dito é feito de soutiens velhos…

Nobre, o obstipado

Então, o Fernando Nobre, o candidato independente í  presidência da República, o homem que tinha a boca cheia de cidadania, que disse que só lhe dessem um tiro é que desistia de concorrer a Belém – esse senhor, com ar de quem sofre de obstipação crónica, é o cabeça de lista, por Lisboa, do PSD?

Qual é o espanto?

Por acaso, a candidatura de Fernando Nobre tinha ideologia?

Por acaso, o PSD tem ideologia?

Coisas que eu li na imprensa

1. Em 2010 ocorreram menos 4500 AVC e menos 300 enfartos que no ano anterior (DN de 9/4)

Fica provado que a crise beneficia a prevenção primária dos eventos cardiovasculares e que o governo Sócrates fez bem í  saúde dos portugueses.

2. O Expresso compara Portugal í  Finlândia. Os números são muito semelhantes: enquanto nós temos 25% de carga fiscal sobre as empresas, os suomis têm 26%; o endividamento das famílias também não é muito diferente (100% para nós, 129% para eles); os gastos do Estado até é maior na Finlândia (56,2% do PIB) do que em Portugal (48,2%).

Sendo assim, como se explica a diferença do êxito destes dois países?

Pistas: número de polícias por mil habitantes – 520 em Portugal, 150 na Finlândia; número de advogados por mil habitantes – 260 por cá, 34 na terra do sol da meia-noite…

3. Perto de Praga foi descoberto um esqueleto pré-histórico datado entra 2500 e 2800 AC. Trata-se de um homem que, no entanto, foi enterrado segundo os procedimentos usados para as mulheres (inclinado para a esquerda e com a cara virada para ocidente, sem armas nem jóias).

Os arqueólogos especulam: terá sido um transsexual?

Quer dizer: se já não é politicamente correcto dizermos “homem das cavernas”, teremos que passar a dizer “homem, mulher ou maricas das cavernas”?

4. A América Latina continua e merecer o trocadilho de América Latrina.

Desta vez é na Guatemala.

O presidente ílvaro Cólon não pode ser reeleito. A Constituição proíbe, para que não aconteça como na Venezuela de Chavez, que se vai eternizando no trono.

Sendo assim, a sua mulher, Sandra Torres pensou em candidatar-se. Mas a constituição também não permite que nenhum parente do presidente se possa candidatar, para que não aconteça como na Argentina, em que a esposa (Cristina Kirchner), sucedeu ao marido, Nestor (e o marido só não irá suceder í  esposa porque, entretanto, morreu de enfarto).

Mas ílvaro Colom e Sandra Torres já encontraram uma solução: divorciaram-se!

5. Quem devia passar a pertencer í  América Latrina era a Madeira, enquanto fosse chefiada pelo Alberto João.

Caladinho durante uns tempos, talvez fruto de ordem médica, após o enfarto, ei-lo que volta í  ribalta e diz a maior quantidade de disparates por segundo no 13º Congresso do PSD-Madeira.

Exemplos:

– para acabar com as greves nos transportes propõe “ensinar os militares a pilotar aviões comerciais ou a conduzir comboios ou até o metro”

– o “Estado-polvo, o Estado-paraíso, triunfo dos idiotas, não é mais que uma paródia de República que estamos aqui a aturar, um regime socialista tipo chinês, que destruiu a classe média”

– Teixeira dos Santos é “criminoso”, por causa da zona franca, mas também “malcriado” e deveria “ter levado umas palmadas do presidente da República”

– Se fosse primeiro-ministro, Jardim, assim que chegasse a São Bento, anularia vários decretos, nomeadamente, dois: a liberalização da droga e os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, que são “novos costumes de gente aberrante”.

Claro que Alberto João já se esqueceu das boquinhas e olhinhos que fez a Sócrates, quanto este lhe deu milhões para a reconstrução da Madeira, após as enxurradas.

Isso tem pouca importância para este tipo, que não precisa de artimanhas para se eternizar no poder.

Lenine e Trotsky – a mesma luta!

Já só faltam 3 dias para que Jerónimo Sousa e Francisco Louçã se encontrem para estudar eventuais alianças eleitorais.

Lenine e Trotsky dão voltas nos túmulos!

Mais tarde, quando a aliança der para o torto, quando o “governo patriótico e de esquerda” se revelar pouco patriótico e nada de esquerda – esperemos que Jerónimo não dê com uma picareta na cabeça do Louçã, como fizeram ao inventor da “doença infantil do comunismo.”

Nota: alguém se lembra deste palavreado?…

Benfica Campeão!

Há uns tempos, a Maria João dizia ao Pedro, no Facebook, a propósito do Census, que achava estranho Benfica não aparecer em Religião.

E o Pedro respondeu que Benfica não é Religião, mas sim nacionalidade.

É bem verdade: o Benfica confunde-se com a Nação.

É por isso que é estranho que o campeonato nacional seja ganho por um clube regional.

Mas enfim… Campeão é sinónimo de Benfica ou, por outras palavras, no que respeita ao Benfica, “campeão” é um adjectivo – porque Benfica é, e será sempre, substantivo!

Só que, por vezes, o Benfica decide não exercer a sua qualidade de campeão, como aconteceu este ano.

Do alto da sua magnanimidade, o Benfica deixa, por vezes, que outros pequenos clubes usem as faixas de campeões.

Aconteceu ontem, na Luz, com aquele clube com a camisola í s riscas.

E tão felizes que eles ficaram, pobrezinhos!…

Depois, a luz apagou-se na Luz. Porquê?! Perguntaram os tipos das riscas.

Enfim, como disse alguém: Jesus era carpinteiro, não era electricista…

Desligaram-se as luzes e ligaram-se os aspersores.

Como disse o Pedro: foi pena que, em vez de água, não tivesse saído alcatrão. Depois, era só cobri-los de penas… de águia…

Ou talvez fosse um desperdício…

Hoje í  noite, o telejornal mostrou imagens dos adeptos do Porto a festejarem a vitória, um pouco por todo o mundo: muitos adeptos na cidade do Porto, três tipos em Bruxelas, cinco em Genebra, dois em Luanda… e, assim de repente, não me lembro de mais nada.

Tristes campeões em tempos de crise!…

“Juliet Nua”, de Nick Hornby (2009)

—Nick Hornby escreveu um livro muito bem conseguido, chamado “Alta Fidelidade” (1995), que foi adaptado ao cinema, com a realização feliz de Stephen Frears e a interpretação inspirada de Jonh Cusack.

E isso chegava para que Hornby tivesse o seu quinhão no “hall of fame” dos escritores populares.

Os restantes livros de Hornby são muito menos interessantes e deixam pouca marca (“Era Uma Vez Um Rapaz” (1998), “Como Ser Bom” (2002), “Um Grande Salto” (2005) e “Slam” (2008).

Este “Juliet Nua” é, talvez, o menos interessante de todos.

Conta-nos a história de Duncan e Annie, um casal inglês, quarentão, que vive uma vida triste, rotineira e sem filhos, numa terrinha igualmente triste e sensaborona. Ela é conservadora do desinteressante museu local e ele é professor, tendo como único interesse na vida a figura de um obscuro músico rock dos anos 80, o norte-americano Tucker Crowe.

Este último, depois de lançar o álbum que seria o melhor da sua carreira, chamado “Juliet”, retira-se para parte incerta e nunca mais dá sinal de vida.

Depois de algumas peripécias, Tucker acaba na cama de Annie, mas só por uma noite. Ou talvez não.

A história é curta, praticamente não há personagens secundárias nem histórias paralelas e a escrita de Hornby, que se quer coloquial, acaba por se tornar enfadonha e, por vezes, difícil de seguir – e a culpa não deve ser da tradução.

Bom para se ler no aeroporto (o que não foi o caso…)