Tomba-gigantes

Um dos grandes atractivos da Taça de Portugal é este: de vez em quando, uma pequena equipa, com um pequeno orçamento, intromete-se entre os grandes e consegue fazer um brilharete.

Estou a falar, obviamente, daquele pequeno clube regional do norte, o Futebol Clube do Porto, que ontem conseguiu eliminar  o Sporting da Taça de Portugal – e logo com um resultado expressivo de 5-2.

Embora conheça mal a equipa do FCP, tenho que lhe tirar o chapéu, já que todos os ordenados de todos os seus jogadores juntos não dariam sequer para pagar as botas do Liedson.

A exibição do Sporting foi lamentável e, embora não tenha visto o jogo, posso dizer – como o Mário Crespo – que ouvi dizer que tinha sido uma merda.

E se eu ouvi dizer é porque é verdade e quem me desmentir quer calar a comunicação social e instaurar uma ditadura socrática.

Parabéns FCP! Vocês têm futuro!

Espero que, em breve, deixem os campeonatos regionais e possam vir a jogar com os clubes a sério…

Proto manifes

Nos anos 70 do século passado participei numa manifestação. Descemos as avenidas, gritando “Otelo amigo, o povo está contigo!”

Não estava, como depois se viu.

Era uma manif dos GDUP que, se não me falha a memória, queria dizer Grupos Democráticos de Unidade Popular – ou será que era Grupo Desportivo União Piedense?…

De qualquer modo, estávamos no chamado PREC (processo revolucionário em curso) e até parecia mal que não nos manifestássemos.

Vem isto a propósito da manif dos enfermeiros, anteontem.

Igualzinho.

Avenida abaixo, gritando palavras de ordem – “Sócrates escuta, os enfermeiros estão em luta!” (um primor de originalidade…) – agitando bandeiras e cartazes, megafones em punho.

Tal como os professores, no ano passado, também os enfermeiros, este ano, entram neste folclore das manifestações, graciosamente organizadas pelos sindicatos que, como se sabe, nada têm a ver com o PCP.

Não seria mais original se os enfermeiros, em vez de gastarem dinheiro a alugar autocarros, montassem bancas e fizessem rastreios da diabetes, medissem o colesterol ou avaliassem a tensão arterial?

Não teria mais impacto, junto da população, se os enfermeiros montassem stands, nas capitais de distrito, onde fizessem educação para a saúde, fornecessem informações sobre a prevenção do cancro, estilos de vida saudável, planeamento familiar, a importância da precocidade da primeira consulta da gravidez, etc, etc?

Ou então, ao menos, que desfilassem nuas!…

311 Insultos!

Continuando o seu trabalho de serviço público, O Coiso apresenta uma lista de 311 insultos, por ordem alfabética.

Sempre que necessite de insultar alguém, consulte esta lista e escolha o insulto que melhor se adequa ao filho da mãe que quiser insultar.

Aldrabão, abécula, agarrado, analfabruto, atraso de vida, apanhado do clima, azeiteiro, alcoviteira, aselha, asno, anjinho, asqueroso, arruaceiro, artolas

Badameco, bandido, bruto, besta quadrada, barrigudo, brutamontes, borra-botas, bufo, boca de xarroco, boi, basbaque, biltre, bexigoso, bichona, bêbedo, bebedolas, batoque, banana, bardajona, badalhoca, bisbilhoteira, bandalho, bota de elástico, baldas, brochista, boneca de trapos, beata, bronco, bexigoso, betinho, bárbaro

Cunanas, camelo, chalado, camafeu, cona de sabão, cara de cu í  paisana, coirão, choninhas, carroceiro, cabeçudo, cavalgadura, canalha, cretino, calhandreira, caga-tacos, cegueta, caixa de óculos, cornudo, coxo, candongueiro, careca, chupado das carochas, copinho de leite, cacique, calão, cabra, cabrão, cusca, coscuvilheira, cão, cabeça no ar, convencido, chanfrado, cagão, chato, cobardola, cavalona, chico-esperto, charlatão, caloteiro, cigano, comuna, carrancudo, corno, caceteiro, canalha, carapau de corrida, choné, cabeça de abóbora

Delambida, desenxabida, doido varrido, doidivanas, desmancha prazeres, desastrada, desengonçado, desaustinado, desbocado

Escanifobética, estafermo, embusteiro, estúpido, esqueleto vaidoso, engraxador, esgalgado, empecilho, estroina, escarumba, estouvada, estupor, espantalho, estapafúrdio, energúmeno, espalhafatoso, enjoado da trampa

Flausina, farsante, filho da puta, fufa, fersureira, falhado, foleiro, facínora, falsário, franganote, fanfarrão, fanático, fanchono, filho da mãe

Gatuno, gordalhufo, gabiru, galinha choca, galdéria, gabarola, gosma, gandulo, ganancioso, garganeira

Histérica, herege

Idiota, imbecil, incapaz, incompetente, inútil

Javardo, judeu

Lambisgóia, ladrão, lavajão, lambéconas, lambe-botas, lingrinhas, larápio, larilas, labrego, louco, lorpa, lunático

Morcão, malacueco, maluco, mariquinhas pé-de-salsa, meliante, mentiroso, malandro, malandreco, malandrim, marreco, maneta, mouco, mariconço, maricas, menino da mamã, mastronço, mostrengo, moina, meia-leca, medroso, monhé, molengão, mafioso, medricas, masoquista, mineteiro, maltrapilho, maria-vai-com-as-outras, miserável, magricela, mula, mal enjorcado, mimado

Nódoa, nulidade, nabo, nojento, não-tens-onde-cair-morto, nababo

Otário, olhos de carneiro mal morto, orelhas de abano, obcecado, ordinário, obstinado

Palerma, parvalhão, pateta, parvo, porcalhão, piroso, pirata, piolhoso, peida-gadoxa, pantomineiro, pote de banhas, pernas de alicate, pelintra, patego, panasca, paneleiro, putéfia, puta, panilas, pés de chumbo, patife, perliquiteques, palhaço, palhaçote, porco, punheteiro, preguiçoso, pacóvio, pobre de espírito, proxeneta, patinho feio, panhonhas, pintor, parasita, presunçoso, palonça, peneirenta, pobre diabo

Quadrilheira, queixinhas, quatro-olhos

Ranhoso, reles, rasca, rameira, rabeta, rafeiro, reaccionário, reaças, raquítico

Salafrário, safardana, sevandija, sacripanta, sacrista, sacana, sovina, somítico, safado, sabujo, saloio, soba, sebento, sapatona, sádico, serigaita, sarnento, snob

Tarado, trombalazanas, trapaceiro, trabeculoso, tísico, trombudo, trauliteiro, tinhoso, trique-lariques, tosco, totó, trombeiro, trouxa, tonto, traste, trinca-espinhas, troca-tintas

Unhas de fome, urso

Vaca gorda, vigarista, vândalo, vígaro, vigarista, velhaco, vendido, vagabundo, vira-casacas, vaidoso

Xé-xé

Zero í  esquerda, zarolho, Zé-ninguém

Aceitam-se contribuições.

 

Foda í  Monção?

—Confesso que nunca provei uma foda í  Monção.

Modéstia í  parte, já provei fodas nos 5 continentes, mas nunca em Monção.

Em Valença, sim, que é lá perto, mas quando pernoitei em Monção estava com o estomago muito pesado e não dei uma para a caixa.

Agora, o que eu não sabia – juro que não sabia! – é que a Câmara de Monção quer mesmo certificar as fodas í  moda lá da terra.

Que ideia do c******!

Já viram bem o orgulho que é um cidadão de Monção andar com um certificado, tipo um crachá, espetado no peito, dizendo algo do género: fodas í  Monção é comigo!

E não há cá eufemismos: não é fazer amor í  Monção, ou queca, ou mocada, ou trolitada, ou cambalhota í  Monção.

É mesmo foda e mais nada!

É de Câmaras Municipais como esta que o povo precisa!

(certificar Diário de Notícias de ontem)

Como o MUDE me deixou irritado comigo próprio

Fui finalmente visitar o Museu de Design, no antigo edifício do Banco Nacional Ultramarino, na Rua Augusta.

No rés-do-chão, está a colecção permanente: mobiliário, vestuário, projecção de filmes, alguma loiça e duas dúzias de electrodomésticos (torradeiras fantásticas e rádios cheios de patine).

No primeiro piso, a Exposição temporária “É proibido proibir”, dedicada aos anos 60: monitores passam alguns filmes emblemáticos (“Barbarella”, “Midnight Cowboy”), altifalantes debitam música dos anos 60 (“Sgt Peppers…”, “Hair”, “Woodstock”, Stones, Janis Joplin) e mais mobiliário e mais vestuário.

—E, de repente, ali estava, bem í  vista, a máquina de escrever Olivetti Valentine, igualzinha í  que a Mila me comprou nos anos 70 do século passado, em segunda mão, num antiquário das Escadinhas do Duque.

Foi numa máquina igual a essa que escrevi muitos textos para o Pão Comanteiga, a uma velocidade que fazia saltar teclas, literalmente.

E depois, num daqueles ataques que nos dá e em que nos apetece desfazermo-nos de coisas que já não usamos, vendi-a a um ferro-velho, juntamente com muitos trastes.

Mais tarde, dei vários murros em mim próprio, insultei-me do pior, obriguei-me a torturas inenarráveis, próprias de um Jack Bauer, mas nada disso fez regressar a Olivetti ao lar.

Nunca mais me perdoarei!

Quanto ao MUDE, vale a pena a visita, embora saiba a pouco.

Jesus converte-se ao islamismo

Cavaco Silva decidiu condecorar Santana Lopes com a Ordem de Cristo.

Vou repetir:

Cavaco Silva decidiu condecorar Santana Lopes com a Ordem de Cristo.

Jesus afirmou: «Não aceito fazer parte de uma religião que usa o meu nome para condecorar gajos como o Santana Lopes!»

Depois da conversão de Cat Stevens e de Abel Xavier, o Islão ganha, em Jesus, um novo e poderoso aliado.

Ai Cavaco, Cavaco – arriscas-te a ir para o Inferno…

Orçamentos

Exmo. Sr. Primeiro-Ministo, José Sócras:

Tendo conhecimento que Vossa Excelência pretende elaborar um Orçamento e negociá-lo com os partidos da Oposição que se põem mais a jeito, vimos, por este meio, oferecer os nossos serviços, através dos seguintes produtos:

1. Orçamento ao jeito do PSD

Trata-se de um Orçamento que privilegia o combate ao deficit, graças í  introdução de pagamentos por conta, venda da dívida a grandes Bancos e entrega aos privados da gestão dos hospitais e das escolas, itens tão do agrado da Dra. Manuela Ferreira Leite.

Temos também a opção de baixar os impostos, esbanjar dinheiros públicos e dizer que estsamos todos na maior, ao jeito do Dr. Santana Lopes.

Podemos, finalmente, fazer alterações, de modo a elaborar um Orçamento que agrade a Pedro Passos Coelho, outro ao jeito de Aguiar Branco, ainda um outro ao estilo de Marcelo Rebelo de Sousa, e outro, mais pequeno, destinado a Marques Mendes.

2. Orçamento ao jeito do CDS-PP

Neste tipo de Orçamento, é levado em linha de conta toda a espécie de apoios í  lavoura, com subsídios para os agricultores mais altos, os mais morenos, os mais entroncados, os que tenham maçãs do rosto mais saudáveis, os de lábios mais carnudos e os de quadríceptes mais desenvolvidos.

Teremos, também, capítulos especiais para as pequenas e médias empresas, subsídios para pescadores e aumento das pensões de reformas para todos os idosos.

Aguardamos que Vossa Excelência nos dê a sua preferência.

Com os melhores cumprimentos,

Henrique, Cimento & Lícito, Lda, Orçamentos Grátis, Vamos a Casa

Referendo é coisa de suíços

A Suíça é um país estranho. Para além de estar dividida em cantões, quando toda a gente está a ver que aquilo são cantinhos, tem marinha, embora não tenha mar.

Para além da bandeira, que é bonita, os suíços pouco mais têm em comum – até a língua oficial é três.

Por isso, fazem referendos por tudo e por nada.

Agora, os portugueses parecem queres seguir-lhes as pisadas. Mais de 90 mil pessoas assinaram um abaixo-assinado pedindo um referendo sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Porquê?

Porque é um tema “fracturante”, que é uma palavra muito na moda e que soa a ortopedia.

Também os impostos são um tema fracturante (partem muitas cabeças) e nunca ninguém se lembrou de propí´r um referendo para saber se as pessoas querem, ou não, pagar impostos.

E, já agora que falamos de impostos, por que não um referendo para saber se as pessoas acham bem que as igrejas estejam isentas de impostos?

Se os deputados puderam aprovar uma lei que me obriga a trabalhar mais anos para atingir a reforma – por que carga de água não hão-de aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo?

E estou a ser injusto para os suíços… também gosto muito dos queijos e dos relógios…

O 10º Natal do Coiso na net

Foi no dia 1 de Novembro de 1999 que meti o Coiso na net.

A página de O Coiso foi toda desenhada pela Dalila e a sua forma original pode ser vista aqui.

O Coiso na net começou por ser um local onde coloquei textos que escrevi para muitos sítios, sobretudo, o Pão Comanteiga (programa-âncora da Rádio Comercial dos anos 80), o Uma Vez por Semana (o seu programa sexual), Pé de Vento, Pé de Cabra, Pau de Canela, Bisnau, A Quinta do Dois, Um, Dois, Três, etc, etc – e, claro, o próprio O Coiso, “o semanário humorístico com maior penetração no país”, e que durou apenas 13 semanas, em 1975.

Depois, a pouco e pouco, transformei este Coiso numa espécie de blog pessoal, onde publiquei as Memórias de um Fumador. Não gostei da exposição. Arrependi-me de partilhar com desconhecidos os altos e baixos da vida. Desisti do tom intimista e voltei ao tom “jornalístico”.

O “problema” é que, desde a infância que gosto de inventar jornais.

Assim, este Coiso é, sobretudo, uma necessidade – e um gozo.

O Coiso – jornal, foi um projecto meu, do ílvaro Belo Marques, do Mário-Henrique Leiria, do Ruy Lemus, do José António Pinheiro, do Carlos Barradas e de mais uns quantos maduros que giravam na órbita do jornal República, ainda antes do 25 de Abril de 1974.

Era um projecto “anarquista”, daqueles que não pode durar muito tempo porque se auto-destrói por natureza.

Chamava-se O Coiso, porque era (e é…) assim que a Mila se referia í s mais variadas coisas, pessoas, atitudes, acontecimentos – «passa-me aí o coiso», «viste aquele coiso?», «olha, acabou-se-me o coiso»…

Assim, í  pergunta: «como se há-de chamar o jornal?», acabámos por concordar em “O Coiso”, porque, de facto, aquilo não era bem um jornal, nem uma revista, nem nada de definível… era um coiso.

Portanto, com a ajuda da Dalila e do Pedro, O Coiso está na net há 10 anos.

Prometo, para já, mais 10 anos.

E bom Natal, pá!